pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: O "timing" do tarifaço de Trump
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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Editorial: O "timing" do tarifaço de Trump


As tarifas impostas pelo Governo dos Estados Unidos a alguns produtos de exportação brasileiros, em qualquer circunstância, são extremamente danosas aos nossos interesses. Acabo de ler uma informação de que assessores da pré-candidatura do senhor Flávio Bolsonaro consideram que tais tarifas deveriam ter sido anunciadas um pouco depois e não de imediato, como se isso fosse fazer alguma diferença, exceto, talvez, em relação às pretensões presidenciais do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. É assim que uma situação sensivelmente delicada está sendo tratada, ou seja, como um trunfo eleitoral de A ou B. Os bolsonaristas que nos perdoem, mas a candidatura do senhor Flávio Bolsonaro talvez não sobreviva às intempéries. Não se trata apenas do tarifaço( ou tariflávio, conforme os petistas), mas em função de uma tempestade perfeita que ronda o pré-candidato. 

E, segundo dizem, vem novos raios por aí. Alguns analistas observam que o Governo Lula pode ter sido leniente nessas negociações diplomáticas em torno do assunto. O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem sido contundente no seu enfrentamento às medidas adotadas pelo Governo dos Estados Unidos. Está no seu papel. Não abandonou o seu embaixador em Washington, como ocorreu naquele caso da França, onde o embaixador Carlos Alves de Souza Filho, que defendia nossos interesses em relação à pesca da lagosta no país se sentiu abandonado pelo Governo, cunhando a expressão de que o Brasil não era um país que não se poderia levar muito a sério. 

O caminho, no entanto, seria o diálogo, mas, mesmo assim, talvez Trump não esteja muito afim de ceder. Matreiramente já deixou de fora os produtos de exportação que pudessem inflar os índices inflacionários no território americano. Lei da reciprocidade já se sabe como é. Retaliações sem fim de lado a lado. Recorrer aos organismos internacionais de regulação já não produzem os mesmos resultados de outrora, em função da fragilidade desses organismos na geopolítica atual. O Governo Lula informa que já tem um plano para socorrer os setores atingidos. Resta saber com que lastro diante de nossa combalida economia. 

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