domingo, 30 de junho de 2013

Michel Zaidan: Um novo contrato social?

 

Por Michel Zaidan

O clamor das ruas - que ainda continua - pelo visto inspirou a contratação de um novo pacto social. A presidenta Dilma convocou os governadores e prefeitos para um grande acordo federativo e subfederativo para a implentação de uma plano de execução da pauta das manifestações populares: melhoria do transporte público, melhoria da saude e educação, e estabilidade fiscal. É de se lembrar que o autor da famosa obra sobre o contrato social (Rousseau) era partidário da democracia direta e era contrário à representação e ao pluralismo das formas de organização. Tendo ou não conhecimento da obra de Rousseau, a presidenta da República teve de enfrentar a reação dos parlamentares e do próprio judiciário, quanto à sua proposta de reforma política. Despretigiado como anda, o nosso Poder Legislativo protestou que estava sendo alijado do processo e lembrou que a iniciativa legiferante é uma prerrogativa do Congresso, sobretudo em que stões de emenda constitucional.

A preocupação de Dilma é que a reforma política se arrasta no Congresso e não há vontade política entre os parlamentares para "cortar na carne", ou seja, fazer uma mudança nas regras do jogo que coloque em questão os interesses dos próprios políticos. A idéia é reforçar a extensão e profundidade da reforma com um referendo popular, que obrigue os membros da Casa legislativa a fazer as mudanças necessárias. O que poderia não acontecer,se a reforma ficasse nas mãos dos atuais parlamentares.

De toda maneira, a palavra-de-ordem do momento é "ouvir as vozes da rua", como disse o ministro-presidente Joaquim Barbosa. Havendo ou não uma nova Constituinte (exclusiva ou não), a idéia de buscar a legitimação das medidas nas manifestações populares - é uma desconfiança em relação à representação parlamentar existente - e a necessidade de uma nova refundação da República brasileira. Fica a questão do apoio dos governadores e prefeitos, já que esse arremedo de consulta popular não pode prescindir do assentimento e participação dos entes federativos. Esse é um problema tão sério, como o da representação política. O Brasil não é um cantão suiço, que possa ser governado através de assembléias populares. É uma imensa federação desigual e diferente, que clama, aliás, por políticas de regionalização do oraçmento. É possível que os governadores e prefeitos aproveitem para se fazer ouvir também suas vozes, sobretudo quando se discute a repartição dos royalites dos campos de Petróleo - que segundo os especialista não deveriam ser gastos em custeio e sim em investimentos ligados a indústria petrolífera.

Mas a situação fiscal e financeira do Estado brasileiro é tão grave que infelizmente a presidenta não pode se dar ao luxo de dispesar esses recursos no financiamento das políticas sociais - o foco dos protestos sociais. Diante da imensa renúncia fiscal realizada em favor da FIFA (500.000.000) e das empresas envolvidas nas obras da mini-copa (189.000.000), o governo não tem como não utilizar esses recursos futuros para atender aos reclamos da população. Mais anida agora que os contratos de partilha das jazidas do Pré-sal foram atingidos pela crise mundial e adiados.

Uma coisa é certa: se vamos ter um novo contratro social neste país, ele passa por uma nova forma de representação político-parlamentar (sob o controle da sociedade) e uma mudança drástica de prioridades na administração pública do Brasil. Afinal, o que é mais importante a Copa ou o hospital?

sábado, 29 de junho de 2013

O que dizem as pesquisas pós-manifestações.


Algumas considerações sobre a pesquisa Datafolha registrando queda de popularidade de Dilma Rousseff.
Foi uma bela queda, mas Inês não é morta.
O que ocorreria se o Datafolha incluísse em sua pesquisa a avaliação sobre outros personagens da política: Geraldo Alckmin, Antônio Anastasia, Sergio Cabral, PT, PSDB, Aécio Neves, Congresso, STF? Todos registrariam queda similar. Foi o mundo político que desabou, não apenas um personagem ou outro. Obviamente, o personagem maior - a presidente - está exposta a desgaste maior.
Esta semana, pesquisa similar ao da Datafolha – contratado por um grupo de empreiteiras – revelou o seguinte:
  1. Queda de Dilma e Alckmin, Dilma um pouco mais, Alckmin um pouco menos.
  2. Queda expressiva tanto do PT quanto do PSDB. Incluindo aí o presidenciável Aécio Neves.
  3. Quem ganha são apenas Marina Silva, que sobe um pouco e Lula, que sobe mais – tanto na avaliação pessoal quanto do seu governo.
Chama atenção, no entanto alguns aspectos da pesquisa Datafolha:
  1. Mesmo tendo desabado, os índices de Dilma ainda são positivos. A maior parte dos que saíram do campo do ÓTIMO e BOM migrou para REGULAR. Agora, são 25% de RUIM e PÉSSIMO – um salto expressivo, ante os 9% da última pesquisa. Mas são 43% de REGULAR e 30% de ÓTIMO e BOM.
  2. O Datafolha omitiu a aprovação pessoal de Dilma. Como existe proporcionalidade entre a nota e a aprovação, analistas estimam que possa estar entre 55% e 58%.
  3. Em relação aos passos pós-crise, dois pontos a favor de Dilma. Em relação ao comportamento de Dilma frente aos protestos, 26% avaliaram como RUIM e PÉSSIMA contra 32% de ÓTIMA ou BOA e 36% de REGULAR. E 68% aprovaram a ideia do plebiscito.
Em suma, a bola continua com Dilma. Passado o impacto emocional das passeatas, sua maior ou menor aprovação dependerá de seus próximos passos. Se conseguir reestruturar seu governo e dar provas maiúsculas de melhoria de gestão e de interlocução, supera o momento. Se não conseguir, seu governo irá se arrastar até as eleições.

(Blog do Luis Nassif)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Aos 93 anos, Antonio Cândido diz qu o socialismo é uma doutrina triunfante

Para colocar ainda mais lenha no aceso debate político-ideológico que se trava no Blog da Tribuna, vamos publicar os principais trechos de uma instigante entrevista concedida à jornalista Joana Tavares, do Brasil de Fato, pelo crítico literário, professor, sociólogo, militante Antonio Candido. Com extraordinária lucidez e precisão, ele explica a sua concepção de socialismo, que diz ser uma doutrina trunfante, partindo para uma tese surpreendente e inovadora. A entrevista nos foi enviada por Sergio Caldieri, diretor do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.
Brasil de Fato – O que o senhor lê hoje em dia?
Antonio Candido – Eu releio. História, um pouco de política… mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.
Brasil de Fato – O senhor é socialista?
Antonio Candido – Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “O senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.
Brasil de Fato – Por quê?
Antonio Candido – Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.
Brasil de Fato – O socialismo, como luta dos trabalhadores?
Antonio Candido – O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto, ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.
Brasil de Fato Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?
Antonio Candido – Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.
Brasil de Fato – O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?
Antonio Candido – O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para os que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo.

Hábeis, raposas políticas se antecipam ao clamor das ruas.


Curioso o contorcionismo desses políticos diante das mobilizações de ruas. Como naquela frase célebre do dramaturgo Nelson Rodrigues, apesar das últimas declarações pontuais, Lula mantém um silêncio ensurdecedor. O comportamento de Lula vem estranhando muitos caciques da legenda. com obserevou o jornalista Josias de Souza, Lula já veio à boca do palco para defender José Sarney, afirmando que o morubixaba era uma pessoa especial e que, portanto, não poderia ser tratado como um cidadão comum, susceptível aos rigores da lei. Padrinho político de Dilma Rousseff, atacada pelas ruas, por setores da base aliada e da oposição, inusitadamente, Lula silenciou. Alguns sugerem que o seu comportamento denota a velha manha de sobrevivência dos animais políticos. Diante dos fatos, estaria esperando a poeira assentar para definir qual seria a melhor estratégia para o discurso que pretende formatar e as forças que precisam arregimentar quando precisar subir novamente no banquinho. No calor das manifestações, Dilma o teria procurado para pedir conselhos. Segundo consta, Lula não teria acrescentado muita coisa. Aproveitou a oportunidade para pedir a cabeça de Guido Mantega, que hoje está com o prestígio mais baixo do que poleiro de pato. Uma outra razão da discórdia poderiam ser os erros gerenciais de Dilma Rousseff e seu diálogo com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre uma Constituinte exclusiva. Lideranças do partido teriam ficado bastante magoados com a atitude. Afora essas questões de varejo, no grosso, o que vem ocorrendo é que os políticos estão procurando mecanismos de sobrevivência diante das manifestações populares. Ontem o senador José Sarney ocupou a tribuna daquela Casa para fazer um discurso anti-corrupção, no calor do debate que torna essa prática uma crime hediondo. Sarney, certamente, estaria naquela lista negra, que pretendo publicar no blog, dos fichas-sujas achados nas manifestações de rua. Não é suficiente, imaginem que o projeto de lei que trata da questão da gratuidade do transporta coletivo para os estudantes é do presidente daquela Casa, Renan Calheiros.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quando a rua se torna a arena

POSTADO ÀS 10:53 
Michel Zaidan, cientista político

Entre os antigos romanos, a palavra arena era designada como lugar de jogos e manifestações diversionistas destinadas ao povo. Mas também como lugar da luta, da disputa entre gladiadores e escravos. Por uma dessas transformações semânticas produzidas pela História, a palavra "arena" foi apropriada pelos governantes como o palco de jogos e competições esportivas internacionais. o que ninguém previu é que o  povo brasileiro iria invadir as ruas das metrópoles brasileiras para protestar contra a má saúde, a má educação, o péssimo transporte público e o  mau uso do dinheiro público. A repercussão desse movimento foi tão grande que tomou o espaço nos telejornais nacionais  que seria dedicado aos jogos. Até o treinador da seleção brasileira foi convocado  a dar sua opinião sobre os protestos populares, apoiando as manifestações.

Os gestores, pegos de surpresa, passaram a decantar as virtudes da participação popular e da democracia participativa. O fundamental é entender o significado dessa nova arena da participação popular, apartidária, multifacetada, composta por inúmeros grupos sociais. Desde as manifestações dos "caras pintadas" pela demissão de Collor, não se via algo semelhante na cena política brasileira. E os governantes apostaram  no "nacionalismo dos tolos" como forma de anestesia da consciência social. A cifra astronômica gasta pelo Brasil (85.000.000.000) para a realização da Copa da Confederações foi o alvo preferencial  das multidões. Questionando a absurda quantia comparada com o descalabro das políticas públicas na área da Saúde, da Educação, do Transporte Público.

Hoje o mundo entende que o povo brasileiro não se contenta só com carnaval e futebol e que ser cidadão não é só torcer pela seleção brasileira, mas lutar pela melhoria dos serviços públicos no Brasil. O conceito de cidadão de chuteira foi substituído pelo cidadão vox e cidadão ludens, o cidadão que vocalize direitos e tem consciência de direitos. O grande negócio dos jogos, o milionário patrocínio das grandes empresas multinacionais, o espírito mercenário de nossos atletas e o próprio governo brasileiro foram obrigados a fazer uma reflexão sobre a mudança do patriotismo de nossos cidadãos.

Isso sem falar na alienação da soberania política do país em função da malfada lei da Copa, com todo o aparato de segurança na cidade à disposição das seleções estrangeiras, como se nós fôssemos uma colônia ou um protetorado de algum país estrangeiro. Se os governadores e a Presidente da República não se dão o devido respeito de autoridades públicas constituídas legitimamente pelo voto popular, o povo é quem deve lhes ensinar, nas ruas, o que é soberania, independência, direitos.

É de se esperar agora que ante a expectativa da opinião pública internacional e da ONU, nossos gestores aprendam quais são as prioridades da administração pública: cuidar do povo, através de políticas públicas estatais, permanentes e universais. Até a propaganda mais convincente cede diante do clamor das ruas. Até quinta-feira, Pernambuco!

(Publicado originalmente no Blog de Jamildo)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Os fichas-sujas achados nas ruas.


Começam a surgir o nome dos políticos com ficha-suja a partir não da legislação que trata do assunto, mas pelo clamor das manifestações de rua. A lista é grande, mas pelo menos dois deles foram cabalmente identificados. Um é o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que, através de decreto, legalizou uma propriedade do apresentador Luciano Huck, construída de forma irregular, numa praia paradisíaca do Estado. O enredo envolve uma situação clara de tráfico de influência. A advogada do apresentador teria fortes ligações com Sérgio Cabral. Não é a primeira vez que o governador Sérgio Cabral pisa na bola. Nas outras ocasiões, felizmente para ele, não havia a consciência política forjada nas manifestações de rua. Grupo de manifestantes resolveram acampar bem próximo à sua residência. Em pernambuco, um outro Sérgio, que votou a favor da PEC 37. Conhecedor do poder de mobilização das redes sociais, pelo seu perfil no microblog Twitter, andou se "explicando" que teria errado de voto, mas não convenceu a rapaziada, que continua emitindo suas insatisfações pela rede, algumas de forma bastante agressiva. Fico pensando como é que seria o comportamento do cidadão residente nos grotões, durante as próximas eleições. Currais eleitorais e votos de cabresto ou de porteira fechada ainda existem no país, ainda ao estilo das narrativas do clássico de Victor Nunes Leal. Possivelmente alguns eleitores ainda não tem acesso às redes sociais ou sequer conhecem o teor da PEC 37. Como eles se comportariam diante da atitude equivocada de alguns políticos? O otimismo, mais uma vez, vem das ruas. Até bem pouco tempo, num país de população cordial, ordeira e pacífica, ninguém poderia imaginar as demonstrações de tanta indignação diante do descaso do Estado no que concerne aos serviços essenciais de saúde, educação, mobilidade urbana etc. Esses políticos precisam ser apeados da vida pública. Não duvido que encontraremos os mecanismos capazes de superar os tradicionais currais eleitorais. As mobilizações continuam por todo o país, numa pressão popular jamais vista no país. Se foi possível acordar o gigante, a médio e a longo prazo, certamernte, formataremos os dispositivos institucionais capazes de construir um país melhor.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Mais teoria conspiratória: O Misterioso Clube Bilderberg



Se de repente ouvíssemos falar que existe um clube onde as pessoas mais poderosas movem fios invisíveis para controlar o planeta e desenhar estratégias a fim de perpetuar seu poder, provavelmente pensaríamos que se trata do argumento de um filme. No entanto não é assim.


Quanto ao primeiro, sim, existe um grupo que reúne uma elite mundial composta de banqueiros, empresários, políticos, aristocratas, magnatas da comunicação, entre outras figuras: chama-se Clube Bilderberg e reuniu-se de 6 a 9 de junho em um luxuoso hotel em Watford, ao norte de Londres.
Sobre o segundo, referido a sua projeção hegemônica planetária, ainda não se pode comprovar, pois cada conclave que realizam é rodeado por uma muralha de hermetismos para assegurar segredo estrito em relação aos assuntos discutidos.

Nunca uma mensagem à imprensa, nunca um anúncio de acordos, jamais um convite aos meios de comunicação. O Clube é sinônimo de um silêncio público absoluto. Por quê?

Precisamente essa pergunta levou o jornalista e escritor russo Daniel Estulin a dedicar décadas de sua vida para pesquisar esta discreta e seletíssima associação, depois do que assegura que se trata de um centro de influência mundial: "É o que decide, com um secretismo total em suas reuniões anuais, como se levarão a cabo seus planos".

Em recentes declarações a Rússia Today (RT), o pesquisador assinalou que para além de um governo mundial, se trata de uma empresa mundial. "É um conceito de empresa mundial, ou seja, potências ou poderes fáticos financeiros com muitíssimo mais poder que qualquer governo na terra", estimou.

Por sua vez, o deputado trabalhista britânico Michael Meacher considerou que o Clube aponta a luta do capitalismo para se perpetuar durante os próximos anos, por meio de pactos secretos.

"São os líderes dos grandes bancos, as grandes multinacionais, gente de instituições como o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio, comissários da União Europeia e políticos dos Estados Unidos, Canadá ou Reino Unido. Reúnem-se para decidir seus planos sobre o futuro do capitalismo", assegurou.

Quase 60 anos e mais de 60 Cúpulas

O Clube Bilderberg reuniu-se pela primeira vez em 1954, em um hotel com esse mesmo nome localizado na Holanda, numa iniciativa da família real deste país e da dinastia Rockefeller, o império empresarial estadunidense.

Desde então, a cada ano celebram uma cúpula na qual participa seu comitê executivo, além de entre 120 e 150 convidados que costumam estar associados aos grandes poderes financeiros e políticos do planeta: ninguém chega ali por acaso, afirmam especialistas no tema.

No entanto, alertou Estulin em seu livro “Os segredos do Clube Bilderberg”, em mais de 50 anos de reuniões nas quais o poder e o dinheiro se concentraram em um mesmo momento e em um só lugar, jamais se filtrou nenhum tipo de informação sobre o discutido ali.

Segundo o próprio Clube, o secretismo destina-se a garantir total liberdade de expressão para os participantes do conclave, os quais ali devem ser despojados de seus títulos e cargos para falar com toda sinceridade.

A versão de jornalistas e analistas é diferente: os "bildergergs" escondem-se porque só se preocupam por formular estratégias e ações para perpetuar seu poder e controle sobre o planeta.

Neste sentido, especula-se que o Clube segue uma estratégia cuidadosa para "desinformar" com respeito ao sucedido em suas reuniões.

Para isso, um grupo de especialistas elabora materiais falsos, misturados com algumas informações verdadeiras a fim de dar verossimilhança, sempre com uma finalidade de ocultar as intenções reais, asseguram especialistas.

O que se soube a respeito da cúpula que acabou de terminar, a número 61? Quase nada, mal algumas informações filtradas sobre os participantes.

Entre os assistentes mencionou-se o ex-secretário estadunidense de Estado Henry Kissinger; o presidente da Google, Eric Schmidt; a diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde; e o general do Exército dos Estados Unidos e ex-chefe da Agência Central de Inteligência David Petraeus.

Com a visão no futuro

Quando o planeta sofre as consequências do conflito armado do Afeganistão e dos outros que chegaram depois em menos de uma década, Iraque e Síria, o Clube Bilderberg se reuniu a princípios de junho em Londres, no meio dos habituais luxos e segredos.

A imprensa mencionou que iam discutir sobre a instabilidade no mundo de hoje, a crise econômica, os problemas de diversa índole derivados dela... e como tentariam resolver questões tão delicadas? Jogando golfe.

Pois sim, os meios disseram ademais que os participantes no conclave dedicariam a tarde do sábado a jogar golfe e as noites a jantares de luxo.

De qualquer maneira, Estulin afirmou na entrevista com RT que a agenda do encontro era muito diferente da anunciada e um de seus pontos era o desenho de táticas para controlar a Rússia e a China, os alvos seguintes, com vistas ao qual o primeiro passo é o Irã.

Teerã obviamente é uma ponta de lança no tema do Oriente Médio, opinou, é uma potência regional que tem muitíssimo petróleo (...). O seguinte passo será a Rússia e por suposto o Irã é imprescindível para as potências, apontou.

O pesquisador mencionou que outro tema do programa se referiria ao controle mundial mediante as tecnologias.

Se você pode conseguir o controle da tecnologia do futuro, assinalou, pode controlar o mundo inteiro em todas as suas manifestações porque tudo o que nos rodeia é uma tecnologia em estado puro; por isso há empresas como Google, Microsoft e Apple sempre presentes em todas estas reuniões.
Ainda que o polêmico Clube Bilderberg afirme realizar uma cúpula a cada ano com o objetivo de avaliar tendências e questões do momento, jornalistas e pesquisadores asseguram que se trata de encontros para planejar estratégias de domínio planetário.
Não por acaso, agregam, no grupo convergem empresários multimilionários, políticos, magnatas dos meios de comunicação, altos cargos de serviços de inteligência, entre outras figuras.

Durante quase seis décadas, as pessoas mais poderosas do planeta têm assistido à reunião do Clube Bilderberg, e apesar dos empenhos para manter ocultas as discussões, não faltam curiosos que rastreiem os segredos da associação motivados por uma ideia: se suas intenções são inocentes como dizem, por que se esconder tanto?

Bilderberg e as guerras

Aqueles que se esforçaram para observar os mistérios do Clube Bilderberg sustentam que seu empenho por dominar o capital no mundo o levou a se envolver em não poucas guerras acontecidas nos últimos anos. "Recordemos que Bilderberg, o Council on Foreign Relations e o Clube de Roma ganham dinheiro nas grandes guerras e também nas pequenas. Ademais, ganham dinheiro vendendo armas e comida aos dois bandos em conflito", assinalou o jornalista e escritor russo Daniel Estulin.

Com respeito ao atual conflito na Síria, a escritora espanhola Cristina Martín Jiménez sustentou recentemente que os bildergers têm muita responsabilidade.

Eles "têm um grande interesse nessa zona estratégica, e desde antes do início da guerra já estavam implicados no desenho e desenvolvimento da mesma", assegurou.

Algo similar sucedeu com a guerra do Iraque, segundo a especialista, pois depois da contenda, a indústria petroleira e outras foram parar nas mãos de membros do Clube.

"Estão fazendo o mesmo em outras zonas de conflito, como a Síria e o Afeganistão, para recolher todos estes benefícios (...) e não somente para combinar com as suas riquezas, mas para estender seu império", apontou a intelectual.

Capítulo Kosovo

De acordo com as investigações, os membros do grupo estiveram muito envolvidos em conflitos passados como a guerra no Kosovo, na Península dos Balcãs.

Este confronto se gestou, segundo Estulin, com um "plano mestre" concebido em uma reunião realizada pelos bilderbergs em 1996 em King City, um enclave de luxo localizado a 20 quilômetros da cidade canadense de Toronto. A guerra de Kosovo, afirmou, e o conseguinte derrocamento do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, deveu-se a estratégias políticas concebidas em segredo durante aquele encontro com vários motivos concretos: drogas, petróleo, riquezas minerais e o avanço da causa do governo global.

Sara Flounders, uma ativista e jornalista norte-americana, descreveu a situação da ex- Iugoslávia em um de seus artigos: "Durante os anos 1990, enquanto o mercado capitalista invadia os antigos países socialistas da Europa do Leste e da União Soviética, a Iugoslávia socialista tentou resistir à privatização de sua indústria e de seus recursos naturais".

Para acabar com esta resistência, continuou, os países ocidentais jogaram um papel fundamental em sua desintegração.

Sobre a maneira em que as potências instigaram o conflito no país balcânico, testemunhou Mark Kira, um agente da inteligência naval estadunidense, citado em um livro do jornalista britânico Tim Marshall: "No final iniciamos uma enorme operação contra Milosevic, em segredo e à vista de todos. A parte secreta implicava não só estabelecer oficiais dos serviços de espionagem britânicos e americanos nas várias missões de observação enviadas a Kosovo, mas também de forma crucial dar apoio militar, técnico, financeiro, logístico e político ao Exército de Libertação de Kosovo (ELK)".

Uma vez concluída a guerra, explicou Estulin, a onda de capital para o Kosovo não se fez esperar e chegou de diversas formas, incluídas as supostamente caridosas organizações não governamentais.

O economista Michel Chossudovsky manifestou a este respeito que a pretendida reconstrução dos Bálcãs, baseada em capital estrangeiro, suporia contratos multimilionários com multinacionais para refazer as estradas, aeroportos e pontes, necessários para facilitar o livre movimento de capitais e bens.

Sobre as ONGs agregou: enquanto o financista George Soros, um ilustre bilderberg, investia na reconstrução de Kosovo, a George Soros Foundation for an Open Society abriu uma sucursal em Pristina, capital do país, e criou a Kosovo Foundation for an Open Society (KFOS) como parte da rede Soros de Fundações sem intenção de lucro nos Bálcãs.

Desta maneira, "o multimilionário empresário converteu-se no rei sem coroa da Europa Oriental e no profeta de uma sociedade aberta. Aberta a quê?" - perguntou o jornalista britânico Neil Clark.

Capítulo Afeganistão

A guerra do Afeganistão também não parece ter escapado das mãos do Clube Bilderberg, com origens imediatas situadas por Daniel Estulin em 1998, quando um relatório do Comitê de Relações Internacionais da Câmara de Representantes estadunidense assinalou: "A região cáspia contém enormes reservas de gás natural sem exploração, (...) reservas de gás natural de existência demonstrada (...) equivalentes a mais de 30 bilhões de centímetros cúbicos. As reservas de petróleo estimadas calculam-se em 200 bilhões de barris".

Estulin relatou que o próximo passo foi criar um destacamento secreto da Agência Central de Inteligência (CIA) para supervisionar a política da região e calibrar sua riqueza.

Depois de escutar o relatório da CIA, a então secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, concluiu que "trabalhar para moldar o futuro da área é uma das coisas mais apaixonantes que podemos fazer", publicou a revista Time em sua edição de maio de 1998.

Segundo Estulin, a guerra no Afeganistão teve pouco que ver com os atentados de 11 de setembro às Torres Gêmeas de Nova York, e sim muito com questões econômicas e geoestratégicas: "...controlar o petróleo afegão não era simplesmente um negócio, senão um componente chave de uma agenda geoestratégica mais ampla: controle militar e econômico total da Eurásia, incluídos Oriente Médio e as antigas Repúblicas soviéticas da Ásia Central", assegurou. Por sua vez, o jornalista ítalo-estadunidense Frank Viviano resumiu o assunto da seguinte maneira:

"Os ganhos ocultos da guerra contra o terrorismo podem ser resumidos com uma única palavra: petróleo. O mapa dos santuários terroristas e dos objetivos no Oriente Médio e Ásia Central é também, de maneira extraordinária, um mapa das principais fontes de energia do mundo no século XXI".
Prensa Latina
 
(Portal Vermelho)

domingo, 23 de junho de 2013

Mobilizações de rua: O acerto do intelectual espanhol Manuel Castells



O Blog do Jolugue saiu na frente ao lembrar das formulações teóricas do sociólogo catalão, Manuel Castells, sobre a crise de representatividade do modelo de democracia representativa burguesa e a força que redes sociais estavam assumindo nesse contexto. Castells tornou-se uma espécie de guru intelectual do grupo de gira em torno da ex-senadora Marina Silva, que, aliás, ao fundar sua "Rede Sustentabilidade", sabidamente e já orientada pelas leituras de Castells, parecia já antever o desgaste do termo "partido". Logo em seguida surgiram outros blogueiros afirmando que, em função, de sua inserção com as redes sociais desde as últimas eleições, ela é uma das vitoriosas a partir das mobilizações de ruas, convocadas pelo líder: redes sociais, como bem definiu uma revista de circulação nacional. Nesse ponto, já ponho as barbas de molho. Tenho lá minhas dúvidas. Marina, como já afirmamos em outras ocasiões, tem alguns problemas. O geógrafo baiano Nilton Santos tinha bastante reticências a intelectuais vaidosos. Afirmava Nilton que a maior satisfação de um intelectual era saber que as suas teses estavam se confirmando. Neste caso, Castells é o grande vencedor.

Michel Zaidan Filho: Enfim, a oposição.


 


Michel Zaidan

Uma funcionária consular responsavel pelo escritório do governo japonês, às vésperas da viagem da presidente Dilma ao japão, pergunta o que aconteceu com o povo  brasileiro. Pacífico, amável, acolhedor e amante do futebol (até do Japão), o povo se revoltou, foi para as ruas protestar contra o disperdício do dinheiro público, a corrupção, a falta de verbas para a educação, a saude, o transporte público etc. Deve ser uma imensa novidade para os estrangeiros, acostumados com a imagem do brasileiro cordial, bonzinho, apaziguador, interessado apenas em sua cervejinha e um espetinho de gato nas noites da sexta-feira e do fim de semana. Pelo visto este esteriótipo e os  conhecidos clichês sobre a sociedade brasileira terão que dar lugar a imagem do "homo vox" ou do "homo ludens", aquele que vocaliza demandas e tem consciência de direitos republicanos. É um progresso, apesar da mídia querer pauta r os bons e os maus reivindicantes.

De toda maneira, é incontestável a vitória desse movimento de massas. Nada mais, nada menos que a Presidente  da República foi obrigada a suspender sua viagem ao Japão, para responder - ponto por ponto - à pauta de reivindicações do movimento. Reconheceu a justeza das reivindicações. Falou da necessidade de melhorar os serviços públicos no Brasil. Aludiu ao um plano de mobilidade nacional com o objetivo de melhorar o transporte público. Garantiu que 100% dos royalites do Petróleo vão para a educação. E disse que vai contratar 1000 médicos estrangeiros para cuidar da população. E ainda afirmou que o dinheiro gasto com os estádios de futebol foi emprestado e que deve voltar aos cofres públicos.

É de suma importãncia reconhecer o êxito e os logros dessa multidudinária manifestação popular e democrática nas ruas do país. As poucas lideranças desse movimento falaram em "ação direita" e cultura mobilizatória", para deixar bem claro que ninguém os representa nem pode falar por si. Não há representantes institucionais, partidários ou sindicais. Trata-se de um comitê "ad hoc" surgido alí no chão das manifestações, com um mandato imperativo expresso. Nada mais do que isso. Parecem anarquistas: não querem saber dos partidos, da política e dos políticos. Querem a negociação direta com o governo municipal, estadual e federal. Indício de uma grave crise de representação parlamentar no Brasil, enquanto as igrejas pentecostais e neo-pentecostais aumentam seus representantes homofóbicos nos parlamentos e atacam sorrateiramente direitos civis e sociais das minorias.

A Presidenta Dilma falou em reforma política e na necessidade de dialogar com as "vozes da rua". Reconheceu ao seu modo a grave crise de representação. Ela, que vem contemporizando com as bancadas evangélicas. Cutucando o diabo (travestido de anjo) com vara curta. Admitiu também a necessidade de uma urgente mudança de prioridade da administração pública, além do enorme montante destinado a amortizar a dívida pública brasileira. O meio encontrado para financiar a monstruosa máquina da administração pública no Brasil. Disso, ninguém  duvida. Até parece que as prioridades do governo são: pagar os juros da dívida, subsidiar o consumo da chamada "nova classe média", através do endividamente público e transferir renda, através da bolsa família, para a população pobre do país. O resto que fique com a copa e a mini-copa do mundo.

Muitas lições serão (ou não?) tiradas dessa festa cívica e democrática. A principal delas: os jovens se expressam, se organizam e se mobilizam às margens do sistema institucional de representação (através das redes sociais) e não estão contentes ou acomodados. Estão vigilantes e ativos. E vão continuar assim por muito tempo. Viva los estudiantes! como diria Violenta Parra, nos anos 80.

Protestos urbanos: Aliens, zumbis, manifestantes e vândalos

PROTESTOS URBANOS

Aliens, zumbis, manifestantes e vândalos

  
Se discos voadores tivessem aterrissado nas cidades brasileiras, despejando centenas de milhares de ETs que ficassem marchando, correndo ou simplesmente vagando sem rumo pelas avenidas, o espanto dos governantes não seria maior. O staff da Presidência da República, além de ministros, governadores e prefeitos, todos sucumbiram à perplexidade, um tanto atarantados. Alguns admitem: seria pretensão dizer que entendem os protestos urbanos desta semana. As cenas os estarrecem. A imagem que estampou o alto das primeiras páginas na terça-feira (18/6), mostrando uma multidão erguendo os braços no teto do Congresso Nacional, lembrava um fotograma de Resident Evil, em que zumbis tomam a cidade de assalto. E, se aqueles sujeitos ali em cima do Congresso fossem de fato zumbis, as autoridades talvez estivessem menos intranquilas.
Muito ainda será dito sobre a natureza das novas passeatas. Agora, os preços das tarifas serão reduzidos – os aumentos serão revogados, melhor dizendo, ao menos temporariamente – e a administração pública tentará ganhar tempo e abrir negociações com o interlocutor desconhecido. Mais uns dias e as ruas deverão sossegar um pouco. Só depois é que a política assimilará aos poucos o sentido do que se passa.
Entre as muitas explicações que virão, há uma que decorre dos estudos da comunicação. Num país em que todo acadêmico é obrigado a ler um pouco de Jürgen Habermas, chega a ser surpreendente como essa via teórica tenha demorado tanto a se insinuar nos debates que já estão em curso. Pelo que temos lido até aqui, é mais comum que os analistas procurem relacionar os protestos aos domínios da chamada esfera pública. Ganhariam mais se procurassem esses nexos em outros domínios.
Academicamente falando...
Antes de tudo, trato de explicar aqui a referência que fiz ao filósofo alemão. De início, lembremos que a esfera pública se organiza em torno de arenas comuns (virtuais ou “presenciais”) que, por sua vez, convergem para as instituições jurídicas (representativas, administrativas etc.), conformando o aparelho de Estado.
Bem sabemos que o Estado não se confunde com a esfera pública; para usarmos aqui uma imagem mecânica, bem ao gosto da sociologia jurídica, o Estado se “acopla” a ela, de modo indissociável. Habermas, contudo, não se limita à categoria da esfera pública. Para animá-la, para dar-lhe vitalidade, “alma”, lança mão de outros domínios, outro “lugar” – que também não se confunde com a esfera pública, mas nela deságua ou, se preferirem, para ela ascende. Trata-se do chamado “mundo da vida”. Aí é que se dão as vivências, ou os modos de viver, aí fincam raízes os saberes práticos, o não-dito. No mundo da vida as pessoas vivem – na esfera pública elas agem politicamente.
Tendo pago o nosso pedágio a Jürgen Habermas – não importa se ele está certo ou errado sobre isso ou aquilo, tanto faz – sigamos adiante. A perspectiva do que escrevo aqui não é habermasiana e nem será. Apenas anoto uma vez mais: incrível como os teóricos da esfera pública (e temos vários deles no Brasil) nunca se lembrem do mundo da vida. Nisso, eles se parecem com os políticos, que nunca têm olhos para a sociedade, apenas para a “sociedade civil organizada”.
Sem sindicatos, sem partidos, sem ONGs
Com a era digital, as redes interconectadas deram muito mais densidade, mais alcance e mais energia para os domínios do mundo da vida. Com o advento das redes, o mundo da vida ganhou uma quantidade imensamente maior – agora numa metáfora orgânica – de vasos a oxigenar-lhe as células e a fortalecer-lhe o tecido. O que a internet mudou – e mudou drasticamente – foi exatamente esse “lugar” denominado mundo da vida. Por desdobramento, alterou também a esfera pública.
Os personagens que hoje afloram pelas ruas e calçadas como se fossem zumbis ou aliens não brotam da política. Eles são inteiramente estranhos à política, tanto que estarrecem os políticos. Eles saem do mundo da vida e despencaram diretamente nas passeatas, quer dizer, eles são os protagonistas das passeatas, que costumavam ser o suprassumo moderno da ação política direta das massas, mas não fazem escala (nem escola) no aprendizado de agremiações sindicais, partidárias ou mesmo de ONGs. Entraram em cena aberta, cena política, sem mais mediações ou intermediações, e isso só foi possível graças aos novos vasos comunicantes das tecnologias digitais.
Aí é que entra a comunicação. Essas passeatas resultam de novas formas de comunicação, não hierarquizadas – ou, ao menos, nem tão hierarquizadas como nos meios convencionais. Daí, o que se manifesta agora é a sociedade, vamos dizer, profunda.
Desta vez, a sociedade profunda não entra na mobilização como gado. Ela não ocupa as ruas por ter sido “convocada” por seus líderes. Exatamente por isso, os protestos não têm palanques, não têm hierarquias, não têm sequer comandos estruturados. Se você pedir, ali no meio dos manifestantes, “leve-me ao seu líder”, não terá respostas seguras. Os líderes lideram apenas o chamamento, o processo performático, mas não são os formuladores, os ideólogos ou mesmo portadores ou sintetizadores das causas. Não por acaso, os manifestantes repelem as instituições partidárias.
Elogios de quem odeia
O que está nas ruas não é uma mensagem pronta, não é sequer uma demanda ou uma reivindicação. O que está nas ruas é uma comunicação em processo, é uma comunicação em marcha – a marcha de uma comunicação em curso – em que os agentes, já bastante irritados com os poderes da República, vão xingar as autoridades, por assim dizer, “presencialmente”.
Nessa perspectiva, as semelhanças entre as marchas de protestos do Brasil e a primavera árabe, as jornadas turcas (de agora), o Ocuppy Wall Street ou “los indignados” na Espanha são apenas totais. Os personagens que agora entram em cena são um bicho diferente. Se for o caso, podem até derrubar os de cima.
Sim, definitivamente: as autoridades estão preocupadíssimas. Os caudalosos elogios que elas derramaram aos manifestantes é a prova cabal do temor que as paralisa. Quando elogiam, elas mentem. E não há nada mais que possam fazer. Elas terão de elogiar, pontuando críticas seletivas às minorias de vândalos, e terão de negociar. No fundo, porém, estão odiando tudo isso. Odiando.
Odeiam mais ainda porque as pessoas que estão nas ruas não querem tomar-lhes o lugar; querem, isto sim, enquadrá-las. Odeiam porque estão sendo humilhadas pelas massas super-heterogêneas da era digital. A imensa maioria dos manifestantes não se apresenta aos governantes como seus rivais, como seus opositores. Não se apresentam sequer como seus concorrentes. Aliás, as passeatas não querem tomar o poder – elas querem apenas tomar posse da cidadania. As pessoas ali são candidatas a cidadãs.
Desta vez, as manifestações públicas estão passando um pito nos administradores públicos, assim como o patrão que aparece de surpresa na fábrica. As passeatas desta semana, por mais que alguns não gostem da analogia, vêm lembrar que os políticos têm um chefe e esse chefe é o povo. O povo veio enquadrar os governantes. Esse povo interconectado dizia que pode parar a cidade – e acaba de provar que pode mesmo.
Isso tudo sem falar no vandalismo policial
Claro que tudo ainda vai se esvaziar. Claro que os manifestantes vão cansar. Claro que vão minguar, deixando sobrar minorias mais esquisitas ainda, umas retardatárias de fanatismos ideológicos, outras constituídas de falanges malignas de agentes provocadores. Até lá, no entanto, vai ficando essa lição. Novas formas de comunicação deram mais vigor político ao mundo da vida – aquilo que não era exatamente político até aqui – e isso vai mudar o jogo do poder. Todo mundo vai sair desse episódio pior do que entrou. A polícia, principalmente. A polícia errou quando agiu e errou quando se omitiu. Um desastre no meio do desastre. Os governantes também saem mal, tendo que correr atrás dos fatos, como crianças num campo de futebol correndo atrás da bola.
Por fim, nada disso significa que este articulista tenha exatamente entendido o que se passa. Há e haverá muito mais a ser dito e a ser processado. Apenas lancei, aqui, uma hipótese. Outras virão. Até mesmo de mim, outra vez, quando for a hora de dizer de que modo os meios de comunicação jornalísticos mais convencionais – eletrônicos ou não – deram um impulso incomensurável aos protestos pelo simples fato de terem decidido que eles mereciam cobertura.
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Eugênio Bucci é jornalista, professor da ECA-USP e da ESPM

Entre democracia e fascismo

O movimento de caráter semi-insurrecional que vemos no país de hoje exige uma reflexão cuidadosa.


Começou como uma luta justíssima pela redução de tarifas de ônibus.
Auxiliada pela postura irredutível das autoridades e pela brutalidade policial, esta mobilização transformou-se numa luta nacional pela democracia.
 
Se a redução da tarifa foi vitoriosa, a defesa dos direitos democráticos também deu resultado na medida em que o Estado deixou de empregar a violência como método preferencial para impor suas políticas.
 
Mas hoje a mobilização assumiu outra fisionomia.
 
Seu traços anti-democráticos acentuados. Até o MPL, entidade que havia organizado o movimento em sua primeira fase, decidiu retirar-se das mobilizações.
 
Os manifestantes combatem os partidos políticos, que são a forma mais democrática de participação no Estado.
 
Seu argumento é típico do fascismo: “povo unido não precisa de partido.”
 
Claro que precisa. Não há saída na sociedade moderna. Às vezes, uma pessoa escolhe entrar num partido. Outras vezes, é massa de manobra e nem sabe.  
 
A criação de partidos políticos é a forma democrática de uma sociedade debater e negociar interesses diferentes, que não nascem na política, como se tenta acreditar, mas da própria vida social, das classes sociais.
 
Em São Paulo, em Brasília, os protestos exibiram faixa com caráter golpista. 
 
“Chega de políticos incompetentes!!! Intervenção Militar Já!!!”
 
No mesmo movimento, militantes de esquerda, com bandeiras de esquerda, foram forçados a deixar uma passeata na porrada. Uma bandeira do movimento negro foi rasgada.
 
A baderna cumpre um papel essencial na conjuntura atual. Reforça a sensação de desordem, cria o ambiente favorável a medidas de força – tão convenientes  para quem tem precisa desgastar de qualquer maneira um bloco político que ocupa o Planalto após três eleições consecutivas.  
 
A baderna é uma provocação que procura emparedar o governo Dilma criando uma situação sem saída.
 
Se reprime, é autoritária. Se cruza os braços, é omissa.
 
Outro efeito é embaralhar a situação política do país, confundir quem fala pela maioria e quem apenas pretende representá-la.
 
É bom recordar que a maioria escolhe seu governo pelo voto, o critério mais democrático que existe.
 
Nenhum brasileiro chegou perto do paraíso e todos nós temos reivindicações legítimas que precisam de uma resposta.
 
Também sabemos das mazelas de um sistema político criado para defender a ordem vigente – e que, com muita dificuldade, através de brechas sempre estreitas, criou benefícios para a maioria.
 
Olhando para a maioria dos brasileiros, aqueles que foram excluídos da história ao longo de séculos, cabe perguntar, porém: os políticos atuais são incompetentes para quem, mascarados?
 
Para a empregada doméstica, que emancipou-se das últimas heranças da escravidão?
 
Para 40 milhões que recebem o bolsa-família?
 
Para os milhões de jovens pobres que nunca puderam entrar numa faculdade? Para os negros? Quem vive do mínimo?
 
Ou para quem vai ao mercado de trabalho e encontra um índice de desemprego invejado no resto do mundo?
 
Mascarados que arrebentam vidraças, incendeiam ônibus e invadem edifícios trabalham contra a ordem democrática, onde os partidos são legítimos, as pessoas têm direitos iguais  – e  o poder, que emana do povo, não se resolve na arruaça, pelo sangue, mas pelo voto.
 
É óbvio que a baderna, em sua fase atual, não quer objetivos claros nem reivindicações específicas. Não quer negociações, não quer o funcionamento da democracia. Quer travá-la.  
 
Enquanto não avançar pela violência direta, fará o possível para criar pedidos difusos, que não sejam possíveis de avaliar nem responder.
 
O objetivo é manter a raiva, a febre, a multidão eletrizada.
 
É delírio enxergar o que está acontecendo no país como um conflito entre direita e esquerda. É uma luta muito maior, como aprenderam todas as pessoas que vivenciaram e estudaram as trevas de uma ditadura.
 
A questão colocada é a defesa da democracia, este regime insubstituível para a criação do bem-estar social e do progresso econômico.
 
O conflito é este: democracia ou fascismo. Não há alternativa no horizonte.
 
Quem não perceber isso está condenado a travar a luta errada, com métodos errados e chegar a um desfecho errado. 
 
(Paulo Moreira, editor de IstoÉ)

No, I'm not going to the world cup.

Post exclusive para quem gosta de teorias de conspiração, Luiz Carlos Azenha


publicado em 22 de junho de 2013 às 22:59

Gráfico desenvolvido por Sergio Amadeu demonstra que os perfis ligados ao Anonymous Brasil e AnonymousBR foram os mais importantes para a disseminação de conteúdo relacionado às manifestações do Movimento Passe Livre no dia 17 de junho de 2013

Por Luiz Carlos Azenha, respondendo ao que me perguntaram aqui e ali e testando hipóteses

REVOLTA ANTICAPITALISTA?
Se fosse, os manifestantes teriam se dirigido à fábrica da Volks em São Bernardo, para cercá-la. É o símbolo do capitalismo industrial no Brasil e de onde saem os automóveis que entopem as ruas das metrópoles e inviabilizam o transporte público. Provavelmente os manifestantes teriam de enfrentar os trabalhadores da Volks, que não querem perder os próprios empregos.
Se fosse uma revolta anticapitalista, os manifestantes teriam cercado a sede do Itaú, que tem lucros bilionários graças aos juros e taxas escorchantes. Provavelmente seriam rechaçados pelos bancários, que não querem perder os próprios empregos. Uma coisa eu garanto: se a revolta se tornar anticapitalista, some do Jornal Nacional.
REVOLTA DA CLASSE MÉDIA?
O comando é da classe média urbana que tem bom acesso à internet nas regiões metropolitanas. Frações da classe trabalhadora remediada, aquela que ascendeu  ao longo do governo Lula, aderiram.
O lúmpen vai no bolo. Quando ele se manifesta politicamente através do saque, é reprimido.
Parar uma rodovia estratégica, causando milhões de reais em prejuízo para o público em geral, é aceitável; invadir uma loja de automóveis e “espancar” os veículos, causando um prejuízo de alguns milhares de reais, é um horror! O que guia esta rebelião juvenil são valores da classe média e seus interesses de classe — pelo menos é o que nos quer fazer crer a mídia.
CONTRA O ESTADO?
Os ataques se concentram em prédios públicos ou obras públicas consideradas desnecessárias pelos manifestantes, como os estádios da Copa. O ex-presidente Lula, em seus dois mandatos, trouxe o debate ideológico para dentro do governo, resolvido em conchavos de bastidores a portas fechadas.
Os manifestantes agora batem na porta, de forma espontânea e desarticulada. Só acredito tratar-se de um movimento progressista quando surgir algum cartaz pedindo a taxação da fortuna da família Marinho para financiar o transporte público gratuito;  quando os manifestantes se dirigirem às garagens das grandes empresas de ônibus que financiam campanhas políticas e tem lucros extraordinários para protestar; quando incluirem na pauta do debate sobre corrupção a Privataria Tucana, corruptores, empreiteiras e o jabá que a Globo paga às agências para manter o monopólio das verbas publicitárias. Por enquanto, só se debate a corrupção pública, nunca a corrupção privada.
NOSSO GUIA?
Um estudo de Sergio Amadeu demonstrou que vários perfis dos Anonymous são os mais influentes na disseminação das mensagens dos manifestantes que se organizam em redes sociais. Quem faz a cabeça dos Anonymous? A cabeça dos Anonymous é feita no Brasil ou fora do Brasil?
P2 E INFILTRADORES?
Houve várias denúncias de que infiltradores e provocadores agem em manifestações. Um grande número de despolitizados nas ruas, sem lideranças conhecidas e organizados de forma horizontal ficam sujeitos a todo o tipo de manipulação. São alvo fácil para todo tipo de agenda. Desde a dos militares que se revoltam contra a Comissão da Verdade a outros agentes interessados em criar algum tipo de instabilidade institucional.
CONJUNTURA INTERNACIONAL INDICA CONSPIRAÇÃO?
O Brasil é o pilar central de sustentação de um projeto alternativo à hegemonia completa dos Estados Unidos na América do Sul. Não fosse Lula e Dilma, o risco de uma derrota de Nicolás Maduro em recentes eleições na Venezuela teria sido muito maior. O apoio do Brasil é essencial ao Mercosul, à Unasul e a outras iniciativas de caráter regional.
Desde a ascensão de Hugo Chávez os Estados Unidos desenvolvem planos abertos — via sociedade civil — e secretos para instalar um governo que garanta acesso às maiores reservas de petróleo do mundo em condições mais vantajosas para Washington. Pelo seu tamanho, as reservas da Venezuela são o fiel da balança na determinação dos preços internacionais do petróleo. Em menor escala, o mesmo podemos dizer sobre o pré-sal. Portanto, não devemos descartar 100% a possibilidade de ação subterrânea, especialmente através das redes sociais, onde muita gente atua atrás da cortina do anonimato. O ciberespaço é hoje território de guerra. Mas, repito, não há qualquer indício, nem prova de que isso de fato esteja acontecendo.
BOICOTE TARDIO À COPA?
Sei lá, mas o vídeo bombou.
REVOLUÇÃO COLORIDA?
Duvido. Ou, pelo menos, não existe qualquer prova disso. O dado concreto é de que temos um tremendo descontentamento dos jovens com as instituições brasileiras — e este é o motor principal. Porém, como se perguntou Gilberto Maringoni durante ato da Paulista: como explicar a revolta num país com alta taxa de emprego e com crescimento econômico razoável?
As revoluções coloridas, como se sabe, foram promovidas através de investimento direto ou indireto de ONGs dos Estados Unidos, algumas delas com financiamento público, como o National Endowment for Democracy (NED), que desenvolve programas de “promoção de democracia” em várias partes do mundo; ou a Open Society, do especulador George Soros. Há vários livros ou artigos, como este, descrevendo a atuação mundial destas organizações. Elas foram bem sucedidas em diversas rebeliões que derrubaram governos na Europa Oriental, com a mobilização de jovens através das mídias sociais.
As campanhas obedeciam técnicas inovadoras de marketing, símbolos e palavras de ordem de fácil entendimento. Também há relatos sobre a atuação destes grupos antes ou durante a Primavera Árabe. Argumenta-se que o objetivo dos Estados Unidos é promover governos mais dóceis ou causar instabilidade interna que deixe os governos mais vulneráveis a seus interesses. Na Líbia, a derrubada do ditador pela via militar teria tido o objetivo não de “promover a democracia”, mas de obter melhores condições na exploração do petróleo e eliminar um governo que sustentava o projeto político da África para os africanos, muito parecido com o papel que o Brasil desempenha na América do Sul.
A jornalista canadense Eva Golinger escreveu um livro, chamado USAID, NED e CIA, Uma Agressão Permanente, sobre a atuação destes organismos dos Estados Unidos na Bolívia, Cuba, Honduras e Venezuela (clique no link para baixar o livro em PDF). A possibilidade de um golpe institucional foi aventada por leitores depois que a embaixadora dos Estados Unidos no Paraguai, Liliana Ayalde, foi indicada para ocupar o cargo no Brasil. Ela teve uma longa trajetória na USAID, a agência de desenvolvimento internacional de Washington e estava em Assunção quando o presidente Fernando Lugo foi derrubado.
ATAQUES COMBINADOS?
Muito embora não exista uma coordenação nacional organizada, chama a atenção o fato de que ações parecidas tenham acontecido em lugares distintos, como a repressão a ativistas de esquerda ou de movimentos sociais que portavam seus símbolos. O mesmo se pode dizer dos ataques a viaturas da mídia, uma para cada emissora: Record, SBT e Bandeirantes. Isso é garantia de que a mídia não fará uma cobertura negativa dos acontecimentos? Não sei.
INFILTRADOS NA ESQUERDA? 
Nem um fio de indício ou prova desta teoria conspiratória. Ela é sustentada aparentemente pelos leitores do livro Quem Pagou a Conta? A CIA na Guerra Fria da Cultura. Este e outros livros demonstram que, ao longo da guerra fria, a agência de espionagem dos Estados Unidos financiou direta ou indiretamente muitas pessoas ou organizações tidas como “de esquerda”.
AÇÃO CLANDESTINA NACIONAL?
Aí, sim. Improvável, mas possível. Hoje, pela segunda vez, a Globo mostrou em jogo da seleção brasileira a marca #ogiganteacordou em cartaz. A primeira foi no jogo Brasil vs. México. Agora, reaparece na partida Brasil vs. Itália. Onde anda aquele guru indiano do José Serra?
COINCIDÊNCIA?
Houve uma campanha midiática contra Lula no ano que antecedeu sua reeleição, em 2005. As denúncias foram formuladas no laboratório de Carlinhos Cachoeira e propagadas pela revista Veja. Dilma Rousseff vive o ano que antecede aquele em que poderá ser reeleita sob várias crises: apagão elétrico que nunca se materializou, hiperinflação do tomate de 5% ao ano e agora rebelião juvenil organizada através das redes sociais. Coincidência? Mas o cavalo-de-pau dado pela mídia na cobertura da rebelião juvenil reforça a tese do oportunismo, não de uma ação pré-organizada.