Penso que foi a raposa mineira Magalhães Pinto que, entre outras máximas, cunhou a expressão: "Reunião Mineira", onde advogava que os mineiros tomavam as suas decisões antes das reuniões aconteceram, ou seja, quando eles realizavam uma reunião era apenas para comunicarem o que, em princípio, já estava decidido. Estávamos acompanhando há pouco uma conversa entre o pastor Marcos Pereira, Presidente Nacional do Republicanos, e o senador Cleitinho, que acaba de decidir que não irá disputar o Governo de Minas Gerais, nas próximas eleições. O argumento de Cleitinho é o sentimental. Recentemente o senador perdeu um irmão e, em função deste fato, não se sente em condições psicológicas de encarar a disputa. Temos que respeitar essa posição do senador, mas há algo de muito estranho neste episódio.
Primeiro, o partido se contrapôs à iniciativa de sua candidatura sob o argumento de que ele não participou da convenção partidária. Depois, ele mesmo afirmou que "Se o povo querer", eu topo. O povo queria. Cleitinho lidera todas as pesquisas de intenção de voto até o momento. Com a sua saída, conforme afirmamos anteriormente, até o azarão do Patrus Ananias, candidato do PT, passa a ter alguma chance na disputa. A desistência de Cleitinho é mais um duro golpe nas pretensões presidenciais de Flávio Bolsonaro. Abre uma avenida para o crescimento do PT num estado determinante numa eleição presidencial. Era um dos pontos de fragilidade do PT, que poderia ser melhor explorado pela oposição. Com a desistência de Cleitinho, agora é Flávio quem está à procura de um nome para levantar seu palanque naquele estado.
Como diria Magalhães Pinto, é muito estranha uma reunião de cinco horas para se fazer um comunicado de desistência da candidatura. Da nova geração, Cleitinho é um político atípico, lembrando algumas figuras emblemáticas do passado. Tem um estilo bem espontâneo de fazer política. Dizem que chorou bastante ao anunciar que não seria candidato. O que se diz, pelo menos publicamente, é que o partido já havia decidido que a sua não ida à convenção não se constituiria num impedimento. Nunca entendemos muito bem porque um partido como o Republicanos perderia a oportunidade de governar um dos estados mais importantes do país.

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