Um experiente desembargador afirmou recentemente que o Brasil havia acabado há 20 anos. Infelizmente, não há porque duvidar de suas palavras. Ao longo desse período, tivemos um retrocesso não apenas institucional, mas civilizatório no país. Num determinado momento de sua fala, o desembargador afirma que andou à procura de um resíduo de "verdade". Este editor andou à procura de um resíduo, menor que fosse, de "institucionalidade". É uma sensação horrível saber que não existem mais as instâncias que antes arbitravam os conflitos de forma isenta e republicana. Talvez o exemplo mais acabado desse descalabro seja a indicação de uma comissão de ética que se orienta por critérios ideológicos, punindo apena os implicados que são adversários políticos. Os companheiros não cometem deslizes éticos.
Quando o STF tentou impor regras republicanas para a contenção das farras dos penduricalhos em instâncias do Poder Judiciário, ouve, como já era esperado, uma grita enorme por todo o país. Gente que recebia salários altíssimos para os padrões brasileiros afirmaram que viver com um salário de aproximadamente R$ 40 mil reais seria igualar-se aos milhões de trabalhadores e trabalhadoras que recebem míseros R$ 1.600 por mês, num total descolamento de nossa realidade. Depois, diante talvez de pleitos justos, o STF acabou flexibilizando alguns desses recebimentos. Agora vem a notícia de que o STF manou suspender novamente o pagamento de alguns desses penduricalhos pelo país afora.
O mecanismo atinge cifras espantosas. Somente um desses magistrados teria recebido algo superior aos R$ 3 milhões de reais. Como se isso ainda não fosse o bastante, nos últimos anos cresceram sensivelmente a prática de vendas de sentenças pelo país afora. A notícia boa é que a partir de agora os juízes podem perder o seus cargos caso sejam comprovadas as práticas ilegais no exercício da função. Antes eles antecipavam a aposentadoria - sem perder os penduricalhos - e iam curtir os netos e fazer pãezinhos no final da tarde.

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