pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Editorial: O PT que já aderiu a João Azevedo.


Recentemente, estivemos no Museu de História da Paraíba, que fica localizado no antigo Palácio da Redenção, antiga sede do Governo do Estado. Foi bastante interessante observar as "alcovas" dos mandatários do estado vizinho, mas este não é o momento para tratarmos deste assunto. Fica para uma outra oportunidade. O fato mais comentado na crônica política do Estado da Paraíba no dia de hoje, 21, é uma espécie de antecipação de apoio de petistas ao projeto político do governador João Azevedo, que inclui sua candidatura ao Senado Federal, e a de Lucas Ribeiro ao Governo do Estado. Luciano Cartaxo já se antecipou que apoiará o projeto de João Azevedo, reclamando que o PT está demorando demais a tomar uma decisão. 

O mesmo ocorreu com o deputado estadual Luiz Couto, histórico militante da legenda, que declarou seu apoio ao atual governador, que o recebeu muito bem, argumentando que o PT caminha junto ao PSB há sete anos. A deputada estadual Cida Ramos, que dirige o PT no estado, reclamou da postura dos apressadinhos, informando que não há nada decidido a este respeito. Aliás, o PT nunca esteve tão indeciso como agora, uma vez que há uma articulação "pesada", com ramificações em Brasília, encetada por atores estratégicos, que deseja que o PT caminhe ao lado do prefeito Cícero Lucena. Em tese, João tem razão quando argumenta que talvez houvesse um caminho natural no apoio da legenda aos socialistas, mas em política tudo é possível. 

A direção do PT tem dialogado com ambos os candidatos, recebendo-os em sua sede ou participando dos eventos de lançamentos das pré-candidaturas. Cícero já chegou a propor que o PT possa indicar um candidato ao Senado Federal na composição da chapa. Oficialmente, nenhuma decisão tomada até o momento. Essas antecipações não alteram em nada os movimentos do tabuleiro oficial petista. O PT pode até tomar uma decisão oficial em apoio ao nome de Cícero Lucena e entender como natural que seus membros vinculem-se a outra candidatura. Isso, no passado, poderia significar uma expulsão sumária da legenda. Hoje, tenho cá minhas dúvidas. 

Editorial: Tarcísio e Bolsonaro. O grande encontro.


Há uma grande expectativa em torno do encontro entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra cumprindo pena na Papudinha. Ao que se sabe a iniciativa partiu do governador. De olho no lance, como diria Sílvio Luiz, para não perdermos nenhum movimento importante neste tabuleiro político. Especula-se, por exemplo, que seria o momento de Tarcísio de Freitas sepultar, em definitivo, suas pretensões ao Palácio do Planalto, em 2026. Outros observadores acreditam que não. Tarcísio tem uma reeleição assegurada em São Paulo. É imprudente largar o certo pelo duvidoso, principalmente depois do processo turbulento em que está se tornando esta definição de uma candidatura de centro-direita. 

Apesar dos apoios recebidos, Flávio Bolsonaro ainda não convence alguns setores conservadores acerca de sua viabilidade eleitoral. Dizem que o Planalto até torce pela consolidação de sua candidatura. Ele, que precisava acenar para uma linha menos radical, à medida em que o tempo passa, tem se tornando um bolsonarista renhido, alimentado a intermitente polarização política que pode favorecer o PT. Aliás, alguns observadores mais entusiasmados estão dando como certa a reeleição de Lula. O morubixaba petista teria um quarto mandato pela frente. Bolsonaro teria algo mais premente com que se preocupar neste momento, como o seu estado de saúde, que não é nada bom. Sua defesa tenta uma prisão domiciliar, mas as coisas estão difíceis junto ao STF. Gilmar Mendes negou o pedido.

Bolsonaro vai pedir a Tarcísio o apoio do governador ao projeto de Flávio Bolsonaro? Tarcísio diria a ele que ainda alimenta alguma expectativa de uma candidatura presidencial? Especula-se que o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, poderia compor a chapa de Flávio como candidato a vice-presidente. Caso isso se confirme, os dois nomes mais competitivos do campo conservador em disputa ao Senado pelo estado de São Paulo estão fora do páreo. Sabe-se que se Tarcísio de Freitas optar pelo projeto de reeleição muda toda a configuração de disputa política naquela praça. Se ele não for candidato, até Fernando Haddad se sente habilitado a entrar no páreo. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Editorial: Camilo Santana poderá ser o sucessor de Lula.



Há alguns dias atrás líamos uma matéria sobre as especulações em torno de um eventual sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso, claro, apenas em 2030, uma vez que o morubixaba petista dá todos os indicadores de que será candidato a mais um mandato em 2026. Se eleito, cumprirá o seu quarto mandato, algo inédito em nossa história republicana. Pairam sempre muitas controvérsias em torno deste assunto, uma vez que o próprio Lula nunca se preocupou em preparar alguém como seu sucessor. O mais próximo disso atende pelo nome de Fernando Haddad, que passa por um verdadeiro purgatório no Ministério da Fazenda, diluindo sensivelmente suas chances de se posicionar como herdeiro político do petista. 

Mesmo assim, ao que se sabe, deverá deixar a pasta da Fazenda para ajudar no projeto de reeleição de Lula. Uma candidatura é pouco provável. O mais previsível é que ele se torne uma espécie de coordenador de campanha. Camilo Santana, por outro lado, está com a bola cheia, pois guarda alguns trunfos importantes, como a vitória de Elmano de Freitas, nas eleições de 2026, único caso no Brasil onde o candidato ao Senado Federal conseguiu eleger o governador de Estado. A situação do Ceará, como se sabe, principalmente no quesito segurança pública, não é nada boa. Em 2026 teremos uma prova de fogo, quando se sabe que Elmano deverá candidatar-se a reeleição, enfrentando uma frente de centro-direita encabeçada por ninguém menos que o veterano Ciro Gomes. 

Se o PT conseguir sair vitorioso daquelas eleições, com o apoio inestimável de Camilo Santana, aí sim ele se credencia de vez como sucessor de Lula, desbancando figuras históricas ligadas ao petismo, a exemplo de Rui Costa. Como se trata de um projeto ainda para 2030, torna-se prematuro se fazer alguma previsão. Até lá, muita água vai rolar. Imaginem os senhores os petardos de "fogo amigo" que serão dirigidos ao aspirante de sucessor ate 2030. Se caboclo não tiver uma couraça fortalecida, acaba se queimando. Esse prestígio de Camilo no Planalto decorre, em parte, do Programa Pé de Meia, apresentado então como um grande trunfo do Palácio do Planalto, assim como foi o Bolsa Família em épocas passadas. Hoje, porém, sugere-se que o Governo Lula 3 prepara outros temas para os debates das eleições presidenciais de 2026. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Editorial: Protestos antigovernamentais se espalham no Irã.



Nem o filósofo Michel Foucault conseguiu prever até onde iria os perigos de um estado teocrático no Irã. No início da Revolução Islâmica ele escreveu alguns artigos em jornal italiano enaltecendo o processo revolucionário naquele país, principalmente em relação à derrubada da monarquia representada pelo Xá Reza Pahlavi, apoiada pelo Ocidente. Seus críticos aproveitaram esses artigos para criticarem duramente o filósofo, embora cometendo o gravíssimo equívoco de associá-lo aos rumos que a Revolução Islâmica tomou no país, fomentando um estado teocrático autoritário, caracterizado por tolher a liberdade dos indivíduos, principalmente as mulheres. Nos últimos dias, o Irã tem enfrentado grandes protestos de rua, que começou em razão das dificuldades econômicas da população, mas que hoje se estendem contra os líderes da Revolução Islâmica, em alguns casos, pedindo a volta da monarquia. 

São os ciclos da História, por vezes adulterados com propósitos escusos, como no caso dos críticos de Michel Foucault, quando se sabe que ele nunca se identificou com os rumos autoritários do regime islâmico. Se ele errou, errou na previsão acerca dos rumos tomados pela Revolução Islâmica. Os Estados Unidos, que já atacaram o país até recentemente, em manobra conjunta com Israel, alertam que tomarão medidas se os protestos forem reprimidos pelo Governo do país, que já alertou que, se isso ocorrer, atacarão alvos de interesse dos Estados Unidos na região. Isso é bastante complicado, principalmente quando se entende que os Estados Unidos estão com o dedo no gatilho. Em tais circunstâncias, convém não provocar. 

Dedo no gatilho e ameaças veladas, como vem advertindo o presidente Donald Trump, que reafirma que os "ajustes" não se encerram com a tomada do poder na Venezuela. Consoante sua política exterior, evidentemente há outros problemas globais e regionais que, neste momento, podem ser "resolvidos" pela diplomacia da força, conforme matéria da revista Veja desta semana. Uma questão que deve deixar o Planalto de orelha em pé é a agilidade com que a Venezuela libertou seus presos políticos, fato bastante comemorado pelo Governo dos Estados Unidos. Aliás, foi o Tio Sam quem determinou, chamando a atenção sobre o caleidoscópio americano sobre as arranjos no continente latino-americano. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Editorial: Os bastidores da queda de Maduro na Venezuela.


Aos poucos, estão chegando ao conhecimento de um público maior os bastidores que culminaram com a deposição do presidente Nicolás Maduro, na Venezuela. Hoje se sabe, por exemplo, que antes foi sugerido à família Maduro um exílio no exterior e um acordo para que ele se afastasse do poder e permitisse que os Estados Unidos administrassem a cadeia produtiva do petróleo no país. Maduro teria pedido mais três anos, tempo demasiadamente longo para os interesses americanos na região. Esses acordos teriam sido discutidos com representantes do Governo dos Estados, das petroleiras americanas e representantes do governo da Venezuela. Não se chegou a consenso na mesa de negociações e a solução encontrada foi apeá-lo à força da presidência. 

Isso talvez explique os atenuantes das acusações que hoje são imputadas ao ex-presidente venezuelano. Ele já não é mais o capo do Cartel de Los Soles. Interessante observa, por outro lado, as regras ditadas pelo Tio Sam no que concerne à condução da economia e a da política no país latin0-americano. Cada uma mais pesada do que a outra e a presidente Delcy Rodriguez, sem  alternativa, trocando nomes da gestão para se adequar melhor às normativas impostas. Delcy Rodrigues poderá ter um momento de paz relativa, uma vez que o Governo Trump também emitiu recados aos aventureiros de plantão. Quem tentar alguma coisa contra ela poderá receber a visita da Força Delta. Sabe-se que todo o núcleo duro do chavismo continua no poder na Venezuela.

Quem deve estar bastante decepcionada com este arranjo é Maria Corina Machado, que chegou a acreditar que o problema na Venezuela era o chavismo. O que sempre estiveram em jogo foram os interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos na região. No dia de ontem, 07, até petroleiros com bandeira russa foram interceptados por forças militares americanas. O mar do Caribe tornou-se um campo minado. Pelo que se sugere, não apenas drogas são contrabandeadas por suas águas. Os Estados Unidos já assinalaram que a gestão do petróleo pelo governo americano é por tempo indeterminado. Há três momentos no projeto de transição. Sabe-se lá quando chegaremos à terceira fase ou se chegaremos. 


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Editorial: Nunca foi pela democracia II



O presidente Donald Trump já emitiu várias sinalizações de que a transição que deve ocorrer na Venezuela, depois da deposição de Nicolás Maduro, não passa por Maria Colina Machado, tampouco pelo presidente legitimamente eleito na última eleição, Edmundo Gonzáles, ainda exilado no exterior. Existem algumas bravatas públicas em relação a vice, Delcy Rodrígues, mas sugere-se que seja tudo ensaiado, ao estilo do Estado Espetáculo. Na realidade, as costuras bilaterais são sólidas no sentido de que ela assuma o comando do país. Os interesses norte-americanos na região estarão assegurados, o que inclui a permissão para empresas americanas exploraram a produção de petróleo, assim como possíveis reorientações da política comercial e do exterior, principalmente com países como a China, o Irã e a Rússia. Isso nos faz lembrar da década de 60, quando a antiga União Soviética instalou mísseis com ogivas nucleares na ilha cubana, provocando um grande embate diplomático entre os Estados Unidos e aquele país, episódio que ficou conhecido como A Crise dos Mísseis Cubanos. 

Além da questão crucial do petróleo venezuelano, assim como na década de 60, existe ali uma questão geopolítica de suma importância para os interesses norte-americanos no continente. A presença comercial da China, a "assessoria" militar russa e, possível lavagem de dinheiro que financiam grupos terroristas islâmicos. A China foi um dos países que mais condenaram a ação dos Estados Unidos. Não foi por acaso. Os Estados Unidos devem limpar o terreno, tudo consoante acordos já firmados com o governo de transição. Uma nova Invasão da Baía dos Porcos nem pensar. Uma solução caseira esta de bom tamanho. O nome de Delcy Rodrigues atende a esses requisitos. O judiciário está com ela, as forças armadas chavistas, além do parlamento. O mais inusitado desta situação é que núcleo duro do chavismo continua intacto, seja em relação ao comando das forças militares, os serviços de inteligência e os milicianos. O seja, a ditatura chavista não caiu com a captura de Nicolás Maduro, o que significa dizer que nunca foi pela democracia. 

Existe, por outro lado, um caminho aberto para um novo golpe de Estado no país,  se considerarmos o conjunto de forças que gravitavam em torno de Nicolás Maduro e que hoje estão órfãos, a exemplo, dos serviços de segurança e inteligência que operavam dentro e fora do país, integrado por cubanos e venezuelanos. Seria aquela núcleo duro, menos infenso às ordens de Delcy Rodrigues. O que se diz é que Delcy Rodrigues era de uma ala chavista ainda mais radical do que aquela representada por Nicolás Maduro. Outro grande problema é ela não cumprir com o acordado, o que significaria uma intervenção ainda de maior proporção, conforme já antecipada por Donald Trump.  

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Charge! Thiago Lucas via Jornal do Commércio.

 


Editorial: As "baixas" do Governo Lula em 2026.



Ano de eleições, muitos auxiliares do Governo Lula 3 devem deixar a Esplanada dos Ministérios. Como há dezenas de ministérios, algumas saídas não ultrapassam os limites das formalidades burocráticas, em razão das entregas limitadas das pastas dos seus titulares. Lula, no entanto, tem dois abacaxis complicados para descascar em 2026. Acomodar essas mudanças consoante às suas articulações políticas de olho no projeto de reeleição - o que significaria recompor as alianças com partidos de centro-direita - e resolver a indicação de nomes que possam substituir nomes estratégicos de sua gestão, a exemplo do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e da Defesa, José Múcio Monteiro. O tema da segurança pública será decisivo nas eleições presidenciais de 2026 e o Governo Lula 3 ainda não se ajustou neste quesito. 

A indisposição com a Oposição é evidente e isso deve ser tema recorrente nos debates e nos discursos em praça pública. A Oposição, aliás, torce que o Governo Lula 3 "sangre" até outubro. Lewandowski tem dito a interlocutores que sairia por questões pessoais e que pretende descansar. Um bom e pertinente argumento. Nos bastidores, no entanto, o que se diz é que ele não concorda com a proposta do Planalto em desmembrar sua pasta, criando o Ministério da Segurança Pública. José Múcio, por sua vez, desde o ano passado insiste em deixar o Ministério da Defesa. Quer voltar para a sua terra, aproveitar os dias com a família. Em tese, já teria fechado algum acordo com Lula neste sentido. Agora Lula se vê diante da contingência de substitui-lo num momento crucial, de crescimento das tensões militares no continente. Em princípio, a decisão de Múcio ainda permanece. 

As tensões militares no continente sul-americano só tendem a aumentar nos próximos dias. Generais ligados a Nicolás Maduro prometem resistência; os Estados Unidos sinalizam que as intervenções não cessaram com a captura de Maduro, o que pode significar ações em outros países, a exemplo do México e da Colômbia; tropas brasileiras estacionadas em Roraima estão de prontidão. O Governo Lula, que foi bastante contundente na condenação ao ataque Yankee à Venezuela, passou a adotar uma narrativa mais modulada ou branda. Sabe o que significa tensões diplomáticas, comerciais ou até mesmo militares com o Tio Sam. 

Editorial: O julgamento de Nicolás Maduro.



Não vai aqui nenhum ironia, mas apenas a referência a um fato que remete a uma situação inusitada. A Justiça da Venezuela decretou a prisão dos envolvidos no sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro. Resta saber como esta ordem de prisão será cumprida. Já vestido com uniforme de prisioneiro, ontem foi a vez de Nicolás Maduro ser ouvido, numa audiência de custódia, apenas para o cumprimento das formalidades de praxe, uma vez que todo o processo envolvendo o ex-presidente é marcado por inúmeras controversas jurídicas, a começar pela afirmação de que ele, supostamente, chefiava um cartel de drogas, o Los Soles. Os estados unidos tem acesso a muitas fontes de informações e conta, inclusive, com os préstimos da delação premiada de Hugo Carvajal, ex-homem forte do chavismo, mas que se tornou dissidente e fugiu para os Estados Unidos, onde se encontra preso. 

Hugo Carvajal teria documentos que provam essa relação entre o dirigente venezuelano e o cartel de Los Soles. Ao cidadão comum, fica apenas o conhecimento acerca da circulação dessas informações, quando se sabe que algumas delas possivelmente nunca chegarão ao público. Por razões de segurança, por exemplo, apenas no dia de ontem o presidente Donald Trump comunicou ao Congresso a operação que capturou Nicolás Maduro. Razões de Estado. Mancando, Nicolás Maduro ainda conseguiu levantar a cabeça quando se aproximava do tribunal para a audiência. No geral, ele não vai bem. Sugere-se que tenha algum problema de mobilidade.

Durante a audiência, Maduro alegou inocência, mas isso tem o mesmo efeito da alegação de alguém detido, durante o banho de sol numa prisão, ou seja, nenhum, mesmo que por vezes procedente. Acredita-se que, na melhor das hipóteses, ele poderá cumprir uma prisão perpétua. Em tais circunstâncias, não conseguimos entender muito bem em que situação uma delação premiada poderia favorecê-lo. Em princípio, se a pessoa alega inocência, não está muito afim de delatar ninguém. Muito mais do que o eventual envolvimento com os cartéis de drogas que operam na região, outro grande temor de uma delação premiada do líder venezuelano estaria relacionada aos financiamentos de campanhas presidenciais de aliados no continente. Isso é uma dor de cabeça. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Editorial: Nunca foi pela democracia.


O grande filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, num dos seus textos mais emblemáticos, Para Além do Bem e da Mal, nos faz um alerta contundente acerca dos discursos. A verdadeira intenção de um discurso, segundo o filósofo, não está naquilo que ele revela, mas naquilo que ele esconde, que é a verdadeira essência de um discurso. O Governo de Cuba admite que 34 agentes que faziam a segurança do ex-presidente Nicolás Maduro - possivelmente agentes do Serviço Secreto de Cuba - foram mortos na operação realizada pelos Estados Unidos no último sábado. Esse número deve ser superior, uma vez que várias foram realizadas várias manobras de neutralização de forças militares que poderiam esboçar alguma reação ao ataque. Oficialmente, fala-se em 8o mortos. Pelo andar da carruagem, nem por aqui chegaremos a algum consenso. 

O Governo dos Estados Unidos nunca esteve preocupado com a normalização da democracia naquele país. Parafraseando Nietzsche, trata-se da parte visível do discurso. Um bom exemplo disso é a notória indisposição de diálogo com Maria Corina Machado e com Edmund González, que, se as eleições foram realmente fraudadas, era quem de fato deveria assumir, democraticamente, o comando do país. Corina foi proibida de participar das eleições, momento em que Edmund González assumiu a candidatura. Depois das eleições, exilou-se no exterior. Se a questão em jogo fosse o respeito às regras democráticas, naturalmente, o diálogo estaria aberto com ambos. Donald Trump já sinalizou que não quer nem conversa com os dois, numa clara demonstração de que eles não são atores confiáveis aos projetos norte-americanos para o país. 

Com a vice de Maduro, Delcy Rodrígues, teria havido um diálogo cabuloso meses antes do ocorrido. Ela teria se prontificado a permitir qualquer ingerência do Governo dos Estados Unidos no país. Por outro lado, para a claque chavista, o discurso é de soberania, de condenação veemente da operação americano no país. Dizem que ele seria de uma ala até mais radical do chavismo. Donald Trump já avisou que ela não deve encampar o processo de transição no país. Se insistir, as consequências poderão ser até mais traumáticas. No Brasil, sabe-se lá aconselhado por quem - certamente não teria sido por Celso Amorim - Lula passou a abrandar ou modular o discurso, evitando se indispor com os Estados Unidos. 

Na realidade, estamos diante de um novo colonialismo. Tem muita gente mais interessados nas terras raras e nas reservas de petróleo de Essequibo. A Venezuela possuí as maiores reservas de petróleo do mundo, que serão agora exploradas por empresas petrolíferas americanas. No contexto das relações econômicas globais, isso poderia fragilizar a capacidade de investimentos militares em países como a Rússia, em razão da baixa do preço do combustíveis. Isso é estratégico para a manutenção da hegemonia militar dos Estados Unidos. As terras raras e os minerais valiosíssimos para a indústria bélica, encontrados com abundância em terras brasileiras, igualmente entram neste contexto, mas isso já é uma outra discussão. 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Editorial: A segunda fase da operação dos Estados Unidos na Venezuela.



A edição do Jornal do Commércio de hoje, 04, é quase totalmente dedicada ao que ocorre na Venezuela. Do editorial à charge de Thiago Lucas. O mesmo deve ter ocorrido com outros jornais pelo país afora. O assunto é realmente bastante preocupante, com inúmeros desdobramentos, desde a implantação de um governo de transição naquele país, assim como em relação à exploração das jazidas de petróleo venezuelanos por empresas norte-americanas. Na realidade, a principal motivação da invasão, o que deve representar uma encrenca gigantesca para todo o continente, principalmente depois da descoberta de novas fontes em país vizinho à Venezuela. 

Há ainda poucas informações acerca da operação realizada no território venezuelano pelos Estados Unidos. Sabe-se, no entanto, segundo informações do jornal The New York Times, que havia um informante da CIA monitorando todos os passos do presidente venezuelano. Momentos antes da captura, ele ainda tentou se esconder num bunker, mas não logrou êxito. Uma cápsula de aço à prova de tudo. Donald Trump deu vários declarações sobre o assunto, cada uma delas mais preocupantes do que a outra. Há inúmeras divergências, por exemplo, sobre como seria este governo de transição até as coisas se normalizarem. As coisas só vão se normalizarem, entende-se, consoante os interesses do Governo Trump e das petrolíferas norte-americanas. Não mais no campo diplomático, mas militar. A soberania venezuelana foi para o espaço. 

Talvez seja por isso que Trump já deu declarações indicando que uma solução que passasse por Maria Corina Machado não seria bem-vinda. Muito menos ainda pela vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que a justiça do país já determinou que deve assumir o cargo. O destino de Maduro é tão previsível quanto complicado. Vai a julgamento já preventivamente condenado, tratado como um narcoterrorista. Não nos surpreenderia que ele tenha o mesmo destino de Joaquín Gusmán,  o El Chapo, mantido numa prisão de segurança máxima, passando por sérios problemas psicológicos. Por falar neste assunto, Nicolás Maduro chegou meio grogue em território norte-americano, desejando feliz ano novo aos agentes do FBI. 

Donald Trump orgulha-se de ter acompanhado todo o desenrolar da operação liderada pela equipe de forças especiais do Exército Norte-Americano, a Força Delta. Era como quem assiste a um filme, segundo ele. Sua assessoria militar informou que apenas um país teria as condições de realizar uma operação tão complexa como aquela. Há um equívoco aqui. As forças especiais de Israel, com o suporte do MOSSAD, já demonstraram que são capazes de realizá-las, como ocorreu em Entebbe, Uganda, quando vários tripulantes israelenses sequestrados em um avião foram resgatados. Encrenca pesada para o continente. Salvo melhor juízo, numa dessas declarações, o presidente Donald Trump teria sugerido que o episódio é um recado para quem questiona a hegemonia norte-americana no continente. 

sábado, 3 de janeiro de 2026

Editorial: Estados Unidos atacam a Venezuela e capturam Maduro.



Mais um exemplo emblemático daquele ano que não terminou, segundo a matéria da revista Veja, que comentamos por aqui. Há algum tempo os Estados Unidos realizam manobras militares no Mar do Caribe, concentrando ali um grande contingente militar. Perdoem-nos pelo trocadilho, mas tudo estava "maduro", perfeitamente dentro das possibilidades. Nos últimos dias ocorreram dois ataques dos Estados Unidos em solo da Venezuela, um deles sob a coordenação da CIA, supostamente em local de refino ou processamento de drogas. Estava evidente que logo viria um ataque em proporções maiores, como o realizado nesta madrugada, que culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Em vão a estratégia adotada pelo serviço de inteligência daquele país latino-americano, com o objetivo de proteger o presidente Nicolás Maduro. 

Dizem que ele nunca dormia mais de uma noite num único local. Isso seria o de menos. As manobras e  tessituras utilizadas pelos serviços de inteligência são escabrosas. Num dos momentos em que a CIA tentou matar Fidel Castro, articularam com uma amante do comandante o seu envenenamento. Fidel gostava de uma determinada bebida - salvo melhor juízo, uma vez que tentaram matar Fidel mais de 360 vezes - e a amante tinha a missão de colocar o veneno neste drink. Na última hora ela desistiu do intento. O arsenal dessas  é gigantesco. O que não faltam são traidores dispostos a receberam milhões de dólares para entregar a cabeça dos seus chefes. O presidente Lula reagiu, como prevíamos no dia de ontem, 02, veementemente à agressão dos Estados Unidos ao país vizinho. Vamos aguardar os desdobramentos do episódio no campo diplomático. 

Os informes de autoridades norte-americanas sinalizam que o presidente Nicolás Maduro - que não é tratado pelos Estados Unidos como presidente de um país - já se encontra em solo americano aguardando julgamento. Na realidade, o Governo Norte-Americano já tem um veredicto sobre Nicolás Maduro. Há muito tempo ele é acusado de estar mancomunado com os traficantes que operam na região. A ação do Governo Americano, coincidentemente, ocorre num momento em que Donald Trump já advertiu o Governo do Irã que não iria tolerar as agressões aos manifestantes que se mobilizam nas ruas da capital, em protestos contra a situação econômica e política do país. A foto acima foi divulgada recentemente, mas carece ainda de confirmação. Há quem esteja dizendo que Madura teria sido morto na operação. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Editorial: A posição do Brasil sobre a ingerência dos Estados Unidos na Venezuela.



Por dois momentos já foram anunciadas intervenções militares dos Estados Unidos no espaço territorial da Venezuela. Uma delas perpetrada pela CIA, produzindo estragos consideráveis num alvo que, a princípio, seria um local de produção ou refino de drogas. Quando os Estados Unidos e o Brasil sentaram à mesa de negociações, este foi um dos temas mais especulados. Os Estados Unidos teriam fechado algum acordo com o Brasil no tocante as eventuais intervenções militares no país vizinho? Nunca vamos saber exatamente o que foi negociado, mas sugere-se que os Estados Unidos irão cumprir à risca seus objetivos em relação ao continente latino-americano, especialmente na Venezuela. Hoje o site Metrópoles traz uma matéria acerca das possíveis recomendações de Lula aos seus assessores em relação ao assunto: repelir ou condenar as eventuais agressões. 

Tudo dentro da linha do que defende o seu assessor direto para assuntos internacionais, Celso Amorim. Não há como esta situação terminar bem. No caso da guerra entre a Ucrânia e a Rússia, o que se sabe é que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, teria fechado um acordo nada interessante, apenas para evitar maiores problemas. Num primeiro encontro na Casa Branca ele se mostrou bastante contrariado com a proposta. Desta última vez ele se mostrou mais conformado ou resiliente. Segundo alguns observadores, os planos de Donaldo Trump para o continente são gigantescos. Há suspeitas, inclusive, de operação de grupos terroristas financiados pelo Irã operando na região. São informações da unidade de inteligência dos americanos. Algo que não pode ser descartado. 

Trata-se de uma luta contra o terrorismo, uma vez que os traficantes também estão sendo enquadrados neste perfil. O Governo dos Estados Unidos até sugeriram que o Brasil enquadrasse as facções do crime organizado neste escopo, mas não houve um consenso em torno do assunto. Apenas para fecharmos o editorial, acabamos de saber que centenas de presos soltos na saidinha de Natal não se apresentaram às suas unidades prisionais de origem, reforçando as teses da Oposição e ampliando o hiato desta com o Governo Lula 3. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Editorial: O ano dos escândalos.

Crédito: Reprodução Rádio Metrópoles. 


Assim como recomendamos a leitura da matéria da BBC News sobre o que está ocorrendo com os nossos mais badalados balneários, a exemplo de Porto de Galinhas(PE), Pipa(RN) e Jericoacoara(CE), também recomendamos a leitura da coluna do Diário do Poder de hoje, 31, onde vários troféus são concedidos a atores do nosso cenário social, jurídico e político. De fato, tivemos um ano caracterizado por inúmeros escândalos de corrupção como sugere a coluna. Todos esses escândalos, no entanto, se tornaram fichinhas diante do roubo gigantesco dos aposentados e pensionistas do INSS. Outra recomendação que sugerimos é a coluna do Blog do Magno, escrita pela jornalista Larissa Rodrigues, principalmente no tocante às ponderações do cientista político Antônio Lavareda, que antecipa suas "previsões" sobre o pleito presidencial de 2026. 

Em sua opinião, Flávio Bolsonaro é um candidato competitivo e uma esmagadora maioria de eleitores bolsonaristas deverão votar no filho de Jair Bolsonaro. Para o cientista político, o que deve definir o êxito ou o fracasso do projeto de reeleição de Lula está c0ncentrado em suas taxas de rejeição e aprovação, que, aliás, sofreu um revés nas últimas pesquisas, acendendo a luz amarela no Palácio do Planalto. Já deixava o morubixaba petista preocupado o fato de esses números positivos não evoluírem. Houve uma reação, num determinado momento, mas tais índices logo estabilizaram. A SECOM precisa de um outro "mote" - como aquele do soberanês - para ser explorado em suas peças de comunicação institucional. Talvez a revista Economist tenha dado este mote, ao sugerir que Lula estaria "velho" para tentar um outro mandato.  

Ontem, 30, em Jaboatão dos Guararapes, quatro jovens foram assassinados dentro de uma barbearia. Uma nova chacina para tira o sono das autoridades de segurança pública do estado. Pernambuco já opera numa estufa, numa espécie de "permeabilidade" de violência, conforme já discutimos por aqui em outros momentos. Numa semana, comemora-se a diminuição dos índices de CVLI. Na outra, esses números voltam a assustar a população, indicando que as causas estruturais não sofreram alterações significativas. No plano federal, existe uma indisposição latente entre Governo e Oposição em relação a essa questão. Não teremos solução aparente até outubro, durante a realização do primeiro turno. Segurança Pública é o tema que mais preocupa os eleitores brasileiros. Este pode ser um fator decisivo das próximas eleições presidenciais. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Editorial: A covarde agressão aos turistas em Porto de Galinhas.



Este não era um assunto que gostaríamos de tratar por aqui. Está repercutindo bastante nas redes sociais um vídeo onde dois turistas mato-grossenses denunciam as agressões sofridas quando curtiam um passeio pelo famoso e aprazível balneário de Porto de Galinhas, na cidade de Ipojuca, Litoral Sul de Pernambuco. Teríamos uma grande análise a fazermos a partir deste episódio específico, mas, como estamos passando por tempos bicudos, torna-se prudente não enveredarmos por esta seara. É possível que haja um componente de homofobia nesta agressão, mas não é apenas isso. Convém cercar-se de todos os cuidados possíveis em visita a balneários, como Pipa, Porto de Galinhas, Jericoacoara, Canoa Quebrada, Cumbuco. Os turistas precisam muito mais do que um guia sobre os atrativos desses lugares. A dinâmica é complexa. 

Antes, quando planejávamos nossas viagens, fatores como o período adequado, disponibilidade das crianças, os passeios programados, hospedagem em hotéis e pousadas eram as únicas preocupações. Hoje, não. Infelizmente.  Aos leitores mais curiosos, recomendamos a leitura de uma longa matéria da BBC sobre o que está ocorrendo nos famosos balneários brasileiros. Isso explica tudo. A ausência de policiais fazendo o patrulhamento rotineiro, eventuais cobranças indevidas dos barraqueiros e coisas assim. Depois do estrago de imagem  produzido, a governadora Raquel Lyra, que está sendo muito cobrada em relação ao assunto, pediu desculpas pelo ocorrido. Há outros vídeos circulando nas redes, elevando a imagem negativa do turismo no estado, com o seu principal ativo sendo enxovalhado pelos internautas. Viralizou um vídeo onde um internauta faz a comparação de João Pessoa com Porto de Galinhas, onde se é possível saborear um prato razoável de petisco por vinte reais, sem cobrança de mesas e cadeiras. 

Não sabemos de onde ele fez a filmagem, possivelmente de uma das praias centrais de Jampa, mas sabemos que as coisas não funcionam bem assim. Em Cabo Branco e Tambaú, por exemplo, cobra-se pelo uso das mesas e cadeiras, assim como em outras praias da Paraíba. Existem grupos especializados exclusivamente na exploração deste comércio, que é legal. O abusivo se refere ao se estipular um consumo mínimo, segundo a legislação do consumidor. Os valores, as reclamações são recorrentes, principalmente em balneários como Coqueirinho, no Conde. Em Cabedelo, recentemente, repercutiu o valor cobrado por uma cioba, que estava sendo comercializada ao valor de R$ 470,00 reais. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Editorial: O caldeirão fervente de Brasília.


Muitas coisas ocorreram neste finalzinho de ano, aumentando sensivelmente a temperatura na capital federal. Hoje, 29, estão programadas entrevistas coletivas, coleta de assinaturas para CPMI's, pedido de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Um final de ano com temperatura política elevada, indicando que 2026 pode nos conduzir a uma situação limite, de combustão. Para completar o enredo, em meio a este tsunami, teremos eleições presidenciais num clima de esgarçamento da polarização política. Sabe-se lá qual será o resultado de tudo isso. Já informamos por aqui algumas hipóteses de acomodação dessas placas tectônicas. Embora não sejam de oráculos, são previsões que não podem deixar de serem consideradas. Afinal, estamos numa espécie de anomia social ou institucional. 

O grau de animosidades entre os Três Poderes da República atingiu estágio insuportável. Até decisões técnicas, republicanas, isentas podem ser derrubadas em nome das conveniências políticas de ocasião. O sujeito precisa ser protegido porque sabe muito, tratou de comprometer meio mundo de gente. Não cairia sozinho. O Banco Central tem autonomia para tomar suas decisões técnicas, sobretudo quando são decisões tomadas em defesa dos interesses dos investidores incautos que confiaram em promessas fora da realidade. Fraudes não podem ser tradadas de outra forma. É estranho que até órgãos de fiscalização cobrem satisfações das decisões soberanas do Banco Central. 

Tempos bicudos o país enfrenta. Em sua coluna do último domingo, o jornalista Elio Gaspari se refere às bolas de ferro carregadas tanto pelo bolsonarismo quanto pelo petismo. Este peso vai ser sentido na resultado das próximas eleições de 2026, onde o tema da segurança pública poderá prejudicar sensivelmente o PT. Pelo andar da carruagem política, não há nenhum indicador sugerindo que as coisas possam melhorar nesta área até outubro. Neste Natal, para deleite da Oposição, tivemos vários problemas com a saidinho do período natalino. Vários detentos foram presos cometendo delitos, alguns deles rastreados pelas tornozeleiras eletrônicas. 

Charge! Aroeira via Brasil 247

 


domingo, 28 de dezembro de 2025

Editorial: Brasília pega fogo neste final de ano.


Por algum motivo, a CPM do Crime Organizado não alcançou a mesma repercussão da CPMI do INSS. Talvez em razão do arranjo político que foi feito. Alguns desses arranjos, na realidade, contribuem para esfriar o ritmo dos trabalhos, ao invés de esquentá-los. Assistimos a algumas sessões mornas, burocráticas, eminentemente e demasiadamente técnicas. Motivos para mobilizar o interesse da população é que não faltaram. O país vive hoje um dos seus momentos mais difíceis em termos de segurança pública. No Ceará é cada dia mais crescente as áreas que estão sob o controle de facções. Há casos, como em Sobral, onde as quadras dos conjuntos habitacionais estão divididas entre essas facções. Na Bahia, recentemente, tivemos a tragédia de três servidores de uma empresa provedora de internet brutalmente torturados e mortos. 

O que deve ter pesado para essa CPM do Crime Organizado não pegar tração possivelmente foi a indisposição entre Governo e Oposição. Ninguém poderia imaginar que, já no finalzinho do ano, a capital federal pudesse entrar em ebulição, como decorrência de novos escândalos envolvendo agentes públicos. As blindagens, a promiscuidade entre o público e o privado, estão se tornando tão explícitos que já estão cruzando a linha de um mínimo de moralidade pública. Não estão preocupados nem em salvar as aparências. Os parlamentares de oposição estão se mobilizando em torno de novas aberturas de CPMI para apurar os escândalos mais recentes, a exemplo do Banco Master. Novos pedidos de impeachment também estão na ordem do dia. 

Como 2026 é um ano de eleições, geralmente a temperatura tende a baixar, uma vez que os políticos se voltam para a necessidade de atender às suas bases. Pelo andar da carruagem política, motivos não faltarão para manter a temperatura em alta. Pelo menos até o meio do ano. A CPMI do INSS, por exemplo, vai fazer um esforço hercúleo para convocar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, cujo nome aparece nas investigações da Polícia Federal. Pelo menos isso acreditamos que possamos afirmar, uma vez que o coordenador dos trabalhos do Governo naquela comissão, o deputado federal Paulo Pimenta, já assegurou que vai processar todo mundo que fizer ilações acerca de Fábio Luiz. 


sábado, 27 de dezembro de 2025

Editorial: As placas tectônicas do sistema se movimentam neste final de ano.

 


Muito feliz a matéria da Veja desta semana, observando que o ano de 2025 não termina daqui há alguns dias. Vamos entrar em 2026 com os problemas ali produzidos, sabe-se lá com alguma possibilidade de equacionamento no ano vindouro. Neste período, sempre surgem aqueles oráculos ou futurólogos fazendo previsões para o próximo ano, mas, pelo andar da carruagem política, as grandes decisões de 2026 já estão sendo tomadas em 2025. Um bom exemplo disso são as condições sob as quais o Brasil fechou um acordo com os Estados Unidos, dentro de um escopo geopolítico dos mais complexos, que vão muito além dos interesses comezinhos do continente Latino Americano. Isso apenas numa referência aos componentes políticos, sem referência às cobiçadas terras raras. 

Os Estados Unidos tem projetos bem definidos para o continente e desejam realizá-los de preferências sem embaraços diplomáticos ou militares. O alinhamento do Brasil à Venezuela poderia ser um desses empecilhos. Internamente, o país passa por um tsunami institucional. Ajustar isso não está sendo fácil. Outro dia acompanhávamos o raciocínio de um jornalista conhecido, cujo nome não vamos mencionar o por aqui. Segundo ele, essas placas tectônicas já indicam que o sistema já teria "abandonado" alguns atores importantes. As sinalizações estão sendo produzidas pelos editoriais da grande imprensa. Os próximos passos seriam a abertura de uma nova vaga na Suprema Corte, com a indicação de Rodrigo Pacheco ao cargo, dando uma satisfação ao Presidente do Senado Federal, que sempre desejou sua indicação ao posto. Isso seria um maneira de se conseguir uma reconciliação entre o Executivo e o Senado Federal. 

O Senado Federal, aliás, encontra-se literalmente em pé de guerra. Estão pensando até no sacrifício de cortar o recesso apenas para dar prosseguimento aos trabalhos. O tsunami é tal monta que até decisões técnicas, de caráter republicano, tomadas por órgãos como o Banco Central, podem ser revertidas no sentido de "acomodar" essas placas. Dentro desses grandes acordos, as condições de cumprimento de pena do ex-presidente Jair Bolsonaro poderiam ser reavaliadas. Não está sendo fácil para o ex-presidente. Já enfatizamos isso por aqui, mas não custa repetir. Ele não reúne as condições de cumprimento de pena num regime convencional. Suas condições de saúde não permitem. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Editorial: Silvinei Vasques é preso quando tentava fugir para El Salvador.



Pelo menos duas pessoas foram identificadas pela Polícia Federal como facilitadores da fuga do ex-deputado federal, Alexandre Ramagem. Não é improvável que, no decorrer das investigações, a PF chegue a mais nomes. Fugas não ocorrem com facilidade. Envolvem planejamento, logística e estratégia de sobrevivência. No caso de Ramagem, por exemplo, foi aplicado um torniquete tão severo que ele perdeu sua condição de delegado da Polícia Federal e o mandato de deputado federal. Soubemos no dia de ontem que ele vai se dedicar às mentorias online. Seu pedido de extradição já foi protocolado e não seria improvável que seja concedido, diante do armistício das relações entre Brasil e Estados Unidos. Hoje, 26, mais uma tentativa de fuga entre os condenados pela tentativa de golpe do 08 de janeiro. 

Silvinei Vasques, ex-superintendente da Polícia Rodoviária Federal na gestão de Jair Bolsonaro, rompeu a tornozeleira e tentou fugir através de um voo do Paraguai com destino a El Salvador. Possivelmente o seu destino final não seria El Salvador. Certamente uma escala. Silvinei Vasques, no contexto da trama golpista, salvo melhor juízo, esteve rigorosamente mais identificado em relação a uma suposta operação realizada em estados da região Nordeste, que tinha como propósito, segundo supõe-se, dificultar a vida de eleitores sabidamente identificados com a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Falou-se à época numa operação com o objetivo de fiscalizar os ônibus com pneu careca. Por muito pouco Lula não ficou "careca" de votos. 

O bolsonarismo estragou a vida de muita gente. Seja os inocentes úteis - como a horda que pensou que escaparia impune depois dos atos de vandalismo perpetrados na capital federal - até gente de boa formação, como é o caso de Silvanei Vasques, pelo currículo, um estudante aplicado. Mesmo em condições sensivelmente adversas, ao que se sabe, foi aprovado no concurso da OAB. Entrou em problemas psicológicos durante este período e resolveu tentar a fuga malograda do dia de hoje. Sua prisão preventiva já foi decretada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF. Assim que foi identificado os danos à tornozeleira eletrônica, a PF acionou seus "dispositivos".