| Crédito da Foto: Carlos Moura, Agência Senado |
Hoje, 30, realmente vai ser um dia de muitas polêmicas envolvendo ainda a rejeição do nome do advogado Jorge Messias para ocupar uma das vagas do STF. Estão fazendo tanta confusão em torno desta rejeição que, pelo andar da carruagem política, logo vão culpar o Floriano Peixoto pela reprovação do Messias, o que seria uma grande injustiça. Na realidade, Messias esteve muito bem na sabatina. Embora possamos fazer aqui algumas considerações acerca dos discursos e narrativas - que nem sempre são levados a sério pelos seus protagonistas, tampouco traduzem, de fato, as verdadeiras intenções - Messias se colocou à altura do cargo, principalmente em temas nevrálgicas que só agora estão sendo discutidos no parlamento, como a própria reforma do judiciário.
Ele chorou durante vários momentos da sabatina, mas uma cena captada por um repórter, onde ele aparece em prantos dentro de um automóvel trata-se de manipulação rasteira de uma foto original publicada pelo site Metrópoles. O Planalto tenta refazer as contas para tentar descobrir quem seriam os eventuais Judas Iscariotes. As contas não fecharam conforme as previsões. Messias poderia ter obtido 46 dos votos, cinco a mais do que seria necessário. Mesmo assim o Governo foi derrotado. Se investigar muito, o Governo pode ter a surpresa de que os traidores estavam entre os 12 apóstolos. O Governo Lula 3 está chegado atrasado às articulações. Durante a sessão na CCJ, um dos senadores chegou insinuar que gente da Suprema Corte teria feito lobby contra Messias. Se, de fato, isso ocorreu, ficamos aqui imaginar quem poderia ter sido. Quem entre eles não desejava Messias na Suprema Corte?
Verdade ou não, o senador sabia muito antes de o fato tornar-se uma possibilidade no Planalto. Na fúria, o que não se recomenda muito bem, conforme dissemos pela manhã, não seria surpresa se as rotativas do Diário Oficial da União comessem a funcionar imediatamente, com as portarias de exoneração de alguns apadrinhados dentro do Governo Lula 3. O arranjo, salvo melhor juízo confessado pelo próprio Alcolumbre, é que apenas o próximo governo eleito em 2026 possa fazer a próxima indicação para a Suprema Corte. Falta combinar com os eleitores, mas os oposicionistas acreditam que tal prerrogativa já tenha o DNA bolsonarista. Lula precisa dimensionar corretamente o que significou esta derrota para o seu futuro político. Não pode negligenciá-la, sob pena de novas surpresas em 04 de outubro.

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