Entramos naquela fase onde todos os assessores, simpatizantes e militantes estão dando palpite sobre a campanha dos seus candidatos. Em certa medida, é mais ou menos o que ocorre com a seleção brasileira, onde cada torcedor se torna um técnico capaz de apontar as falhas do time, indicar nomes e definir uma estratégia vitoriosa. Agora é a vez dos simpatizantes que, mesmo não integrando a equipe de campanha, começam a apontar os procedimentos que devem ser adotados. Na semana passada, o prefeito de Maricá, Rio de Janeiro, Washington Quaquá, observou que Lula precisa fazer uma campanha mais povão, falar a língua do povo, juntar-se à multidão de eleitores, assim como vem procedendo o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro. Segundo Quaquá, Lula precisaria deixar de tratar temas, complicados, que não entram no cotidiano do eleitor comum. Excetuando-se as feiras e supermercados, onde os preços estão pelo olho da cara, talvez o Quaquá tenha razão.
Podem ter certeza que, se Lula for derrotado nas eleições, faltarão espaço na imprensa para divulgar tantos diagnósticos. Hoje, 24, o que se diz é que o morubixaba petista pode reconsiderar a possibilidade de participar dos próximos debates. Estamos diante de uma disputa equilibradíssima. A vantagem de um sobre o outro neste momento é apenas numérica. Ora Lula aparece à frente, Ora aparece numericamente abaixo de Flávio Bolsonaro, mas, em ambos os casos, tudo dentro da margem de erro. Neste sentido, a ausência num debate poderia definir o jogo. Ontem aguardávamos o debate da TV Record, de Minas Gerais, entre os candidatos ao Palácio Tiradentes. Dos cincos candidatos convidados, apenas dois compareceram ao debate, esvaziando completamente a discussão sobre os rumos do estado a partir de 2027.
Por falar em Minas Gerais, as últimas pesquisas de intenção de voto trouxeram um novo alento ao Palácio do Planalto. Pelo menos nas Alterosas, em algumas delas, Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro. Minas, como se sabe, é um grande pêndulo político. A ocupação da cadeira do Palácio do Planalto passa, necessariamente por ali. Não apenas por ser o segundo colégio eleitoral do país, mas, sobretudo, por traduzir, em seu território, um pedacinho de cada região do país. Em Minas, caso essas pesquisas de confirmem, pode estar ocorrendo um fenômeno curioso. O eleitor pode votar num candidato de direita ao Palácio Tiradentes e em Lula para presidente.


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