pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: As idiossincrasias dos arranjos políticos regionais.
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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Editorial: As idiossincrasias dos arranjos políticos regionais.


Até recentemente, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que é filiado ao PSD, telefonou para Lula para informar que havia fechado uma aliança com o MDB local, de olho na disputa pelo Palácio Guanabara, em 2026. Lula teria aprovado a aliança de imediato. Conhecedor como poucos da política carioca, Eduardo Paes sabe que precisa dá nó em água se deseja assegurar algum espaço político naquela quadra. Políticos orientados pelos critérios ou princípios ideológicos não têm qualquer chance de lograrem êxito por ali. Basta observar o arco de alianças que ele construiu nas últimas eleições. Depois do desfile na Marquês de Sapucaí, onde esteve ao lado de Lula, criou uma aresta com o pastor bolsonarista roxo, Silas Malafaia. Antes, porém, havia afirmado que, se mexessem com Silas Malafaia, estavam mexendo com ele. 

A postura de Silas é praticamente um indício de ruptura política, um pouco do ônus que o Planalto terá que pagar em razão do desastre político do desfile da Sapucaí. Há analistas políticos prevendo, inclusive, a possibilidade do candidato Flávio Bolsonaro já aparecer à frente de Lula nas próximas pesquisas de intenção de voto. A relação do PT com os evangélicos, que já era difícil desde as últimas eleições, pode se tornar desastrosa. É sempre bom analisar as quadras regionais para entendermos um pouco sobre como as acordos nacionais estão se refletindo entre os entes federados. Neste caso em particular, talvez compreenda-se porque o ex-presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, além de admitir a sua candidatura - ou sacrifício? - em Minas Gerais, informar que pode deixar o PSD para filiar-se ao MDB. 

Salvo em algumas praças - São Paulo é uma delas - a aliança do PT com o MDB pode ser que vingue. Como diria Gilberto Freyre, nada nos surpreenderia acerca desses arranjos regionais, motivados, sobretudo, por interesses paroquiais, tempo de propaganda no rádio e televisão, maiores chances de eleição de bancadas, entre outros penduricalhos. Em eleições passadas, até bolsonaristas haviam celebrados alianças com petistas nos chamados "rincões". Outro dia, aperreado com o seu projeto de reeleição ao Senado Federal, um cacique do Centrão propôs abandonar o projeto de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro - o que seria mais lógico - em nome de um acordo com o PT no seu estado. Até recentemente, o pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, desconfiou das reais intenções do seu União Brasil. Abandonou o partido e filiou-se ao PSD. 

Ele tinha lá suas razões Para complicar o cenário, um partido que está celebrando uma aliança com o PP, partindo do pressuposto do antipetismo, acaba de namorico com este partido em alguns estados, a exemplo de Pernambuco e Ceará. Em Pernambuco o partido está fechado com a candidatura do prefeito João Campos, do PSB, mas aliado de primeira ordem do PT. No Ceará, depois de inúmeras negociações com a futura Federação União Progressista, Ciro Gomes pode não contar com o apoio desta Federação para reassumir o Palácio da Abolição. Haveria uma tendência de apoio ao nome de Elmano de Freitas, movida pela possibilidade de ampliar as chances de formação de uma boa bancada da legenda. 

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