Existem três atores políticos no Brasil que impõem que fiquemos atentos às suas falas. Um desses nomes é o do Presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab. Além de muito hábil politicamente, o ex-prefeito de São Paulo transita pelas tribos mais estratégicas do país, aquelas que, na realidade, definem o resultado do jogo. Tal condição dá a ele uma capacidade ímpar de chegar a determinadas conclusões muito antes do que os pobres mortais. Sua fala recente, afirmando que o candidato Flávio Bolsonaro teria "chance zero" de vencer as próximas eleições precisam ser analisadas com a ponderação devida. Nesta mesma afirmação, Kassab sugeriu que a propalada reticência ou neutralidade do Centrão, na realidade, pode ser traduzida como apoio ao projeto de reeleição do presidente Lula.
Há de se considerar aqui, no entanto, a jogada do bruxo em relação ao candidato do seu partido, o PSD, Ronaldo Caiado. Kassab é vice de Caiado. Na eventualidade de um segundo turno, algumas pesquisas mostram um equilíbrio de forças entre o ex-governador goiano e o petista. Na contingência de uma inviabilidade de Flávio, quem poderia ocupar esse espaço? A fala causou uma repercussão interessante, inclusive em hostes bolsonaristas. Ontem líamos a informação de que aquele pastor conhecido por sua identificação com o bolsonarismo talvez não participe das movimentações programadas para o 07 de setembro. Sinalizações assim não são frutos do acaso. Sempre indicam expectativas.
A campanha já está nas ruas. Vamos ver como o eleitorado se comporta a partir de agora. O que muda? Em matéria de escândalos, o jogo está praticamente empatado. O PT moveu moinhos de ventos para blindar Lulinha das investigações do CPMI do INSS, mas ele encontra-se enredado por três investigações encetadas pela Polícia Federal. O que muda na campanha de Lula com a saída de Sidônio Palmeira? Vamos acompanhar com esses atores se movimentarão daqui para a frente e, principalmente, como o eleitorado reagirá.

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