O eleitorado pernambucano tem dado demonstrações de que pretende eleger um senador de perfil progressista e um senador de perfil conservador para o Senado Federal. No passado, os analistas políticos analisavam essa tendência como algo positivo, pois representava uma evidência de que tais eleitores procuravam estabelecer um equilíbrio de forças, não apostando todas as fichas num único grupo político. Neste caso, se essas fichas fossem creditadas em apenas um grupo, poderíamos ter a Frente Popular com a eleição dos nomes de Marília Arraes e o senador Humberto Costa, que tenta a reeleição. Marília, como se sabe, foi definida pelo eleitorado pernambucano como a representante desse campo progressista. Falta o eleitorado definir quem será o nome que representa as hostes conservadoras do estado.
Muitos são aos chamados, poucos os escolhidos, conforme o Evangelho de Mateus, nas Sagradas Escrituras. Depois do imbróglio envolvendo os nomes do deputado Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, na composição da chapa da governadora Raquel Lyra, o jogo foi praticamente zerado. Miguel, como vinha acompanhando a governadora a mais tempo, sendo assegurado que ele seria um dos candidatos ao Senado Federal, poderia ser esse representante das hostes conservadoras, como um ilustre representante do clã Coelho, de Petrolina. Eduardo da Fonte, embora com grande capilaridade política, ainda não definiu se será ou não candidato, uma vez que já foi prejudicado pelo impasse e amarga uma situação onde o seu nome, embora aceito com o aval da federação União Progressista, já possui uma imagem de rejeição na composição da chapa da governadora.
Os Coelho, por sua vez, se sentem traídos e políticos traídos é complicado. Desde de ontem se fala sobre os eventuais rumos que o grupo poderia tomar. Miguel, pessoalmente, tem demonstrado o desejo de apoiar a reeleição da governadora, independentemente do ocorrido. Mas o seu partido, o União Brasil, tem dado demonstrações de que não deseja apoiar a governadora. Antonio Rueda, Davi Alcolumbre e ACM Neto pediram explicações para o ocorrido em Pernambuco. Fala-se que Marília Arraes poderia ter sondado os Coelho para uma suplência em sua chapa; Hoje, 02, surgiu a notícia de Mendonça Filho(PL-PE), que aparece bem nas pesquisas de intenção de voto, pode habilitar-se como candidato ao Senado Federal com o apoio da família Coelho. São muitas as especulações em torno do assunto.
Pelo menos formalmente, Eduardo da Fonte é candidato ao Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra, ao lado do deputado federal Túlio Gadelha. Todos os seus passos, no entanto, são bem calculados. Não se arriscará a ficar sem mandato. Muito além da composição com a governadora, outras variáveis precisam ser observadas nessa conjuntura, como as eventuais costuras da Frente Popular em alianças com segmentos conservadores do estado, em alguns casos, até alinhavados com o projeto de reeleição da governadora. Em teses, essas bases podem estar "minadas". Essa observação é válida, sobretudo se mantidos ou ampliados os escores do segundo senador da Frente Popular.

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