quarta-feira, 24 de maio de 2017

Editorial: Todos os homens do presidente.


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Um trabalho minucioso de jornalismo investigativo de dois jovens repórteres do Washington Post culminou com a renúncia do presidente americano Richard Nixon. Depois, o episódio ganharia as telas com o filme "Todos os Homens do Presidente". Não vou aqui entrar nos detalhes do escândalo Watergate, porque eles são por demais conhecidos, além de nos reportados a eles por mais de uma vez qui pelo blog. Mas hoje, ao observar a debandada dos homens de confiança do presidente Michel Temer(PMDB) do Palácio do Planalto, não tive como deixar de lembrar deste filme. Dos seus assessores especiais, apenas um permanece no cargo. 04 deles já pediram exoneração, alegando os mais diferentes motivos, mas alguns enredados igualmente em denúncias de comportamento pouco compatível com o que se espera de um homem público. 

Nós até tentamos suavizar na escrita, mas, aqui para nós, que assessoria especial, em? Pelo andar da carruagem política, já se sabe muito bem qual era a especialidade dessa gente. Pediram afastamento dos cargos José Yunes, Rodrigo Rocha Loures - o homem da mala - Tadeu Fellippeli, preso sob a acusação de ter se beneficiado de recursos desviados na reforma do estádio Mané Garrinha, em Brasília; e, por último, Sandro Mabel. Fala-se numa espécie de maldição do 3º andar do Palácio da Alvorada, mas, a rigor, a maldição por ali é generalizada. A prisão de Fellippeli complica ainda mais o já agonizante governo Michel Temer. O governo acabou e nem os fingimentos de normalidade hoje conseguem disfarçar a agenda que começa a ser construída com setores da oposição no sentido de se construir uma ponte política possível até as eleições de 2018. A reforma radical da Previdência, por exemplo, para alívio de todos os trabalhadores brasileiros, não tem a menor chance de seguir adiante. Pelo menos não como foi pensada pelo Governo Temer. 

Essa oportunidade política de construirmos uma ponte democrática até as eleições de 2018 não pode ser perdida. Gostei bastante da atitude da oposição, no dia de ontem, asfixiando a pauta de improvável normalidade que se tentava passar nas casas legislativas. O sistema político precisa, antes, de uma solução para a crise que se instaurou no Executivo, depois das gravações que pegaram o presidente Michel Temer em situação pouco condizente com o cargo que ocupa. É correto o raciocínio do presidente da OAB, ao afirmar que pouco importa a qualidade das gravações realizadas pelo empresário Joesley Batista. O que está em jogo é a relação pouco republicana mantida pelo senhor Michel Temer com este cidadão. Por falar em OAB, há uma grande expectativa sobre qual será o comportamento do senhor Rodrigo Maia, ao se confrontar com o pedido de impeachment impetrada pela ordem. Já são doze, mas o da OAB vem revestido de um capital simbólico e político que não pode ser desprezado.

Há quem informe que o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, genro do gato Angorá, enxergue nessa crise política uma rara oportunidade de segurar o leme até as eleições presidenciais de 2018. Joga ora para a plateia, joga ora no sentido de se fazer passar por um fiel escudeiro do presidente Michel Temer. Nenhum nome que esteve direta ou indiretamente envolvido com as tecituras golpistas que afastaram a presidente Dilma Rousseff se torna confiável neste momento. Talvez a melhor solução seja mesmo uma eleição direta - embora improvável se analisarmos a correlação de forças em jogo - colocando as ruas como instância deliberativa maior da solução desse impasse. O que seria o suposto pudor sobre as regras constitucionais, quando se sabe que ela foi violentamente atacada pelos agentes desse governo de turno? A convocação de novas eleições diretas seria, em última análise, uma forma de retirarmos os aparelhos que mantém o nosso sistema político respirando precariamente - não para deixá-lo morrer,mas, ao contrário - devolvê-lo à sala de recuperação.  

terça-feira, 23 de maio de 2017

Charge! Benett

Editorial: A ingenuidade do senhor Michel Temer


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Estamos mergulhados num impasse político gigantesco, sem perspectiva de solução a curto prazo. O que se pode pensar, neste momento, é sobre a necessidade de construção de pontes seguras para o futuro. Neste ambiente politico abafado, cria-se uma possibilidade favorável, inclusive, para o agravamento dos problemas inerentes a um golpe institucional ora em curso no país. Crise de governabilidade, crise política e institucional, crise econômica, crise de credibilidade.Ontem, num programa de televisão, um cientista político assinalou que pesquisas apontam que 30% da população brasileira são susceptíveis a uma solução autoritária. Talvez ele nem precisava informar isso, se ficássemos atentos aos cartazes que circulam nas manifestações dos "coxinhas" por todo o país. 

Antes da exibição da série Os Dias Eram Assim, a TV Globo realizou uma pesquisa onde constatou que um contingente expressivo de nossa população não tem a menor ideia do que foi a Ditadura Militar instaurada no país com o golpe civil-militar de 1964. Realmente não dá para acreditar que as pessoas que impunham aqueles cartazes - alguns com erros gravíssimos de língua portuguesa - possam, de fato, fazer ideia do que foram aqueles dias. Um colega de trabalho informou que um parente seu foi detido para averiguações simplesmente porque estava usando uma calça vermelha nas areias de Copacabana. O cidadão era gay. Era um guerrilheiro, quando muito, da liberdade da causa LGBT. Isso não surpreende, se considerarmos o fato de que, durante as manifestações populares das Jornadas de Junho, o inquérito aberto contra os participantes, denominado de "Inquérito Black Bloc", pediu o "indiciamento" até mesmo de um anarquista russo, Mikhail Bakunin, apanhado nos grampos telefônicos.  

O senhor Michel Temer, mesmo diante dos fatos que indicam e recomendam a sua saída imediata do comando do Executivo do país, aferra-se ao cargo, negociando com os líderes dos partidos da base aliada, numa ponta, e, na outra, enfrenta a batalha jurídica que deverá ser travada com o Supremo Tribunal Federal, onde corre um inquérito contra as suas estripulias na condição de Presidente da República. A rigor, parte do sistema político está paralisado e, aquelas reformas que se apresentavam com um caráter de urgência, hoje descansam sossegadamente em banho maria, aguardando o rumo dos acontecimentos políticos. Alguns partidos já desembarcaram da base aliada, mas o chamado núcleo duro, ou seja, o DEM  e o PSDB permanecem aguardando a confirmação, pelo pleno do STF, do sinal verde do andamento das investigações contra o presidente. Até mesmo a competência do ministro Édson Fachin está sendo questionada pelos seus advogados de defesa, uma vez que o rolo da JBF envolve outras operações sobre as quais Fachin não teria "competência" para julgar. Querem saber, inclusive, como se deu o tal sorteio. Não tenho dúvidas - assim como os leitores - de que eles gostariam que outro nome fosse sorteado, se é que vocês nos entendem.

Está difícil a construção de um consenso em torno de uma "agenda mínima', que permita, ao menos, o funcionamento das instituições. Descartada a possibilidade de uma eventual renúncia do presidente, também é igualmente sabido que os pedidos de impeachment protocolados para o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), terão dificuldades de serem aceitos. Procura-se um homem no Poder Legislativo Brasileiro com estatura moral, espírito publico e capacidade de liderança para conduzir uma transição até as eleições de 2018.Está difícil para o leitor identificá-lo? para nós também. Pode-se tentar alguém de "fora", um ex-presidente, um ex-magistrado, alguém que se aproxime do perfil descrito acima. Há também quem veja dificuldades na aprovação da PEC do Miro Teixeira, aquela que pede a convocação de eleições diretas imediatamente. Não vejo porque alguns advogam alguma dificuldade por aqui, uma vez que, dificilmente, o clamor das ruas poderia deixar de ser ouvido neste momento, embora entenda que, pelo regimento constitucional, a eleição teria que ser indireta.  

Aqui pela província pernambucana, o quadro é também de muita instabilidade, uma vez que Pernambuco foi contemporizado com 05 ministérios no Governo Temer. Roberto Freire(PPS) entregou o cargo, creio, aproveitando a "deixa", pois não deveria estar muito bem na condição de Ministro da Cultura.Raul Jungmann, também do PPS, permanece no comando do Ministério da Defesa para não ficar desempregado. É suplente e as chances de assumir a titularidade de deputado são remotas. Bruno Araújo (PSDB), aquele do último voto pela cassação do mandado de Dilma Rousseff - que bradou contra a corrupção nos governos da coalizão petista - chegou a redigir uma carta de renúncia, mas resolveu arquivá-la por orientação do partido. Fernando Bezerra Coelho Filho, embora o PSB tenha desembarcado do governo, permanece como Ministro das Minas e Energias. Aparentemente, não há incoerência aqui, uma vez que sua indicação ao cargo foi praticamente arrancada pelo pai, o senador Fernando Bezerra Coelho(PSB). O ministro da Educação, Mendonça Filho(DEM), é daqueles aliados de primeira ordem. Será um dos últimos a abandonar a nau governista. 

Nesta segunda-feira, o jornal Folha de São Paulo trouxe uma longa entrevista com o presidente Michel Temer. São perguntas bem capciosas, mas sabe-se que, com o apoio dos seus advogados, assessores e apoiadores, certamente, ele já saberia como se sobressair dos embaraços. Michel Temer é uma dessas grandes raposas da política brasileira. Há rumores que indicam que ele preparou a fritura da presidente Dilma Rousseff desde 2014, quando ela foi eleita para o segundo mandato. Na agudeza da crise política que tomou conta do seu governo, como um dos últimos recursos, Dilma indicou essa raposa para tentar por ordem no galinheiro da base aliada. Pois bem. Na entrevista que concedeu ao jornal da família Frias, lá para tantas, ao ser questionado sobre o recebimento de alguém investigado, na residência oficial do Jaburu, altas horas da noite, sem agendamento, com esta pessoa mantido aqueles diálogos pouco republicanos, o presidente se declara uma pessoa ingênua. Tudo menos isso, Michel Temer. 


Publisher: The ingenuity of Mr. Michel Temer





We are plunged into a gigantic political impasse, with no prospect of a short-term solution. What we can think of right now is the need to build secure bridges for the future. In this muted political environment, a favorable environment is created, including the aggravation of the problems inherent in an institutional coup now underway in the country. Crisis of governability, political and institutional crisis, economic crisis, crisis of credibility. In a television program, a political scientist pointed out that research indicates that 30% of the Brazilian population is susceptible to an authoritarian solution. Perhaps he did not even need to report this, if we paid attention to the posters circulating in the demonstrations of the "coxinhas" all over the country.

Before the show was Dias Dias Eram Assim, TV Globo conducted a survey where it was found that a significant contingent of our population has no idea what the military dictatorship was in place in the country with the civil-military coup of 1964. Not really It is possible to believe that the people who imposed those posters - some with very serious mistakes of Portuguese language - can, in fact, have an idea of ​​what those days were. A co-worker reported that a relative of his was arrested for inquiries simply because he was wearing red pants on the sands of Copacabana. The citizen was gay. He was a guerrilla, at best, of freedom of sexual choice. This is not surprising, considering the fact that during the popular demonstrations of the June Days the open inquiry against the participants, called the "Black Bloc Inquiry", called for the "indictment" even of a Russian anarchist, Mikhail Bakunin, Caught in the phone cramps.

Michel Temer, even in the face of the facts that indicate and recommend his immediate departure from the country's executive branch, clings to the position, negotiating with the leaders of allied parties at one end, and in the A legal battle that must be fought with the Federal Supreme Court, where he is investigating against his conspiracies as President of the Republic. Strictly speaking, part of the political system is paralyzed, and those reforms that were presented as a matter of urgency, now rest quietly in a shower of water, awaiting the course of political events. Some parties have already disembarked from the allied base, but the so-called hard core, ie the DEM and the PSDB remain awaiting the confirmation, by the full STF, of the green light of the progress of investigations against the president. Even the competence of the minister Édson Fachin is being questioned by his defense lawyers, since the JBF roll involves other operations that Fachin would not have "competence" to judge. They want to know, even, how the lottery took place. I have no doubt - just like the reader - that they would like another name to be drawn, if you understand us.

It is difficult to build a consensus on a 'minimum agenda', which would at least allow the functioning of the institutions. With the possibility of a possible resignation of the President, it is also known that the requests for impeachment filed with the President Of the Chamber of Deputies, Rodrigo Maia (DEM), will have difficulties to be accepted. A man is sought in the Brazilian Legislative Power with moral stature, public spirit and leadership capacity to lead a transition until the elections of 2018.It is difficult for the We can try someone from "outside", a former president, a former magistrate, someone who approaches the profile described above.There are also those who see difficulties in the approval of the PEC of Miro Teixeira , Which calls for immediate elections to be called in. I do not see why some people advocate any difficulties here, since hardly the clamor of the streets could leave R to be heard at this time, although he understands that, by the constitutional regiment, the election would have to be indirect.

Here in the province of Pernambuco, the picture is also very unstable, since Pernambuco was temporized with 05 ministries in the Temer Government. Roberto Freire (PPS) handed over the job, I believe, taking advantage of the "deja" because he should not be very well as Minister of Culture. Raul Jungmann, also of the PPS, remains in charge of the Ministry of Defense not to be unemployed. He is a substitute and the chances of assuming the title of deputy are remote. Bruno Araújo (PSDB), the last of the vote for the annulment of Dilma Rousseff's warrant - which cried out against corruption in the governments of the PT coalition - even wrote a resignation letter, but decided to file it on the advice of the party. Fernando Bezerra Coelho Filho, although the PSB has disembarked from the government, remains as Minister of Mines and Energy. Apparently, there is no inconsistency here, since its indication to the Was virtually wrested by his father, Senator Fernando Bezerra Coelho (PSB). The Minister of Education, Mendonça Filho (DEM), is one of those allies of the first order. He will be one of the last to leave the governing ship. 

On Monday, the newspaper Folha de São Paulo brought a long interview with President Michel Temer. These are very clever questions, but it is well known that with the support of his lawyers, advisors, and supporters, he would certainly know how to stand out from embarrassment. Michel Temer is one of those great foxes of Brazilian politics. Rumor has it that he has prepared the fry of President Dilma Rousseff since 2014, when she was elected for the second term. In the sharpness of the political crisis that took over her government, as one of the last resources, Dilma indicated that fox to try in order in the henhouse of the allied base. Well. In the interview he gave to the Frias family newspaper, there, to many, when asked about the receipt of someone investigated, in the official residence of Jaburu, late at night, without appointment, with this person kept those dialogues little republican, the president Says a naive person. Everything but that, Michel Temer.

Crônicas do cotidiano: Fundação Joaquim Nabuco, uma pequena notável nos trópicos.



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José Luiz Gomes


Quando contava ainda com 17 anos de idade, o sociólogo Gilberto Freyre deixou a província pernambucana para estudar nos Estados Unidos, onde concluiu um mestrado com uma dissertação sobre a vida social no Brasil em meados do século XIX, que se tornaria o embrião do clássico Casa Grande & Senzala, publicado em 1933, um ano depois de Menino de Engenho, do amigo José Lins do Rego. Depois de 05 anos nos Estados Unidos, Gilberto retornou a Pernambuco, onde recebeu uma homenagem no Colégio Americano Batista, cujo pai, Alfredo Freyre, havia sido um dos fundadores. A relação do pai de Gilberto Freyre com este colégio ia muito além do "apenas um professor". Na realidade, Alfredo Freyre era catedrático de Ciência Política da Faculdade de Direito do Recife. Por ocasião da homenagem, o então jovem sociólogo leu um discurso contundente em defesa das tradições e da cultura regional, de certa forma se contrapondo à Semana de Arte Moderna, por demais receptiva às mudanças impostas pela burguesia de então. Não se vê em seu discurso, porém, algo que se aproxime hoje do conceito de xenofobismo. Exalta-se, isto sim, os valores da cultura regional no concerto das nações. Como já dissemos em outras ocasiões, Gilberto foi uma espécie de precursor de "quase tudo". Neste caso, talvez pudéssemos aproximá-lo aqui, já então, do conceito de glocalização, muito em voga nos debates mais recentes sobre a globalização. E, quem sabe, na condição, também, de um precursor. 

Na condição de Deputado Constituinte, no final da década de 40, Gilberto Freyre cria o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, que se transformaria posteriormente em Fundação Joaquim Nabuco. A despeito de seus estudos nos Estados Unidos, onde, a princípio, poder-se-ia falar numa carreira acadêmica sem solavancos, a Fundação Joaquim Nabuco nunca teve um grande reconhecimento naquele país. A condição de "pequena notável" ou de uma "instituição de excelência nos trópicos' seria muito mais um reconhecimento do continente europeu, tendo como porta de entrada sobretudo Portugal, país onde o mestre de Apipucos gozava de grande prestígio intelectual, notadamente em razão de suas posições políticas e teóricas, identificadas com um colonialismo assimilativo, do tipo não segregacionista, o que levaria o Governo Português a financiar uma série de palestras do escritor nas colônias portuguesas nos continentes africano e asiático, quando esses países organizavam suas guerras de libertação colonial. Convém aqui deixar registrado que isso ocorreu na época do salazarismo. Gilberto flertava com vários intelectuais ligados ao regime. 

Nos seus primeiros anos de existência, a Instituição realizou algumas pesquisas importantes que ajudaram bastante a construir o seu conceito de instituição de excelência. Uma delas, inclusive, a que tratava da poluição dos rios provocadas pela monocultura da cana de açúcar na região da Zona da Mata pernambucana, produziu alguns estremecimento na relação dos usineiros do Estado com um intelectual orgânico da açucarocracia local, numa expressão atribuída a Tobias Barreto. Não me recordo se nessa pesquisa em particular ou noutro texto, também é atribuído ao mestre de Apipucos o uso, pela primeira vez, do termo meio-ambiente sustentável. Essas rusgas seriam definitivamente sanadas em 1979, quando foi criado o Museu do Homem do Nordeste, que deu uma sobrevida a estas oligarquias e permitiu a Gilberto Freyre uma espécie de reconciliação com suas origens. Como se vê, o reconhecimento internacional da Fundação Joaquim Nabuco se deu ainda na década de 40, a partir de bases sólidas, de um trabalho muito bem construído, e não apenas a partir de uma estratégia de marketing, comunicação institucional, políticas do "guarda-chuva" ou coisas do gênero. 

Nos nossos estudos com o objetivo de contribuir com o debate sobre o PDI institucional, observamos, lá pelo final da década de 50, alguns movimentos curiosos no tocante às políticas institucionais. Produzimos 167 páginas para este debate, mas elas nunca foram apresentadas, pela absoluta impossibilidade de exequibilidade política, como viemos a constatar logo em seguida. Se Michel Temer, do alto de sua longa vida pública, ainda é capaz de cometer suas ingenuidades, imagina esse escriba, que até bem pouco tempo, ainda pensava em 'mudar o mundo'. Mas, se isso serve de algum alento, como diria o professor Robinson Cavalcanti, isso dá um doutorado ou um possível texto a ser publicado. 

Editorial: Normalidade? Que normalidade?






Os últimos dias do Governo Dilma Rousseff(PT) foram, sem exageros, trágicos. A ex-presidente tornara-se completamente refém das forças que desejavam apeá-la do poder, adotando uma agenda que não havia sido combinada nas urnas com o seu eleitorado de 54 milhões de votos. Afastada do cargo, mas recentemente, percebe-se uma movimentação, das forças que estiveram por trás do golpe institucional que a afastou da Presidência da República, no sentido de castigá-la ainda mais, quiçá com alguma punição no curso das investigações da Operação Lava Jato. Afinal, as delações premiadas oferecem algumas vantagens tentadoras e os indivíduos, completamente enrascados, acabam sucumbindo a essas vantagens, entregando até suas inocentes vovós. Há, por exemplo, grandes questionamentos às vantagens oferecidas aos irmãos Batista, que pagarão apenas uma multa, a despeito do montante de delitos praticados - envolvendo a corrupção intensiva de agentes públicos - com o propósito de auferir dividendos para os seus negócios.

Em razão das vantagens oferecidas pela delação premiada, os irmãos Wesley e Joesley Batista fisgaram alguns peixes graúdos do nosso sistema político, o que, em última análise, paralisou o próprio sistema político. O presidente Michel Temer(PMDB) faz m esforço enorme para aparentar normalidade, mas, todos sabem tratar-se de uma grande falácia. O governo Temer acabou. A grande questão posta é que todas as articulações em torno do afastamento da presidente Dilma Rousseff previa a negociação de uma mandato de transição, sob o controle deste cidadão, até as eleições de 2018. Como observou o jornalista Josias de Souza, no seu blog do portal UOL, não havia um plano "B". Alguma alternativa, na eventualidade de um desastre deste mandato de transição, o que acabou ocorrendo, pegando o sistema político de calças curtas, embora os seus trajes nunca fossem assim tão decentes mesmos. É preciso deixar bastante claro que o nosso sistema político sempre foi muito frágil, com amortecedores de crise bastante precários. 

Na absoluta impossibilidade de continuidade dessa "transição golpista", digamos assim, é preciso transitarmos por uma ponte segura rumo à retomada da normalidade democrática já agora, uma vez que oportunidades políticas são raras. Os opositores das "Diretas, Já' se aferram à Constituição para se contraporem às eleições presidenciais imediatas, baseados no pouco tempo de Governo Temer, uma interrupção que prevê, nestes casos, eleições indiretas. Os golpistas agora são legalistas desde criancinhas, pois sabem que um nome para cumprir um mandato tampão deverá sair de suas hostes. Se desenha, por outro lado, uma confiança da caserna a este nome e surgem personas como o atual ministro da Defesa, Raul Jungmann, além de Nelson Jobim, que também comandou aquele ministério. Estranha o fato do pernambucano não ter entregue o cargo, acompanhando a atitude do dirigente de sua agremiação partidária, Roberto Freire, que pediu exoneração do Ministério da Cultura assim que a crise estourou. 

Sinceramente, não enxergo em Raul Jungmann um bom nome para conduzir esse processo. Caso essa possibilidade comece a ganhar musculatura, convém ficar atento para uma ingerência militar concreta na condução da crise, de consequências ainda mais perniciosas ao comprometimento institucional que já estamos vivendo. As forças democráticas e de oposição deste país devem se contrapor solenemente a uma alternativa que aponte o nome do senhor Raul Jungmann como alternativa à transição à crise. Em última análise, ela pode introduzir elementos ainda menos desejáveis a esta crise, sobretudo em razão de um eventual apoio militar ostensivo ao nome do pernambucano.  

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia(DEM), da base aliada do presidente Michel Temer, mantém um silêncio obsequioso diante da enxurrada de pedidos de impeachment que devem chegar à sua mesa para a sua apreciação. Uma coisa é ignorar o pedido de um cidadão pernambucano, que já foi candidato a prefeito do município de Olinda nas últimas eleições municipais e outra, bem diferente, é ignorar o pedido de impeachment formulado pela Ordem dos Advogados do Brasil, assinado pela esmagadora maioria dos seus conselheiros, embalada pelos telejornais da emissora do plim plim, que faz questão de fazer remissões ao caso Collor e Dilma Rousseff, quando a OAB assumiu a mesma postura. 

Charge!Aroeira

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domingo, 21 de maio de 2017

Sejam bem-vindos, leitores alemães!

Normalmente, nos momentos de crises políticas agudas, são os russos quem mais nos prestigiam com acessos ao blog. Foi assim, por exemplo, por ocasião dos dias que antecederam ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff(PT). Os alemães sempre nos prestigiaram bastante - o que para nós é uma honra tê-los por aqui - mas sempre permaneceram ali pela quarta colocação em termos de acessos ao Contexto Político, um blog que tornou-se cosmopolita. Agora, por ocasião da crise do Governo Michel Temer, eles assumiram a liderança dos acessos, desbancando uma hegemonia americana que se mantinha há alguns meses. Na próxima semana, por razões óbvias, passaremos a  abrir espaço para uma editoria internacional no blog, também editada em língua inglesa, como já fazemos com os nossas conhecidos editoriais. O que podemos dizer? Sejam muito bem-vindos, leitores alemães!


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Legitimidade and potitical Asepsis





When we analyze the discursive narrative of President Michel Temer (PMDB), there is no question that the German philosopher, Friedrich Nickschche, who affirmed that every word was a mask and every discourse was a fraud, does not give no reason. The real intention of a discourse is not in what it reveals, but in what it conceals, which is the essence of discourse, the true motivation of its actor. For many years President Michel Temer maintained excellent relations with the Batista brothers, controllers of the J & F group. This relationship was so close that Joesley Batista was received at the official residence of the President of the Republic, in anonymity, late at night, which in itself would already constitute a questionable act, incompatible with the position that is expected of those who exercise the Highest position of the Federal Executive.

Now President Michel Temer's narrative is to disqualify Mr. Joesley Batista, who would have used criminal expediency in recording the conversation between them, as well as linking him to the governments of the PT coalition, which he and his party, The PMDB, integrated. But let us consider here, as the political scientist Michel Zaidan reported yesterday in his article, only the fact of the common ground that united these people, that is, anti-petism. And President Temer, as we soon knew, even integrating the allied base of President Dilma Rousseff, drew with the correlation of forces that would take power through the institutional coup. He was nominated as his political articulator. Just imagine! One must first make the point that Mr. Joesley Batista's denouncement spared almost no one from our troubled political system. It was even left for journalist Cláudio Humberto, from Diário do Poder, a former strong man from the communication of former president Fernando Collor, who, according to him, received a monthly allowance in the amount of R $ 18,000 reais not to publish any dissenting material to the group.

Difficult to know how the political system will react to this tsunami. The Brazilian political system is in the ICU and breathes through appliances. A government with a muddy base of support, with eight ministers in trouble with Operation Lava Jato, and now a president investigated for illegal audio recordings, in addition to reproaching his anti-republican behavior. On this horizon, there are no political actors with the public spirit and moral stature to negotiate an exit. Legislative houses are presided over by unreliable people, which would mean exchanging six by half a dozen, if one adopts the constitutional precepts which, when elaborated, certainly could not foresee such rot. In an assumption of a "Botafogo" buffer order, who, with the necessary qualifications, would assume an indirect election in the Legislature? Of course, he knows that the few good men in the House would not have a chance. It is known that anyone could qualify, but on the other hand, it is also known that this is a great illusion. The publisher of this blog and its readers would not have any chance.

We are, therefore, faced with a great political imbroglio, without a republican and democratic light at the end of the tunnel, except perhaps through a new election, as the voice of the streets suggests, calling for immediate elections. Direct elections yes, with the commitment to adopt a call of an exclusive constituent for a comprehensive reform of the political system. With these people there it is not possible to move forward in this direction. The country would have to take time for an indispensable political asepsis, which would rescue representative democracy within new parameters, preserve the constitutional principles of the Citizen Constitution promulgated in 1988; Ensure the full functioning of the Democratic Rule of Law; And, above all, to staunch this bloodletting of social rights that has always been the main purpose of this coup attempt. With the lowest dust, it is possible to understand a little better what packs the station of plim plim: one outside Temer, but with the same agenda. Make no mistake!

Editorial: Legitimidade e assepsia política



Ao analisarmos a narrativa discursiva do presidente Michel Temer (PMDB), não há como deixar de dar razão ao filósofo alemão, Friedrich Nictzshche, que afirmava que toda palavra era uma máscara e todo discurso era uma fraude. A verdadeira intenção de um discurso não está naquilo que ele revela, mas naquilo que ela oculta, que se constitui na essência do discurso, a verdadeira motivação do seu autor. Durante longos anos, o presidente Michel Temer manteve excelentes relações com os irmãos Batista, controladores do grupo J&F. Essa relação era tão próxima que Joesley Batista foi recebido na residência oficial do presidente da República, em anonimato, altas horas da noite, o que, por si, já se constituiria num ato questionável, incompatível com a postura que se espera de quem exerce o mais alto cargo do Executivo Federal.

Agora, a narrativa do senhor presidente Michel Temer é no sentido de desqualificar o senhor Joesley Batista, que teria usado de expediente criminoso ao gravar a conversa entre ambos, além de ligá-lo aos governos da coalizão petista, os quais ele e seu partido, o PMDB, integraram. Mas, vamos considerar por aqui, como informou ontem em seu artigo o cientista político Michel Zaidan, apenas o fato do ponto em comum que unia essa gente, ou seja, o anti-petismo. E o presidente Temer, como logo depois se sabia, mesmo integrando a base aliada da presidente Dilma Rousseff, urdia com a correlação de forças que tomaria o poder através do golpe institucional. Chegou a ser indicado como o seu articulador político. Imaginem!. Primeiro é preciso fazer a ressalva de que a delação do senhor Joesley Batista não poupou quase ninguém do nosso combalido sistema político. Sobrou até para o jornalista Cláudio Humberto, do Diário do Poder, ex-homem forte da comunicação do ex-presidente Fernando Collor, que, segundo ele, recebia uma mesada mensal no valor de R$ 18 mil reais para não publicar nenhuma matéria desabonadora ao grupo. 

Difícil saber como o sistema político reagirá a este tsunami. O sistema político brasileiro está na UTI e respira através de aparelhos. Um governo com uma base de apoio enlameada, com 08 ministros encrencados com a Operação Lava Jato e, agora, um presidente investigado por ilícitos registrados em áudio, além da reprovação do seu comportamento antirrepublicano. Não há, neste horizonte, atores políticos com o espírito público e estatura moral para negociarem uma saída. As casas legislativas são presididas por personas não confiáveis, o que significaria trocar seis por meia dúzia, caso se adote os preceitos constitucionais que, quando foi elaborado, certamente não poderia antever tanta podridão. Numa suposição de um mandato tampão de "Botafogo", quem, com os qualitativos necessários assumiria concorrer a uma eleição indireta no Legislativo? De imediado, já sabe que os poucos homens de bem daquela Casa não teriam alguma chance. Sabe-se que qualquer um poderia habilitar-se, mas, por outro lado, também se sabe que isso é uma grande ilusão. O editor deste blog e os seus leitores não teriam qualquer chance.

Estamos, pois, diante de um grande imbróglio político, sem que se vislumbre uma luz republicana e democrática no fim do túnel, exceto, talvez, através de uma nova eleição, como sugere a voz das ruas, que pedem eleições diretas imediatamente. Eleições diretas sim, com o compromisso de adoção de uma convocação de uma constituinte exclusiva para uma ampla reforma do sistema político. Com essa gente que aí está não é possível avançarmos nesse sentido. O país teria que dar um tempo para uma imprescindível assepsia política, que resgatasse a democracia representativa dentro de novos parâmetros, preservasse os princípios constitucionais da Constituição Cidadã promulgada em 1988; garantisse o pleno funcionamento do Estado Democrático de Direito; e, sobretudo, estancasse essa sangria de direitos sociais que sempre esteve no propósito principal dessa tecitura golpista. Com a poeira mais baixa, já é possível compreender um pouco melhor o que embala a emissora do plim plim: um fora Temer, mas com a mesma agenda. Não se enganem!


O poder está nas ruas. E a legitimidade também: Diretas, já!


Reordenar a sociedade a partir de agora é uma tarefa que só a rua poderá exercer integralmente, devolvendo-lhe a prerrogativa das urnas

por: Saul Leblon

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O Brasil adormeceu nesta quarta-feira, 17 de maio de 2017, sem saber as respostas para muitas das perguntas essenciais cobradas pelo passo seguinte de sua história.
 
Mas a principal delas para ir direto ao ponto --dispensando-se o retrospecto da implosão da frente golpista, com as gravações de pedidos de propinas feitas aos donos do JBS por Aécio Neves e Michel Temer— é saber se a mobilização popular será capaz de pr...eencher o vazio vertiginoso que se abriu agora não apenas na cúpula política, mas na estrutura do poder na sociedade.
 
As instituiçõesque dão coesão a uma sociedade fundada em conflitos de interesses agudos, como é o caso da brasileira, cujos abismos de desigualdade são sabidos, estão no chão.
 
Não há legitimidade no parlamento.
 
O judiciário tornou-se a armadura desfrutável do assalto das elites contra as urnas, na farsa de um impeachment – confirma-se agora-- arquitetado com uma escória a soldo.
 
A mídia foi a voz da exortação e da institucionalização desse esbulho.
 
Como será o amanhã de uma nação na qual o amálgama político foi destruído em nome do combate à corrupção. E sob esse biombo faiscante operou-se a virulenta destituição de direitos arduamente conquistados em um século de lutas democráticas?
 
O conservadorismo está na defensiva.
 
A plutocracia perdeu seu manto moral.
 
Desnudou-se como uma reles devoradora de libras de carne humana barata.
 
Moro e seus promotores terão que se explicar: por que nunca –nunca- abriram o foco para a tempestade que ora desabou, sobre as suas cabeças inclusive?





 
O contato mais próximo do califado de Curitiba com o assunto ‘Aécio Neves’ está documentado na série de fotogramas de sorridente cumplicidade entre o presidente nacional do PSDB e o juiz Sergio Moro.
 
Da mídia é suficiente dizer que sem ela o golpe teria sido impossível, assim como inviável a preservação da capatazia que ora sucumbe às gravações.
 
Reordenar a sociedade a partir de agora, portanto, é uma tarefa que só a rua poderá exercer integralmente, devolvendo-lhe a prerrogativa das urnas.
 
As sirenes da história anunciam confrontos intensos no front.
 
Não existe uma fórmula macroeconômica autossuficiente –seja a do golpismo, ou uma de ‘esquerda’ -- para tirar o Brasil do plano inclinado em que se encontra.
 
O que existe é uma derrocada vergonhosa do conservadorismo que amplia o espaço para o debate das reformas verdadeiramente indispensáveis à destinação social do desenvolvimento. A saber:
 
-uma reforma política para capacitar a democracia a se impor ao mercado;
 
-uma reforma tributária para buscar a fatia da riqueza sonegada à expansão da infraestrutura e dos serviços;
 
-uma reforma do sistema de comunicação para permitir o debate plural dos desafios brasileiros –que, insista-se não se resolvem sem ampla e permanente renegociação.
 
O Brasil será aquilo que a rua conseguir que ele seja. E o momento nunca foi tão propício para escrever isso no asfalto e nas praças de todo o país.
 
A legitimidade das ruas precisa ser exercida.
 
Urgentemente.
 
Só as lideranças populares tem condições hoje de falar à população em um palanque.
 
O conservadorismo usará o palanque privado da Globo para barrar o escrutínio da sua crise nas urnas.
 
A ocupação das ruas definirá quem é a liderança popular hoje no Brasil capaz de devolver credibilidade à política e seriedade à repactuação do desenvolvimento, arrebatando assim o apoio indispensável de setores da classe média democrática para levar a nação às urnas e retomar o fio de uma construção interrompida  --mais uma vez-- pela violência política conservadora.
(Publicado originalmente no Portal Carta Maior)
 

Charge! Jean Galvão via Folha de São Paulo

Jean Galvão

sábado, 20 de maio de 2017

Michel Zaidan: Renúncia, eleição indireta e eleições gerais já




Como bem disse o blogueiro José Luiz Silva, o governo Temer agoniza e os ratos já ensaiam os procedimentos de saída desse ruinoso experimento político. Uns deixaram o ministério, outros preparam a saída (mas não saíram) e outros passaram para a oposição. Era de se esperar que isso acontecesse, há mais ou menos dias. A coligação que apoiou esse arranjo só tinha em comum o anti-petismo e muitos interesses não necessariamente republicanos. A questão que fica é: saindo Temer, o que vai acontecer?

Gostaria de lembrar que o sogro do atual presidente da Câmara dos deputados, Wellington Moreira Franco, é uma espécie de eminência parda desse moribundo governo. Integra ele o trio composto por Padilha, Jucá e o dito cujo que mandam e desmandam no Presidente. É de se lembrar também que foi o sogro que urdiu a saída de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara e tramou a eleição do seu genro, Rodrigo Maia, para o lugar de Cunha, o silencioso de ouro. Nesse ambiente de muitas especulações, intrigas, fofocas e suspeições, é muito difícil não achar que Moreira Franco não tenha previsto um cenário em que Temer foi impedido de governar e o seu contraparente assumisse a vacância do poder, na condição de primeiro mandatário da Casa. Mais ainda, o homem que conduziria - certamente - a eleição indireta pela Câmara o sucessor do atual ocupante da cadeira presidencial. Há pouco, Luis Nassif sugeriu que as gravações e sua divulgação poderia ser um artifício pensado para justificar também a condenação de LULA e seu impedimento para disputar as eleições presidenciais.

Pode até ser. A rede Globo e o seu jornal não são absolutamente insuspeitos nessa operação desconstrutora tanto de Aécio Neves e sua família, de José Serra e do próprio Michel Temer.. Deve haver algum plano por trás de tudo isso e não deve ser a favor da República brasileira. Mas a questão é: se Temer renunciar ou for impedido de continuar o resto do mandato presidencial, o que pode acontecer? - Diz a Constituição que no caso de vacância do titular e seu vice, o Presidente da Câmara assume para em três meses, fazer uma nova eleição pelo Congresso, embora qualquer brasileiro possa se candidatar. A lei que rege essas eleições é de 1964, anterior portanto à Constituição de 1 988, e pode estar sujeita a muitas controvérsias e contestações na sua aplicação ao caso vigente. Como se trata de matéria "interna corporis", é possível que o atual grupo político hegemônico na Casa produza uma interpretação de acordo com seus interesses. E aí já se sabe quem seria beneficiado com essa exegese legislativa.

Falemos da oposição e da PEC apresentada fixando a realização de eleições gerais já. Este parece que seria o caminho mais adequado diante da falta de legitimidade (não de legalidade) de que desfrutam os atuais mandatários da Câmara para elegerem quem quer que seja (ou fazer qualquer reforma). Muitos estão na mira da Operação Lava-a-jato. Houve muitas notícias sobre a compra de voto pelo "impeachment" da Presidente Dilma. A atual legislatura - uma das piores nesses últimos tempos - vem cumprindo docilmente uma agenda legislativa contrária aos interesses do povo, mas à serviço das empresas nacionais e estrangeiras e outros grupos econômicos do país. Por tudo isso, seria assentar mais um golpe da vontade política do eleitor, votar num nome escolhido especialmente para isso, para suceder o temeroso.

Como disse o ex-presidente do STF, está na hora do povo brasileiro tomar em suas mãos o destino do País, ir às ruas pedindo eleições diretas e gerais já, apoiando e reforçando a votação da PEC que pede a antecipação das eleições gerais. Não há mais o que fazer. É uma ilusão esperar que o Judiciário, o Executivo ou o Presidente da Câmara apoiem essa oportuna e justa devolução do poder de decisão eleitoral ao povo brasileiro. Esses parlamentares estão de costas para a Nação, legislam em favor de si mesmos e de seus interesses. Só o povo é soberano, num momento de crise como esse, para decidir o que é melhor para si.


Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador, cientista político, professor titular da UFPE e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia - NEEPD- UFPE.

Charge!

Renato Machado

Publisher: Indecente Dialogues in Jaburu




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Top political analysts have already come to the conclusion that the problem is now what will come after the demise of the Michel Temer government. A government with this profile, without the least moral stature, ethical and absolutely devoid of public spirit, would have no chance of asserting itself. After the impeachment of President Dilma Rousseff - which had the support of powerful groups and the leniency of the judiciary - sociologist Sérgio Pinheiro (USP) coined a phrase that would be famous - and recurrent since then - informing that the country was Be governed by gangsters. We are now imagining the face of those Congressmen who promoted those hilarious scenes in the Chamber of Deputies, when the request for removal from the president was approved, and there began his ordeal. They called out that they were voting in the "yes, Mr. President," in the name of a moralization of the public thing. Have you already calculated the size of the nonsense?

The fact is that our political system - which has never been a great thing at all - this time has spiraled down, since, with very few exceptions, strategic and relevant political actors - capable of trying to build some consensus - are all caught up in investigations Of Operation Lava Jato. Some of these actors were, until very recently, armored by the unconcealed forces that devised the coup against President Dilma Rousseff. The bomb exploded in Brasília, not in Curitiba or Belo Horizonte, where these actors seemed to control the situation. This seems to have made some difference, causing the plim plim broadcaster to go in the "bump", by the absolute absence of some preparation before the unusual. Do not you think they have become Democrats and Constitutionalists. Sometimes, in politics, the circumstances can be decisive.

The Wesley brothers and Joesley Batista is what is called in police jargon, a kind of "bare wire," that is, that individual who, driven by the most different possibilities, end up "delivering" the game of banditry, helping the police to identify And compromise, in this case, the tricksters of the treasury. In the case of owners of the J & B group, certainly the motivation would be the advantages offered to the informers. No one could have imagined that this bare wire could be someone of such confidence as the establishment coup, with the prestige of being received at night in the Palace Jaburu, according to his conveniences, presenting himself as Mr. Ricardo, in an absolutely clandestine schedule, not compatible with The transparency of the actions of a President of the Republic.

In the official residence of the President of the Federative Republic of Brazil, the dialogues would be absolutely indecent, indecent, anti-Republican. More than that, it is characterized the illicit incongruent with the exercise of the public position exerted by Mr. Michel Temer, in the last analysis, a public agent, as the recorded videos would show, and later disclosed, all according to the combined with the judicial apparatus , Security and state control. The recordings of the Batista brothers caught some of the big fishes of the republic, who continued to operate in the rush, even in the face of the progress of the Lava Jato investigations, in evidence that we are still a long way from extirpating the country's structural corruption.

Editorial:Diálogos indecentes no Jaburu



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Os principais analistas políticos já chegaram à conclusão de que o problema agora é o que virá, após o ocaso do Governo Michel Temer. Um governo com este perfil, sem a mínima estatura moral, ética e absolutamente desprovido de espírito público, não teria a menor chance de se afirmar. Depois do desfecho do impeachment da presidente Dilma Rousseff - que contou com o apoio de grupos poderosos e a leniência do judiciário - o sociólogo Sérgio Pinheiro(USP) cunhou uma frase que ficaria célebre - e recorrente, desde então - informando que o país passava a ser governado por gangsters. Ficamos imaginando agora a cara de tacho daqueles deputados que promoveram aquelas cenas hilariantes na Câmara dos Deputados, quando o pedido de afastamento da presidente foi aprovado, inciando-se ali o seu calvário. Bradavam eles que estavam votando no "sim, senhor presidente", em nome de uma moralização da coisa pública. Vocês já calcularam o tamanho do disparate?

O fato concreto é que o nosso sistema político - que nunca foi mesmo grande coisa - desta vez entornou de uma vez, posto que, com raríssimas exceções, os atores políticos estratégicos e relevantes - capazes de tentar construir algum consenso - estão todos enredados nas investigações da Operação Lava Jato. Alguns desses atores, inclusive, estavam, até bem pouco tempo, blindados pelas forças nada ocultas que arquitetaram o golpe contra a presidente Dilma Rousseff. A bomba estourou em Brasília, não em Curitiba ou em Belo Horizonte, onde esses atores pareciam controlar a situação. Isso parece ter feito alguma diferença, levando a emissora do plim plim a ir no "embalo", pela absoluta ausência de algum preparo ante o inusitado. Não pensem vocês que eles se tornaram democratas e constitucionalistas. Por vezes, em política, as circunstâncias podem ser determinantes. 

O irmãos Wesley e Joesley Batista é o que se chama no jargão policial, uma espécie de "fio desencapado", ou seja, aquele indivíduo que, movido pelas mais distintas possibilidades, acabam "entregando" o jogo da bandidagem, ajudando a polícia a identificar e comprometer, neste caso, os malandros do erário. No caso dos donos do grupo J&B, certamente a motivação seria as vantagens oferecidas aos delatores. Ninguém poderia imaginar que esse fio desencapado pudesse ser alguém de tamanha confiança do establishment golpista, com o prestígio de ser recebido à noite, no Palácio Jaburu, consoante as suas conveniências, se apresentando como o senhor Ricardo, num agendamento absolutamente clandestino, pouco compatível com a transparência das ações de um Presidente da República.  

Na residência oficial do presidente da República Federativa do Brasil, os diálogos se mostrariam absolutamente indecentes, indecorosos, anti-republicanos. Mais do que isso, ficam caracterizados os ilícitos incongruentes com o exercício do cargo público exercido pelo senhor Michel Temer, em última análise, um agente público, como mostrariam os vídeos gravados, e depois divulgados, tudo de acordo com o combinado com o aparato judicial, de segurança e controle do Estado. As gravações de irmãos Batista fisgaram alguns figurões da república, peixes graúdos, que continuaram operando nos estertores, mesmo diante dos avanços das investigações da Operação Lava Jato, numa evidência de que ainda estamos muito distante de extirparmos a corrupção estrutural do país. 

  

Charge! Duke via O dia

Colapso do Governo Temer ressuscita diretas já após 33 anos

MATHEUS PICHONELLI
UMA REUNIÃO NA calada da noite, em uma residência oficial, com um investigado que se gaba de comprar juízes, procurador e de manter bom relacionamento com um deputado preso em Curitiba a custa de pagamento mensal pode ser tudo, menos uma conspiração de via única, como querem fazer crer os aliados resilientes de Michel Temer, na véspera chamado de ex-presidente em uma série de atos falhos de jornalistas e colegas cometida ao longo da quinta-feira (18).
Pois uma coisa é a consequência jurídica do áudio (obstrução de Justiça? Prevaricação? Prova de corrupção?), até aqui resultante na abertura de inquérito determinada pelo STF. Outra é a consequência política. Quem, dos aliados que emprestavam a cara e os votos para as reformas temerárias, ousará posar ao lado de um presidente que se encontra na surdina com investigados para ouvir relatos sobre como escapar da Justiça?
A pergunta parece óbvia, mas segue em aberto.
BRASILIA, BRAZIL - MAY 18: Protests erupt after embattled President Temer refuses to resign on May 18, 2017 in Brasilia, Brazil. A recording of Temer was released in which he allegedly condones bribery payments to Eduardo Cunha, the former President of the Chamber of Deputies. Cunha was involved in the 'Lava Jato' (Car Wash) corruption scandal and sentenced to 15 years in prison after being found guilty of corruption, money laundering and illegal money transfers abroad. With the release of the recording, the opposition has called for Temer's impeachment and new elections. (Photo by Igo Estrela/Getty Images)
Após denúncias contra Temer, manifestantes fazem protesto por Diretas Já em Brasília.

Foto: Igo Estrela/Getty Images
Fato é que, desde a revelação do áudio, o Brasil parece ter voltado algumas décadas na própria História, quando uma multidão tomou as ruas no movimento pelas Diretas Já, um apelo pelo direito de eleger seu próprio presidente, entre 1983 e 1984.
Era um tempo de mobilização que gerou a força política para a emergência de lideranças e a elaboração da Constituição de 1988 – Carta que, nas palavras de deputado Ulysses Guimarães, o “Senhor Diretas”, teria cheiro de amanhã, e não de mofo. A Constituição Cidadã, como ficou conhecida, seria um marco na garantia dos direitos individuais, da liberdade de expressão, da proteção das minorias.
Curioso observar o protagonismo político de três décadas atrás e os de agora (aparentemente, fora do quadro partidário, não temos uma voz à altura de Osmar Santos e Sócrates, e o jogador de futebol mais articulado da atualidade é Felipe Melo, apoiador de Bolsonaro e entusiasta da política de distribuição de porrada em manifestantes).
O que ninguém poderia imaginar é que o Brasil voltaria às ruas em apoio às eleições diretas no mesmo dia em que os netos de Tancredo foram enquadrados pela Justiça.
A emenda Dante de Oliveira, que levaria o país às urnas, foi rejeitada, mas do Colégio Eleitoral emergiu Tancredo Neves (PMDB), apoiado pelas mesmas lideranças das Diretas, em oposição ao situacionista Paulo Maluf (PSD), que anos depois entraria na lista da Interpol.
Tancredo nunca assumiu o poder. Um tumor indevidamente tratado em meio ao processo eleitoral o levou à internação às vésperas da posse. Ele morreu no mês seguinte. Coube a José Sarney, figura ambígua com um pé no antigo regime e alçado a vice por situacionistas antimalufistas, o trabalho de costurar a transição do primeiro governo civil, após 20 anos de ditadura militar, até a primeira eleição geral para presidente – aquela que levou Fernando Collor ao posto, mas essa é outra conversa.
O que ninguém poderia imaginar até pouco tempo atrás é que, mais de 30 anos depois, o Brasil voltaria às ruas com cartazes em apoio às eleições diretas. Por ironia, no mesmo dia os netos de Tancredo, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e sua irmã, Andrea, foram enquadrados pela Justiça.
O primeiro foi afastado do cargo após pedir dinheiro ao dono da JBS e usar como intermediário um primo e operador, preso pela PF. A irmã também está presa, o que gerou foguetório no sindicato de jornalistas de Minas Gerais, há anos determinados em denunciar as perseguições da família aos profissionais de imprensa do estado.
Novamente um vice alçado a chefe do Executivo sem voto popular
Na mesma frente, não há figurão do PMDB, o partido fiador da transição democrática e das bases de apoio a todos os governos desde a reabertura, que não enfrente acusações de corrupção na Justiça, a começar pelo presidente da República – novamente um vice alçado a chefe do Executivo sem voto popular.
Longe dos holofotes, José Sarney, ex-senador maranhense eleito pelo Amapá, é ainda hoje uma espécie de oráculo do partido. Emplacou inclusive um filho no Ministério do Meio Ambiente. Foi ele quem classificou a delação da Odebrecht como tiro de metralhadora ponto cem. Convém ouvi-lo nas horas de aperto.
Morto em abril, o compositor cearense Antonio Carlos Belchior consagrou na voz de Elis Regina sua música mais conhecida. Falava, em plena ditadura, da dor de perceber a própria geração reproduzir os passos dos pais, mesmo tendo feito tudo o que fizeram.
Apesar do novo velho impasse político, porém, já não somos os mesmos – nem os filhos nem os netos dos antigos protagonistas, conforme assegura o noticiário sobre os herdeiros de Tancredo.
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Manifestantes pedem Diretas Já durante protesto na avenida Paulista, em São Paulo.

Foto: Victor Sá
A geração que promete colocar na rua a versão 2.0 das “Diretas Já” tem a chance de tirar de debaixo do tapete, e em meio às balas de borracha disparadas nos grandes centros, uma série de acordos determinantes desta espécie de passado contínuo vivido pelo país.
O Brasil das costuras políticas pacíficas jamais acertou as contas com seu passado autoritário, e o resultado são as bases de uma sociedade ainda marcadamente violenta, arrogante, excludente e tomada de fossos entre representantes e representados, sobretudo quando reformas como a Trabalhista e da Previdência são impostas pelos primeiros sem o devido debate com os segundos – e sem a legitimidade das urnas, que se manifestou, em 2014, por outra agenda (abandonada, frise-se, inclusive por Dilma Rousseff).
Aos poucos, a expressão “Diretas Já” volta, assim, ao debate público. “A crise não apenas exige a remoção de Temer do governo como a convocação imediata de eleições para o Executivo”, escreve o ex-secretário de Estado de Direitos Humanos (governo FHC) Paulo Sérgio Pinheiro em artigo na página A3 da Folha de S.Paulo, um dos mais prestigiados espaços de opinião do jornal. “O desmantelamento das conquistas da Constituição de 1988 e da política de Estado dos direitos humanos, promovido de forma acelerada pelo governo, deve ser interrompido”, pediu o jurista.
A releitura do apelo ao voto direto para presidente em pleno 2017, que exige uma emenda à Constituição, é sintomática dos buracos abertos por quem deveria pavimentar a transição do país ao estabelecimento pleno das conquistas políticas.
(Publicado originalmente no site do Intercept Brasil)