Faz algum tempo que não atualizamos o nosso currículo lattes. Há até livros publicados que nunca foram registrados por ali. No entanto, sabemos que o tal currículo é a grande referência utilizada para inferir sobre a formação e produção acadêmica de professores e pesquisadores. Uma espécie de parâmetro. Por outro lado, embora atualizado com regularidade, o tal currículo lattes pode deixar de averiguar uma série de competências e habilidades. Nada é perfeito. Um dos grandes problemas, por exemplo, é o recheio de atividades que, nem sempre, correspondem à realidade, postas ali apenas oferecer ao currículo uma dimensão que ele não possui. Como ele é muito cobrado na academia, lembramos agora de um professor que se referia ao tal currículo lattes como aquele que late, mas não morde.
A referência aqui é sobre a citação, no currículo do candidato Flávio Bolsonaro, sobre um curso de formação em Ciência Política, de pronto desmentido pela universidade citada. No Governo de Jair Bolsonaro alguns integrantes do seu entorno acabaram incorrendo no mesmo equívoco. Por outro lado, não se pode dizer que este seja, necessariamente, um mal do bolsonarismo, uma vez que gente de outras tribos políticas também já foram flagrados na mesma situação. Sugere-se mais uma questão de vaidade pessoal. O curioso é que entre os indicados ao Governo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro que cometeram tal equívoco, dois deles atuavam justamente no Ministério da Educação.
No final da tarde de ontem, a assessoria do candidato admitiu o equívoco na apresentação do seu currículo. Uma outra lacuna que se apresenta diz respeito ao programa de governo. Se há um desgaste do Governo Lula acerca do "mais do mesmo", pouco ou nada se sabe sobre como será a condução da economia num eventual Governo Flávio Bolsonaro. Nos referimos aqui à economia, pois, como diria o economista Roberto Campos, o bolso ainda é uma parte sensível.

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