Acabamos de saber que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente convenceu Fernando Haddad a disputar o Governo de São Paulo. Não faz muito tempo, o nome de Rodrigo Pacheco foi anunciado como possível candidato do Planalto ao Governo de Minas Gerais. Isso traduz uma longa conversa entre o presidente Lula e seus apoiadores no sentido de, minimamente, equilibrar a disputa em estados importantes da Região Sudeste. O Instituto AltlasIntel, no dia de ontem, 26, trouxe alguns dados suficientes para deixar o Planalto em estado de alerta. Mais do que os dados - que mostram uma diferença pequeníssima em favor de Flávio Bolsonaro na disputa de um eventual segundo turno - o mais importante é identificar as motivações dos eleitores no sentido de produzirem uma queda de avaliação do Governo, que está se refletindo, quase que organicamente, nas intenções de voto do petista.
Mais importante ainda é verificar o que está ocorrendo em regiões como Nordeste, um tradicional reduto petista. Anpassant, pode-se concluir que o PT já experimentou dias melhores nesta região. O cálculo que se fazia no sentido de obter um percentual "X" de votos no Sudeste seria suficiente para assegurar a vitória do PT, em razão da larga vantagem no Nordeste talvez precise ser refeito. Outro problema diz respeito aos "eleitores tradicionalmente identificados com o partido, como aqueles eleitores dos extratos sociais mais baixo da pirâmide social. Como está se comportando este eleitorado? O voto majoritário da periferia de São Paulo em candidatos com perfil conservador é um alerta que não poderia ser desprezado. Sobre o nicho evangélico, já tratamos disso antes. Estima-se que, a partir de 2030, ninguém chega ao Palácio do Planalto sem antes contar com as bençãos dos irmãos.
Hoje saíram os dados da pesquisa de intenção de voto do Instituto Paraná Pesquisas, um dos institutos mais bem credenciados. A pesquisa seria publicada no dia de ontem, mas isso não altera em nada os números preocupantes para o Planalto, que já sabia do resultado, posto que antecipado por alguns órgãos de comunicação. O PT está como aquele náufrago tentando sair de braçada da corrente de retorno. Quanto mais se debate mais cansa e, se não houver um salvamento ou nadar para o lado correto, pode vir a se afogar. Sem que se saiba nada sobre como seria um Governo de Flávio Bolsonaro - atributo de uma inconsistência tremenda à sua candidatura - o fato é que ele conseguiu arregimentar o eleitorado bolsonarista raiz, aquele eleitor que votaria no seu pai que está preso.
A reticência de parte desses grupos vão, aos poucos, sendo diluídas, principalmente em relação àqueles núcleos de dissidências dentro do próprio escopo do bolsonarismo. Até o pastor Silas Malafaia já andou dizendo que Eduardo Bolsonaro faria melhor à candidatura de Flávio se se mantivesse em silêncio. Pois bem. Nesta pesquisa de hoje Lula aparece à frente, com 39,6% das intenções de voto, mas encostado em Flávio, que crava 35,3% das intenções de voto, uma diferença de apenas 4 pontos, caracterizando um empate técnico, dentro da margem de erro do Instituto. Isso no primeiro turno. No segundo turno, tanto Flávio quanto Ratinho Junior aparecem igualmente em empate técnico com o morubixaba petista.
Uma tempestade perfeita de problemas enfrentados pelo Planalto. O escândalo do Banco Master, num enredo nebuloso, de proporções gigantescas, enredando a metade da República; o desastre na Marquês do Sapucaí, ampliando o hiato com os evangélicos e levando segmentos conservadores a viraram a cara para a legenda; A quebra de sigilo bancário do Lulinha, agravada pela delação premiada de integrantes da alta cúpula do INSS, envolvendo nomes ligados ao Governo, a exemplo do ex-Ministro Carlos Lupi, segundo informa o site Metrópoles. A oposição está se antecipando para pedir a quebra de sigilo fiscal e bancário também de Carlos Lupi. Esta delação premiada do alto escalão do INSS pode ter um efeito devastador, sobretudo num ano eleitoral. O pior é que o "Careca" também está na fila.

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