Hoje o país amanheceu sob uma ressaca política daquelas. Os manuais de psicologia recomendam que não se deve tomar decisões sob fortes emoções. Os manuais de política, por outro lado, recomendam sempre, como medida básica, conhecer o adversário. No caso da rejeição da indicação do advogado Jorge Messias ao Senado Federal - algo que não ocorria há 132 anos - Lula equivocou-se pessoalmente com a indicação - considerando que poderia ir de encontro a uma situação que desde o início se mostrou-se inconsistente - e subestimou o adversário, na pessoa do Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre. Não se conhecer e não conhecer o adversário é derrota na certa. Não poderíamos ter outro resultado na sabatina de ontem. Trata-se da crônica de uma derrota anunciada.
Hoje, 30, a imprensa e as redes sociais vão se dedicar às especulações em torno do assunto, quase sempre em torno das medidas que poderão vir a ser tomadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os conselheiros mais próximos sugerem que se estabeleça um rompimento definitivo entre o Executivo e o Senado Federal. Davi Alcolumbre tem vários cargos no Governo Lula e desejava ampliar esta participação. É preciso considerar, no entanto, que o Governo ainda precisa do apoio de Alcolumbre para aprovação de projetos do interesse da governança. Lá atrás, quando ele sugeriu o nome de Rodrigo Pacheco para o cargo - alguém que também tinha a confiança de Lula e sempre foi leal ao Governo - Lula não quis ouvi-lo.
O danado é que, na primeira votação, a da CCJ, o Governo estimava 18 votos a favor de Messias e obteve apenas 16. Especula-se que Pacheco possa ter votado contra a indicação, desarranjando o projeto que o Governo tinha para ele nas Alterosas, ou seja, apoiar sua candidatura ao Governo de Minas Gerais. Hoje, no dia da ressaca, circula um vídeo onde, supostamente, o Presidente do Senado Federal antecipa o resultado da votação: "Ele vai perder por 8 votos". A Oposição, naturalmente, comemorou bastante o resultado, mas sem "aquela" providencial ajudinha o Governo teria emplacado Messias na Suprema Corte.

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