Não estamos tratando aqui do mérito da aprovação da medida, por sinal humanamente justíssima, mas observando suas consequências para as contas públicas. Há alguns meses atrás, a Ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que havíamos chegado ao limite. Era preciso realmente dá uma segurada nos gastos públicos, sob pena de enfrentarmos o caos. Pelo andar da carruagem política, em ano de eleições, este aviso caiu no vazio. A Confederação Nacional dos Municípios(CNM) já se manifestou contrária à aprovação da PEC 14\2021 avaliando que o impacto sobre os municípios seja da ordem de R$ 70 bilhões, praticamente levando a um impasse fiscal.
É o Brasil descendo a ladeira, meu caro editorialista. Uma imagem que traduz muito bem isso é uma analogia atribuída a pelo antropólogo Roberto DaMatta, quando ele menciona a alegoria do elevador. O elevador do prédio suporta apenas seis pessoas. Num determinado momento, um funcionário tenta entrar no elevador, mesmo sabendo que a lotação já estava esgotada. O ascensorista em princípio recusa, mas o funcionário sugere que pode limpar sua barra com a empregada do 301. Ele acaba aquiescendo, cedendo à proposta, e o elevador vai ao fundo do poço.


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