A incerteza sobre o resultado do jogo é inerente ao processo democrático. A frase está inscrita num artigo famoso do cientista político polonês, professor da Universidade de Chicago, Adam Przeworski, "Amas a incerteza e serás um democrata". Na reta final do primeiro turno das eleições deste ano, que já ocorre no próximo domingo, 04, temos pensado bastante sobre este assunto. Estamos mergulhado numa torrentes de incertezas que não se esgotam apenas nas eleições, mas, e talvez principalmente, sobre o que vem a seguir, posto que estamos mergulhados numa crise institucional sem precedentes no país. Os dois principais concorrentes, guardam relações com esta crise institucional, como se sabe.
Em determinado momento se pensou, por exemplo, que Lula poderia perder as eleições em função dessa questão nevrálgica. Neste momento, no entanto, o jogo eleitoral envolvendo os dois principais concorrentes está incerto. As últimas pesquisas de intenção de voto apontam isso. Aqui no estado de Pernambuco foram divulgadas duas pesquisas recentes, uma do Instituto Quaest e a outra do Instituto Paraná Pesquisas. Em ambas, um rigoroso empate técnico, dentro da margem de erro, entre os candidatos João Campo e Raquel Lyra. Tivemos o debate da Rede Globo, na terça, e já se anuncia o debate da TV Jornal para a quinta-feira. Num momento crucial da pesquisa, surgiu o vídeo sobre uma fala infeliz da governadora Raquel Lyra, que está sendo muito explorado pelo seu adversário, João Campos.
A equipe de comunicação da governadora Raquel Lyra, que estava tão bem, precisou pedir o VAR e isso não é bom, mesmo quando se encontra a melhor maneira de encarar a situação. Essa coisa de comunicação de massa é algo extremamente sensível e complicado. À época em que foi divulgado um vídeo onde um pastor ensinava aos seus auxiliares como arrancar dinheiro do "rebanho", os pastores da igreja conseguiram convencer os fiéis a não acreditarem no que eles "estavam vendo". Aqui em Pernambuco, até hoje as pessoas acreditam numa tal de "Perna Cabeluda", personagem inventada por um profissional de imprensa que não tinha "pauta" para entrar no ar ao vivo numa emissora de rádio. Em décadas passadas, numa eleição apertada, os adversários plantaram a desinformação de que o então candidato ao Governo do Estado do Maranhão, Epitácio Cafeteira, havia cometido um homicídio. Até hoje ele tenta se explicar.

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