quinta-feira, 15 de maio de 2025
Editorial: O menu indigesto da política brasileira.
Não vamos aqui revelar quem vazou os diálogos indiscretos com o Xi Jinping, mas também temos as nossas suspeitas. O que preocupa mesmo é este cardápio indigesto da política brasileira, com ingredientes de intrigas palacianas, derrapadas diplomáticas e novas denúncias de eventuais corrupção na máquina pública. Tá feia a coisa, quando acordamos pela manhã com essas notícias ocupando as primeiras páginas dos jornais e, possivelmente, inspirando nossos chargistas. São erros em sequência que não poderiam dar um outro resultado que não este. No início de 2023 uma repórter fez algumas considerações acerca de como deveria ser o comportamento litúrgico de uma primeira-dama. A repórter foi literalmente linchada nas redes sociais. A esta altura, Sérgio Buarque de Holanda deve estar se revirando em sua tumba, tentando comunicar que havia advertido sobre este fato.
O encontro de onde teria vazado informações indiscretas acerca de considerações sobre a atuação da rede TikTok no país, em tese, tratou-se de um encontro reservado. Se a liturgia fosse obedecida, não teríamos porque estarmos "debatendo" esses eventuais vazamentos, alimentando as intrigas palacianas. São projetos pessoais, conduzidos por cálculos personalistas, que estão assanhado essas intrigas, o que sugere concluirmos que não é nada consistente, embora os prejuízos, como se observa, sejam bastante evidentes. A despeito dos esforços empreendidos pela SECOM para mudar esta realidade, se seguirmos neste diapasão, não há estratégia de comunicação que surta os efeitos positivos esperados.
Ainda não saiu nenhuma nova pesquisa de avaliação do Governo Lula 3 depois que estourou o escândalo das fraudes do INSS, mas, segundo se informa, o Governo teria pesquisas internas indicando as ranhuras de imagem. Os levantamentos da repercussão deste fato nas redes sociais indicam que a estratégia governista de adotar uma narrativa que responsabiliza os governos anteriores sobre o ocorrido no INSS não deu resultado positivo e, pelo andar da carruagem política, não há como Davi Alcolumbre possa segurar a onda positiva pela criação de uma CPMI d0 INSS. O ônus a ser pago será muito pesado entre seus pares.
quarta-feira, 14 de maio de 2025
Drops Político: Obrigado, Singapura.
Não temos um estudo mais aprofundado sobre este blog, o que significa dizer que não temos um guia que nos oriente no sentido de adequar os assuntos tratados aqui consoante o interesse do público. Temos algumas intuições que se mostram pontualmente acertadas, mas nada com muita precisão. A questão das zonas geográficas de acesso se constituem num outro problema, uma vez que os escores de acessos de determinados países são muito variáveis. No geral, o Contexto Político está consolidado em países como os EUA, o Canadá, o Brasil, a Alemanha e Países Baixos. Não temos muita penetração na América Central, tampouco no continente Africano. Na Ásia vamos bem, principalmente na Cidade-Estado de Singapura. Singapura tem dado um apoio efetivo ao blog, seja em termos de acessibilidade, seja no que concerne à leitura de nossos livros, conforme os relatórios recebidos. Só temos a agradecer. Muito obrigado, Singapura. Vejam o relatório do dia de hoje.
Editorial: Justiça decide que grupo empresarial de Natal é o dono do Hotel Tambaú.
Crédito da Foto: Clilson Junior.
O magnífico Hotel Tambaú, em João Pessoa, está fechado há muitos anos, provocando alguns problemas até de saúde pública para a população da cidade. Suas piscinas viraram criatórios para o mosquito da dengue. Suas imediações degradadas, locais para consumo de drogas e encontros sexuais. Para os turistas que visitam a cidade, uma grande decepção. Um monstrengo encravado na cidade que hoje atrai turistas do mundo todo, tornando-se um dos destinos mais procurados do mundo. Concebido pelo arquiteto Sérgio Bermudes, ainda na década de 70, O Hotel Tambaú era um atrativo em si mesmo. O equipamento, além dos 172 apartamentos de frente para mar, dispõe de áreas de lazer, lojas, restaurantes, bar, auditório, galeria de exposições. Um colosso.
Movido pelo reclame da população, o poder público já havia se manifestado sobre o assunto, tudo no afã de intervir no sentido de retomar as atividades do equipamento. No dia 12, o STJ determinou que o hotel pertence ao grupo AG Hotéis, de Natal, hoje administrado pelo empresário Rui Gaspar. O hotel foi arrematado pelo valor de R$ 40,6 milhões. Ele já anunciou que pretende restaurar o equipamento em 2026, devolvendo-o às suas atividades, com a ampliação das acomodações e outras intervenções. É uma boa notícia. As imediações do Largo da Gameleira, o aprazível Largo da Gameleira, deverá voltar ao que era antes, com a retomada das atividades do hotel.
O fechamento daquele equipamento produz um grande desconforto aos turistas que visitam a cidade de João Pessoa. Batido o martelo da justiça, a torcida agora é que, finalmente, as obras de restauração sejam indiciadas imediatamente. Chegaram a colocar os tapumes, isolar a área, mas tudo continuou como estava antes. Outro dia líamos uma matéria sobre a ausência de cuidados maiores com o Largo da Gameleira, point das famílias do bairro de Tambaú e Manaíra, que se reúnem por ali, nos finais de tarde, para tomarem um sorvete na Friberg.
Editorial: 259 parlamentares já assinaram a proposta de CPMI do INSS.
O documento que propõe uma CPMI sobre o INSS já conta com 259 assinaturas de parlamentares, 51% de deputados e senadores da base governista. São 223 deputados e 36 senadores. Como as animosidades entre os Três Poderes da República são evidentes, a mídia repercute bastante uma "reação" do Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, questionado a decisão da Corte sobre o pedido de encerramento das ações contra o deputado Alexandre Ramagem, em julgamento no STF. Além dos questionamentos, Hugo Motta solicita que a resolução da Câmara seja avaliado pelo pleno da Suprema Corte. É possível antecipar qual seria o desfecho dessa reação, mas, enfim, uma reação é uma reação, sobretudo num contexto de aparente desequilíbrio de forças. Serve para dar uma satisfação aos pares.
Daqui a duas semanas, o Presidente do Senado Federal, David Alcolumbre, terá um teste de fogo. Apreciar o pedido de uma CPMI sobre as fraudes no INSS. O pedido é robusto, o clima popular é de grande comoção, o que implicará num custo muito alto ao presidente da Casa Alta se contrapor ao pleito, a despeito do bom trânsito de Alcolumbre junto a um Executivo que não deseja a instalação desta CPMI. Mesmo com a eventual resistência de David Alcolumbre, sob os argumentos rotineiros da "fila de espera", a pressão dos parlamentares será grande. Nossa expectativa é que a CPMI seja aprovada, permitindo aos brasileiros e brasileiras tomarem conhecimento das nuances da engrenagem de ladroagem perversa que penalizou milhões de aposentados e pensionistas, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste do país.
A cada dia surge uma nova suspeita da Polícia Federal sobre o assunto. Polícia Federal, que, aliás, vem realizando um excelente e exaustivo trabalho de investigação sobre o caso. Curioso um líder do Governo afirmar que a crise foi extinta, quando estamos no olho do furação. Ontem, 13, foi divulgado uma espécie de mapeamento dos locais com o montante das fraudes ocorridas, notadamente em cidades de estados como o Maranhão e o Piauí, onde se concentraram a maior parte dessas fraudes. Não há dúvidas que teremos mais novidades por aí e a abertura da caixa-preta numa CPMI ajudaria bastante esses esclarecimentos.
terça-feira, 13 de maio de 2025
Editorial: A autopsia do escândalo do INSS.
Não sabemos o número exato de agentes públicos da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União envolvidos nas investigações das fraudes do INSS, mas sugere-se que possa se tratar de um número ainda insuficiente para esmiuçar toda a complexidade do problema, trazendo a público dados precisos, uma autopsia dos crimes cometidos, ajustando as provas e remetendo à justiça os elementos que impliquem na posterior punição dos responsáveis. Há de se reconhecer aqui o empenho abnegado dessas duas instituições de Estado na realização das investigações envolvendo esta fraude. Ainda ontem, 12, andou circulando um vídeo - não se sabe se verdadeiro ou montagem - onde o "careca" do INSS aparece na garupa de uma moto, acompanhando o ex-presidente Bolsonaro numa dessas motociatas. Falso ou verdadeiro, casa-se com a narrativa que uma das partes está construindo sobre essas fraudes.
O montante de mais de R$292 milhões serão devolvidos aos pensionistas e aposentados lesados numa primeira etapa, conforme comunicado do novo presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior. Ainda há muitas polêmicas acerca dos mecanismos que serão utilizados para este ressarcimento, como o aplicativo Meu INSS, que deverá ser acessado pelo beneficiário, para seguir as orientações e habilitar-se a receber o montante descontado irregularmente de suas aposentadorias e pensões. Na realidade, estamos longe de construirmos algum consenso entre os órgãos do Governo em relação a este assunto.
No momento em que o governo sinaliza para a utilização do aplicativo, talvez como forma de precaver-se sobre novos "ruídos", a CGU anuncia que a maior parte dessas fraudes ocorreram no Nordeste, em estados como Piauí e Maranhão, dois estados com os piores Índice de Desenvolvimento Humano do país. São pessoas simples, humildes, deficientes, de pouco ou nenhuma instrução, ainda na era analógica, indicando que os ladrões do erário parecem ter escolhido a dedo suas vítimas, ampliando o grau da maldade produzida. As cidades onde ocorreram fraudes em número mais elevados são Ribeiro Gonçalves, No Piauí, Vertente do Lério, em Pernambuco, e Altamira, no Maranhão. Curiosamente Vertente do Lério, em Pernambuco, aparece em segundo lugar na lista, mas é circunstancial. Os estados mais atingidos foram mesmo o Maranhão e o Piauí.
Editorial: O plano para assassinar "Juca".
| Crédito da Foto: Poder360 |
Nesses momentos de turbulência que o país atravessa, é sempre bom ouvirmos posições equilibradas das instituições da República. Matéria da Folha de São Paulo do dia de hoje, 13, faz considerações ao posicionamento da cúpula das Forças Armadas em relação à aplicação das penalidades previstas aos militares envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Caso isso não ocorra, como sugere-se, afinal, que seja o grande objetivo do PL da Anistia, estimularia a insubordinação na tropa na avaliação dos militares legalistas, moderados e constitucionalista. Não há dúvidas de que, com tal desfecho, haveria uma espécie de "banalização" de golpes de Estado. Embora considere avaliar a dosimetria das penas aplicadas aos envolvidos nos atos do 08 de janeiro especificamente - mesmo entendendo que se tratou de uma etapa da tessitura golpista - O STF, pelo andar da carruagem política, não será complacente com aqueles atores que estiveram no epicentro do planejamento e execuções relacionadas a mais uma tentativa de golpe de Estado no país. Felizmente fracassada.
E, por falar em golpe de Estado, a Folha também informa que se descobriu que no curso da operação Punhal Verde e Amarelo, onde estava prevista a eliminação física de membros do Executivo e do STF, a lista também incluía um codinome de "Juca", que, segundo presume-se, seria o ex-Ministro da Casa Civil do Governo Lula, José Dirceu. Curioso que a informação é recente. Em princípio, os nomes divulgados seriam o do presidente Lula, do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e o do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Isso é muito sério e a nossa modesta conclusão é a de que o presidente Lula não reuniu as condições institucionais suficientes para adoção das medidas saneadoras que se faziam necessárias em órgãos militares, de segurança e inteligência de Estado. O caso da ABIN paralela é emblemático.
Neste momento, o ex-Ministro José Dirceu ensaia uma volta à ribalda, onde se projeta até mesmo uma candidatura a deputado federal por São Paulo. Apesar da "hibernação" a que se submeteu por um longo período, continua azeitado politicamente. Recentemente comemorou seu aniversário em Brasília em grande estilo, com convidados das mais diversas tribos políticas da capital federal. Advogados dos militares envolvidos nas tessituras da Operação Punhal Verde e Amarelo, que a Folha tentou ouvir, não quiseram se pronunciar sobre o assunto.
segunda-feira, 12 de maio de 2025
Editorial: "Devo não nego, pago quando puder". Nem por isso vou perder a popularidade?
| Crédito da Foto: Acervo da Fundação Joaquim Nabuco. |
Filho de família tradicional da aristocracia canavieira do estado da Paraíba, o escritor José Lins do Rego, eventualmente, socorria os amigos, quando esses enfrentavam alguma dificuldade financeira. Foi assim com o escritor Graciliano Ramos, que ficou desempregado logo após amargar uma prisão durante a ditadura do Estado Novo. O velho Graça sobreviveu no período escrevendo contos para uma publicação argentina, participando de concursos literários organizados pelo Governo Federal e publicando textos em jornais. O seu livro mais conhecido, Vidas Secas, foi publicado desta maneira, capítulo por capítulo, o que levou alguns críticos a questionarem a sua "unidade" narrativa. Mais isso é uma outra discussão.
José Lins trocou inúmeras cartas com o sociólogo Gilberto Freyre. Em algumas delas, Freyre também se queixa ao amigo de suas dificuldades econômicas, mas não podemos afirmar se o paraibano o socorreu nessas dificuldades. É atribuída a José Lins a expressão: "Devo não nego, pago quando puder. Nem por isso vou perder o sono." Chegamos a confirmar essa expressão num texto biográfico sobre o autor de Menino de Engenho, que, entre outros textos do autor, embalou nossas leituras de adolescência. Odilon Ribeiro Coutinho, que ajudou financeiramente a campanha de Gilberto a deputado federal, num texto publicado pelo revista Ciência & Trópico, descreve magnificamente aquele ambiente do viço da cana-de-açúcar que nos levaram a ler, reiterados vezes, os seus principais romances, aqueles que tratam deste ciclo. A moenda literária de José Lins do Rego só funcionava bem, segundo Manuel Bandeira, nos romances da cana-de-açúcar.
Fizemos esta introdução para discutirmos o enredo complicado em que o Governo Lula 3 tenta se explicar sobre as fraudes recentes ocorridas no INSS, assim como no que diz respeito aos procedimentos de devolução dos descontos indevidos aos aposentados e pensionistas. Antes afirmaram que os recursos seriam depositados naturalmente nas contas dos aposentados. Agora já informam que as agências dos Correios poderiam serem utilizadas com esta finalidade, num momento em que a estatal está enredada em problemas, como a recente operação de fraudes cometidas por funcionários do órgão que, segundo investigações da Polícia Federal, supostamente, operavam um esquema onde encomendas eram despachadas e os recursos apropriados indevidamente. É de perder o sono, contrariamente ao que dizia Zé Lins. De onde virá os recursos? Do tesouro? Das entidades beneficiadas irregularmente, quando se sabe que será uma tarefa extremamente complicada reaver tais recursos? Independentemente da origem dessas falcatruas, caiu uma bomba no colo do Governo, que ainda não se refez dos danos produzidos. Encontra-se atordoado. Penso que ainda podemos dizer isso por aqui. Agora ficamos sabendo que há um movimento para barrar na Justiça o vídeo do deputado Nikolas Ferreira tratando deste assunto, que viralizou nas redes sociais. Depois de 130 milhões de visualizações?
Editorial: Mesmo inelegível, Bolsonaro se preocupa com as movimentações de Temer.
Acordamos hoje com as avalições sobre o aumento expressivo do preço do nosso cafezinho este ano. Neste ritmo, fica difícil fazer o blog ao lado da tradicional xícara de café com canela. Não há prenúncio de que o preço de alguns produtos possam ceder, tampouco os índices inflacionários, de acordo com as autoridades monetárias. As previsões acerca do assunto são pessimistas. Ontem, 11, comentávamos por aqui acerca das movimentações do ex-presidente Michel Temer no sentido de construir uma candidatura de centro-direita, a partir da impossibilidade de uma candidatura de Jair Bolsonaro, assim como diante das dificuldades e desgaste do Governo Lula 3. O curioso é que, embora desaconselhem essas movimentações, os próprios bolsonaristas convergem para o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assim como o Movimento Brasil, liderado pelo ex-presidente Michel Temer.
Tarcísio de Freitas está galvanizando a alternativa de centro-direita, o que significa dizer que, apesar do esboço de resistência, se nada mudar em relação à inelegibilidade de Bolsonaro, o próprio PL pode encampar o projeto Tarcísio. Aliás, além dos elogios, dirigentes da legenda sondam a possibilidade de filiá-lo ao partido. O Republicanos está em vias de efetivar uma federação com o MDB. Em princípio, o PSD de Gilberto Kassab também estaria nas negociações. Talvez o que esteja incomodando mesmo os bolsonaristas raízes seja este protagonismo assumido por Michel Temer. São cinco governadores de centro-direita que estão no radar de Temer. Todos eles com pretensão de pré-candidaturas. Não vejo como possa ser ungido alguém de fora desse grupo, que já conta com o apoio da mídia conservadora e da Faria Lima. Michel Temer não brinca em serviço. Desde as últimas eleições municipais que ele vem coxeando o alambrado, como diria o Leonel de Moura Brizola.
Perguntado de poderia ser ele mesmo o escolhido, Temer argumenta que não tem mais disposição. Quem não deve estar gostando mesmo dessas movimentações é o PT, a partir da experiência com a ex-presidente Dilma Rousseff. A construção de consensos entre os grupos conservadores são mais simples. O complicado mesmo seria as movimentações em torno de construção de uma alternativa de centro-esquerda, em razão das enormes adversidades que o PT enfrenta neste momento. Dificuldades econômicas e novos escândalos de corrupção não alavancam candidatura de ninguém.
domingo, 11 de maio de 2025
Editorial: Mídia alavanca o Movimento Brasil de Michel Temer.
Há um equívoco em imaginar que, em algum momento, o ex-presidente Michel Temer deixou de exercer sua influência política no Brasil. Atuando discretamente nos bastidores, talvez ele tenha chegado à conclusão de que chegou a hora de emergir. Desde as últimas eleições municipais paulistas, quando esteve reunido com um staff político de alta linhagem, que atuou para reeleger Ricardo Nunes(MDB-SP) prefeito da capital paulista, se sabia que, daquele conjunto de forças sairia as fumaças que indicaram a construção de um projeto de poder a nível nacional, de olho nas eleições de 2026. Nos últimos dias, embora as chaminés ainda estejam emitindo fumaças negras - uma vez que o ungido ainda não foi definido - o conclave continua ativo, reunindo líderes partidários e governadores de estado, a exemplo de Ratinho Junior, do Paraná, Ronaldo Caiado, de Goiás, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, Romeu Zema, de Minas Gerais, e, claro, Tarcísio de Freitas, de São Paulo, talvez o favorito do grupo para esta unção.
Na realidade, embora atue como uma alternativa à reeleição de Lula e a impossibilidade de uma candidatura do Jair Bolsonaro, não se pode tratar o Movimento Brasil como uma terceira via, mas uma proposta de centro-direita, como alternativa ao desgaste do PT e a ameaça autoritária representada pelo bolsonarismo. Temer sugere que se discuta primeiro um programa e somente depois um nome. Observem os leitores que todas essas frentes políticas que estão se formando tem um ponto em comum: Uma contraposição ao petismo. Já se cogita uma próxima federação, desta vez reunindo o MDB de Temer, o PSD de Kassab e o Republicanos de Tarcísio.
A grande mídia, por sua vez, não deixa de dar a sua contribuição a esses movimentos, a exemplo o editorial do Estadão do dia de hoje, 11, classificando o Movimento Brasil de Temer como uma proposta democrática, republicana, moderada, qualificada e liberal. À noite, Michel Temer é o entrevistado do Canal Livre, da Band. Animal político com um faro apurado, Temer já percebeu que o sistema não tolera o perfil de candidato que atente contra o ordenamento democrático dos Três Poderes, tampouco a população parece disposta, pelo menos neste momento, a creditar mais um mandato ao Partido dos Trabalhadores. É nessas águas que ele se movimenta, com tentáculos afiados, em interlocuções com os Poderes da República, inclusive com um bem fincado na Corte. Quando questionado se poderia ser ele mesmo o escolhido, desconversa.
sábado, 10 de maio de 2025
Editorial: Um impasse chamado Ramagem.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para rejeitar, em parte, a decisão da Câmara dos Deputados, que propôs o enceramento da ação penal que corre na Suprema Corte contra o deputado Alexandre Ramagem. A decisão da Câmara foi muito comemorada, uma vez que o deputado é arrolado em processo que também envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em assim sendo, abriria um precedente que poderia, igualmente, favorecê-lo. O STF, através do Ministro Cristiano Zanin, já deu um veredicto a este respeito. A decisão da Câmara dos Deputados em relação ao parlamentar vale, unicamente, para os crimes que lhes são imputados depois que ele se tornou deputado. Não abarca as eventuais ações em julgamento, que ocorreram antes, quando ele dirigia a ABIN, por exemplo.
As ações pelas quais ele continua como réu no STF são as mais complicadas, aqueles que estão relacionadas à tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito no país. Trata-se de uma vitória de Pirro, com um componente político de vulto, pois foi comemorado pelos seus pares como um momento crucial, onde o Legislativo, finalmente, teria tomado a decisão de enfrentar o Judiciário. Aqui é que a porca torce o rabo, uma vez que, neste momento, aguardar-se uma reação da Câmara dos Deputados à decisão da Suprema Corte. A margem de manobra é inexistente, uma vez que a decisão do STF foi tomada com base na Constituição Federal.
Não há nenhuma provocação aqui, mas, diante dos ânimos acirrados entre os Três Poderes da República, sugere-se algum movimento neste cabo de guerra. No mínimo uma pressão maior sobre o Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que já demonstrou habilidade suficiente para sair dessas enrascadas.
Editorial: Guerra de narrativas em relação às fraudes no INSS.
Até recentemente, o presidente Lula falou sobre a crise que se instaurou no INSS, após as denúncias de fraudes ocorridas no órgão, esquema que continua sendo investigado pela Polícia Federal, que, a cada nova investida, descobre agigantar-se a dimensão dos danos produzidos contra pensionistas e aposentados. O montante inicial de R$ 6,3 bilhões já foi superado há algum tempo. O Governo Lula 3, por sua vez, anda enredado com o problema, construindo uma narrativa sobre os fatos; articulando-se para impedir uma CPMI que já conta com 211 assinaturas( este número pode ser maior) e, por outro lado, batendo cabeça sobre como será implementado o processo de ressarcimento às pessoas lesadas.
Nesta fase inicial, parte dos recursos recuperados pela PF serão utilizados para efetivar os primeiros ressarcimentos, o que seria natural, assim como contingenciar essas entidades ou sindicatos a devolver esses recursos à União. Hoje, dia 10, tomamos conhecimento que a justiça já teria determinado o bloqueio de bens de alguns dos responsáveis por essas entidades picaretas, constituídas apenas com o intuito de beneficiar-se de recursos públicos. Entramos também numa guerra de narrativas entre Governo e Oposição. O vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira tratando do assunto, já atingiu 100 milhões de visualizações em apenas 24 horas.
O Governo Lula3 lançou uma cartilha para tratar deste assunto, ao passo que os pronunciamentos de autoridades do Governo, possivelmente com a digitais da SECOM, estão sendo uniformizados. Ocorreu uma ligeira crítica do Ministro da Casa Civil, Rui Costa, à atuação da Controladoria-Geral da União, neste caso, mas o incêndio foi logo contido por Sidônio Palmeira. O Governo Lula 3 faz um esforço hercúleo para não permitir a instauração de uma CPMI sobre o caso, mas, a rigor, ela se impõe em razão da dimensão do problema. Desta vez há um clamor humanitário em jogo.
Editorial: Eduardo Leite chega ao PSD com cara de candidato presidencial.
Vamos iniciar nossas discussões tratando de questões "possíveis", diante deste descarrilamento institucional em que os país está metido até a medula. Vocês lembram da expressão famosa do Gil do Vigor? Até recentemente, o Presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab, esteve na Paraíba, onde prestigiou a filiação de Pedro Cunha Lima ao seu partido, um jovem político paraibano que integrava os quadros do PSDB. Pedro Cunha Lima não conseguiu ser eleito na eleição para o Governo do Estado, realizada em 2022, mas foi muito bem votado, ficando em segundo lugar, atrás de João Azevedo(PSB-PB), que foi reeleito. Conforme já expusemos por aqui em outros momentos, Pedro Cunha Lima, juntamente com Raquel Lyra(PSDB-PE), Eduardo Leite(PSDB-RS) e Eduardo Riedel (PSDB-MS), seria aquela geração que poderia injetar sangue novo à legenda tucana.
Era a geração que poderia salvar o PSDB da degringola em que hoje se encontra, em processo de extinção ou fusão com o Podemos. Não vamos aqui entrar nos detalhes, mas o que sugere ter ocorrido é que essa nova geração dos tucanos não encontrou o melhor ambiente de convivência dentro da legenda, comandado pelas velhas raposas de sempre. Outro dia, o prefeito de uma cidade da região do ABCD paulista, que acabara de se desfiliar da legenda, alegava a ingerência indevida da cúpula partidária tucana sobre sua gestão na cidade. Um dos problemas da governadora Raquel Lyra, aqui em Pernambuco, era a sua relação com o Governo Federal, quando se sabia que o partido já havia assumido uma posição de contraposição ao Governo Lula 3. Este cisma foi se ampliando, até que a governadora resolveu deixar o nino tucano e filiar-se ao PSD, de Gilberto Kassab.
O mesmo ocorre agora com Eduardo Leite, que acaba de anunciar que está se filiando ao PSD, onde chega já com cara de presidenciável. Eduardo Leite alimenta este objetivo há algum tempo, mas sabe, por experiência própria, que a tessitura é complexa. Com o seu ingresso na legenda, Kassab comemora o fato de ter dois eventuais candidatos presidenciais competitivos ao pleito presidencial de 2026, embora tal "galvanização" deva se dar através da articulação da Faria Lima que está sendo montada pelo ex-presidente Michel Temer. Hoje, Tarcísio de Freitas continua como o mais cotado a liderar esse conjunto de forças conservadoras do centro para a direita, já que eles abominam a designação de extrema direita. Diante das encrencas do capitão, até o PL tem feito elogios e acenos ao governador paulista. Kassab? Este não rema contra a maré, tampouco vai para o abraço com afogados.
sexta-feira, 9 de maio de 2025
Editorial: Os arranjos complicados das federações nos estados.
Editorial: A crise do INSS está extinta? Longe disso.
Por vezes, o lugar do sujeito o contingencia a fazer algumas afirmações sobre as quais ele mesmo não acredita. A experiência política do senador Jaques Wagner não nos permitem aceitar o que ele afirmou no dia de ontem, 08, no sentido de se contrapor à abertura de uma CPMI sobre o fraude no INSS. A crise no INSS não está extinta, a despeito das medidas que estão sendo tomadas, como proibições de repasses às entidades sindicais e associativas ou o cancelamento de empréstimos consignados. Em relação aos consignados, embora a fraude seja gigantesca, fica a pergunta sobre aqueles empréstimos realizados sob a anuência dos pensionistas. Salvo melhor juízo, as entidades bancárias já manifestaram alguma preocupação em relação a este assunto.
Um outro grande problema diz respeito à devolução desses recursos roubados dos pensionistas e segurados, lesados em bilhões. Já existiria algum plano em relação ao assunto, mas de onde viria o dinheiro? Do PAC, como supostamente propôs o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad? O que se sabe é que o Ministro da Casa Civil, Rui Costa, foi contra. Bloquear os recursos entre os sindicatos e associações envolvidos na fraude não será uma tarefa simples, em razões dos artifícios utilizados, como a empregada doméstica descoberta no dia de ontem pela PF, onde suspeita-se que tenha movimentado milhões, ligadas a uma dessas associações. Qual o montante que poderia ser ressarcido aos aposentados através desse expediente?
Há uma declaração da Ministra do Planejamento, Simone Tebet, que vai ao encontro de uma suposta proposta do Ministro Fernando Haddad no sentido de que se utilizem recursos públicos para esta finalidade. O novo Presidente do INSS, Gilberto Waller, já anunciou que as devoluções devem começar imediatamente, já nos próximos contracheques. Embora o Governo fuja dessa possibilidade como o diabo foge da cruz, uma CPMI sobre este assunto ajudaria a esclarecer muitos pontos nebulosos sobre mais um gigantesco esquema fraudulento no país.
quinta-feira, 8 de maio de 2025
Editorial: Ciro pode voltar a ser candidato com apoio do bolsonarismo.
Por enquanto a discussão é paroquial, se limitando ao estado do Ceará, onde haveria negociações em curso envolvendo o PDT de Ciro Gomes e atores políticos de proa do bolsonarismo, a exemplo do deputado federal André Fernandes e do capitão Wagner. São dois bolsonaristas raízes que, durante os pleitos no estado, brigam pelo espólio político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ciro Gomes tem uma rixa antiga com o PT no plano estadual e federal. Algo irreconciliável, o que o fez se aproximar, contingencialmente, de atores políticos que fazem oposição ao petismo no estado. Isso já ocorre desde as últimas eleições municipais. O ex-governador sofre um patrulhamento ideológico visceral, em razão de sua histórica vinculação ao campo de esquerda e progressista, tendo, inclusive, ocupado cargos em Brasília em governos petistas.
O Brasil perdeu a oportunidade de eleger o melhor presidente que nunca tivemos, outro pedetista histórico, Leonel de Moura Brizola. Há discordâncias sobre o ex-governador Ciro Gomes, mas, por outro lado, é inegável que se deixe de destacar sua passagem limpa como homem público e o seu preparo sobre o país. Seria um ator estratégico num pleito presidencial, uma vez que ainda detém os seus percentuais de votos, que gira em torno de 10 e 12% do eleitorado. Em princípio, a despeito das conversas, a possibilidade de uma candidatura é remota, uma vez que o ex-governador parece que perdeu a tesão pela disputa depois da última eleição presidencial.
Mas, sobretudo no dicionário da política, não existem as palavras nunca nem jamais, conforme ensinava o ex-governador Paulo Guerra. Se dependesse de Ciro, o PDT deixava de apoiar integralmente o Governo Lula 3. Ao que se sabe, no entanto, é que o Governo vem mantendo interlocuções no sentido de não permitir mais esta sangria, num contexto de uma base de apoio sensivelmente fragilizada.
P.S.: Contexto Político: Estamos diante de uma equação política não muito simples de resolução. Na realidade, em princípio, Ciro Gomes poderia voltar a candidatar-se ao Governo do Ceará, nas eleições de 2026. Poderia ser reeditada uma velha aliança política, muito bem-sucedida no passado, envolvendo um conjunto de forças políticas, do centro para a esquerda, capitaneada por Tasso Jereissati e o próprio Ciro Gomes, que desbancou do Governo do Estado velhas oligarquias ali encasteladas. Desta vez, Tasso Jereissati, do PSDB, que está realizando uma fusão com o Podemos, é quem está estimulando uma nova candidatura de Ciro, o que significa que ele pode deixar o PDT. O ajustamento dessas fusões ou federações a nível nacional, geralmente, produzem alguns ruídos nas quadras políticas estaduais. No Ceará não foi diferente. O Podemos está na base de apoio do governador Elmano de Freitas, do PT, enquanto o PSDB faz oposição. O comando da nova legenda no estado, no entanto, deve ficar mesmo com Tasso Jereissati. As sondagens sobre uma nova eventual candidatura de Ciro ao Governo do Ceará começaram a ser especuladas depois de uma palestra que ele proferiu na Assembleia Legislativa do Estado. A aproximação com personagens de proa do bolsonarismo no estado é algo até natural em tal conjuntura. Estão unidos por uma indisposição visceral com o Governo do PT no estado e no plano nacional.
Editorial: Decisão da Câmara dos Deputados sobre Ramagem deverá ser revertida.
Os bolsonaristas ficaram exultantes no dia ontem, 07, quando uma decisão da CCJ da Câmara dos Deputados, interrompeu as ações que correm contra o deputado federal Alexandre Ramagem no STF. A decisão abre um precedente que poderia favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ontem também esteve presente em mais uma manifestação em favor da anistia aos envolvidos nos atos do 08 de janeiro. A alegria deve durar pouco tempo, uma vez que Ministros da Suprema Corte ouvidos sobre a decisão já anteciparam que se trata de um ato inconstitucional. Como o STF é o guardião da Constituição Federal, isto significa que a decisão será revertida.
A dosimetria das penas aplicadas aos envolvidos naqueles atos, alguns já condenados ou cumprindo pena, sugere-se que, hoje, seja algo que sensibiliza alguns ministros da Suprema Corte, até mesmo como medida para alinhavar o tecido da relação institucional entre os Três Poderes, hoje bastante desgastado. Em relação ao núcleo duro do golpe, acreditamos que se faça o que se impõe a quem atentou contra o ordenamento democrático do país. Pelo andar da carruagem jurídica, sugere-se que o STF tenha o mesmo entendimento deste editor. No último grupo - o da desinformação, assim denominado pela PGR - tivemos a presença do advogado Melillo Diniz do Nascimento na defesa de um dos réus. Melillo foi servidor da Fundação Joaquim Nabuco, sediada aqui no Recife.
Onde há fumaça há fogo, embora a fumaça ainda seja preta, indicando que o Papa ainda não foi escolhido. Pelo menos a fumaça que sai das chaminés do vaticano, que se tornou uma grande atração. Aliás, sempre foi, mesmo antes da sociedade da espetacularização. Postamos uma notícia por aqui acerva de uma eventual volta de Ciro Gomes ao cenário de uma nova disputa eleitoral. Parecia algo improcedente, mas, pelo andar da carruagem política, a possibilidade está em discussão. Por enquanto ao Governo do Ceará, em oposição cerrada ao PT, com o apoio do bolsonarismo raiz, como o deputado federal André Fernandes e o Capitão Wagner.
quarta-feira, 7 de maio de 2025
Editorial: Ciro Nogueira afina o violino da direita para 2026.
O senador Ciro Nogueira, um dos dirigentes da recém-criada federação União Progressista, em suas falas, tem sido enfático num ponto. A federação une-se a outros partidos e atores políticos de centro-direita no sentido de construir um nome para disputar as eleições presidenciais de 2026. O martelo ainda não foi batido em relação a esse nome, mas, definitivamente, em princípio, o apoio ao projeto de reeleição de Lula está completamente descartado. O ex-Ministro da Casa Civil do Governo Jair Bolsonaro foi ouvido por políticos e empresários nesta terça-feira, em Brasília, num encontro promovido pelo Grupo de Lideranças Empresariais do DF (Lide-DF).
A fala de Ciro é emblemática para entendermos a conjuntura atual da política brasileira, onde temos um Executivo acossado por dificuldades de governabilidade, mas de mãos atadas para fazer alguma coisa. A narrativa de petistas históricos, hoje ocupando papel relevante no cenário político nacional, a exemplo da Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, é no sentido de buscar uma reconciliação com o PDT, que ontem anunciou que está deixando a base aliada do Governo Lula3. É uma situação vexatória, como a do convite recusado pelo deputado Pedro Lucas para a ocupação da vaga aberta no Ministério das Comunicações. Lula hoje precisa se contentar com as "soluções caseiras" para o preenchimento das vagas na Esplanada dos Ministérios.
A recusa de Pedro Lucas era o prenúncio do que ocorreria logo em seguida, com a revoada do União Brasil da base aliada, embora a boquinha no Governo ainda não tenha sido largada. Salvo melhor juízo, há quatro ministérios e vários cargos na Caixa Econômica Federal e, possivelmente, entre outros órgãos do Governo. A boquinha fica sempre por último. Afinal, ainda existe aquele tucano dentro do osso. Ciro acredita que um nome de consenso entre os governadores de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Paraná e Goiás será imbatível em 2026. Nas atuais circunstâncias, neste momento, não há como discordar dele. É o que indicam as nuvens, segundo preconizava uma velha raposa política mineira. Salvo melhor juízo, mesmo no MDB, quem anda alinhando essa costura é o ex-presidente Michel Temer.
Editorial: As ramificações perigosas do escândalo de corrupção no INSS.
A cada nova revelação das investigações conduzidas pela Polícia Federal, ficamos mais convencidos da gravidade do problema relacionado às fraudes ocorridas no INSS. Somente no dia de ontem, 06, vieram à público uma possível caderneta com anotações de eventuais propinas pagas às autoridades públicas; a fabricação de velhinhos, através do expediente de emissão de documentos falsos para a concessão de benefícios; assim como a utilização dos empréstimos consignados não autorizados, envolvendo uma tríade de desvios que atingiam eventuais servidores públicos, empresas de concessões desses empréstimos e os sindicatos e associações na outra ponta. Somente aqui estima-se que mais de R$ 90 bilhões possam ter sido movimentados, quantia que se soma aos R$ 6, 3 bilhões iniciais, descontados sem autorização dos aposentados e pensionistas, e repassados para as "entidades".
Trata-se de um montante de desvios muito expressivo, o que passou a levanta a suspeita de envolvimento de outros órgãos da administração pública federal. No Brasil, como observava o mestre Gilberto Freyre, tudo seria possível. Até mesmo a leniência ou conivência de agentes públicos que atuam em órgãos que foram concebidos para zelar e fiscalizar sobre a utilização dos recursos públicos. Num desses momentos, através de expedientes conhecidos, afrouxaram as exigências sobre a biometria e a assinatura digital dos aposentados, o que facilitou enormemente a ação ou farra dos gatunos.
As articulações em torno da proposta de abertura de uma CPMI sobre a fraude no INSS continua a todo vapor em Brasília. Até este momento, as adesões são expressivas, até mesmo de parlamentares da base aliada do Governo. Teremos a barreira do Davi Alcolumbre pela frente, que é quem deve bater o martelo sobre o assunto ou argumentar que a sua gaveta está repleta de outros pedidos. O Presidente do Senado Federal deve pesar o ônus de sua decisão. Tem um bom trânsito junto ao Executivo, de um lado, mas a pressão da Oposição e o clamor da ruas no outro lado.
P.S.: Contexto Político: Na realidade, um historiador, Sérgio Buarque de Holanda, ao invés do sociólogo Gilberto Freyre, caberia melhor na citação neste contexto, quando ele se referia à ausência de fronteiras no entre o público e o privado no país. Uma das mais emblemáticas situações hoje desta premissa é a nomeação de esposas de governadores e ex-governadores para assumirem o cargo de conselheiras dos tribunais de conta estaduais, com altíssimos salários, para julgarem as contas do marido ou de aliados.
terça-feira, 6 de maio de 2025
Editorial: Bancada do PDT deixa base aliada do Governo Lula 3.
Desde algum tempo que a relação do PDT com o Governo Lula3 não ia muito bem. Os parlamentares e líderes da legenda reclamavam do tratamento recebido pelo Governo. Depois que estourou o escândalo do INSS, órgão subordinado ao Ministério da Previdência Social, então comandado por Carlos Lupi, cota do partido no Governo, o PDT sugeriu que, se Lupi fosse destituído do cargo, eles deixariam a base de apoio de Lula no Legislativo. Lupi foi substituído por um pedetista, Wolney Queiroz, mas, mesmo assim, hoje, dia 06, por unanimidade, os parlamentares da legenda anunciaram, através do seu líder, Mário Heringer, que estão deixando a base de apoio de Lula.
Vejo neste ato algo mais próximo das recomendações do ex-governador Ciro Gomes do que propriamente um ato de solidariedade a Carlos Lupi. Indignado com o que ocorreu no INSS, de imediato, Ciro Gomes recomendou o desembarque do PDT do Governo Lula 3. O partido tem 17 deputados federais e 3 senadores, números não tão expressivos, mas que farão, certamente, muita falta ao Governo. É quase certo que a bancada encampe o PL da Anistia, assim como possa endossar o coro de uma CPMI em favor das investigações do que ocorre no INSS, que, a cada nova investigação da PF, assume dimensões gigantescas. Lula está perdendo apoio até mesmo entre a sua base histórica de apoio. As coisas não vão nada bem.
Um outro fator que deve ter contribuído para esta decisão são as eleições de outubro de 2026. Quanto mais se investiga o rombo no INSS mas ele se avoluma, conforme expusemos pela manhã. Trata-se de um fardo muito pesada para se carregado pelos candidatos. Não há explicação razoável possível para o que ocorreu no órgão. Estima-se que 35 mil pensionistas e aposentados tenham reclamados de descontos irregulares e empréstimos que não foram feitos por eles. Havia algo de muito errado no reino da Dinamarca.
P.S.: Contexto Político: Pelo andar da carruagem, o desembarque do Governo Lula 3, além de parcial, uma vez que os senadores do partido ainda estão alinhados com o Governo, não teria como motivação as recomendações do cearense Ciro Gomes. O ex-Ministro da Previdência, Carlos Lupi, timoneiro inconteste da legenda, participou da reunião com os deputados da legenda. O desembarque, portanto, trata-se de uma decisão em solidariedade ao ex-Ministro.
Editorial: Vamos ter uma CPMI do INSS?
O escândalo do INSS é de uma dimensão gigantesca. Ao que se sabe, e por razões óbvias, o Governo Lula pretende fazer um grande esforço em sentido contrário, mas, a julgar pelo andar da carruagem política, será em vão, embora se saiba dos créditos do Executivo junto ao Presidente da Câmara Alta, Davi Alcolumbre. 29 senadores e 192 deputados federais já assinaram o requerimento. Ao que se sabe, os R$ 6,3 bilhões de fraudes em descontos indevidos dos contracheques dos aposentados e pensionistas é apenas a ponta do iceberg. O escândalo no INSS é cabeludo, envolveria outros órgãos do governo, como uma eventual participação de funcionários da Dataprev, assim como não se encerraram com os descontos irregulares. Uma CPMI neste momento, é tudo o que o Governo Lula não deseja. Sangraria até às eleições de outubro de 2026.
O escândalo entra agora na fase dos famigerados empréstimos consignados, conforme informamos pela manhã, onde há uma tríade de corrupção envolvendo supostamente servidores do órgão, empresas de concessão de empréstimos e associações e sindicatos. Empréstimos consignados eram liberados sem autorização e as parcelas cobradas divididas entre os gatunos. Em 2023, estima-se o montante de 35 mil reclamações dirigidas ao órgão, sem que a sangria fosse estancada. Vocês leram corretamente: 35 mil reclamações. Aqui as estimativas de fraude atinge a exorbitante quantia de R$ 90 bilhões. Uma providência drástica precisaria ser tomada, como a ação da justiça, que determinou o afastamento de servidores do órgão.
Agora há pouco ficamos sabendo da possibilidade da existência de uma suposta fábrica de velhinhos, ou seja, haveria uma quadrilha que falsificava todos os documentos exigidos para a concessão de aposentadoria de pessoas inexistentes. Os fatos são gravíssimo, produziram um grande clamor público, daí se entender porque esta CPMI deve mesmo sair, independentemente das opiniões em contrário. O Governo Lula3 não reúne condições políticas para barrá-la.
Editorial: O escândalo das fraudes no INSS pode ser ainda maior do que se imagina.
A Polícia Federal continua sua investigação sobre a dimensão das fraudes ocorridas no INSS, onde descontos indevidos a entidades foram retirados dos proventos de pensionistas e aposentados, sem autorização. Por aqui, em princípio, os números anunciados chegam a R$ 6,3 bilhões. Agora surge uma nova linha de investigação, onde prever-se algo ainda maior, da ordem de R$ 90 bilhões em fraudes na concessão de empréstimos consignados, também não autorizados, entre os anos de 2023 e 2024. Suspeita-se que empresas que intermediavam esses empréstimos agiam mancomunadas com entidades sindicais e associações, que ficavam com uma parte desses recursos.
Há milhares de reclamações que foram ignoradas a este respeito. Quando publicamos a primeira matéria tratando deste assunto, lembramos de um caso ocorrido aqui em Pernambuco, onde, depois de investigações da PF, um cidadão, servidor do órgão, foi afastado de suas funções depois de comprovado que ele participava de um esquema fraudulento que tinha como objetivo a autorização irregular de empréstimos consignados sem anuência dos aposentados e pensionistas. Havia movimentado milhões neste esquema. Ao que tudo indica, sugere-se que não se tratava de um caso isolado.
Neste caso, a tríada infame de desvios de recursos dos pensionistas e aposentados envolvia possivelmente agentes públicos, empresas de empréstimos consignados e essas famigeradas associações ou sindicatos. Suspeita-se que as empresas repassavam para as associações parte desses recursos. As estimativas iniciais de fraudes da ordem de R$ 6,3 bilhões podem ser bem superiores. A Oposição na Câmara dos Deputados está convocando o novo Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, para dar explicações sobre este caso. Os parlamentares não ficaram satisfeitos com as mudanças que ocorreram no órgão.
