pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Editorial: As mesadas do Banco Master

Crédito da Foto: Cristiano Mariz\Agência O Globo



Hoje, 07, por ocasião da 5ª fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão na casa do senador Ciro Nogueira(PP-PI), em Brasília. Sobre ele pesa a suspeita de ter recebido, de forma regular, uma mesada da ordem de R$ 300,00 mensais, podendo chegar a R$ 500,00. Esta fase da operação não integra, ainda, o acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, que, aliás, conforme informamos mais cedo, está com dificuldade de ser viabilizado porque eles estão oferecendo muito pouco em termos de informações. Eles querem informar o que a Polícia Federal já sabe sobre este enredo nebuloso da maior fraude bancária já ocorrida no Brasil. Aliás, a fraude contra o sistema bancário é apenas a ponta do iceberg, uma vez que outras tipificações de crimes foram cometidas pelo grupo. 

Ciro Nogueira é uma das principais referências do Centrão no país e preside a poderosa União Progressista, que integra o União Brasil e o Partido Progressista. Antes da operação ser realizada, por dever de ofício- e possivelmente evitar novos melindres - o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, comunicou ao Presidente do Senado Federal, David Alcolumbre, que um dos alvos da operação seria um senador da República. Ficamos aqui a imaginar quem seria atingido no curso dessas investigações, assim como até onde elas irão. Há muita gente graúda enredada, comprometida até a medula com essas maracutaias. 

Há pouco um jornal aventou a possibilidade de uma alta autoridade do Poder Legislativo ter feito gestões junto ao Chefe do Executivo no sentido de obter uma blindagem no que concerne a tais investigações. A mudança de comportamento do PT em relação à abertura de uma CPMI sobre o Master, reforça um pouco a tese levantada pelo jornal. Essas "coxias" teria, na realidade, influído decisivamente, conclui-se, na rejeição ao nome de Messias para o STF. Para os eleitores que desejam aprofundar este assunto, recomendamos a leitura da coluna da jornalista Malu Gaspar. Isso reforça a tese levantada por este blog, observando que as investigações sobre o Banco Master tornou-se o grande divisor de águas em Brasília. Toda trama se desenvolve sobre quem é contra e quem é a favor das investigações. Já íamos esquecendo. Os presentinhos com imóveis milionários sugere-se que, como suspeitava a PF, era uma prática recorrente. 


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Editorial: PGR e PF recusam os termos da delação premiada de Daniel Vorcaro.


Repercute desde ontem, 06, a informação de que a PGR e a PF teriam recusado os termos da delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Perdoem os leitores a ausência dos termos jurídicos mais adequados, mas é como se o que eles estão propondo delatar não atendesse às expectativas das autoridades. O Ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF, inclusive, supostamente, teria mantido um diálogo ríspido com os advogados do ex-banqueiro. Este caso do Banco Master é bastante complicado, uma vez que envolve atores bem posicionados nos Três Poderes da República. Ontem mesmo, na quinta fase da Operação Compliance Zero, um senador da República foi arrolado numa operação de busca e apreensão.  

Supostamente há divergências, igualmente, no que concerne ao montante que seria devolvido aos cofres públicos. Somente um dos implicados no caso do escândalo do INSS se propôs a devolver a bagatela de R$ 400 milhões. O cidadão mantinha empresas que prestavam "serviços" aos segurados e pensionistas do INSS. Se os advogados continuarem nesses termos, talvez não se chegue a um acordo entre as partes. Ainda ontem um primo do banqueiro, Felipe Cançado Vorcaro,  foi preso pela Polícia Federal no curso da Operação Compliance Zero, que investiga esta fraude bancária gigantesca. A acusação é a de eventual pagamento de propina a um senador da república. 

Uma CPMI tratando sobre o escândalo do Banco Master ajudaria os pagadores de impostos a conhecer um pouco mais sobre o assunto. Seria muito bem-vinda, de preferência se os convidados não fossem blindados pelos habeas corpus, permitindo que tal comissão realizasse seu trabalho sem tais inconvenientes. Infelizmente, já perdemos as esperanças em torno deste assunto. Trata-se de uma proposta morta e enterrada. Agora é o PT que, tardiamente, manifesta interesse na apreciação do assunto, quando se colocou veementemente contra lá atrás. 

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quarta-feira, 6 de maio de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: União Progressista recupera espaço no Governo Raquel Lyra.

Crédito da Foto: Blog do Magno Martis


Nossa crônica política local precisa tomar alguns cuidados para não se tornar uma versão da revista de fofocas TITITI. O assunto predominante hoje é um suposto namoro da governadora Raquel Lyra com um assessor especial do Palácio do Campo das Princesas, que seria o seu primo. Do ponto de vista político, o que está em jogo é uma reacomodação da poderosa União Progressista no governo estadual, recobrando espaços perdidos num passado recente, onde as indisposições entre a governadora e suas lideranças moveram as rotativas do Diário Oficial do Estado. Os progressistas poderão voltar a controlar a Copergás e haveria em curso negociações em relação a outros órgãos, a exemplo da CEASA e do Detran. 

A rigor, parte desses cargos já seriam ocupados pelo União Brasil, principalmente liderados pela família Coelho, grupo para o qual alguns desses cargos foram destinados. O problema é que a integração entre os dois grupos, o comandado pelos Coelho (UB-PE), e o comandado por Eduardo da Fonte(PP-PE) não seria tão harmônica assim. E este é um problema que transcende à ocupação de espaço na máquina. A governadora terá que ajustá-los também na disputa de 2026, onde ambos os partidos que integram a federação União Progressista tem seus pretendentes a ocupar um vaga na chapa, de preferência uma das vagas ao Senado Federal.

Na realidade, estão abrigados no Palácio do Campo das Princesas uma "penca" de candidatos ao Senado Federal. Sabe-se lá como a governadora irá se arranjar. Já existe alguns compromissos, a exemplo de Túlio Gadelha, que filiou-se ao PSD para se conformar ao perfil da chapa, com acenos a um eleitorado mais progressista, diluindo o perfil conservador dos apoios da governadora. Fernando Dueire deixou o MDB, filiou-se ao PSD também com este propósito. Dueire já foi tratado pela governadora, em eventos, como "meu senador". Muito em breve ela deverá bater o martelo em relação ao assunto e logo saberemos quem são os escolhidos. 


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Editorial: As pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República estão ficando muito parecidas.


O escritor paraibano Ariano Suassuna adorava tipos humanos engraçados, todos eles devidamente registrados em suas principais obras, a exemplo da peça O Auto da Compadecida. Em suas andanças pelo país, onde realizava as suas famosas aulas espetáculo, o escritor relata um caso ocorrido em sua cidade natal, Taperoá, no Cariri Paraibano. Na realidade, o escritor adotou Taperoá como sua cidade natal, embora tenha nascido em João Pessoa. Como toda cidadezinha do interior que se preze, ali existam alguns desses tipos esquisitos, como o bêbado, o ateu e o doido. Ele relata que, um certo dia, as pessoas da cidade encontraram o "doido" - Ariano, inclusive, tinha grande admiração pelos "doidos" - encostado em um muro tentando ouvir alguma coisa. 

Logo em seguida,  formara-se uma fila de outras pessoas que repetiam o ato automaticamente. Num determinado momento, depois de algum tempo tentando ouvir algo, um deles perguntou para o "doido": - Fulano, até o momento não ouvimos nada. Ele então responde: - Está assim desde as sete horas da manhã. Já passava do meio-dia. É mais ou menos esta a situação que está ocorrendo com as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República já há algum tempo. Os escores são sempre os mesmos, a avaliação do Governo Lula 3 oscila negativamente e abra-se a possibilidade do candidato Flávio Bolsonaro superar Lula num eventual segundo turno, mas ainda dentro de uma margem de erro dos institutos. 

Aliás, também em relação Flávio ele teria atingido o seu "teto". Ontem o Real Time Big Data,  apresentou o resultado de sua nova pesquisa. Praticamente as mesmas configurações de escores ou índices anteriores divulgados pelo instituto, . A metade da população brasileira não deseja mais outorgar um quanto mandato ao presidente Lula e não temos alternativas ao bolsonarismo - em razão da centrífuga da polarização - proporcionando ao eleitorado o surgimento de nenhum outro nome competitivo. Ciro passou a ser testado, mas o cearense não passa para o embate de um segundo turno com Lula. Desde sempre temos afirmado isso por aqui. Melhor ele se dedicar aos problemas paroquiais, que não são poucos. 


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Editorial: O destino de Rodrigo Pacheco



Depois de ocupar a Presidência do Senado Federal, talvez a última opção do senador Rodrigo Pacheco fosse entrar mais uma vez numa disputa eleitoral. Um cargo no TCU ou no STF seria um caminho com menos atropelos e dores de cabeça. Os amigos, a exemplo de Davi Alcolumbre, até tentaram viabilizar este processo, mas, como se sabe, o presidente Lula tinha outros planos. Após a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, começou no PT uma espécie de caça às bruxas, ou seja, quem teria traído o governo entre os aliados e votado contra a indicação de Messias. A lista é enorme e a cada dia surge um personagem novo. Pacheco estaria entre eles e isso motivou um esfriamento do PT em relação à sua candidatura ao Governo de Minas Gerais, nas eleições de 2026. Os planos já estavam ajustados e Pacheco estava até se tornando um socialista, filiando-se ao PSB. 

Ainda não sabemos se a informação realmente procede, mas ontem começaram a circular rumores dando conta de que o ex-Presidente do Senado Federal estaria decidido a não mais entrar na disputa pelo Palácio Tiradentes. Na realidade a candidatura seria mais um sacrifício de Pacheco pelo presidente Lula, uma vez que ele sabe das dificuldades de viabilidade eleitoral do PT em Minas na atual conjuntura. Dizem que no calor das emoções - nunca se deve agir nessas ocasiões - Lula cogitou de indicar, mais uma vez, um nome ao STF. Não sabemos se seria realmente Messias ou outro nome, mas muito improvavelmente seria o do Rodrigo Pacheco, uma  vez que o plano do PT para ele já estava traçado. 

Agora é vê como o PT vai se arranjar diante das dificuldades, embora Lula, pessoalmente, apareça relativamente bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto naquele estado. Pacheco não deve ter gostado nenhum pouco das possíveis insinuações a seu respeito em relação ao voto sobre a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O que consideramos curioso neste episódio da rejeição do nome de Jorge Messias é que Rodrigo Pacheco teria uma indicação sem o menor atropelo, ajudou o Governo Lula enquanto esteve à frente do Senado Federal e seria muito bem-vindo ao STF, conforme falas de integrantes da Corte. Mesmo assim...

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terça-feira, 5 de maio de 2026

Editorial: CPMI do Banco do Nordeste?



As CPI's, de forma geral, ficaram bastante desacreditadas em razão do que ocorreu com a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado, que tiveram seus relatórios rejeitados depois de ardis muito bem arquitetados. As investigações sobre a roubalheira do Banco Master tiveram uma influência direta sobre este desfecho, na medida em que tudo em Brasília hoje pode ser mensurado a partir deste episódio, dividindo aqueles atores que são favoráveis às investigações e aqueles atores que estão dispostos a tudo para impedir que as investigações sejam aprofundadas. O PT, que já foi contra a abertura de uma CPMI do Banco Master, agora está se mostrando favorável, sobretudo para atingir determinados atores sobre os quais pesa a suspeita de terem trabalhado contra a aprovação da indicação do nome de Jorge Messias ao STF. 

Um grande equívoco do PT é, mais uma vez, associar a roubalheira do Master ao Governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Assim como ocorreu com o INSS, estamos tratando aqui, infelizmente, de um escândalo de proporção sistêmica, independentemente das colorações ideológicas. Soubemos a pouco que os celulares de Daniel Vorcaro estão sendo encaminhados aos Estados Unidos para serem periciados. São muitas as blindagens desses aparelhos, pois se sabia de seus conteúdos perigosos. Comenta-se que haveria três bloqueios ou barreiras de proteção dos dados. A CPMI do Master, pelo andar da carruagem política, tornou-se praticamente inviável. Não tem chances de ser pautada. 

Mas, para a nossa surpresa, os escândalos de corrupção não param por aí. Agora há pouco soubemos das movimentações oposicionista no sentido de propor uma CPMI do Banco do Nordeste do Brasil, onde, a partir de suspeitas levantadas por órgãos de controle sobre a eventualidade de licitações viciadas produzindo um rombo bilionário aos cofres públicos. Até bem pouco tempo a gestão do banco era bastante elogiada, mas, infelizmente, estamos no Brasil. 

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O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: O "hermano" pode reforçar o time de comunicação da governadora Raquel Lyra.


Oficialmente, a julgar pelas notícias que circulam na crônica política local, a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) estaria promovendo mudanças em sua equipe de comunicação. O nome anunciado é o do publicitário Igor Paulin, residente em Maceió. Geralmente, quando uma nova equipe assume promove mudanças substantivas em relação à equipe anterior. Essas mudanças ocorrem por vários motivos, por vezes contingenciada por demandas técnicas que implicam na contratação de profissionais qualificados. Até aqui nenhuma novidade. A novidade mesmo foi publicada nas redes sociais de um blog local, assunto ainda sob suposições, onde especula-se que o mago das pesquisas do ex-governador Eduardo Campos, o marqueteiro argentino Diego Brandy, mais conhecido como o "hermano", responsável pelas duas vitórias de Eduardo ao Governo do Estado e à época já inserido em sua equipe de trabalho rumo à Presidência da República, poderá reforçar o time de Raquel rumo à reeleição. 

Eduardo Campos, segundo fomos informados, não se movia sem as orientações do marqueteiro argentino. Por alguma razão, João Campos resolveu não continuar com a assessoria de Brandy, embora ainda haja vínculos de empresas ligadas a ele operando no Recife. Quer dizer, ele ainda mantém vínculos não apenas afetivos, mas profissionais com a província pernambucana. Temos aprendido muito sobre este assunto, depois de acompanhamos algumas "feras" pelas redes sociais, a exemplo de Duda Mendonça e João Santana. São interessantes as intervenções de João Santana, sobretudo porque ele analise casos de comunicações institucionais específicos, como a comunicação da Presidência da República, sob a coordenação do conterrâneo Sidônio Palmeira.

Sidônio Palmeira não pode ser responsabilizado por todos os equívocos de narrativas do Planalto, principalmente em razão do "teimoso" Lula, que insiste em falar de improviso ou não seguir à risca as suas orientações. Como se sabe, ao assumir a pasta ele pegou um abacaxi difícil de descascar. Ainda hoje porém o Governo prefere a premissa do "como" e não "o que", se é que vocês nos entendem. Nossa avaliação - ainda que modesta - é que a equipe montada pela governadora Raquel Lyra tem trabalhado bem. A mudança possivelmente decorre da envergadura que se aproxima, quando a gestora precisa recuperar índices de intenção de voto suficientes para reeleger-se governadora do Estado. Ou melhor, converter os índices de aprovação em índices de intenção de voto. 

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Editorial: "A Lula o que é de Lula"


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é muito grato aos seus amigos baianos Jaques Wagner e Rui Costa. Graças ao empenho desses dois aliados, a Bahia deu ao presidente nas últimas eleições mais de 70% dos votos. Isso não é pouco em se tratando do quarto colégio eleitoral do país. Assim que ocorreu a rejeição da indicação do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal começaram a surgir especulações acerca de quem seriam os culpados. A lista não para. A cada dia surge um novo nome entre esses possíveis Judas Iscariotes. Já foi os Renan, em Alagoas, o próprio Jaques Wagner, e, mais recentemente passaram a especular sobre o nome do senador Randolfe Rodrigues. Nunca saberemos, uma vez que a votação foi secreta. O próprio Messias chegou a sugerir que poderia ter perdido votos até entre os evangélicos. Não sabemos se virão novos nomes por aí. 

Chamamos a atenção, no entanto, para o editorial do jornal O Estado de São Paulo, hoje, 05, com o título: A Lula o que é de Lula. O "terrível" editorialista, que sempre acompanhamos, observa que, embora existam muitas hipóteses a respeito da rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF - isso ainda vai render muita tinta nas redações - o que houve, na realidade, é que Lula, embora tivesse sido informado sobre as dificuldades da aprovação do indicado, resolveu pagar para ver e apostar todas as fichas no seu capital político. Ou seja, superestimou a sua condição de líder político. Por outro lado, talvez não dimensionou corretamente os ardis que poderiam ser perpetrado pelos seus adversários. Ao fim e ao cabo, segundo o editorialista, Lula foi o responsável direto pela não aprovação de Messias, ao cometer um erro de avaliação.

Esta conclusão é uma das primeiras lições de um texto básico da Ciência Política, A Arte da Guerra, onde o general Sun Tzu é categórico ao afirmar que é preciso se conhecer e conhecer o adversário. Sem esses pré-requisitos, a derrota é inevitável. Há quem diga que Lula deseja retaliar, tirando os cargos indicados por Davi Alcolumbre no Governo, assim como peitar uma nova indicação de um nome ao STF de imediato. Um grave equívoco em ambas as estratégias. Nas atuais circunstâncias, se Lula indicar um outro nome, ele só será sabatinado depois de outubro, como se configura pelo acordo. Vai ficar "cozinhando" até lá. Se Lula fizer uma devassa nos cargos ocupados por indicados de Davi Alcolumbre corre o risco de travar a pauta, onde mais de 80 indicações teriam que passar pelo aval do Congresso. Vamos perder as mínimas condições de governança. 

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: A União Progressista alinha-se a Raquel Lyra.



O alinhamento da Federação União Progressista ao projeto de reeleição de Raquel Lyra já estava previsto há algum tempo. O deputado federal Eduardo da Fonte, que comanda a poderosa federação no estado, não iria contrariar as bases por ele comandadas. Era voz corrente entre seus aliados que o melhor caminho a seguir seria o apoio ao projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. Neste intervalo, antes de uma decisão sacramentada sobre o assunto, ocorreram algumas preliminares pela imprensa local, onde as bases vinculadas ao parlamentar se manifestaram reafirmando o desejo de ver o deputado Eduardo da Fonte como um dos nomes a disputar o Senado Federal na chapa a ser formada pela governadora. 

Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, aparecem juntos e sorridentes por ocasião do anúncio da integração da federação ao projeto de reeleição da governadora, mas nos escaninhos da política se sabe que, possivelmente, nenhum dos dois desejam abdicar de suas prerrogativas de representar a federação como candidato ao Senado Federal. A rigor, Raquel já se comprometeu demais em relação à composição dessa chapa. Ora acena para Túlio Gadelha, ora acena para Fernando Dueire, ora acena para Miguel Coelho. Não há como acomodar tanta gente em apenas uma chapa. Aqui se aplica a máxima do Evangelho de Mateus, ou seja, muitos são os chamados e poucos os escolhidos. Talvez antes dos festejos juninos ela bata o martelo em relação ao assunto. 

Por enquanto, como coordenadora da ações de enfrentamento dos danos produzidos pela última enchente no estado, a governadora já tem problemas demais para se preocupar. Por falar em preocupações, as iniciativas tomadas pelo ex-prefeito da capital, João Campos, quando montou uma espécie de gabinete de crise na cidade de Goiana para tomar algumas iniciativas em relação ao assunto suscitaram algumas polêmicas nas redes sociais, sobretudo no que concerne à pertinência institucional ou legal da iniciativa. Seus assessores precisam ficar atentos. João Campos não é mais prefeito. 

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Editorial: A reconciliação entre Flávio Bolsonaro e Silas Malafaia


Em princípio, setores evangélicos não se mostraram simpáticos à candidatura de Flávio Bolsonaro como representante do bolsonarismo ou dos setores conservadores, para sermos mais genéricos. Salvo melhor juízo, o próprio pastor Silas Malafaia andou externando essa preocupação através de um pronunciamento. Por essa época acreditava-se que já haveria algum compromisso selado entre tais segmentos com o então governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O tempo passou e a candidatura de Tarcísio não vingou para a Presidência da República. Tarcísio vai tentar a reeleição num momento onde já não se pode falar, como antes, de céu de brigadeiro. Por alguma razão, o candidato Fernando Haddad, que se lançou como azarão, vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto, trazendo algumas preocupações ao Palácio dos Bandeirantes. 

Hoje já existe uma preocupação do governador em estancar o crescimento de Fernando Haddad, principalmente na capital, onde o prefeito Ricardo Nunes foi convocado para entrar em campo. Nada melhor para a aparar arestas do que um candidato bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, com expectativas reais de chegar ao poder. A desenvoltura das movimentações de Flávio Bolsonaro em Brasília, articulando votações importantes, a exemplo da rejeição do veto presidencial à Lei da Dosimetria é um bom exemplo do que estamos afirmando. Amplos segmentos do Centrão já namoram o novo aspirante ao Palácio do Planalto. É neste contexto que se explica o encontro recente entre ele, Flávio, e o pastor Silas Malafaia, que fez questão de afirmar que estava entre amigos. 

Lula está vivíssimo para a disputa da reeleição. Há condições efetivas de reverter esta situação que hoje é considerada incômoda. Agora é preciso ajustar muita coisa, inclusive entendendo que receituários antigos baseados no assistencialismo não estão produzindo os resultados esperados, a exemplo da isenção de impostos para quem ganha até cinco mil reais. Hoje se fala em programas para atenuar a vida dos endividados, sempre dentro desta mesma perspectiva. O melhor programa agora é a adoção de medidas que contenha a inflação, acabe com a carestia e permita, de fato, que o cidadão comum possa ter acesso a tão sonhada picanha prometida lá atrás. 


Pensata: O que significou a rejeição de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto presidencial ao Projeto da Dosimetria?


Em política, voltamos a insistir, acontecem algumas coisas curiosas. Acabamos de ser informado que, apesar da crise - e talvez por causa dela - as pesquisas diárias de popularidade do Governo Lula 3 podem ter melhorado. São pesquisas internas, não auferidas por nenhum grande instituto, o que recomenda prudência. Salvo melhor juízo, são realizadas pela SECOM, para consumo interno. Com as ranhuras no "consórcio", o que os analistas observam é que pode ser reforçada a tese ou narrativa do antissistema governista, a partir de uma aliança entre uma trinca de atores conhecidos, alguns dos quais já foram aliados do Executivo no passado recente. De fato não seria um apocalipse, como sugere o Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social,  Wellington Dias, em entrevista publicada no Jornal do Commércio, mas que o Governo Lula acusou o tranco da derrota da indicação do advogado Jorge Messias ao STF isto é um fato que não pode ser ignorado. 

Houve uma trinca de atores que estiveram diretamente envolvidos na articulação para a rejeição do nome de Messias ao STF, unidos, de alguma forma, pelo impedimento das investigações envolvendo o rombo bilionário do Banco Master. Mesmo o menos infenso desses atores sabia que essa questão nevrálgica seria determinante para o êxito da articulação. Esses atores não agiram de foram republicana, tendo como horizonte o interesse público, que, neste caso, significaria uma retomada dos padrões de relações democráticas e republicanas no país. Desde 2016 que esses padrões estão comprometidos de alguma forma, e, hoje se sabe, que não apenas a partir da ascendência do bolsonarismo ao poder. A questão é mais complexa. 

Convém registrar que cada um desses atores - nos referimos aqui à trinca que articulou a derrota do advogado Jorge Messias na sabatina do Senado Federal - trabalhou pelos interesses comezinhos, particularista, inclusive preocupado com o andamento das investigações sobre o rombo no Banco Master. Líamos há pouco um texto escrito pelo cientista político Fernando Schuler, publicado no jornal O Estado de São Paulo, onde ele invoca que fatos como a derrocada da indicação de Messias ao STF, assim como a rejeição do veto presidencial ao Projeto da Dosimetria  pode ser creditado ao início do desmoronamento de um sistema de poder criado recentemente no país, envolvendo uma articulação entre o Executivo e o Judiciário, onde, ainda segundo o texto, algumas questões basilares da democracia, como a liberdade de expressão, ficaram comprometidas durante este processo. 

O artigo é sublime, assim como tudo que é produzido pela cabeça de um pesquisador com a expertise, o  preparo acadêmico e capacidade ímpar de análise de Schuler, cujos textos sempre lemos com bastante atenção. Vai aqui apenas uma ponderação deste modesto leitor, apenas como uma contribuição ao debate, algo pelo qual o pesquisador sempre se pautou. A partir de um determinado momento, a questão das investigações envolvendo o escândalo do Banco Master passou a pautar as relações de poder na capital federal. A derrubada do veto presidencial ao Projeto da Dosimetria foi derrubada em razão de um acordo onde a proposta de uma CPI para investigar o escândalo do Master seria sepultada. Se fosse um movimento que se propusesse a desconstruir esse sistema de poder, envolvendo, em sua essência, uma diretriz republicana, em consenso comum, em consonância com o interesse púbico, nenhuma objeção. Mas infelizmente não foi. 

Os principais protagonistas dessa engrenagem agiram para preservar interesses particulares, e, se entendemos bem, a rigor, as ações contribuíram, na realidade, para manter essa estrutura de poder, preservando atores sensivelmente comprometidos com ela. Mesmo com alguns ganhos institucionais aqui e ali - cedidos em função da preservação de um interesse maior - ao fim e ao cabo manteve-se no controle - ainda que precário - aquilo que, de fato, esteve em jogo durante todo o tempo, ou seja, atrapalhar o avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master. Este sim poderia minar a estrutura de poder que foi montada, à qual se refere o pesquisador. Os ganhos institucionais até existem, mas eles foram negociados a que preço?


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Para a economista Monica de Bolle, a rejeição a Jorge Messias e a reversão ao veto de Lula ao PL da Dosimetria talvez sejam os sinais mais visíveis de uma mudança maior. No lugar do presidencialismo de coalizão, argumenta, teria surgido uma invenção à brasileira: o “autoritarismo parlamentar”. ⁠

O Congresso já não seria apenas o balcão indispensável de negociação de qualquer governo, mas o centro efetivo de poder: derruba vetos, controla o orçamento, coopta o Executivo e constrange o Judiciário. “Nesse contexto, o Centrão funciona exatamente como um cartel”, afirma.⁠

O resultado, diz De Bolle, é uma democracia capturada “à plena luz do dia”, sob a aparência da normalidade institucional. 

(Edição da Carta Capital)

OBS.: O artigo completo da economista está na edição da semana da revista Carta Capital. Vejam como a percepção de um mesmo movimento pode suscitar inúmeras avaliações distintas. Enquanto há otimismo de Fernando Schuler em relação ao assunto, suscitando, inclusive, a sinalização de uma descompressão autoritária, Bolle vê exatamente o contrário, ou seja, a morte do presidencialismo de coalizão e o surgimento de um modelo de parlamentarismo autoritário. ⁠

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domingo, 3 de maio de 2026

Editorial: A feira de JHC


Como algo inerente a quem se propõe a acompanhar a movimentação dos atores políticos, sigo uma boa parte deles nas redes sociais. Já fomos mais rigorosos no passado, onde o filtro ideológico era uma espécie de balizamento. Hoje, as clivagens não possam por este critério e temos grandes "conservadores" entre aqueles que acompanhamos. Entre eles, JHC, o ex-prefeito de Maceió. João Henrique Caldas é de uma geração de políticos que perfilam, junto ao prefeito do Recife, João Campos(PSB-PE), como uma geração de futuro promissor na política. JHC já foi socialista - salvo melhor juízo foi eleito pelo PSB - depois filiou-se ao PL e, mais recentemente, diante da confusão dos bolsonaristas estaduais, filiou-se ao PSDB. 

Ambos hoje concorrem ao governo nos seus respectivos estados. João Campos em Pernambuco, JHC em Alagoas. Houve um momento em que se especulou acerca de uma eventual aproximação política entre ambos. No entanto, João permanece no seu berço socialista, enquanto JHC surge como uma grande esperança tucano na região, ao lado de Ciro Gomes, no Ceará. JHC é um candidato extremamente competitivo, principalmente pela aprovação alcançada na gestão da capital, mesmo fenômeno que impulsiona a candidata de João Campos aqui no estado. Algumas pesquisas apontam ele já na liderança da competição para ocupar a cadeira do Palácio da República dos Palmares. Um fato que nos chamou a atenção  são suas aparições nas feiras do interior do estado, parando nas barracas de feirantes, adquirindo produtos frescos para a geladeira. 

Sabe-se lá quem são os seus assessores que estão  juntado os itens comprados, mas o fato é que ele está comprando.  Consideramos as feiras um espaço maravilhoso de convivência humana. Quando estivemos em Cachoeira, na Bahia, acordamos num sábado, de manhã, com o barulho dos feirantes oferecendo seus produtos. Elas estão sempre em nossos romances. Na década de 30 do século passado, na cidade de Paulista, Região Metropolitana do Recife, ocorreu um movimento dos mais emblemáticos na indústria têxtil local. As mulheres pararam a linha de produção da indústria para reivindicaram uma hora de liberação do expediente para realizarem suas feiras. É curioso como as mulheres estiveram sempre à frente da luta sindical na cidade, liderando os movimentos grevistas mais importantes. 

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sábado, 2 de maio de 2026

Editorial: Agora é o PT que deseja a CPI do Banco Master.

 


Acreditamos que o primeiro petista a tratar publicamente sobre este assunto foi o Presidente Nacional do partido, Edinho Silva, que acabou confessando, em entrevista concedida ao Estadão, que o PT errou em não apoiar a CPI do Banco Master. As investigações do rombo bilionário do Banco Master - entre aqueles atores que defendem e aqueles que fogem das investigações como o diabo foge da cruz - estão se tornado o grande divisor de águas em Brasília. Conforme afirmamos no dia de ontem, a rejeição do nome do Advogado-Geral Jorge Messias para o STF foi um reflexo dessa queda de braços, envolvendo possivelmente atores dos Três Poderes da República, unidos em prol da não instauração dessa CPI. 

A impressão que passa é que, o raciocínio de Edinho Silva é que, lá atrás, quando o assunto começou a ser ventilado, o PT deveria apoiar tal CPI. Agora, na ressaca da rejeição do nome de Jorge Messias, membros do partido, a exemplo de Gleisi Hoffmann, começam a cobrar a instauração da CPI do Master. Na realidade, depois do que ocorreu com a CPI do INSS e, logo em seguida com a CPI do Crime Organizado - cujos relatórios foram solenemente rejeitados - as CPI's perderam importância por força das circunstâncias, ou seja, foram esvaziadas inclusive quando começaram a mexer com o vespeiro do Banco Master, dando mais um reforço à nossa argumentação no início deste texto. 

Conselheiros mais próximos do presidente Lula aconselham que um rompimento com Davi Alcolumbre se impõe por força das circunstâncias. Sugerem não haver nenhuma dúvida de que ele integrou a articulação pela rejeição do nome de Jorge Messias ao STF. O Centrão nunca colocou os dois pés numa única canoa. Se há uma expectativa de poder na outra canoa, eles pulam dentro, com uma capacidade incomum de farejar expectativas de poder. É isso o que está ocorrendo. Hoje mesmo já líamos matéria acerca de uma eventual movimentação de Davi Alcolumbre no sentido de tornar-se vice de Flávio Bolsonaro.

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Editorial: Falhas na comunicação institucional?

Crédito da Foto: Yacy Ribeiro, Secom


O PT já deixou de ser um partido antissistema faz algum tempo. A rigor, talvez nunca tenha sido, se considerarmos as avaliações do ex-homem forte da Casa Civil dos Governos Militares, o general Golbery do Couto e Silva, que, tranquilizando seus superiores, informava não haver nada o que temer em relação a Lula, uma vez que ele não era comunista. A tônica de uma narrativa antissistema para ser usada nas próximas eleições, muito provavelmente, surgiu por ocasião do 8º Congresso da legenda, realizado recentemente na capital federal. Isso é muito reflexo da ausência de criatividade, da imposição de se reinventar, ou seja, vai se usar um tema desgastado, mas que ainda possa surtir algum efeito junto ao eleitorado, como o medo de um retrocesso autoritário representado pelo seu principal oponente. 

Matéria de um jornal carioca informa que o PT vai voltar a usar a fórmula. O Recife e o estado de Pernambuco estão passando por um momento de emergência, provocado pelas fortes chuvas que estão caindo na capital, na Região Metropolitana e cidades da Zona da Mata, principalmente a cidade de Goiana, banhada por rios, que costuma ser muito atingida nessas ocasiões. No dia de ontem, circulou a informação - é preciso ter a certeza de que foi isso mesmo o que ocorreu - que o presidente Lula, ao se referir ao apoio do Governo Federal para o estado, teria mantido contato com o ex-prefeito João Campos e com o senador Humberto Costa. Se, de fato, isso ocorreu, estamos diante de uma falha de comunicação institucional, uma vez que a governadora Raquel Lyra está na linha de frente, coordenando as ações de enfrentamento da crise, percorrendo as áreas alagadas, tomando as providências cabíveis juntamente com gestores municipais, numa articulações com órgãos estaduais. 

A governadora interrompeu até agendas que estavam programadas para o interior. João Campos não é mais o prefeito do Recife. Que seja muito bem-vinda a ajuda que está sendo oferecida pelo Governo Federal ao estado, que registra mais uma tragédia em função das chuvas. Há registro de cinco mortos até o momento. Principalmente no Recife, há sérios problemas habitacionais que contribuem para o agravamento do problema, como o expressivo número de pessoas morando em áreas vulneráveis. Se houve essa falha de comunicação institucional, isso é o de menos. 

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Editorial: Tarcísio recorre a Nunes para impedir avanço do PT na capital


Política tem algumas situações interessantes. Nas eleições de 2024, quando o PT apoio o nome de Guilherme Boulos para a Prefeitura de São Paulo, uma das grandes preocupações era manter ou transferir o capital político que a ex-prefeita Marta Suplicy havia conquistado na periferia da capital. O esforço foi tanto que impuseram o nome de Marta para disputar a vice, compondo uma chapa puro-sangue, o que muitos analistas consideraram um equívoco, principalmente num cenário de voto conservador consolidado. A candidatura de Haddad ao Governo de São Paulo nas próximas eleições surgiu a contragosto do próprio Haddad, que não desejava candidatar-se, aceitando, meio a contragosto, a missão de ajudar a candidatura presidencial de reeleição do companheiro Lula. 

Surpreendentemente, o petista começou a aparecer bem nas pesquisas de intenção de voto, mesmo num cenário onde a reeleição do governador Tarcísio de Freitas era dada como favas contadas. Tarcísio conta com alguns trunfos, como a sua identificação com o eleitorado conservador e antipetista - bolsonarista ou não - além dos bons índices de avaliação. Mesmo assim, o avanço da candidatura de petista Fernando Haddad começou a preocupar o republicano. Hoje, 02, o jornal O Estado de São Paulo traz a informação dando conta que o prefeito Ricardo Nunes(MDB-SP) será utilizado como um cabo eleitoral do projeto de reeleição do governador, atuando principalmente na capital, com o objetivo de barrar o avanço do petista. 

Tarcísio de alguns trunfos, mas também conta com algumas dificuldades, como as denúncias crescentes de corrupção e letalidade na atuação do aparelho policial do Estado. A performance de Fernando Haddad surpreende até o mais otimista dos petista. A economia não vai bem sob sua gestão no Ministério da Fazenda, assim como o PT encontra dificuldades no cenário nacional. Diante de um cenário onde se vislumbra uma disputa equilibrada, o petista parece ter tomado gosto pelo enfrentamento ao projeto de reeleição de um governador tido como imbatível. 

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Charge! Aroeira via Brasil 247

 


Charge! Thiago Lucas via Jornal do Commércio

 


Drops Político: Messias não pretende continuar na gestão da AGU



Segundo a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, Jorge Messias teria comunicado a Lula que não pretende continuar como ministro da AGU. Servidor concursado, deve continuar exercendo suas funções, mas deve deixar a chefia do órgão. Há pouco tivemos acesso a uma foto onde ele agradece o apoio recebido pelos companheiros e companheiras de trabalho para a sua indicação ao STF, que acabou não se concretizando. Na condição de chefe ele teria que lidar, inevitavelmente, com ministros do STF e senadores, entre os quais aqueles que não apoiaram o seu pleito. Seria uma situação um pouco constrangedora, o que justifica o seu pedido de desligamento do cargo de chefia. Este assunto está rendendo muito tinta. A cada dia surge uma novidade sobre o assunto, uma pista sobre os eventuais traíras. Os Renan, de Alagoas, desmentiram categoricamente que teriam, supostamente, votado contra a indicação. 

Editorial: Por que o PT não assinou a CPI do Master?



É curioso como a imprensa tem especulado acerca das motivações que levaram os senadores a rejeitaram a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Algumas atitudes são emblemáticas, como a precisão com que o Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, cravou o número de votos pelos quais o indicado de Lula seria reprovado. "Ele vai perder por oito votos". O áudio vazou num momento em que ele conversava com o líder do Governo no Senado Federal, o senador baiano Jaques Wagner, cujo comportamento durante o episódio tem sido questionado pelos aliados no Governo.  Jaques teria convencido Lula de que Jorge Messias teria 45 votos, quatro a mais do que precisava para ser aprovado. 

Outro dado curioso é que, Jorge Messias, a despeito da emoção daquela momento, enigmaticamente, parecia muito convencido sobre quem seria o traíra. Quem teria trabalhado pela sua rejeição ao Supremo Tribunal Federal. Hoje, alguns setores da imprensa teria identificado este "traíra", mas não vamos polemizar por aqui. Há muitos interesses envolvendo este escândalo do Banco Master, envolvendo atores dos Três Poderes da República. Em princípio, o PT não assinou a proposta de uma CPI do Master em razão dos danos colaterais que uma CPI deste quilate poderia produzir negativamente num ano eleitoral. Hoje, porém, numa entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo, o Presidente Nacional do PT, Edinho Silva, num ato de sinceridade, admitiu que foi um erro o PT não ter assinado esta proposição de CPI. 

De fato foi um erro. O pior é que pouco importou ter assinado ou não, uma vez que o fantasma do escândalo do Banco Master está cobrando sua fatura, inclusive foi determinante na rejeição do nome de Jorge Messias ao STF. Montou-se uma articulação de blindagem sobre esta CPI que esta prejudicando sensivelmente o Governo. A derrota do veto do Executivo da dosimetria também entra nesta fatura. O PT acabou, de forma indireta, fazendo o jogo do Centrão, que foge dessa CPI como o diabo foge da cruz.  Neste jogo de soma zero, Alcolumbre marcou três golaços. Rejeitou Messias, impediu a instauração da CPI e derrubou o veto da dosimetria, acenando para as negociações futuras com o bolsonarismo. Coisa de raposa bem cevada. 



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Editorial: Investigações sobre o Master tornou-se a "pêndulo" político de Brasília


A rejeição à indicação do advogado Jorge Messias ao STF representou uma obra de engenharia política bem calculada, envolvendo atores dos Três Poderes da República, todos eles com objetivos bem definidos. O jornal Valor Econômico traz a informação dando conta de um jantar ocorrido dias antes da sabatina, onde o destino de Jorge Messias foi traçado. O jornal lista os convivas, mas não vamos expô-los por aqui. O que impressiona neste episódio é o feeling apurado do Centrão pelo poder. Onde há expectativa de poder eles estão dentro, desta vez já se articulando com uma eventual ascensão do candidato Flávio Bolsonaro, a julgar pelos indicadores das pesquisas de intenção de voto. O cálculo indica que eles já estão trabalhando com a hipótese de derrota de Lula nas urnas, em outubro e, consequentemente, descartando-o. 

O Planalto vai precisar de uma grande reação para desanuviar este ambiente, indicado que ainda está vivo. E olha que a caça às bruxas, embora simbólica, não muda nada o jogo, uma vez que as traições estão na ordem do dia. Há um grupo que votou contra a indicação de Messias e, ontem, novas defecções na base aliada, quando da votação do veto à dosimetria, que foi rejeitado, a despeito do atendimento de milhões em emendas pelo Planalto. A lista de traidores é muito grande. O resumo da ópera é o seguinte: o sistema está tentando se proteger em relação às investigação do rombo do Banco Master, que passou a ser usado como parâmetro para os movimentos estratégicos de atores nos Três Poderes da República. Essa movimentação de conveniência daria um bom estudo, uma vez que, maquiavelicamente, juntou inimigos impensáveis num mesmo propósito, se sobrepôs a fé, produziu concessões antes inimagináveis, como a redução das penas dos condenados pelo 08 de janeiro. 

A derrota do Planalto em relação à dosimetria foi negociada em função de fechar a pauta em relação a uma eventual criação da CPMI do Master, hoje completamente descartada. O pernambucano Jorge Messias foi, na realidade, uma vítima dessa engrenagem sórdida, onde o interesse público é abandonado em função de interesses vis. Com o êxito da manobra, André Mendonça fica praticamente isolado na Corte, movendo moinhos republicanos. Uma das respostas que está sendo pensada é a indicação de Messias para o Ministério da Justiça, dando total liberdade de atuação à Polícia Federal nas investigações conduzidas sobre o maior escândalo do sistema financeiro já ocorrido no país. 

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Charge! Thiago via Jornal do Commércio

 


Editorial: Ciro lidera no Ceará na Quaest\Genial


Aguardávamos desde de ontem, 29, o resultado de uma pesquisa sobre as intenções de voto no estado do Ceará. Hoje saiu o resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Quaest|Genial, com dados que não surpreendem a quem nos acompanha por aqui, ou seja, a manutenção do franco favoritismo do ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes(PSDB-CE). Num embate direto com o atual governador, Elmano de Freitas(PT-CE), Ciro lidera com folga. A situação apenas se complica para o tucano quando ele é confrontado com o ex-Ministro da Educação, Camilo Santana. Aqui a disputa torna-se equilibradíssima, em algumas situações, favorecendo até mesmo Camilo Santana, num segundo turno.

Ciro acredita que, na realidade, Elamano de Freitas deverá ceder a vaga pela disputa ao Palácio da Abolição ao companheiro Camilo Santana, dentro de uma estratégia já prevista pelo Palácio do Planalto, que não deseja perder a hegemonia pelo comando do Governo do Estado, um dos mais estratégicos da região Nordeste. Como Elmano encontra dificuldades, essa tese volta a fazer sentido. Em princípio, o projeto de Camilo é auxiliar o PT a nível nacional, integrando o staff de campanha de Lula. Mas nunca se sabe. O estado do Ceará enfrenta um gravíssimo problema na área de segurança pública, o que desgasta bastante a gestão de Elmano de Freitas. Até recentemente, por pouco não ocorreu uma nova chacina no Crato, onde uma facção rival atacou uma festa realizada pelo crime organizado. Uma pessoa morreu e seis ficaram feridas. A população local está apavorada.

Embora estimulado a assumir a candidatura por um conjunto de forças importantes do estado, Ciro reluta em confirmar sua candidatura. E isso não ocorre apenas porque ele estaria em dúvida se disputa o Governo do Estado ou se tenta, mais uma  vez, a Presidência da República. Até a segunda semana de Maio ele deve tomar uma decisão a esse respeito. O cearense enfatiza a necessidade de contar com os apoios necessários no estado para enfrentar as facções do crime organizado, que se enraizaram por todo o território cearense. A pesquisa do Quaest\Genial está registrada sob o número: TSE\CE -01725\2026. A margem de erro é de 3pp, 95% de escore de confiabilidade, realizada entre 24 e 28 de abril, ouvindo 10002 eleitores. 

Ciro Gomes(PSDB)         41%

Elmano de Freitas(PT)   32%

Girão(Novo)                       4%        


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Editorial: Quem são os Judas Iscariotes do Planalto?


Crédito da Foto: Carlos Moura, Agência Senado


Hoje, 30, realmente vai ser um dia de muitas polêmicas envolvendo ainda a rejeição do nome do advogado Jorge Messias para ocupar uma das vagas do STF. Estão fazendo tanta confusão em torno desta rejeição que, pelo andar da carruagem política, logo vão culpar o Floriano Peixoto pela reprovação do Messias, o que seria uma grande injustiça. Na realidade, Messias esteve muito bem na sabatina. Embora possamos fazer aqui algumas considerações acerca dos discursos e narrativas - que nem sempre são levados a sério pelos seus protagonistas, tampouco traduzem, de fato, as verdadeiras intenções - Messias se colocou à altura do cargo, principalmente em temas nevrálgicas que só agora estão sendo discutidos no parlamento, como a própria reforma do judiciário. 

Ele chorou durante vários momentos da sabatina, mas uma cena captada por um repórter, onde ele aparece em prantos dentro de um automóvel trata-se de manipulação rasteira de uma foto original publicada pelo site Metrópoles. O Planalto tenta refazer as contas para tentar descobrir quem seriam os eventuais Judas Iscariotes. As contas não fecharam conforme as previsões. Messias poderia ter obtido 46 dos votos, cinco a mais do que seria necessário. Mesmo assim o Governo foi derrotado. Se investigar muito, o Governo pode ter a surpresa de que os traidores estavam entre os 12 apóstolos. O Governo Lula 3 está chegado atrasado às articulações. Durante a sessão na CCJ, um dos senadores chegou insinuar que gente da Suprema Corte teria feito lobby contra Messias. Se, de fato, isso ocorreu, ficamos aqui imaginar quem poderia ter sido. Quem entre eles não desejava Messias na Suprema Corte?

Verdade ou não, o senador sabia muito antes de o fato tornar-se uma possibilidade no Planalto. Na fúria, o que não se recomenda muito bem, conforme dissemos pela manhã, não seria surpresa se as rotativas do Diário Oficial da União comessem a funcionar imediatamente, com as portarias de exoneração de alguns apadrinhados dentro do Governo Lula 3. O arranjo, salvo melhor juízo confessado pelo próprio Alcolumbre, é que apenas o próximo governo eleito em 2026 possa fazer a próxima indicação para a Suprema Corte. Falta combinar com os eleitores, mas os oposicionistas acreditam que tal prerrogativa já tenha o DNA bolsonarista. Lula precisa dimensionar corretamente o que significou esta derrota para o seu futuro político. Não pode negligenciá-la, sob pena de novas surpresas em 04 de outubro. 

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Editorial: O day after da rejeição de Messias no Senado Federal.


Hoje o país amanheceu sob uma ressaca política daquelas. Os manuais de psicologia recomendam que não se deve tomar decisões sob fortes emoções. Os manuais de política, por outro lado, recomendam sempre, como medida básica, conhecer o adversário. No caso da rejeição da indicação do advogado Jorge Messias ao Senado Federal - algo que não ocorria há 132 anos - Lula equivocou-se pessoalmente com a indicação - considerando que poderia ir de encontro a uma situação que desde o início se mostrou-se inconsistente - e subestimou o adversário, na pessoa do Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre. Não se conhecer e não conhecer o adversário é derrota na certa. Não poderíamos ter outro resultado na sabatina de ontem. Trata-se da crônica de uma derrota anunciada. 

Hoje, 30, a imprensa e as redes sociais vão se dedicar às especulações em torno do assunto, quase sempre em torno das medidas que poderão vir a ser tomadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os conselheiros mais próximos sugerem que se estabeleça um rompimento definitivo entre o Executivo e o Senado Federal. Davi Alcolumbre tem vários cargos no Governo Lula e desejava ampliar esta participação. É preciso considerar, no entanto, que o Governo ainda precisa do apoio de Alcolumbre para aprovação de projetos do interesse da governança. Lá atrás, quando ele sugeriu o nome de Rodrigo Pacheco para o cargo - alguém que também tinha a confiança de Lula e sempre foi leal ao Governo - Lula não quis ouvi-lo. 

O danado é que, na primeira votação, a da CCJ, o Governo estimava 18 votos a favor de Messias e obteve apenas 16. Especula-se que Pacheco possa ter votado contra a indicação, desarranjando o projeto que o Governo tinha para ele nas Alterosas, ou seja, apoiar sua candidatura ao Governo de Minas Gerais. Hoje, no dia da ressaca, circula um vídeo onde, supostamente, o Presidente do Senado Federal antecipa o resultado da votação: "Ele vai perder por 8 votos". A Oposição, naturalmente, comemorou bastante o resultado, mas sem "aquela" providencial ajudinha o Governo teria emplacado Messias na Suprema Corte.  

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Editorial: Senado rejeita Messias e impõe derrota histórica ao Governo Lula


Por 42 a 34, o Senado Federal impôs uma derrota histórica ao Governo Lula, rejeitando a indicação do advogado Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Quando a poeira baixar vamos entender melhor o que se passou, mas, a rigor, o rolo compressor montado para a viabilizar a indicação de Messias fracassou fragorosamente. Embora Davi Alcolumbre tenha supostamente dito a Lula que "lavava as mãos", o Planalto mobilizou senadores aliados, liberou emendas em cifras estratosféricas - pelo menos é isso que se diz - além de contar com o apoio de gente do próprio STF, a exemplo dos Ministros Cristiano Zanin, André Mendonça e Gilmar Mendes. Enigmaticamente, Davi Alcolumbre havia afirmado, segundo chegou a ser divulgado, que não receberia Messias. Consideramos muito estranho tal posicionamento. É como se o Presidente do Senado Federal desejasse sinalizar algo. 

Em política acontece algumas coisas curiosas. A Oposição, principalmente a bolsonarista, não demonstrava grande expectativa em torno da rejeição do nome de Jorge Messias. Seria uma estratégia? Agir em silêncio? nas coxias? Sóstenes Cavalcante chegou a abraçar o indicado, mas isso pode ser creditado aos laços religiosos que os unem. Houve um momento emblemático durante a sabatina na CCJ. O pronunciamento do senador Alessandro Vieira foi muito aplaudido pelos senadores, recebendo, inclusive, a solidariedade do senador Otto Alencar, governista que preside a CCJ. Pouco depois, algumas horas antes da votação em plenário, ao que se sabe, um membro da Suprema Corte entrou com uma representação contra o senador, alegando afirmações infundadas ou caluniosas durante uma entrevista. 

Isso poderia ter mudado o rumo da votação? Não se sabe. A máquina governista que foi exitosa para derrubar dois relatórios recentes de CPI's, desta vez falhou feio. Havia estimativas da ordem de 46 votos a favor da indicação. Obtiveram apenas 34. Como foi uma votação secreta, sabe-se lá quem foram os dissidentes. No geral, a indicação do nome de Messias enfrentou enormes dificuldade de afirmação deste o início. Seu nome já havia sido rejeitado por órgãos da grande mídia, a exemplo do Estadão, cujo editorial tratando do assunto foi lido durante a sessão. Era um nome demasiadamente próximo a Lula e as dificuldades sempre existiram, embora Lula tenha insistido.