Já existem várias "cidades fantasmas" no estado do Ceará, ou seja, comunidades que abandonaram suas residências por determinação explícita ou guerra entre facções do crime organizado. O caso mais emblemático é o do distrito de Uiraponga, na cidade de Morada Nova, que o Governo do Estado disse ter retomado, mas, logo em seguida, a oposição apresentou um vídeo mostrando o contrário, ou seja, o distrito continua com suas casas vazias, praças e ruas desertas, como é possível observar nas imagens acima. Nessa questão de segurança pública, alguns fatos devem acender os alertas das autoridades constituídas acerca do que está ocorrendo. A Paraíba, infelizmente, entrou no radar do "avanço" do crime organizado, protagonizando situações de tentativa de ocupação de territórios, conflitos entre facções rivais, chacinas, inserção de facções no aparelho de Estado, como foi o caso recente da cidade de Cabedelo.
Se, num determinado momento, os índices de MVI ou CVLI caem, mas, no momento seguinte a polícia descobre que as facções já determinaram que numa determinada comunidade a população só podem usar os serviços de internet mantidos por eles, isso significa que o crime organizado avançou mais uma casa e é questão de tempo para as taxas de MVI ou CVLI voltarem a subir. Ontem líamos uma matéria onde o articulista provava que, se o CV tomar a favela de Rio das Pedras forma-se o complexo de Jacarepaguá e a situação fica sensivelmente preocupante, tornando-se quase impossível a retomada de território naquela área pelo aparelho de Estado. Esta reflexão vem no bojo do que está ocorrendo no estado da Paraíba, que ganhou as páginas policiais nacionais depois do ocorrido no Distrito Mecânico, mais precisamente na Comunidade do Renascer, em João Pessoa.
Rapidamente se perde o controle da situação. Tome-se, por exemplo o caso da cidade de Bayeux, na Grande João Pessoa. É praticamente impossível o cidadão observar a crônica policial e não encontrar o registro de alguma situação de grave violência naquela cidade, todos os dias. Um grande contingente da Polícia Militar da Paraíba foi acionado recentemente para conter a onda de violência que tomou conta do Distrito Mecânico, onde uma facção realizou sequestro de pessoas, segundo dizem, com o propósito de execução. Cenas de guerra, típicas do que já ocorre em regiões conflagradas, a exemplo do Rio de Janeiro, com 16 homens encapuzados, portando armas de grosso calibre. Felizmente a Polícia Militar chegou em tempo hábil e impediu o intento dos criminosos.
Vários batalhões da Polícia Militar do Estado da Paraíba participaram da operação. Não sabemos se, nesse primeiro momento, a ação policial contou com a participação da Polícia Civil, mas, se contou, fica o registro. Está de parabéns as polícias do Estado da Paraíba, principalmente pelo entendimento de que o aparelho de Estado não pode perder o controle da situação, mantendo sua presença no local de forma ostensiva. Pelos informes obtidos, o próprio Comandante da Polícia Militar do Estado participa diretamente das operações no local, principalmente nessa segunda fase, onde é preciso assegurar a presença institucional da corporação, tranquilizando a população que se sente refém do crime organizado.

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