segunda-feira, 17 de março de 2025
Editorial: O apoio do PSD ao projeto de anistia bolsonarista.
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| Crédito da Foto: Poder360 |
Até recentemente, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ter mantido um diálogo com o presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab, onde a pauta da anistia aos implicados e condenados pelo 08 de janeiro esteve no epicentro da agenda. O ex-presidente saiu animado do diálogo entre ambos, alegando o apoio de Kassab, que não negou a informação. Depois de fustigar os membros da Suprema Corte, talvez seja este o maior projeto político dos bolsonaristas, algo que embalou as manifestações do dia de ontem, 16, e devem pautar as eleições presidenciais de 2026. Numa análise fria da correlação de forças no parlamento, o Governo Lula 3 não reúne a menor condição de barrar este projeto, que esteve na mesa de negociação dos novos líderes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Os partidos do Centrão, na realidade, só têm compromissos com emendas e cargos. São essencialmente pragmáticos. Setores do MDB já estudam concretamente a possibilidade de não endossarem o projeto de reeleição de Lula para 2026. Há uma movimentação do senador Ciro Nogueira, do PP, dos Republicanos e do União Brasil também neste sentido. Kassab se movimenta no tabuleiro da política nacional com bastante desenvoltura. É da base do Governo, mas estimula as aspirações do governador Ratinho Junior ao Planalto. A questão que se coloca é como Bolsonaro conseguiu convencer o presidente do PSD a embarcar nesse projeto? Algum arranjo na quadra paulista?
No dia ontem estávamos lendo um artigo do economista paraibano, Maílson da Nóbrega, publicado na revista Veja, onde ele manifesta sua preocupação sobre a elevação dos índices inflacionário, estimulado pela política de novas concessões de crédito do Governo Lula 3. É impressionante como há um consenso sobre os equívocos dessa gastança do Governo. Mesmo assim, sugere-se que ela é irrefreável. Preparem o bolso.
Editorial: Lula entrega a Dirceu a missão de "pacificar" o PT.
| Crédito da Foto: Poder 360. |
É preciso tomar sempre os cuidados necessários ao falarmos aqui de "divisão" do Partido dos Trabalhadores, um partido que já nasceu dividido em sua origem. O que talvez estivesse preocupando Dirceu naquele momento seria uma cisão ou defecção de alguns grupos da legenda. Em seus 45 anos de História talvez o partido nunca tenha enfrentando uma crise nessas proporções. Até mesmo a tendência de Lula, a CNB, encontra-se dividida em relação ao nome de Edinho Silva, já ungido pelo morubixaba para liderar o partido a partir de junho. O deputado federal Rui Falcão recentemente lançou uma carta à militância, habilitando-se para o cargo, com acenas aos setores mais autênticos ou à esquerda da legenda. Carta de militante, daquelas que advogam que setores do partido estão fazendo o jogo do liberalismo de mercado e que é preciso uma correção de rumo, como uma volta às origens.
O que se especula é que Lula teria entregue ao líder José Dirceu a missão de pacificar a legenda, o que não seria uma tarefa muito simples, mesmo em se tratando de alguém com o trânsito e a habilidade política do grande timoneiro. Especulou-se que o regionalismo seria o fator determinante em relação às brigas internas da legenda. Pelo andar da carruagem política, hoje podemos concluir que não se trata apenas disso as resistências de alguns grupos internos ao nome de Edinho Silva. O feeling político aguçado de José Dirceu já deve ter percebido outras variáveis. Na nossa modesta opinião, um nome paulista até que seria bem-vindo, se considerarmos os percalços que o partido enfrenta no maior colégio eleitoral do país.
domingo, 16 de março de 2025
Editorial: Um Congresso que não se emenda II.
Oportuno, lúcido e republicano o artigo escrito pela jornalista Dora Kramer, na edição de hoje, dia 16, no jornal Folha de São Paulo, onde ela trata de um Congresso que resiste em aceitar o requisito primário da transparência sobre as emendas parlamentares. Estão sempre criando algum artifício para fugir a este requisito que depõe, como afirmou a Ministra Rosa Weber, ainda em 2022, quando instigada a pronunciar-se sobre o famigerado orçamento secreto, contra os princípios da própria democracia. Não adiante levantar a Constituição durante os discursos, mencionar a palavra democracia dezenas de vezes, fazer referência ao Dr. Ulisses Guimarães e, na prática, defender essa excrescência do orçamento secreto.
Não é uma questão de dar uma satisfação ao STF, mas trata-se, na realidade, de dar uma satisfação aos seus eleitores, os cidadãos brasileiros que pagam seus impostos, alguns deles com desconto na fonte, incapazes de adotarem quaisquer artifício de sonegação, caso dos servidores públicos federais, que estão com suas recomposições salariais interrompidas em razão da não aprovação da LOA. Depois de decisão de Rosa Weber, quem entrou nesta casa de marimbondos foi o Ministro Flávio Dino, que realiza uma cruzada moralizante em relação às concessões, utilização e, principalmente, a prestação de contas do dinheiro público liberado para essas emendas, onde, na prática, a Polícia Federal já constatou inúmeras irregularidades.
Arguta, observadora privilegiada da cena política do país, não surpreende os insights da jornalista Dora Kramer, desta vez tratando de um tema nevrálgico para a sociedade brasileira. É por isso que nos inquietamos quando alguém afirma que a nossa democracia está consolidada e que as nossas instituições são sólidas, quando, na realidade, não dão bons exemplos. A não transparência do orçamento público fere princípios basilares de nossa Constituição. Parabéns a jornalista pelo artigo.
Editorial: Os bolsonaristas estão perdendo a capacidade de mobilização.

A partir de 2013, quando foram iniciados os assédios mais efetivos contra o ordenamento democrático no país, a partir das mobilizações denominadas de Jornadas de Junho, aprisionada por grupos de extrema direita, que conseguiram, de forma efetiva, colocar o bloco de direita nas ruas, gradativamente eles estão perdendo força. Difícil apontar aqui os motivos para este debacle, mas de fato isto está ocorrendo no país, mesmo sabendo do climão favorável aos grupos de direita neste momento histórico. Na realidade, também no Brasil, a direita ou extrema direita - eles abominam essa denominação - continua forte e competitiva. Nossa observação aqui diz respeito apenas às mobilizações de rua que, no passado recente, já foram mais prestigiadas pelas apoiadores.
Segundo dizem, o Palácio do Planalto lançou uma lupa sobre este último movimento da direita, por motivos óbvios. Há uma frente de batalha institucional no Congresso que articula votos para aprovar a anistia aos envolvidos nos atos de 08 de janeiro. O ex-presidente Jair Bolsonaro tem feito um corpo a corpo neste sentido, conversando com lideranças de partidos que integram o Centrão. O processo exige apenas uma maioria simples, o que facilitaria o trabalho da oposição. Se essas mobilizações ganham força nas ruas, isso poderia se refletir favoravelmente sobre as articulações institucionais.
Uma outra questão em jogo seria a programação de uma mobilização de artistas ligados aos movimentos de esquerda, que pretendem também se manifestarem contra a anistia, exigindo a punição aos envolvidos. Sem anistia. Como a esquerda encontra hoje enormes dificuldades de reunir seus apoiadores, uma mobilização de grande proporção organizada pela direita seria um escorregão logo de saída, suscitando o acanhamento do campo progressista.
Editorial: Bolsonaristas nas ruas pela anistia.
Logo mais, em Copacabana, os bolsonaristas estarão se concentrando para a primeira de uma série de mobilizações populares em defesa da anistia aos envolvidos e condenados pelos atos golpistas do 08 de janeiro, em Brasília. Segundo dizem patrocinadas pelo pastor Silas Malafaia, o evento contará com a presença de personalidades da política nacional, a exemplo dos governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro, os filhos Eduardo e Flávio Bolsonaro, o senador Magno Malta, os deputados federais Nikolas Ferrreira e Gustavo Gayer. Por algum motivo, a esposa do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, que sempre aparece muito bem nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, não estará presente ao encontro.
O evento ocorre um pouco depois de nossa democracia completar 45 anos de existência, quando nomes que participaram dessa reconstrução vem a público para afirmar que as nossas instituições são sólidas ou que a nossa democracia é estável. O cenário que enxergamos não é bem este. Desde 2013 que enfrentamos alguns solavancos políticos, e quase o edifício ruiu em 2023, quando um projeto autoritário chegou a se pensado, articulado e por pouco não executado. A Polícia Federal num trabalho exemplar, desvendou toda essa trama, apontando as responsabilidades dos autores, recomendando seus indiciamentos pelos atos golpistas, algo que já se encontra sob a apreciação da Suprema Corte. Gente graúda, inclusive militares que já se queixam da omissão dos pares.
O nosso sistema político democrático e republicano precisa, necessariamente, se contrapor aos seus algozes. Quem ler Gilberto Freyre fica sabendo porque, no Brasil, tudo se resolve com um tapinha nas costas. O Brasil talvez seja um caso único de experiência golpistas onde violadores dos mais elementares direitos humanos passaram para o outro plano sem serem cobrados sobre as atrocidades cometidas durante o período de exceção. Se continuarmos nesse diapasão, o mais provável é que essas iniciativas de caráter golpistas continuem vicejando entre nós.
sábado, 15 de março de 2025
Editorial: O impacto da COP30 em Belém.
A rigor, Belém, capital do Estado do Pará, não reúne as condições mais adequadas para a realização da maior conferência climática do mundo, a COP30. Injunções e interesses políticos, como sempre, acabam prevalecendo sobre o bom-senso. Vamos ter a COP30 em Belém. O Governo Federal irá construir uma espécie de arena, orçada em bilhões, mesmo diante das fragilidades de controle das contas públicas. Contraditoriamente, para realização da conferência ambiental, o meio ambiente também está pagando um preço alto. Há denúncias de estradas que estariam sendo construídas, produzindo desmatamento em algumas áreas rurais.
Ficamos aqui imaginando como ficarão os preços dos produtos oferecidos no Mercado A Ver o Peso, pois os aluguéis já chegaram a estratosfera. Uma cidade com apenas 18 mil leitos, ira receber mais de 50 mil pessoas. Resultado: Diárias de R$200, R$300 reais estão atingindo a cifra de R$ 80 mil reais. Há o caso de uma residência de um quarto e sala que está sendo oferecida por um milhão e meio pelo período. Este último caso viralizou nas redes sociais. Há uma outra residência com a proposta - indecente, claro - de R$ 2 milhões pelo período de dez dias. Donos de residências alugadas estão feitos loucos, solicitando a devolução dos imóveis.
Ficamos aqui somente imaginando como isso irá se refletir em outros itens, a exemplo da alimentação dos convidados. Por quanto será oferecido um tradicional pato no tucupi - prato tradicional da culinária do Pará - nos restaurantes da cidade. Não é brincadeira.
Editorial: O Brasil está dando a volta por cima?
| Crédito da Foto: João Risi\Secom\PR. |
O Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Institucional, Sidônio Palmeira, segundo a imprensa noticiou, manteve um encontro tenso com os assessores de comunicação dos ministérios e de empresas estatais. Em alguns momentos, alguns deles revelaram que apenas sabiam das ações do Governo pela imprensa, externando o descontentamento com o fluxo dessas informações. Sidônio teria concordado que há problemas, sugerindo que eles ampliem as conversas com a imprensa, concedendo mais entrevistas, sempre utilizando-se do slogan o Brasil está dando a volta por cima. Numa reunião anterior, Lula também se queixou que os próprios ministros não sabiam o que se passava no Governo, sendo, portanto, compreensível que a população também desconhecesse essas ações. Em casa de popularidade baixa, todos brigam e ninguém tem razão.
O Governo adotará duas medidas que podem, segundo o novo dirigente do PT, Humberto Costa, fazer toda a diferença nessa tentativa de retomada de popularidade junto a setores historicamente identificados com o PT. A abolição da jornada seis por um e a isenção de declaração de imposto de renda para quem ganha abaixo de cinco mil reais. Os estratos sociais beneficiados estão ali na classe média baixa e entre os trabalhadores comuns, que poderão beneficiar-se dessas medidas. O Governo Lula 3 faz aposta pesada nessas duas medidas. O Governo volta a tratar de novas linhas de crédito para a reforma das residências, o que pode resultar, no final, em novos endividamentos e altas inflacionárias, puxadas pelo consumo, indicando que a linha de gastança permanece, o que é um problema.
Neste raciocínio, a austeridade fiscal proposta pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fica com o prestígio mais baixo do que poleiro de pato no Governo. A questão agora é criar as condições e a musculatura política necessária para se chegar às eleições presidenciais de 2026 em condições de competitividade. A hora da colheita chegou, segundo esse núcleo hoje hegemônico no Governo.
sexta-feira, 14 de março de 2025
Editorial: Um nó-górdio chamado Jair Messias Bolsonaro.
A revista Veja da semana anterior trouxe uma longa matéria sobre o que os editores denominam de plano "T", numa referência às articulações em torno de uma eventual candidatura presidencial do governador Tarcísio de Freitas à Presidência da República, ainda em 2026. Fiel escudeiro do bolsonarismo, reiteradas vezes, o governador tem afirmado que só entra no páreo com o apoio do capitão. Jair Bolsonaro, mesmo diante dos enroscos jurídicos e políticos, tem afirmado que só indica um outro nome para a disputa depois de morto. A questão é que, diante da irrevogabilidade da inelegibilidade e diante de uma condenação iminente, as forças do campo conservador se aglutinam em torno de uma alternativa e esta alternativa, no momento, atende pelo nome de Tarcísio de Freitas.
No dia de ontem ficamos sabendo que o PT está inquieto diante do avanço da proposta de anistia aos implicados na tentativa de golpe de Estado do 08 de janeiro de 2023. A vaselina política está funcionando e a oposição ganha musculatura expressiva, inclusive no escopo de partidos que integram a base de sustentação de Lula. No plano jurídico, como já se previa, o ex-presidente amarga derrota uma após a outra. A defesa apresentada a PGR não convenceu Paulo Gonet, que encaminhou a denúncia envolvendo os implicados ao STF, algo que será apreciado em breve, no dia 25 de março, conforme previsão do Ministro Cristiano Zanin. A partir de então, os envolvidos tornam-se réus, salvo algum equívoco jurídico cometido por este editor, que sabe apenas pouca coisa de política.
Gente do núcleo duro da tentativa de golpe. O alto escalão, envolvendo ex-ministros, generais, assim como comandantes de órgãos estratégicos no Governo Bolsonaro. No próximo domingo, 16, outra manifestação pública dos bolsonaristas, programada para todo o país, com maior ênfase para a praia de Copacabana, onde as estrelas devem se concentrar. Eles não param por aí. Em abril, nova manifestação, desta vez na Avenida Paulista. O bolsonarismo tornou-se um nó-górdio que o sistema político brasileiro terá que desatar. Não está sendo fácil se entendermos as fragilidades do campo democrático e progressista neste momento, na mesma proporção do céu de brigadeiro dos conservadores.
Editorial: Ratinho Júnior como vice de Lula em 2026?
Se vierem a se confirmar as informações da coluna do jornalista Cláudio Humberto, no dia de hoje, 14, onde cogita-se de tratativas avançadas no sentido de fazer do governador do Paraná, Ratinho Junior, o vice dos sonhos em seu projeto de reeleger-se em 2026, observa-se movimentos distintos do líder petista. No governo, como se diz aqui no Nordeste, estaria ciscando para dentro, ou seja, aferrando-se aos seus companheiros mais autênticos ou radicais. Pragmaticamente, de de olho nas eleições presidenciais de 2026, ampliando o flerte com a direita e o centro do espectro político. No momento, o governador do Paraná é um nome que vem sendo preparado pelo partido como eventual candidato às eleições presidenciais de 2026, conforme enfatiza o presidente da legenda, Gilberto Kassab. Bem avaliado no estado, como índices de 74% de aprovação, em âmbito nacional, ele aparece ainda discretamente nas pesquisas de intenção de voto.
O movimento de Lula, se confirmado, indica que ele deseja cindir os redutos de direita ou conservadores. É uma jogada de alto risco para o governador paranaense, que sabe que seu eleitorado não aceitaria de bom grado essa guinada. O eleitorado paranaense tem uma rejeição quase natural ao PT, pois foi ali que se realizaram as audiências da Lava Jato, onde algumas lideranças ilustres da legenda foram julgadas por malversação de recursos públicos. Foi divulgada recentemente um pesquisa que aponta o ex-juiz das Lava Jato, Sérgio Moro, como o preferido dos eleitores locais para o Governo do Estado, em 2026, numa demonstração inequívoca da tendência conservadora do estado. Como eles interpretariam essa aliança do governador com o Palácio do Planalto.
A coluna insinua, ainda, que, nesta conta, imaginem, estaria ajustado o apoio do governador ao projeto de fazer da atual Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, governadora do estado. No arranjo, seria destinado ao atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, a batalha por um espaço na quadra paulista, onde ele já foi muito competitivo no passado. No passado, registre-se.
quinta-feira, 13 de março de 2025
Editorial: Nova derrapada verbal de Lula.
| Crédito da Foto: Breno Carvalho\Agência Globo. |
Num encontro partidário recente, a veterana raposa da política brasileira, José Sarney, aconselhou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se candidatasse a uma nova eleição. Sarney integra aquele clã emedebista regional que alinha-se ao ao Planalto. Novas lideranças do partido, a exemplo do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, já advogam que o partido não acompanhe o projeto de reeleição do líder petista. Mas, dentro dessa agremiação política, as oligarquias regionais gozam de uma autonomia histórica e isso nunca foi suficiente para provocar uma ranhura incontornável. Do alto de sua sabedoria, antevendo um resultado talvez desfavorável, a velha raposa aconselhou a Lula que seria melhor deixar a vida pública sem uma derrota.
Pouquíssimas pessoas conseguem hoje manter alguma ascendência sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do núcleo palaciano mais próximo dizem que ele só escuta a esposa, Rosângela da Silva, e o Ministro Chefe da Casa Civil, Rui Costa. Talvez José Dirceu, que aniversariou recentemente, comemorando o evento em grande estilo, numa restaurante de Brasília, com centenas de convivas importantes, ainda consiga a proeza de constituir-se como conselheiro do mandatário. Já sugerimos isso por aqui antes. Talvez seja mesmo o momento de Lula se recolher aos aposentos. Todas as aparições públicas o líder petista hoje são marcadas por momentos constrangedores, incidentes, hostilidade, derrapadas verbais, pelas farpas dos notórios adversários políticos, a exemplo do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que, num encontro recente deu uma estocada no presidente, fazendo uma comparação dos seus secretariado - pequeno, mas eficiente - em contraposição aos número enorme de ministérios do Lula.
A última dessas infelicidades verbais foi em relação à referência a Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, quando ele sugere que a escolheu por ela ser bonita, produzindo um frisson no eleitorado feminino. A fala tem sido classificada pela imprensa como misógina. Ela entrou naquela espiral onde tudo dá errado. A despeito dos indicadores positivos do PIB, pouco pode ser comemorado na medida em que o dragão da inflação volta a rondar perigosamente as gôndolas dos supermercados, projetando uma tendência de queda ladeira abaixo de sua avaliação.
Editorial: O novo entendimento do STF sobre o foro privilegiado.
Aguardava-se, com grande expectativa, uma decisão do STF sobre o foro privilegiado. Finalmente esta decisão saiu e o novo entendimento agora é que, mesmo depois de renúncia, cassação ou qualquer outro motivo de afastamento do cargo, o indivíduo continuará com os seus processos sendo julgados no Supremo Tribunal Federal, desde que os crimes tenham sido cometidos no exercício de sua função pública. Salvo melhor juízo, até mesmo alguns envolvidos na tentativa de golpe do 08 de janeiro estavam reivindicando que os seus processos fossem apreciados pela primeira instância, uma vez que já não exercem a função pública.
Por inúmeros motivos, a Suprema Corte tornou-se alça de mira da oposição. Algumas decisões tomadas pelo STF desagradaram profundamente os projetos nada republicanos do bolsonarismo. A indisposição, portanto, não é recente. Já tramita no Senado Federal pedidos de impeachment contra membros da Suprema Corte, cuja apreciação já teria sido descartada pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre. A alça de mira está tão afiada que eles pretendem apostar todas as fichas na eleição para o Senado Federal em 2026. O projeto é constituir maioria na Casa e eleger alguém que, desta vez, esteja num nível de alinhamento absoluto, incapaz de recusar os pedidos encaminhados por eles.
E, por falar em impeachment, esta pauta está fora da agenda dos protestos da oposição programados para o próximo domingo, dia 16. Eles vão centrar esforços num pedido de anistia aos implicados no 08 de janeiro e, naturalmente, nas agruras do Governo Lula 3, como a carestia. E, por falar em carestia, interessante a charge do João Montanaro, reproduzida aqui no blog, onde a famosa kombi do ovo foi substituída por um carro forte. O talento dessa turma é algo fora da curva.
quarta-feira, 12 de março de 2025
Editorial: O racha no PT.
Não chega a ser uma novidade falarmos aqui das divisões internas do Partido dos Trabalhadores. A diferença agora é que as roupas sujas, no passado, costumavam ser lavadas em casa, conforme uma máxima das mulheres nordestinas. Outro diferença é que já houve um tempo em que as posições ou decisões do líder Luiz Inácio Lula da Silva costumavam estabelecer um consenso mínimo na legenda, evitando-se, assim, rachas ou divisões mais acentuados. Lula era aquela argamassa que sustentava a legenda. Há três meses de escolher um novo dirigente, o partido encontra-se perigosamente cindido, exigindo um bom alfaiate para fazer as costuras necessárias, evitando-se um mal maior.
Naqueles tempos em que os membros da legenda andavam numa Brasília velha, caindo aos pedaços, e se reuniam no Sindicato das Empregadas Domésticas, eram os radicais, ou seja, aquelas tendências oriundos às vezes da luta armada que não concordam em nada com essa tal de democracia representativa burguesa. Quando o partido iniciou seu processo de institucionalização duas delas foram expulsas da legenda. Uma delas, a Convergência Socialista tornou-se o PSTU, partido que começa, aos poucos, a se inserir no jogo da democracia representativa burguesa. Nas últimas eleições, o PSTU apresentou candidatos às prefeituras e as câmaras municipais.
Até bem pouco tempo, o timoneiro José Dirceu, grande responsável pelo processo de institucionalização da legenda, concedeu uma entrevista ao Correio Braziliense onde manifestava suas preocupação acerca dessas divisões internas do partido, algo que poderia trazer consequências graves, insistindo na intervenção de Lula. Dirceu pertence a mesma tendência de Lula, a CNB, que defende o nome de Edinho Silva para o comando da legenda. Pelo andar da carruagem política, o que hoje se sugere é que esta tendência também está cindida em torno do assunto. Nem todos os integrantes do grupo hegemônico hoje no partido endossa o nome de Edinho, que deve ser imposto goela a dentro, mesmo diante das resistências.
A imprensa noticiou que a nova ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, teria mantido um encontro com Lula para manifestar a dificuldades de alguns setores do partido em aceitar a indicação do nome de Edinho Silva. Edinho Silva chegou a se manifestar sobre o assunto, indignado com as tratativas. Lula continua apoiando o seu nome. Quando o nome do senador Humberto Costa foi indicado ao cargo, pensamos tratar-se de um nome de consenso, mas trata-se apenas de um mandato tampão e ele mesmo já descartou a permanência no cargo.
Editorial: O cálculo político de Gilberto Kassab.
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| Crédito da foto: Paullo Allmeida\Folha de Pernambuco. |
Um conhecido jornalista político admitiu que o hoje presidente do PSD, Gilberto Kassab, era consultado recorrentemente por ele nos momentos em que se encontrava em apuros em relação ao cenário político nacional. De seu bunker em São Paulo, onde exerce a função de um supersecretário do governador Tarcísio de Freitas, Kassab tem uma leitura privilegiada de todas as quadras políticas brasileira. O jornalista se dizia impressionado como ele conseguia falar, com propriedade, sobre o cenário político em todo o Brasil. Certamente ele conhece bem a conjuntura política pernambucana. Empreendeu todos os esforços para transformar a cerimônia formal de filiação da governadora Raquel Lyra ao partido numa grande festa, com cara de convenção partidária, sinalizando para as próximas eleições estaduais e até para uma eventual candidatura da governadora à Presidência da República, em 2030.
Como não poderia ser diferente, neste introito, habilmente, quando indagado sobre a gestão da ex-tucana ou acerca dos seus escores de avaliação, assim como seus percentuais de votos numa eventual disputa com o prefeito João Campos(PSB-PE), Kassab assegurou que a governadora vira o jogo do favoritismo do atual prefeito até outubro de 2026. Ela está arrumando a casa e agora começa as entregas, o que deve melhorar sensivelmente a sua perfomance de avaliação junto ao eleitorado. Kassab foi confrontado com os números da avaliação da governadora, assim como sobre a sua situação numa eventual disputa com o prefeito João Campos, em 2026, onde ela aparece com 26% das intenções de voto.
E, por falar em tribos políticas, um fato que chamou muito a atenção do jornalismo político do estado foi presença do ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, ao avento de filiação da governadora ao PSD. Filiado ao PL, Anderson tem o aval do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, para disputar o Senado Federal nas próximas eleições de 2026. O sinal verde de Valdemar rachou o PL no estado, onde há uma disputa interna entre Anderson e Gilson Machado, ex-Ministro do Turismo do Governo Bolsonaro. O que mais intriga é que o ex-prefeito já havia desembarcado do Governo Raquel Lyra. Haja chapa para acomodar tantos pretendentes ao Senado Federal no estado.
terça-feira, 11 de março de 2025
Editorial: Uma demonstração de força de Raquel Lyra.
| Crédito da Foto: Folha UOL. |
Bastante concorrido o ato de filiação da governadora Raquel Lyra ao PSD, realizado no dia de ontem aqui no Recife. Foi um ato de demonstração de força política da governadora. Ladeada pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, Raquel Lyra conseguiu reunir várias tribos políticas do estado em torno do evento, além de lideranças nacionais do futuro partido, principalmente mulheres, há poucos dias da comemoração do seu dia. Kassab não perdeu a oportunidade de já vislumbrar um futuro político brilhante para a nova filiada, quem sabe uma candidatura presidencial em 2030. Se a presença de lideranças nacionais podem ser entendida como atos civilizados de boas-vindas à nova filiada à legenda, por outro lado o que talvez não tivesse no radar de alguns observadores foi a presença de lideranças políticas estaduais ao evento, quando se sabe que a governadora não moveu uma palha no sentido de envolver seus apoiadores no projeto de filiação ao novo partido. Não ainda. Dizem que é coisa daqui para a frente. Tudo a seu tempo.
Pelas movimentações políticas, em princípio, ela não terá dificuldades de contar com o apoio dos prefeitos hoje ainda filiados ao PSDB. Um outro indicador interessante é que a sua vice, Priscila Krause, filiou-se à legenda assegurando que não se filiaria a um partido de fizesse oposição a governadora, mesmo em se sabendo dos flertes de algumas lideranças do partido ao Palácio Capibaribe. Chegamos até a imaginar que o movimento da governadora no tabuleiro do xadrez político do estado poderia até mesmo favorecer o prefeito João Campos, sem que ele movesse um peão. Ou seja, se já havia algum flerte, a tendência natural da legenda seria apoiá-lo em 2026. Pode não ser bem assim.
Durante sua fala, uma expressão usada pela governadora foi interpretada como uma indireta ao seu provável adversário político nas eleições estaduais de 2026. Ela afirmou que não estava disposta a esquentar cadeira para quem imagina que é dono do poder. Gestos em política são emblemáticos, principalmente em ocasiões dessa natureza. Até mesmo as cortesias do ex-Ministro da Educação, Mendonça Filho, foi interpretada uma eventual insatisfação nas hostes do União Brasil estadual, interpretação logo refutada pelo ex-ministro. A jogada de maior risco de Raquel será seu posicionamento em relação às eleições presidenciais de 2026. Tida como aliada do Planalto, numa legenda que compõe a base de apoio ao Governo Lula 3, mas que alimenta expectativas de candidatura ao Planalto e tem sido sondada sobre um eventual desembarque do governo.
Editorial: Investimentos pesados em publicidade no Governo Lula 3.
O Governo Lula 3 está investindo pesado em publicidade institucional. São 3,5 bilhões, distribuídos entre a Secom, ministérios e estatais, um bilhão a mais do que o Governo Bolsonaro. Não há austeridade por aqui. Até mesmo os Correios, que anda envolto com enormes dificuldades de gestão, está sendo aquinhoado com montantes expressivos para gastar com publicidade institucional. Sugere-se que o Governo tentará reverter uma situação preocupante com os índices de popularidade através de expedientes como este. Austeridade com as contas públicas é vista com desconfiança entre os segmentos mais próximos e influentes junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como uma espécie de austericídio.
Não sabemos como o Governo pretende resolver essa equação, mas os economistas apontam para um caos nas finanças públicas. Um buraco, na expressão de Henrique Meirelles. Lula se fechou em copas junto a este grupo refratário ao controle do gasto público. Vamos ter problemas por aqui. O entendimento é que somente gastando a situação será resolvida, quando os índices inflacionários, também decorrentes do desequilíbrio das contas públicas, podem estar minando a popularidade do Governo. Não há irritabilidade maior do que chegar ao caixa do supermercado e perceber que o dinheiro gasto no mês anterior já não é suficiente para pagar a notinha atual.
O Governo Lula 3 entrou numa espiral complicada. Ainda ontem comentávamos por aqui sobre as dificuldades em outra área nevrálgica, a da segurança pública, onde um ex-delegado da Polícia Federal apontava a dimensão das dificuldades de uma solução para o problema, em razão do avanço institucionalizado do crime organizado. É difícil a construção de um consenso mínimo entre a União e os entes federados, até porque isso passa por uma reestruturação das polícias estaduais. Se a gente não chega a um acordo sequer sobre o uso de câmaras nos uniformes, imaginem a União fazer alguma exigência sobre a reestruturação das polícias estaduais, principalmente entre os estados governados pela oposição.
segunda-feira, 10 de março de 2025
Editorial: Impasse na solução dos problemas de segurança pública no país.

No dia de ontem, 9, tivemos o cuidado de ler, com absoluta atenção, uma entrevista com um ex-delegado da Polícia Federal, Jorge Pontes, concedida ao Estado de Minas, onde ele trata da questão da segurança pública no país. O quadro traçado por ele é sombrio e sensivelmente preocupante, sobretudo quando se observa a ausência de uma luz no fim do túnel. Uma leitura e uma reflexão que se recomenda para todos os agentes públicos que lidam com essa questão. O problema da segurança pública no país e, consequentemente do crime organizado a ale associado, passa, necessariamente, segundo ele, por uma reestruturação das polícias estaduais, obra hercúlea, sobretudo neste momento de queda de braço entre a União e entes federados.
O crime organizado já atingiu o núcleo duro dessas corporações. Sem que haja uma reestruturação, não se vislumbra alguma solução. O país passa por um processo célere de institucionalização do crime. Alguns entes federados, caso do Rio de Janeiro, o processo está tão enraizado que já podemos considerar a hipótese de estarmos lidando com um narcoestado. Ali já estão sendo registrado até situações de atentados terroristas, a exemplo da Colômbia dos piores anos. Nos estertores do Governo Bolsonaro já se impunha a necessidade de uma reestruturação do aparato de segurança e inteligência do Estado, estranhamento algo que só foi feito timidamente pelo Governo Lula3.
O resultado desse equívoco é que temos um agente da Polícia Federal, que fazia a segurança do presidente Lula, indiciado entre os conspiradores do golpe de Estado. Não vamos nem aqui entrar no mérito da ABIN paralela e do GSI para não melindrarmos. Conforme já insistimos por aqui em inúmeras ocasiões, há uma impossibilidade de construção de algum consenso mínimo em torno do assunto. Até recentemente o governo foi muito criticado pela decisão de afastar a PRF das ações em conjunto com as polícias estaduais e federal, junto à força tarefa do GAECO e do FICCOS. Há aqui um indicador, como já se suspeitava, das dificuldades dessa integração.
Editorial: Afinal, os preços vão baixar?
Infelizmente, não. As medidas tomadas pelo Governo, traduzido na isenção de tarifa de importação, não surtirão os efeitos esperados. Esta é a opinião de um bom time de especialistas que já se pronunciaram sobre o assunto. Não somos economista e, portanto, nessas ocasiões sempre recorremos aos universitários. No dia de ontem, 9, passamos o domingo debruçado sobre artigos e entrevistas tratando deste assunto, como sempre fazendo o dever de casa. Alguns produtos, a exemplo da banana, estão aumentando de preço sem uma razão aparente, talvez já movido por uma expectativa inflacionária que passa a rondar o imaginário popular nesses momentos, levando os comerciantes a simplesmente aumentarem o preço dos produtos aleatoriamente.
Os produtos brasileiros não estão aumentando por uma equação natural, onde o preço é calculado entre o custo de produção e a margem de lucro, mas em razão da estipulação dos preços pela cotação internacional. O café talvez seja o melhor exemplo do que estamos falando. Houve uma queda de produção em países concorrentes do Brasil, a exemplo da Indonésia e do Vietnã, provocando uma demanda maior pelo produto brasileiro e consequentemente o aumento expressivo do preço da saca para a exportação. O problema é quando os produtores resolvem pautar o preço da saca comercializado no país pelos preços praticados para a exportação. É aqui que o nosso cafezinho esfria.
Talvez a lógica do Governo se aplique a produtos como azeite e bacalhau, porque não temos tradição de produção desses produtos no Brasil, embora já haja algumas iniciativas importantes no que concerne à produção de azeite de oliva, salvo melhor juízo em Minas Gerais. Esses produtos, no entanto, não entram nos itens da cesta básica, a exemplo da carne, do café, do ovo e da banana. Tá feia a coisa. Os produtos podem até baixar de preço, mas não em função das medidas adotadas pelo Governo.


