Rio da Pedras, região do Rio de Janeiro que hoje vive sob o controle de grupos milicianos, tem uma história das mais interessantes, pois foi um dos primeiros núcleos de favelas estabelecidos naquele estado, a partir da concessão de terrenos doados pelo poder público a um determinado grupo de moradores locais. Esses moradores acabaram convocando os parentes para o local, ampliando sensivelmente o número de habitantes na região. Rio das Pedras conta com a ausência do aparelho de Estado desde o início, daí se entender que ali também foi forjado o primeiro grupo miliciano com atuação no estado. O grupo foi formado a partir de uma simples associação de moradores criada para organizar a distribuição dos terrenos.
Hoje, como mostra uma matéria da revista Veja desta semana, a região está completamente sob o controle dessas milícias, que exploraram um comércio cada vez mais diversificado, atraindo o interesse até mesmo de facções do crime organizado, como é o caso do Comando Vermelho, que está tentando tomar a região. Os grupos miliciano são geralmente formados por pseudo agentes de Estado que atuam na região, explorando negócios como a venda de gás, água, serviços de internet, imóveis na laje, segurança privada, transporte. Como já se tem notícia, nem o pãozinho francês escapa dessa sanha, pois a massa de trigo tem que ser comprada aos milicianos. São rendas fixas que movimentam milhões, algo diferente das oscilações inerentes ao tráfico de drogas, daí o grande interesse dessas fações do crime organizado por esse nicho.
Eles exploram tudo, estabelecem regras, criando o que os estudiosos denominam de governança do crime organizado. Outro dia um Oficial de Justiça queixou-se que estava sendo proibido de entregar intimações da justiça comum em determinada região, pois ali eles são a lei. Há ainda um dado a ser acrescentado. Por razões conhecidas, a ação do aparelho policial contra o crime organizado geralmente é maior do que a ação contra as milícias. A matéria da revista Veja está repercutindo bastante, uma vez que este é um tema central das próximas eleições presidenciais e para os governos estaduais, principalmente em estados como o próprio Rio de Janeiro, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, entre outros.

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