O escritor Graciliano Ramos foi prefeito de Palmeira dos Índios durante dois anos. Renunciou ao cargo antes de completar o mandato, possivelmente em razão de sua não adequação àquele ambiente. No período em que foi gestor público, deu provas inquebrantáveis de espírito e zelo pela coisa pública. Recusou a admissão de duas de suas irmãs na instrução pública porque elas não haviam prestado concurso. Mandou multar o próprio pai, por manter animais soltos nas ruas, quando havia uma determinação da Prefeitura Municipal em contrário. Quando indagado a esse respeito por um acanhado fiscal municipal, afirmou: - prefeito não tem pai. Mande lavrar a multa.
Este introito é para falar do grande rebuliço da política alagoana nos últimos dias. Primeiro foi o caso do deputado federal Alfredo Gaspar, pinçado de uma disputa ao Senado Federal pelo estado, para assumir a condição de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Ontem, 14, ficamos sabendo de um eventual encontro fora da agenda entre o presidente Lula e o ex-prefeito da capital alagoana, JHC (João Henrique Caldas), um jovem com futuro promissor na terra dos marechais. Faz algum tempo que se falou numa eventual aproximação entre João Henrique Caldas e Lula, envolvendo, igualmente, uma eventual participação de João Campos(PSB-PE) nas negociações. Ontem mesmo começaram a circular a informação de que JHC desistiria de sua candidatura ao Governo do Estado para se candidatar ao Senado Federal.
A mudança de rumo de JHC está produzindo alguns arranjos inusitados na composição da disputa, o que favoreceria os Renan, tanto no que concerne à disputa pela cadeira do Palácio Zumbi dos Palmares, quanto em relação às duas vagas ao Senador Federal, prejudicando os projetos de Arthur Lira, antes um aliado de JHC. JHC deixou a Prefeitura de Maceió com altos índices de aprovação, o que poderia, de alguma forma, ameaçar o projeto de reeleição de Renan Filho. Quanto à reeleição do pai, Renan Calheiros, tudo indica que uma das vagas pode ser dele, se considerarmos as últimas pesquisas de intenção de voto para a Casa Alta. A questão agora é a segunda vaga.

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