pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: A interiorização do crime organizado
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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Editorial: A interiorização do crime organizado


Comentar sobre a "interiorização" do crime organizado, quando que sabe que organizações como o PCC já atuam em diversos países do mundo, constituindo-se numa espécie de multinacional, pode parecer até algo desatualizado. A verdade é que eles estão em todas. Do tráfico de drogas para a Itália até aos garimpos ilegais dos rincões da Amazônia, alguns em terras indígenas, com prejuízos ambientais e humanos colossais. Atuam no parlamento, no judiciário, no executivo em todos os níveis, até de forma "legal" vencendo licitações públicas, utilizando-se de CNPJ. É assim de São Paulo até Cabedelo. O termo "interiorização" aqui é apenas para fazer alusão às recentes operações policiais realizadas entre os estados que hoje apresentam os índices mais críticos da presença do crime organizado, entre eles a Paraíba. 

São cada vez mais recorrentes as incursões de operações do crime organizado em cidadezinhas antes pacatas, do interior, com registro, inclusive, de mortes violentas e brigas entre facções. O fenômeno se constitui apenas numa capacidade do crime organizado adaptar-se a inúmeras realidades, bem como se contrapor às investidas das operações policiais nos grandes centros urbanos ou metropolitanos. Quem imaginaria, há alguns anos atrás, a presença ostensiva de facções do crime organizado com atuações efetivas em regiões como Tejucupapo, São Lourenço, Pontas de Pedra, na região de Goiana, Litoral Norte do Estado? 

Regiões históricas, com a presença forte, como é o caso de São Lourenço, de comunidades quilombolas. Escrevemos até um romance sobre a Comunidade Quilombola de São Lourenço, que costumávamos visitar, com regularidade, com os nossos alunos e alunas. Bons tempos aqueles, cuja única preocupação era com a caldeirada da Irene ou  com a comida de santo, gentilmente servida pelas religiões de matriz africana da localidade. Três fatores explicam essa presença do crime organizado em cidades interioranos. Se pudéssemos resumi-los: ausência do Poder de Estado. Estruturas policiais frágeis; menor capacidade de investigação; presença reduzida do aparelho de Estado. 

Na ilustração acima, a Comunidade Quilombola de São Lourenço, com destaque para a igrejinha onde começamos a nossa preleção com a turma. Exatamente com o propósito de descontruir essa questão do preconceito religioso, não paramos por aí. Depois vamos visitar um assento de Jurema Sagrada, almoçamos num terreiro de umbanda e, já no finalzinho da tarde, ainda acompanhamos um culto evangélico.

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