segunda-feira, 20 de março de 2023
Editorial: As passagens aéreas baratas de Márcio França.
Nos escaninhos da política comenta-se que o Ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França, tomou um tremendo pito de Lula com o anúncio em torno de passagens aéreas mais baratas para a população, prioritariamente, atendendo os segmentos de aposentados, servidores públicos e estudantes. Muita coisa deixou de ser esclarecida sobre o assunto, mas é como se o governo passasse a subsidiar as companhias aéreas para o complemento do valor bilhete. Há, incluive, as preocupações em torno de eventuais mecanismos que poderiam facilitar a malversação desses recursos públicos.
Como a Casa Civil mudou completamente de perfil no Governo Lula, transformando-se numa espécie de órgão coordenador das diretrizes políticas, Lula reclamou que o superministro Rui Costa deveria ter sido informado com antecedência sobre o assunto. É por ali que se faz o filtro das políticas publicas, de onde se conclui ser seu titular um eventual candidato à sucessão de Lula, nas eleições presidenciais de 2026. Depois de algumas ponderações, o próprio Lula parece ter gostado da ideia, mas advoga que a proposta deva atingir um público mais reduzido, como o de estudantes, por exemplo. Trata-se de uma proposição ainda em estudos.
Márcio França tem um histórico de condução de sua vida pública que nos impõe um grande respeito. Já afirmamos isso aqui por mais uma vez, mas vale sempre a ressalva, diante do pântano em que estamos atolados. Com a vitória de Lula, na divisão dos nacos de poder, coube ao ex-governador, como cota dos socialistas, assumir o Ministério dos Portos e Aeroportos. É certo que o Governo Lula não tem uma diretriz privatista, mas as manobras do governo anterior em privatizar o patrimônio público atingiu duramente esta área, produzindo alguns malogros, como o Aeroporto do Recife, cujos preços aumentaram exorbitantemente, enquanto a qualidade dos serivços despencaram.
Seu sotaque estatista, por sua vez, não raro, entra em contradição com a própria realidade. Outro dia, alguém observou que ele fez referência a um porto da Bahia, já privatizado, como se público fosse. Insiste em interromper os avanços das negociações de privatização do Porto de Santos - seu reduto político - hoje em processo bastante avançado. A julgar pelo mal negócio que são essas privatizações, a exemplo daquela refinaria da Bahia, que foi vendida aos Árabes, com um valor R$ 11 bilhões a menos, além de estancar a sangria, talvez seja o caso de se pensar num programa de reestatização. Lula hoje falou que deseja interferir na indicação do presidente da Vale do Rio do Doce, um colosso da indústria nacional, vendido a troco de banana podre, em final de feira de interior.
domingo, 19 de março de 2023
Editorial: Com tão pouco tempo, o PT parece que está "cruzando a linha".
Pelo andar da carruagem política, as alas mais ideológicas do PT terão muitas dores de cabeça pela frente. Até recentemente, uma das mais ilustres representantes desse grupo, a Deputada Federal e Presidente Nacional da legenda, Gleisi Hoffmann sugeriu que estávamos diante de um estelionato eleitoral, ao criticar a formação do Conselho de Administração da Petrobras, com a indicação de nomes majoritariamente de perfil conservador e privatista. Nomes do Centrão, para ser mais preciso, indicado pelo ministro Alexandre Silveira, das Minas e Energias.
Gleisi protestou, mas, ao que se sabe, as coisas continuaram como estavam. O Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, que esteve na marca do penâlti até mais recentemente, também adotou tal expediente, readmitindo para o exercício de suas antigas funções na pasta, antigos colaboradores do governo de Jair Bolsonaro. Lula, que fez declarações contundentes sobre o assunto - afirmando que não iria admitir tais procedimentos - estranhamente, deixou de falar no assunto.
Afinal, a retirada de assinaturas para a uma eventual CPMI dos atos golpistas de 8 de janeiro vem sendo obtida através do surrado expediente do "convencimento", que signifca, neste caso, a liberação de emendas e cargos na máquina do Estado. Até o organograma de empresas estatais como a CODEVASF estariam sendo modificados para acomodar os novos aliados. Acabamos de ler, não sem algum espanto, na coluna do jornalista Cláudio Humberto, uma notícia que indica que esses expedientes chegaram ao que se poderia classificar como a cereja do bolo ou um coroamento.
Há a informação de que os senadores Waldir Rauph e Marcos Régério - sim, aquele mesmo - estão por trás da indicação de Efrain Cruz para exercer o cargo tido como um vice-ministro das Minas e Energias. Os cidadãos e cidadãs brasileiros que acompanharam o trabalho da CPI da Covid sabem muito bem quem é o senador Marcos Rogério, um bolsonarista raiz. O PT parece ter cruzado a linha. Vamos deixar um recado aqui para os dois Ciros. O do Ceará e o do Piauí. Ao seu modo e, por razões distintas, ambos teriam interesse nessas movimentações políticas.
sábado, 18 de março de 2023
Editorial: Quem tem medo sobre uma CPMI dos atos golpistas de 8 de janeiro?
Confesso que passei a ficar interessado numa eventual CPMI sobre os atos golpistas do dia 08 de janeiro, principalmente depois do depoimento do oficial da PM de Brasília, no dia de ontem, com revelações estarrecedoras sobre o que ocorria no acampamento montado pelos bolsonaristas radicais junto ao Quartel General do Exército, em Brasília. O Big Brother, apesar dos excessos, ainda assim, certamente ficaria de queixo caído com as ocorrências ali registradas, ainda de acordo com o oficial, que aponta eventuais casos de estupro e prostituição e outras coisas do gênero. Um cardápio abjeto, portanto.
O militar informa que chegou a disponibilizar cerca de 553 homens da PM com a missão de desmontar o acampanhemtno, mas teria sido impedido de fazê-lo pelo Exército. Alguém que é tão preciso nos números deve estar falando a verdade, conforme ensina os bons manuais de interrogatório. Quando você associa o que ali ocorria com as recentes denúncias de eventuais envolvimentos de órgãos como a Receita Federal, da ABIN, no sentido de adoção de métodos ilegais, sem autorização judicial para espionarem os inimigos do governo, aí você tem um quadro nefasto do pardieiro dos porões milicinaos em que estávamos metidos. Aqui convém separar o joio do trigo, mas nunca é demais observar que o trigo também faz mal à saúde. Na realidade, são setores da ABIN e da Receita Federal que teriam sido aparelhados pelo bolsonarismo para esses papéis antirrepublicanos.
Como ocorre nos sistemas fechados mais tradicionais, o estrago foi grande. O retrocesso civilizatório, republicano e democrático foi grande. Quando a sujeira começa a aparecer debaixo do tapete, pelas mais diversas razões, é que começamos a nos dar conta da dimensão do problema. Hoje, já existe algumas infomrações concretas sobre o que poderia ter ocorrido no dia 8 de janeiro. Está claro, por exemplo, de que foi algo urdido, bem planejado, com a participação efetiva de setores militares, quer como simpatizantes do movimento, que como articuladores ou planejadores.
A oposição se articula e o governo move moinhos para evitar uma CPMI, algo que, possivelmente, travaria o governo. As razões apresentadas pelo governo são razoáveis embora a oposição tenha dúvidas sobre as reais causas deste temor, sugerindo que integrantes do atual governo sabiam dos acontecimentos e não fizeram nada para impedí-lo. Nas ações do atual governo para impedir a instauração desta CPMI há, pelo menos um equívoco: Esse toma lá dá cá, envolvendo cargos na máquina e liberação de emendas para a retirada de assinaturas.
sexta-feira, 17 de março de 2023
Editorial: Flávio Dino no complexo de favelas da Maré
A oposição ao Governo Lula tem explorado bastante uma visita do Ministro da Justiça, Flávio Dino, ao complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, onde chegou sem nenhum esquema de segurança especial. Além das ironias de integrantes do clã bolsonarista - Eduardo Bolsonaro fez um pronunciamento na Câmara dos Deputados abordando o assunto, carregado de ironias - outros integrantes oposicionistas, além de se perguntarem sobre os motivos da visita, já aventam até mesmo a possibilidade de convocação do ministro para dar explicações sobre o assunto.
Por razões óbvias, o ministro tem sido discreto ao tratar do assunto, pois foram os próprios moradores locais, através das instâncias comunitárias organizadas, que o convidaram. Genericamente, a pauta seria um projeto de segurança apresentado pela comunidade. Na realidade, a oposição ao Governo Lula está sempre à procura de algum fato novo para desgastar o governo junto à opinião pública. Quando das condolências pelo quinto ano da morte da ativista Marielle Franco, eles fizeram questão de desenterrar o cadáver do ex-prefeito petista Celso Daniel.
Hoje, a tese de que a vereadora foi assassinada por prejudicar os negócios e os projetos políticos da milícia carioca é bem mais plausível. Infelizmente a estrutura policial do Estado do Rio de Janeiro não reuniu condições de investigar e elucidar este caso, indo até as últimas consequências. O nível de contaminação do aparelho de Estado não permitiu. Foram até onde foi possível. Agora, com um Polícia Federal entrando no caso - sem as interferências das autoridades de Brasília para impedir que profissionais sérios conduzam as investigações - a tendência é que, finalmente, possamos ter um desfecho deste caso, apontando-se e punindo-se os mandantes do assassinato da vereadora.
O ministro Flávio Dino vai a onde quiser ir e quando for convidado. Não tem satisfação a dar aos milicianos do Rio, que estão preocupados com as suas movimentações junto às suas bases eleitorais, que são tratadas como marginais antes das eleições. Aconselharia ao ministro, no entanto, de fato, ficar mais atento à sua segurança, pois nao se pode brincar com milicianos, que possuem "empresas", cujos negócios, incluem os assassinatos por encomenda, como foi o caso da morte da vereadora Marielle Franco.
quinta-feira, 16 de março de 2023
Editorial: O que, de fato, está ocorrendo no Rio Grande do Norte?
Ainda no dia de ontem, tomamos conhecimento de uma notícia informando que os garimpeiros estariam impedindo que os agentes de saúde realizassem seu trabalho na comunidade dos povos originários Yanomamis. A tragédia humanitária que se abateu sobre aqueles povos tem sua origem exatamente na ocupação irregular e predatória das terras a eles reconhecidas, contaminando as águas dos seus rios, dificultando seu acesso à pesca e à caça, impedindo a presença do Estado naquela região. Chegamos ao horror de crianças e adultos doentes e famintos e adolescentes aliciadas para a prostituição por um prato de camida.
Se tal problema da presença perniciosa do crime organizado ocorre naquelas rincões, produzindo tais consequências funestas, o que não se pode imaginar sobre a sua presença em Estados como o Ceará, Pernambuco, Alagoas, Paraíba e o Rio Grande do Norte, com seus balneários repletos de turistas em determinadas épocas do ano? Nesses locais é bastante comum a atuação de facções do crime organizado, ditando suas regras, estabelecendo, na ralidade, o poder de polícia que o Estado, em tese, deveria exercer. Quando delinquentes avulsos insisitem em prejudicar os seus negócios, não raro, são essas facções que resolvem o problema.
Quem não se recorda da verdadeira operação de guerra que foi montado pelas polícias do Estado de Pernambuco para "retomar" o controle do balneário de Porto de Galinhas mais recentemente, onde facçoes do crime espalharam o terror na região? Que existem disputas acirradas entre essas facções pelo controle de espaços de negócios - ou bocas, numa linguage mais apropriada - isso também é verdade. Que medidas restrititvas adotadas contra esses chefes criminosos que estão presos podem desencadear essa onda de violência, isso também é verdade. Basta uma transferência de domicílio prisional.O Estado do Ceará enfrentou sérios problemas dessa natureza.
O problemea da população carcerária do país é imenso. Enumerá-los aqui estendeia este editorial para uma grande reportagem. Possuímos uma cultura carcerária, forjada no açoite do pelourinho da escravidão; há um abuso do expediente das prisãos preventivas; presos que cuprem suas penas continuam encarcerados em razão da morosidade da vara de execuções penais; unidadess priscionais com a capacidade bem acima do que poderiam comportar. São inúmeros os problemas.
Eis aqui mais um grave gargalo que o terceiro Governo Lula terá que começar a enfrentar, através dos Ministérios dos Direitos Humanos e da Justiça. No caso do Rio Grande do Norte existe tudo isso relatada acima e algo mais. Este algo mais é que estaria, na realidade, provocando essa onda de violência que obrigou a governadora do Estado, por sinal petista, Fátima Bezerra, pedir o concurso da Força Nacional para se juntar às forças de segurança estadual, incapaz de se contrapor à onda de violência. O Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura constatou irregularidades e violações de direitos humanos em algumas penitenciárias do Estado, como torturas físicas, marmitas com comidas estragadas e contaminação proposital por tuberculose. Ela informou que desconhecia tais problemas e irá tomar as providências necessárias para saná-los. É isso que esperamos dela, antes que medidas mais civilizadas possam emanar das autoridades federais no que concerne ao enfrentamento desses problemas estruturais do nosso sistema prisional.
Editorial: Datena é mesmo candidato a prefeito de São Paulo?
Crédito da foto: Folha de São Paulo |
Vamos nos organizar aqui pelo blog, porque, pelo andar da carruagem política, as eleições de 2024 já começaram. Lula já informou que apoiará o Deputado Federal Guilherme Boulos, do PSOL, em seu eterno projeto de tornar-se prefeito de São Paulo. O núcleo duro do PT deve acompanhar o morubixaba petista, mas deve haver alguma dissidência na base aliada governista, uma ala socialista paulista deve orientar-se em torno do apoio a uma eventual candidatura da Deputada Federal Tábata Amaral, do PSB. O Ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França, por exemplo, que também é do PSB.
Pelas hostes bolsonaristas, é dada como certa a candidatura do Deputado Federal Ricardo Salles, assim como cogita-se o nome da também Deputada Federal, Carla Zambelli. São Paulo perdeu aquela identidade com os tucanos. É curioso este fenômeno porque, hoje, não se vislumbra no horizonte algum nome forte da legenda para disputar a capital paulista. Não esta descartada uma candidatua de Rodrigo Garcia, que concorreu ao governo nas eleições passadas, torncendo por um eventual apoio do atual governador Tarcísio de Freitas. Hoje seria um tucano que está mais para bolsonarista. Aquela história do apoio incondicional ao atual governador, logo no início do segundo turno das eleições passadas, deixa isso muito claro. Naturalmente que ele espera um gesto de Tarcísio, mas as coisas não são tão simples assim.
Creio que, de tucano, atualmente, ele não guarda mais nem a plumagem. Hoje já não se leva muito a sério a candidatura do apresentador José Luiz Datena, por razões conhecidas: ele sempre desiste na última hora. Parece-nos que ele cumpre aquela função de freio de arrumação em tal contexto, ou seja, aquele nome que adensa o processo político, estabelecendo uma espécie de depuração na corrida eleitoral. O PDT, nas eleições para o Governo do Estado, apresentou um candidato muito bem preparado e com um ótimo currículo na vida pública, Elvis Cesar, com uma identidade muito próxima a do Ciro Gomes, portanto. Datena, neste aspecto, não guarda muita similaridade com o cearense. Mas também não se pode apostar muito nesta candidatura, pelas razões expostas.
quarta-feira, 15 de março de 2023
Editorial: A"invertida" do senador Rogério Carvalho em Sérgio Moro.
O senador Rogério Carvalho, do PT de Sergipe, no dia de ontem, durante os trabalhos no Senado Federal, protagonizou uma tremenda réplica à fala do estreante Sérgio Moro naquela Casa. O ex-juiz da Lava jato fazia um discurso sobre corrupção, tema sobre o qual ele perdeu a autoridade já faz algum tempo. Circula nas redes sociais o áudio com a fala do senador sergipano, cuja reação contundente parece ter surpreendido o ex-ministro do Governo Bolsonaro. O senador Sérgio Moro tem procurado construir uma narrativa discursiva em torno de eventuais desvios de conduta de integrantes do Partido dos Trabalhadores.
O discurso antipetista até que possui alguma ressonância em alguns segmentos sociais, quando ancorado por alguém que teria autoridade para fazê-lo. Não nos parece ser este o caso.Rogério Carvalho foi candidato ao Governo de Sergipe nas últimas eleições, sendo derrotado por um candidato conservador. Possui um excelente currículo acadêmico, o que o fez se destacar nos trabalhos da CPI da Covid-19. Parabéns ao senador sergipano pela invertida, sempre acompanhada de bons argumentos.
E, por falar em corrupção- um tema recorrente neste país - percebemos que todos os envolvidos no imblóglio das joias estão afinando os passos para ninguém se comprometer. O militar envolvindo afirmou, em depoimento, que desconhecia o conteúdo da maleta, o que, convenhamos, não deixa de ser surpreendente para alguém na sua condição, por profissão, sempre muito ligado, como diria o delegado Raimundo. O ex-presidente, por sua vez, já se prontificou a devolver a muamba irregular ao TCU e prestar depoimento à Polícia Federal sobre o assunto, possivelmente seguindo conselhos dos seus advogados, por saber que, agora, eles irão até às últimas consequências, agindo de forma republicana, como sempre deveria ser.
A primeira-dama viajou para os Estados Unidos, depois de afirmar que desconhecia completamente a existência dessas joias. Há, pelo menos, uma certeza, a Polícia Federal irá apurar os fatos com o necessário rigor republicano. Em algum momento este enredo será, finalmente, esclarecido. A cada dia surge mais mistérios envolvendo este assunto. Um roteirista, em início de carreira, teria aqui um assunto para elaborar um bom filme ou uma série televisiva.
terça-feira, 14 de março de 2023
Editorial: Rascunho de uma proposta de avaliação do Governo Lula.
Ainda é cedo para se fazer uma avaliação mais responsável e consistente do terceiro Governo Lula. O Governo, neste primeiro esboço de uma avaliação, no entanto, tem acumulado mais acertos do que erros, o que já nos recomenda falar numa boa largada. No plano macro, há controvérsias sobre os rumos da política econômica, que colocam, em lados opostos, alas do próprio governo. Quem, afinal, precisa de oposição num contexto como este? Há, ainda neste plano macro, o gargalo da formação de uma base de sustentação política, o que, no nosso presidencialismo de coalizão, se constitui numa tremenda dor de cabeça para os chefes do Executivo, qualquer que seja ele.
A metástase bolsonarista da máquina é outro grandiosíssimo problema. Ministros ligados ao Centrão estão adotando o famoso "jeitinho" brasileiro para acomodar os compatriotas na burocracia, seja renomeando demitidos, seja indicando-os para ocuparem os conselhos administrativos de empresas estatais. O padrão das alianças estabelecidos pelo PT, ao centro do espectro político, excluindo tão somente a extrema-diretia, não poderia dar noutra coisa. Ainda no plano macro, a briga dos juros com o Banco Central, o que levou próceres petistas a pedirem a cabeça do seu atual presidente ou a mudança na lei que garante a autonomia daquela instituição bancária.
A presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, já enfatizou que estamos diante de um estelionato eleitoral. Que os petistas raízes não tenham ouvido suas declarações.Mesmo numa conjuntura adversa, Lula está sempre puxando a brasa para a sardinha dos mais empobrecidos da sociedade brasileira. Corrigiu os valores infames da merenda escolar; irá distribuir absorbentes para as mulheres de baixa renda, livrando-as do drama da pobreza menstrual; colocou o bolsa família nos eixos; atualizou os valores das bolsas de pesquisa de órgãos como o CNPq e CAPES; está tentando tirar a granada do bolso dos servidores públicos civis do Executivo, que há sete anos estão sem reajustes; voltou a entregar casas populares à população. Se esquecemos algo por aqui, os diletos leitores que nos perdoem. Não seria de propósito.
Por outro lado, nunca vimos uma oposição tão animada com a ideia de criação de CPIs. Já existe proposta de assinatura de uma CPMI sobre os atos golpistas de 8 de janeiro e as articulações em torno de uma eventual CPI para apurar as recentes invasões de terra organizadas pelo MST. Em contrapartida, sobretudo por saber como essas CPIs começam, mas desconhecer como terminam, conforme advertia o grande Ulisses Guimarães, o Governo Lula joga pesado para evitá-las, utilizando-se dos recursos disponíveis: emendas e cargos na máquina. Já vimos como este filme termina.
segunda-feira, 13 de março de 2023
sábado, 11 de março de 2023
Editorial: O futuro do bolsonarismo
Não deixa de ser interessante ver um jornal do porte da Folha de São Paulo discutindo o futuro do bolsonarismo. A Folha é um grande jornal e tal premissa é verdadeira, mesmo entre aqueles que discordam de sua linha editorial. Mesmo diante de severas críticas, o Instituto DataFolha, continuou sendo o parâmetro mais importante para se acompanhar o desempenho dos candidatos nestas últimas eleições presidenciais. Existe uma independência entre ambos, mas as comparações são inevitáveis, uma vez que o instituto é uma espécie de cria do jornal da família Frias.
A Folha está anunciando uma série de reportagens sobre o futuro do bolsonarismo, serão abordados vários aspectos, ouvindo especialistas, e, até mais importante, pedindo a opinião dos leitores no sentido de ajudar na definição das pautas. São interessantíssimos esses movimentos da política. Hoje, muito mais do que o Governo do PT, quem está falando num processo de "desbolsonarização" são hostes das mais fidedignas ao ex-presidente, como uma liderança do partido Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira, que afirmou recentemente que ele não é líder de oposição coisa nenhuma, uma vez que vive enfurnado nos Estados Unidos.
Vamos afirmar algo por aqui que pode até causar arrepios nas hostes de perfil progressista, republicana e democrática. Não é bem o que pretendíamos, mas o futuro do bolsonarismo é perene. Até recentmente, o diabo em pessoa esteve num encontro dos conservafores nos Estados Unidos. O Bolsonarismo tem um terreno fértil no país. Somos uma sociedade, tradicionalmente, desigual, racista e autoritária. Possuímos algumas estufas onde o bolsonarimso encontra os elementos fundamentais para crescer.
Nos aproximamos muito das teses do sociólogo português, Boaventura de Souza Santos, quando afirma que o país tornou-se um laboratório de experimentos políticos da extrema-dirieta no mundo. O Brasil possui uma "estufa" fascista que alimenta o bolsonarismo. O deputado federal Nikolas Ferreira, depois daquelas aberrações transfóbicas pronunciadas no plenário da Câmara Federal, ganhou 43 mil seguidores numa de suas redes sociais. Todo o cuidado é pouco com o bolsonarismo. O país não pode se dar ao luxo de mais um sono político que produziu o monstro.
Editorial: Olha a picanha aí, gente.
Com os programas socais de distribuição de renda como Bolsa Família restaurado e moralizado e uma possível queda do preço da carne verde nos açougues, com dados atestados por organismos insuspeitos, que observam que tais preços nunca diminuíram tanto nos últimos 15 meses, as famílias de baixa renda já podem programar a volta dos churrascos de finais de semana, com os amigos, na laje, sempre com vistas deslumbrantes. Por teimosia, mesmo morando em áreas de risco, os pobres impõem o seu "direito à paisagem". Parece brincdeira, mais essa questão é coisa muia séria, principalmente entre os geógrafos mais progressistas.
Aqui no Recife já deu até processo contra pesquisador, quando da construção esquizofrênica daquelas duas torres gêmeas no cais do Recife, no meio do nada, junto a um entorno sensivelmente degradado. Qume parece ter gostado da ideia são chineses muambeiros, que comercializam seus produtos no vuco vuco. Mas, o que interessa neste momento não é o cais do Recife, tão bem retratado, em outras épocas, nos livros do escritor paraibano José Lins do Rego, mas a tal picanha que voltaria à mesa dos mais pobres, conforme prometera o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por alguma razão que desconhecemos, o tal corte tornou-se a carne que mais diminuiu de preço.
Efeito psicológico? Possivelmente não. Numa dessas entregas de Casa do Projeto Minha Casa Minha Vida, o presidente brincou, afirmando a um dos assessores que seria necessário construir churrasqueiras nesses conjuntos habitacionais. Já se sabia que, independentemente das dificuldades e dos obstáculos, Lula sempre arranjaria um jeito de puxar a brasa para a sardinha dos menos favorecidos. Entre outros motivos, foi por isso que nós o elegemos. Faria apenas uma ponderação: Está pegando muito mal para o governo essa cruzada para evitar a instauração de uma CPMI sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, através de retirada de assinaturas, sob a oferta de cargos e liberação de emendas parlamentares. Já assistimos este filme antes e sabemos onde ele vai dá.
sexta-feira, 10 de março de 2023
Editorial: Governo Lula aumenta os valores da merenda escolar.
quinta-feira, 9 de março de 2023
Editorial: A sociedade brasileira repudia a fala transfóbica de Nikolas Ferreira
O Brasil é um dos países mais perigosos para um homossexual viver, de acordo com um levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia. Na região Nordeste é onde esse preconceito é ainda mais arraigado, mas, no geral, ele está presente em todos os recantos, muito em razão de nosso processo de formação. Tivemos avanços significativos no que concerne ao reconhecimento dos direitos e de, eventualmente, convivência e tolerância com essa questão nos Governos da Coalizão Petista, mas logo o obscurantismo voltou, na esteira de um movimento político de caráter conservador, autoritário e misógino, a partir do golpe institucional de 2016.
A partir de então, os problemas para esse grupo social apenas se agravaram. Praticamente todos os dias são cometidos crimes por preconceito sexual no país, ou seja, o indivíduo morre por sua opção sexual. Numa quadra como esta, a responsabilidade da fala assume uma dimensão gigantesta, seja ela proferida por uma professora ou por um professor numa escolinha de um bairro da periferia, seja ela proferida por um parlamentar, em cadeia nacional, no dia em que se comemorava o Dia Internacional das Mulheres.
Infelizmente, a roda do país ainda gira numa espiral autoritária e fascistas fomentada nos últimos anos, onde precisamos repudiar esses atos todos os dias. Ontem foi a vez do Deputado Federal Nikolas Ferreira, eleito pelo Estado de Minas Gerais, um bolsonarista raiz, assumir a Tribuna da Câmara dos Deputados para proferir um discurso profundamente infeliz, cometendo preconceito contra as mulheres transfóbicas. Este é o tipo de atitude que irá contingeciar as autoridades públicas a tomarem alguma providência em torno do assunto, em função de sua grave repercussão. Trata-se de um crime que, possivelmente, não ficará impune. O próprio presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lyra, fez um pronunciamento duro em torno do assunto, o que não seria assim tão comum quando se trata de bolsonaristas envolvidos. Como se diz aqui no Nordeste, que seje!
O deputado Nikolas Ferreira ja andou sendo acusado de eventual apoio às mobilizações à trupe de irresponsáveis que cometerem crimes contra as instituições democráticas do país, o que se levou a pensar sobre a conveniência ou não de ele assumir o cargo. Superada essa fase, não satisfeito, ontem ele cometeu mais essa sandice imperdoável, que deve lhe custar muito caro, pois a Deputadas Tabata Amaral e o Deputado Guilherme Boulos, estão formalizando as denúncias juntos órgãos competentes para examinar e tramitar os processos devidos. Boulos, depois de um discurso de repúdio contundente, vai acionar o próprio STF.
quarta-feira, 8 de março de 2023
Editorial: As advertências de Lyra sobre as bases frágeis de Lula
Nos escaninhos da política comenta-se que um dos fatores que mais pesaram na decisão de Lula em manter no cargo o Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, foram as ponderações, incluive de aliados, acerca de sua fragilidade política no parlamento. Mesmo não sendo um nome de indicação orgânica do Uniao Brasil, as contingências da indisposição da legenda com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, levaram suas lideranças a assumir a defesa do senador no cargo. Já se sabia que a situação era complicada, mas, à medida que o tempo passa, torna-se ainda mais difícil gerenciar tantos interesses hostis ao Governo, capitanedos por uma base conservadora por natureza e bolsonarista por oportunismo.
Apesar dos nomes de petistas experientes para fazer este meio de campo político,tanto na Câmara dos Deutados quanto no Senado Federal, o PT enfrenta dificuldades até mesmo para assegurar a aprovação de projetos de miudezas, como sugere o presidente da Casa Arthur Lyra. A recomendação de Lula é de artitular, articular e articular, mas, mesmo assim, a quandra parece um pouco turva, com uma engrenagem que não anda, reclamando de um um whitelube político. Pelo lado da oposição, as coisas caminham bem, como, por exemplo, no tocante às iniciativas no sentido de angariar o número de assinaturas necessárias para criar uma CPI para apurar os atos antidemocráticos de 08 de janeiro. Além dos embaraços naturais para um governo que tenta engatar a terceira marcha, ainda se sugere que a oposição pretende pegar um peixe graúdo do atual governo, que, em tese, fora avisado com a devida antecedência sobre aqueles episódios.
Tanto interesse da oposição, naturalmente, teria como objetivo prejudicar o Governo Lula. Vamos ver como o petista consegue se sobressair dessa encruzilhada política, armada pelos abrutes, insatisfeitos com a retomada do processo democrático, civilizatório e republicano. São os urubus voando de costa, dipostos a tudo para reaver os nacos do poder que permitiram tantas safadezas e desmandos, que vão desde as próteses penianas ao rolo das joias das arábias.
Editorial: Trabalho análogo à escravidão
terça-feira, 7 de março de 2023
Editorial: O PT deve caminhar com Boulos para a Prefeitura da Cidade de São Paulo, em 2024
De acordo com o Ministro das Relações Instituciinais, Alexandre Padilha, Lula deve mesmo apoiar o nome do Deputado Federal Guilherme Boulos, do PSOL, para a Prefeitura da Cidade de São Paulo, nas eleições municipais de 2024. A repercussão desta notícia tem uma razão de ser. Afinal, não é todo dia que podemos observar o PT abdicar de sua condição de protagonista no campo das esquerdas no país. Unidade sim, desde que vocês nos apóem. O contrário é diversionismo, é tentar fazer o jogo da direita. Nem precisamos mencionar por aqui os casos mais emblemáticos, mas é importante lembrar o caso de Ciro Gomes, do PDT, quando Lula estava preso e não poderia disputar eleições presidenciais daquele ano.
A eleição de São Paulo será mais um duelo renhido a ser travado entre as forças do campo progressista e as forças do campo do atraso, do retrocesso político e civilizatório. Ali deverá ser travada, nas eleições de 2024, o primeiro round de um embate que tende a se reproduzir nas eleições presidenciais de 2026. Antes, quando da hegemonia política dos tucanos, aquele reduto político era conhecido como tucanistão. Pelo andar da carruagem, os jornalistas precisam encontrar um termo que dê conta da atual condição dequela praça, que está se transformando numa trincheira do bolsonarismo.
Os petistas não têm dúvidas de que o atual governador Tarcísio de Freitas, deverá disputar as próximas eleições presidenciais pelo campo das forças conservadoras, vale dizer, bolsonaristas. Segundo analistas, o cálculo político de Lula deixar seu feriado de carnaval na Bahia para acompanhar os trágicos acontecimentos das enchentes de São Gonçalo, teria este elemento em jogo. Antes que os petistas raízes nos trucidem, informamos que Lula tem a dimensão exata das responsabilidades do cargo que ocupa e é uma pessoal solidária e sensível ao sofrimento alheio. É um fato que tais fatores também pesaram em sua decisão.
Editorial: Lula decide manter Juscelino Filho e Ciro Gomes vem aí.
Ciro Gomes já avisou que a sua trégua ou tolerância termina em abril. Depois disso, irá se pronunciar sobre o governo do petista. Na realidade, não deve ter sido as explicações de Juscelino que pesaram para mantê-lo no cargo. O cálculo de Lula deve ter sido outro. Principalmente os fatores que estavam em jogo nesta decisão, como a sua já conturbada relação com o União Brasil. Um lado bom quando esses escândalos estouram é que surgem fatos que, por vezes, não tem nem uma relação tão orgânica com os escândalos.
A atuação de Juscelino Filho, como parlamentar, também foi bastante questionada pelas redes socais, no dia de ontem. São três mandatos e poucos projetos, exceto um deles instituindo o dia do cavalo. Se, por um lado, Juscelino não teria muito a contribuir com o Governo Lula, por outro lado, Ciro pode contribuir, e muito, independentemente do fato de encontrar-se na oposição. Ciro é um cara sério, íntegro e preparado. Uma pena que os descaminhos da política tenha colocado o cearense em campo praticamente oposto ao do PT.
Não se sabe, ainda, como o PDT irá gerenciar essa questão, uma vez que o partido integra a base aliada do governo Lula, ocupando, inclusive, uma pasta ministerial. Ciro, por seu turno, nunca respeitou muito essas formalidades. O terceiro Governo Lula começa com uma tempestade de acertos, retomando políticas públicas importantes, cuidando das pessoas, do meio-ambiente, reestabeleendo o lugar do país no contexto da política internacional. Por outro lado, tem pecado em miudezas, como uma decisão equivocada sobre a manutenção no governo de um ministro que cometeu alguns equívocos.
segunda-feira, 6 de março de 2023
Editorial: No encontro de hoje, Lula define o destino do ministro Juscelino Filho
Hoje, 06\03, um grande jornal paulista aponta indícios sobre a eventual contratação de um sócio do seu haras como servidor fantasma. Exitem muitos problemas, o rolo é grande, mas, se tivéssemos que apontar a gota d'água que deverá levar Lula a pedir sua saída do cargo, diríamos que a recontratação absurda de bolsonaristas afastados podem definir o seu destino. Pelo menos dez ex-bolsonaristas foram recontratados na estrutura do Ministério das Comunicações, alguns deles simplesmente voltando às funções que ocupavam no ancien regime.
Este é um assunto sobre o qual temos discutido por aqui com um certa frequência, portanto, vamos poupar nossos diletos leitores de mais uma discussão. Um dos editoriais do Estadão aponta a absoluta falta de noção do ex-presidente em relação à fronteira do que seja interesse privado e do que seja responsabilidade com a res publica. Espírito público é algo que não consta do dicionário do ex-presidente. Os desmandos na ocupação do cargo são tão escabrosos, que, certamente, permitiram este clima de licensiosidade reinante. O uso indevido do cartão corporativo é um desses exemplos mais emblemáticos.
Há alas do partido sensivelmente preocupadas com as repercussões negativas dos episódios envolvendo Juscelino Filho e, a rigor, já entregaram sua cabeça de bandeja ao presidente Lula. Lula não resiste, mas ganha tempo, uma vez que a manobra envolve alguns lances complicados no tabuleiro político. Sua relação com o União Brasil, partido que indicou o ministro, por exemplo, não é das melhores. Alguns indicados, sequer, representam a vontade dos caciques da legenda, a exemplo de ACM Neto, que tinha no colete um correligionário baiano, recusado por petistas da terra de Jorge Amado; Lula estabelece com Luciano Bivar, Presidente Nacional da Legenda, um canal de comunicação privilegiado, o que significa, igualmente, uma penca de nomes para ocupar cargos no governo; Por último, mas não menos importante, há rumores que de que Lula possa entregar o Ministério das Comuniações ao PSD, de Gilberto Kassab. Observando esses bastidores de camarote, mas não menos preocupado com o seu desfecho, o Ministro da Justiça, Flávio Dino. Juscelino Filho tem base política no seu Estado, o Maranhão. Nem precisamos entrar nos detalhes.