Não vai aqui nenhum ironia, mas apenas a referência a um fato que remete a uma situação inusitada. A Justiça da Venezuela decretou a prisão dos envolvidos no sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro. Resta saber como esta ordem de prisão será cumprida. Já vestido com uniforme de prisioneiro, ontem foi a vez de Nicolás Maduro ser ouvido, numa audiência de custódia, apenas para o cumprimento das formalidades de praxe, uma vez que todo o processo envolvendo o ex-presidente é marcado por inúmeras controversas jurídicas, a começar pela afirmação de que ele, supostamente, chefiava um cartel de drogas, o Los Soles. Os estados unidos tem acesso a muitas fontes de informações e conta, inclusive, com os préstimos da delação premiada de Hugo Carvajal, ex-homem forte do chavismo, mas que se tornou dissidente e fugiu para os Estados Unidos, onde se encontra preso.
Hugo Carvajal teria documentos que provam essa relação entre o dirigente venezuelano e o cartel de Los Soles. Ao cidadão comum, fica apenas o conhecimento acerca da circulação dessas informações, quando se sabe que algumas delas possivelmente nunca chegarão ao público. Por razões de segurança, por exemplo, apenas no dia de ontem o presidente Donald Trump comunicou ao Congresso a operação que capturou Nicolás Maduro. Razões de Estado. Mancando, Nicolás Maduro ainda conseguiu levantar a cabeça quando se aproximava do tribunal para a audiência. No geral, ele não vai bem. Sugere-se que tenha algum problema de mobilidade.
Durante a audiência, Maduro alegou inocência, mas isso tem o mesmo efeito da alegação de alguém detido, durante o banho de sol numa prisão, ou seja, nenhum, mesmo que por vezes procedente. Acredita-se que, na melhor das hipóteses, ele poderá cumprir uma prisão perpétua. Em tais circunstâncias, não conseguimos entender muito bem em que situação uma delação premiada poderia favorecê-lo. Em princípio, se a pessoa alega inocência, não está muito afim de delatar ninguém. Muito mais do que o eventual envolvimento com os cartéis de drogas que operam na região, outro grande temor de uma delação premiada do líder venezuelano estaria relacionada aos financiamentos de campanhas presidenciais de aliados no continente. Isso é uma dor de cabeça.

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