pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : janeiro 2026
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Drops Político: Gilson Machado deixa o PL


O resultado dessas querelas entre as principais lideranças do PL no Estado não poderia ser outro. Em carta, o ex-Ministro do Turismo do Governo Bolsonaro, Gilson Machado, comunica sua saída do PL. Não vamos aqui entrar nos pormenores dessa contenda, uma vez que elas são por demais conhecidas dos recifenses. Com o apoio de Valdemar da Costa Neto, a família Ferreira controla o partido no estado, obstacularizando as pretensões políticas do ex-ministro, que pretende candidatar-se ao Senado Federal nas próximas eleições. O caminho de Gilson Machado agora, segundo se especula, poderá ser o Novo ou o Podemos. Aliás, o que se diz nos escaninhos da política pernambucana, é que ele já teria sido sondado por essas agremiações. Quem sabe, poderia até ser construída uma chapa alternativa à polarização renitente entre as candidaturas de Raquel Lyra, de um lado, e do outro, João Campos. Temos comentado muito pouco sobre a nossa conjuntura política, hoje muito mais parecida com página policial. Gilson deixa o PL reafirmando o seu compromisso com o bolsonarismo. 

Editorial: Rogério Marinho será o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro.



Acabou não ocorrendo o encontro entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Muitas especulações surgiram em torno deste encontro. Muito em razão dessas especulações, Tarcísio de Freitas optou por cancelar a visita ao amigo. Flávio Bolsonaro andou antecipando o que, supostamente, Jair Bolsonaro diria ao ex-subordinado. Mesmo com muitas incertezas, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro está posta. Ontem foi anunciado que ele deverá convidar o senador do Rio Grande do Norte, Rogério Marinho, para coordenar sua campanha. Com isso, Rogério Marinho desiste de tentar se eleger governador do Rio Grande do Norte. O senador faz um bom trabalho no parlamento, principalmente em relação à CPMI do INSS. 

Com essas mexidas nas peças do tabuleiro, hoje, uma das maiores especulações diz respeito ao pleito em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Com uma reeleição assegurada, o dilema de Tarcísio diz respeito apenas ao momento certo de tentar o voo nacional. Por outro lado, o PT precisa, literalmente, da raspa dos votos naquela colégio eleitoral, se deseja equilibrar o jogo a nível nacional, assegurando mais um mandato para o presidente Lula. O percentual de votos adquiridos por Fernando Haddad, em 2022, foi fundamental para a vitória de Lula. Além da capital, São Paulo tem ume penca de colégios eleitorais nevrálgicos, com percentuais de votos que ultrapassam a barreira de um milhão. Um fraco desempenho ali de um candidato ao Palácio do Planalto, pode ser determinante para a sua vitória ou derrota. 

Tudo indica que Haddad poderá ir para o sacrifício mais uma vez, candidatando-se apenas para manter os percentuais de votos fundamentais a mais uma vitória do petista, considerando-se a hipótese de manutenção de sua hegemonia em regiões com o Nordeste. Em troca, segundo se especula, Haddad assumiria um ministério chave no quarto mandato de Lula, habilitando-se para sucedê-lo. É bom salientar que esta estratégia já foi pensada quando ele foi indicado para a Fazenda, onde o próprio Governo não lhes assegurou as condições adequadas para fortalecê-lo. Haddad foi derrotado pelos grupos mais ideológicos do petismo, para quem essa conversa de austeridade fiscal soa estranha. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Editorial: O PT que já aderiu a João Azevedo.


Recentemente, estivemos no Museu de História da Paraíba, que fica localizado no antigo Palácio da Redenção, antiga sede do Governo do Estado. Foi bastante interessante observar as "alcovas" dos mandatários do estado vizinho, mas este não é o momento para tratarmos deste assunto. Fica para uma outra oportunidade. O fato mais comentado na crônica política do Estado da Paraíba no dia de hoje, 21, é uma espécie de antecipação de apoio de petistas ao projeto político do governador João Azevedo, que inclui sua candidatura ao Senado Federal, e a de Lucas Ribeiro ao Governo do Estado. Luciano Cartaxo já se antecipou que apoiará o projeto de João Azevedo, reclamando que o PT está demorando demais a tomar uma decisão. 

O mesmo ocorreu com o deputado estadual Luiz Couto, histórico militante da legenda, que declarou seu apoio ao atual governador, que o recebeu muito bem, argumentando que o PT caminha junto ao PSB há sete anos. A deputada estadual Cida Ramos, que dirige o PT no estado, reclamou da postura dos apressadinhos, informando que não há nada decidido a este respeito. Aliás, o PT nunca esteve tão indeciso como agora, uma vez que há uma articulação "pesada", com ramificações em Brasília, encetada por atores estratégicos, que deseja que o PT caminhe ao lado do prefeito Cícero Lucena. Em tese, João tem razão quando argumenta que talvez houvesse um caminho natural no apoio da legenda aos socialistas, mas em política tudo é possível. 

A direção do PT tem dialogado com ambos os candidatos, recebendo-os em sua sede ou participando dos eventos de lançamentos das pré-candidaturas. Cícero já chegou a propor que o PT possa indicar um candidato ao Senado Federal na composição da chapa. Oficialmente, nenhuma decisão tomada até o momento. Essas antecipações não alteram em nada os movimentos do tabuleiro oficial petista. O PT pode até tomar uma decisão oficial em apoio ao nome de Cícero Lucena e entender como natural que seus membros vinculem-se a outra candidatura. Isso, no passado, poderia significar uma expulsão sumária da legenda. Hoje, tenho cá minhas dúvidas. 

Editorial: Tarcísio e Bolsonaro. O grande encontro.


Há uma grande expectativa em torno do encontro entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra cumprindo pena na Papudinha. Ao que se sabe a iniciativa partiu do governador. De olho no lance, como diria Sílvio Luiz, para não perdermos nenhum movimento importante neste tabuleiro político. Especula-se, por exemplo, que seria o momento de Tarcísio de Freitas sepultar, em definitivo, suas pretensões ao Palácio do Planalto, em 2026. Outros observadores acreditam que não. Tarcísio tem uma reeleição assegurada em São Paulo. É imprudente largar o certo pelo duvidoso, principalmente depois do processo turbulento em que está se tornando esta definição de uma candidatura de centro-direita. 

Apesar dos apoios recebidos, Flávio Bolsonaro ainda não convence alguns setores conservadores acerca de sua viabilidade eleitoral. Dizem que o Planalto até torce pela consolidação de sua candidatura. Ele, que precisava acenar para uma linha menos radical, à medida em que o tempo passa, tem se tornando um bolsonarista renhido, alimentado a intermitente polarização política que pode favorecer o PT. Aliás, alguns observadores mais entusiasmados estão dando como certa a reeleição de Lula. O morubixaba petista teria um quarto mandato pela frente. Bolsonaro teria algo mais premente com que se preocupar neste momento, como o seu estado de saúde, que não é nada bom. Sua defesa tenta uma prisão domiciliar, mas as coisas estão difíceis junto ao STF. Gilmar Mendes negou o pedido.

Bolsonaro vai pedir a Tarcísio o apoio do governador ao projeto de Flávio Bolsonaro? Tarcísio diria a ele que ainda alimenta alguma expectativa de uma candidatura presidencial? Especula-se que o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, poderia compor a chapa de Flávio como candidato a vice-presidente. Caso isso se confirme, os dois nomes mais competitivos do campo conservador em disputa ao Senado pelo estado de São Paulo estão fora do páreo. Sabe-se que se Tarcísio de Freitas optar pelo projeto de reeleição muda toda a configuração de disputa política naquela praça. Se ele não for candidato, até Fernando Haddad se sente habilitado a entrar no páreo. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Editorial: Camilo Santana poderá ser o sucessor de Lula.



Há alguns dias atrás líamos uma matéria sobre as especulações em torno de um eventual sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso, claro, apenas em 2030, uma vez que o morubixaba petista dá todos os indicadores de que será candidato a mais um mandato em 2026. Se eleito, cumprirá o seu quarto mandato, algo inédito em nossa história republicana. Pairam sempre muitas controvérsias em torno deste assunto, uma vez que o próprio Lula nunca se preocupou em preparar alguém como seu sucessor. O mais próximo disso atende pelo nome de Fernando Haddad, que passa por um verdadeiro purgatório no Ministério da Fazenda, diluindo sensivelmente suas chances de se posicionar como herdeiro político do petista. 

Mesmo assim, ao que se sabe, deverá deixar a pasta da Fazenda para ajudar no projeto de reeleição de Lula. Uma candidatura é pouco provável. O mais previsível é que ele se torne uma espécie de coordenador de campanha. Camilo Santana, por outro lado, está com a bola cheia, pois guarda alguns trunfos importantes, como a vitória de Elmano de Freitas, nas eleições de 2026, único caso no Brasil onde o candidato ao Senado Federal conseguiu eleger o governador de Estado. A situação do Ceará, como se sabe, principalmente no quesito segurança pública, não é nada boa. Em 2026 teremos uma prova de fogo, quando se sabe que Elmano deverá candidatar-se a reeleição, enfrentando uma frente de centro-direita encabeçada por ninguém menos que o veterano Ciro Gomes. 

Se o PT conseguir sair vitorioso daquelas eleições, com o apoio inestimável de Camilo Santana, aí sim ele se credencia de vez como sucessor de Lula, desbancando figuras históricas ligadas ao petismo, a exemplo de Rui Costa. Como se trata de um projeto ainda para 2030, torna-se prematuro se fazer alguma previsão. Até lá, muita água vai rolar. Imaginem os senhores os petardos de "fogo amigo" que serão dirigidos ao aspirante de sucessor ate 2030. Se caboclo não tiver uma couraça fortalecida, acaba se queimando. Esse prestígio de Camilo no Planalto decorre, em parte, do Programa Pé de Meia, apresentado então como um grande trunfo do Palácio do Planalto, assim como foi o Bolsa Família em épocas passadas. Hoje, porém, sugere-se que o Governo Lula 3 prepara outros temas para os debates das eleições presidenciais de 2026. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Editorial: Protestos antigovernamentais se espalham no Irã.



Nem o filósofo Michel Foucault conseguiu prever até onde iria os perigos de um estado teocrático no Irã. No início da Revolução Islâmica ele escreveu alguns artigos em jornal italiano enaltecendo o processo revolucionário naquele país, principalmente em relação à derrubada da monarquia representada pelo Xá Reza Pahlavi, apoiada pelo Ocidente. Seus críticos aproveitaram esses artigos para criticarem duramente o filósofo, embora cometendo o gravíssimo equívoco de associá-lo aos rumos que a Revolução Islâmica tomou no país, fomentando um estado teocrático autoritário, caracterizado por tolher a liberdade dos indivíduos, principalmente as mulheres. Nos últimos dias, o Irã tem enfrentado grandes protestos de rua, que começou em razão das dificuldades econômicas da população, mas que hoje se estendem contra os líderes da Revolução Islâmica, em alguns casos, pedindo a volta da monarquia. 

São os ciclos da História, por vezes adulterados com propósitos escusos, como no caso dos críticos de Michel Foucault, quando se sabe que ele nunca se identificou com os rumos autoritários do regime islâmico. Se ele errou, errou na previsão acerca dos rumos tomados pela Revolução Islâmica. Os Estados Unidos, que já atacaram o país até recentemente, em manobra conjunta com Israel, alertam que tomarão medidas se os protestos forem reprimidos pelo Governo do país, que já alertou que, se isso ocorrer, atacarão alvos de interesse dos Estados Unidos na região. Isso é bastante complicado, principalmente quando se entende que os Estados Unidos estão com o dedo no gatilho. Em tais circunstâncias, convém não provocar. 

Dedo no gatilho e ameaças veladas, como vem advertindo o presidente Donald Trump, que reafirma que os "ajustes" não se encerram com a tomada do poder na Venezuela. Consoante sua política exterior, evidentemente há outros problemas globais e regionais que, neste momento, podem ser "resolvidos" pela diplomacia da força, conforme matéria da revista Veja desta semana. Uma questão que deve deixar o Planalto de orelha em pé é a agilidade com que a Venezuela libertou seus presos políticos, fato bastante comemorado pelo Governo dos Estados Unidos. Aliás, foi o Tio Sam quem determinou, chamando a atenção sobre o caleidoscópio americano sobre as arranjos no continente latino-americano. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Editorial: Os bastidores da queda de Maduro na Venezuela.


Aos poucos, estão chegando ao conhecimento de um público maior os bastidores que culminaram com a deposição do presidente Nicolás Maduro, na Venezuela. Hoje se sabe, por exemplo, que antes foi sugerido à família Maduro um exílio no exterior e um acordo para que ele se afastasse do poder e permitisse que os Estados Unidos administrassem a cadeia produtiva do petróleo no país. Maduro teria pedido mais três anos, tempo demasiadamente longo para os interesses americanos na região. Esses acordos teriam sido discutidos com representantes do Governo dos Estados, das petroleiras americanas e representantes do governo da Venezuela. Não se chegou a consenso na mesa de negociações e a solução encontrada foi apeá-lo à força da presidência. 

Isso talvez explique os atenuantes das acusações que hoje são imputadas ao ex-presidente venezuelano. Ele já não é mais o capo do Cartel de Los Soles. Interessante observa, por outro lado, as regras ditadas pelo Tio Sam no que concerne à condução da economia e a da política no país latin0-americano. Cada uma mais pesada do que a outra e a presidente Delcy Rodriguez, sem  alternativa, trocando nomes da gestão para se adequar melhor às normativas impostas. Delcy Rodrigues poderá ter um momento de paz relativa, uma vez que o Governo Trump também emitiu recados aos aventureiros de plantão. Quem tentar alguma coisa contra ela poderá receber a visita da Força Delta. Sabe-se que todo o núcleo duro do chavismo continua no poder na Venezuela.

Quem deve estar bastante decepcionada com este arranjo é Maria Corina Machado, que chegou a acreditar que o problema na Venezuela era o chavismo. O que sempre estiveram em jogo foram os interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos na região. No dia de ontem, 07, até petroleiros com bandeira russa foram interceptados por forças militares americanas. O mar do Caribe tornou-se um campo minado. Pelo que se sugere, não apenas drogas são contrabandeadas por suas águas. Os Estados Unidos já assinalaram que a gestão do petróleo pelo governo americano é por tempo indeterminado. Há três momentos no projeto de transição. Sabe-se lá quando chegaremos à terceira fase ou se chegaremos. 


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Editorial: Nunca foi pela democracia II



O presidente Donald Trump já emitiu várias sinalizações de que a transição que deve ocorrer na Venezuela, depois da deposição de Nicolás Maduro, não passa por Maria Colina Machado, tampouco pelo presidente legitimamente eleito na última eleição, Edmundo Gonzáles, ainda exilado no exterior. Existem algumas bravatas públicas em relação a vice, Delcy Rodrígues, mas sugere-se que seja tudo ensaiado, ao estilo do Estado Espetáculo. Na realidade, as costuras bilaterais são sólidas no sentido de que ela assuma o comando do país. Os interesses norte-americanos na região estarão assegurados, o que inclui a permissão para empresas americanas exploraram a produção de petróleo, assim como possíveis reorientações da política comercial e do exterior, principalmente com países como a China, o Irã e a Rússia. Isso nos faz lembrar da década de 60, quando a antiga União Soviética instalou mísseis com ogivas nucleares na ilha cubana, provocando um grande embate diplomático entre os Estados Unidos e aquele país, episódio que ficou conhecido como A Crise dos Mísseis Cubanos. 

Além da questão crucial do petróleo venezuelano, assim como na década de 60, existe ali uma questão geopolítica de suma importância para os interesses norte-americanos no continente. A presença comercial da China, a "assessoria" militar russa e, possível lavagem de dinheiro que financiam grupos terroristas islâmicos. A China foi um dos países que mais condenaram a ação dos Estados Unidos. Não foi por acaso. Os Estados Unidos devem limpar o terreno, tudo consoante acordos já firmados com o governo de transição. Uma nova Invasão da Baía dos Porcos nem pensar. Uma solução caseira esta de bom tamanho. O nome de Delcy Rodrigues atende a esses requisitos. O judiciário está com ela, as forças armadas chavistas, além do parlamento. O mais inusitado desta situação é que núcleo duro do chavismo continua intacto, seja em relação ao comando das forças militares, os serviços de inteligência e os milicianos. O seja, a ditatura chavista não caiu com a captura de Nicolás Maduro, o que significa dizer que nunca foi pela democracia. 

Existe, por outro lado, um caminho aberto para um novo golpe de Estado no país,  se considerarmos o conjunto de forças que gravitavam em torno de Nicolás Maduro e que hoje estão órfãos, a exemplo, dos serviços de segurança e inteligência que operavam dentro e fora do país, integrado por cubanos e venezuelanos. Seria aquela núcleo duro, menos infenso às ordens de Delcy Rodrigues. O que se diz é que Delcy Rodrigues era de uma ala chavista ainda mais radical do que aquela representada por Nicolás Maduro. Outro grande problema é ela não cumprir com o acordado, o que significaria uma intervenção ainda de maior proporção, conforme já antecipada por Donald Trump.  

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Charge! Thiago Lucas via Jornal do Commércio.

 


Editorial: As "baixas" do Governo Lula em 2026.



Ano de eleições, muitos auxiliares do Governo Lula 3 devem deixar a Esplanada dos Ministérios. Como há dezenas de ministérios, algumas saídas não ultrapassam os limites das formalidades burocráticas, em razão das entregas limitadas das pastas dos seus titulares. Lula, no entanto, tem dois abacaxis complicados para descascar em 2026. Acomodar essas mudanças consoante às suas articulações políticas de olho no projeto de reeleição - o que significaria recompor as alianças com partidos de centro-direita - e resolver a indicação de nomes que possam substituir nomes estratégicos de sua gestão, a exemplo do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e da Defesa, José Múcio Monteiro. O tema da segurança pública será decisivo nas eleições presidenciais de 2026 e o Governo Lula 3 ainda não se ajustou neste quesito. 

A indisposição com a Oposição é evidente e isso deve ser tema recorrente nos debates e nos discursos em praça pública. A Oposição, aliás, torce que o Governo Lula 3 "sangre" até outubro. Lewandowski tem dito a interlocutores que sairia por questões pessoais e que pretende descansar. Um bom e pertinente argumento. Nos bastidores, no entanto, o que se diz é que ele não concorda com a proposta do Planalto em desmembrar sua pasta, criando o Ministério da Segurança Pública. José Múcio, por sua vez, desde o ano passado insiste em deixar o Ministério da Defesa. Quer voltar para a sua terra, aproveitar os dias com a família. Em tese, já teria fechado algum acordo com Lula neste sentido. Agora Lula se vê diante da contingência de substitui-lo num momento crucial, de crescimento das tensões militares no continente. Em princípio, a decisão de Múcio ainda permanece. 

As tensões militares no continente sul-americano só tendem a aumentar nos próximos dias. Generais ligados a Nicolás Maduro prometem resistência; os Estados Unidos sinalizam que as intervenções não cessaram com a captura de Maduro, o que pode significar ações em outros países, a exemplo do México e da Colômbia; tropas brasileiras estacionadas em Roraima estão de prontidão. O Governo Lula, que foi bastante contundente na condenação ao ataque Yankee à Venezuela, passou a adotar uma narrativa mais modulada ou branda. Sabe o que significa tensões diplomáticas, comerciais ou até mesmo militares com o Tio Sam. 

Editorial: O julgamento de Nicolás Maduro.



Não vai aqui nenhum ironia, mas apenas a referência a um fato que remete a uma situação inusitada. A Justiça da Venezuela decretou a prisão dos envolvidos no sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro. Resta saber como esta ordem de prisão será cumprida. Já vestido com uniforme de prisioneiro, ontem foi a vez de Nicolás Maduro ser ouvido, numa audiência de custódia, apenas para o cumprimento das formalidades de praxe, uma vez que todo o processo envolvendo o ex-presidente é marcado por inúmeras controversas jurídicas, a começar pela afirmação de que ele, supostamente, chefiava um cartel de drogas, o Los Soles. Os estados unidos tem acesso a muitas fontes de informações e conta, inclusive, com os préstimos da delação premiada de Hugo Carvajal, ex-homem forte do chavismo, mas que se tornou dissidente e fugiu para os Estados Unidos, onde se encontra preso. 

Hugo Carvajal teria documentos que provam essa relação entre o dirigente venezuelano e o cartel de Los Soles. Ao cidadão comum, fica apenas o conhecimento acerca da circulação dessas informações, quando se sabe que algumas delas possivelmente nunca chegarão ao público. Por razões de segurança, por exemplo, apenas no dia de ontem o presidente Donald Trump comunicou ao Congresso a operação que capturou Nicolás Maduro. Razões de Estado. Mancando, Nicolás Maduro ainda conseguiu levantar a cabeça quando se aproximava do tribunal para a audiência. No geral, ele não vai bem. Sugere-se que tenha algum problema de mobilidade.

Durante a audiência, Maduro alegou inocência, mas isso tem o mesmo efeito da alegação de alguém detido, durante o banho de sol numa prisão, ou seja, nenhum, mesmo que por vezes procedente. Acredita-se que, na melhor das hipóteses, ele poderá cumprir uma prisão perpétua. Em tais circunstâncias, não conseguimos entender muito bem em que situação uma delação premiada poderia favorecê-lo. Em princípio, se a pessoa alega inocência, não está muito afim de delatar ninguém. Muito mais do que o eventual envolvimento com os cartéis de drogas que operam na região, outro grande temor de uma delação premiada do líder venezuelano estaria relacionada aos financiamentos de campanhas presidenciais de aliados no continente. Isso é uma dor de cabeça. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Editorial: Nunca foi pela democracia.


O grande filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, num dos seus textos mais emblemáticos, Para Além do Bem e da Mal, nos faz um alerta contundente acerca dos discursos. A verdadeira intenção de um discurso, segundo o filósofo, não está naquilo que ele revela, mas naquilo que ele esconde, que é a verdadeira essência de um discurso. O Governo de Cuba admite que 34 agentes que faziam a segurança do ex-presidente Nicolás Maduro - possivelmente agentes do Serviço Secreto de Cuba - foram mortos na operação realizada pelos Estados Unidos no último sábado. Esse número deve ser superior, uma vez que várias foram realizadas várias manobras de neutralização de forças militares que poderiam esboçar alguma reação ao ataque. Oficialmente, fala-se em 8o mortos. Pelo andar da carruagem, nem por aqui chegaremos a algum consenso. 

O Governo dos Estados Unidos nunca esteve preocupado com a normalização da democracia naquele país. Parafraseando Nietzsche, trata-se da parte visível do discurso. Um bom exemplo disso é a notória indisposição de diálogo com Maria Corina Machado e com Edmund González, que, se as eleições foram realmente fraudadas, era quem de fato deveria assumir, democraticamente, o comando do país. Corina foi proibida de participar das eleições, momento em que Edmund González assumiu a candidatura. Depois das eleições, exilou-se no exterior. Se a questão em jogo fosse o respeito às regras democráticas, naturalmente, o diálogo estaria aberto com ambos. Donald Trump já sinalizou que não quer nem conversa com os dois, numa clara demonstração de que eles não são atores confiáveis aos projetos norte-americanos para o país. 

Com a vice de Maduro, Delcy Rodrígues, teria havido um diálogo cabuloso meses antes do ocorrido. Ela teria se prontificado a permitir qualquer ingerência do Governo dos Estados Unidos no país. Por outro lado, para a claque chavista, o discurso é de soberania, de condenação veemente da operação americano no país. Dizem que ele seria de uma ala até mais radical do chavismo. Donald Trump já avisou que ela não deve encampar o processo de transição no país. Se insistir, as consequências poderão ser até mais traumáticas. No Brasil, sabe-se lá aconselhado por quem - certamente não teria sido por Celso Amorim - Lula passou a abrandar ou modular o discurso, evitando se indispor com os Estados Unidos. 

Na realidade, estamos diante de um novo colonialismo. Tem muita gente mais interessados nas terras raras e nas reservas de petróleo de Essequibo. A Venezuela possuí as maiores reservas de petróleo do mundo, que serão agora exploradas por empresas petrolíferas americanas. No contexto das relações econômicas globais, isso poderia fragilizar a capacidade de investimentos militares em países como a Rússia, em razão da baixa do preço do combustíveis. Isso é estratégico para a manutenção da hegemonia militar dos Estados Unidos. As terras raras e os minerais valiosíssimos para a indústria bélica, encontrados com abundância em terras brasileiras, igualmente entram neste contexto, mas isso já é uma outra discussão. 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Editorial: A segunda fase da operação dos Estados Unidos na Venezuela.



A edição do Jornal do Commércio de hoje, 04, é quase totalmente dedicada ao que ocorre na Venezuela. Do editorial à charge de Thiago Lucas. O mesmo deve ter ocorrido com outros jornais pelo país afora. O assunto é realmente bastante preocupante, com inúmeros desdobramentos, desde a implantação de um governo de transição naquele país, assim como em relação à exploração das jazidas de petróleo venezuelanos por empresas norte-americanas. Na realidade, a principal motivação da invasão, o que deve representar uma encrenca gigantesca para todo o continente, principalmente depois da descoberta de novas fontes em país vizinho à Venezuela. 

Há ainda poucas informações acerca da operação realizada no território venezuelano pelos Estados Unidos. Sabe-se, no entanto, segundo informações do jornal The New York Times, que havia um informante da CIA monitorando todos os passos do presidente venezuelano. Momentos antes da captura, ele ainda tentou se esconder num bunker, mas não logrou êxito. Uma cápsula de aço à prova de tudo. Donald Trump deu vários declarações sobre o assunto, cada uma delas mais preocupantes do que a outra. Há inúmeras divergências, por exemplo, sobre como seria este governo de transição até as coisas se normalizarem. As coisas só vão se normalizarem, entende-se, consoante os interesses do Governo Trump e das petrolíferas norte-americanas. Não mais no campo diplomático, mas militar. A soberania venezuelana foi para o espaço. 

Talvez seja por isso que Trump já deu declarações indicando que uma solução que passasse por Maria Corina Machado não seria bem-vinda. Muito menos ainda pela vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que a justiça do país já determinou que deve assumir o cargo. O destino de Maduro é tão previsível quanto complicado. Vai a julgamento já preventivamente condenado, tratado como um narcoterrorista. Não nos surpreenderia que ele tenha o mesmo destino de Joaquín Gusmán,  o El Chapo, mantido numa prisão de segurança máxima, passando por sérios problemas psicológicos. Por falar neste assunto, Nicolás Maduro chegou meio grogue em território norte-americano, desejando feliz ano novo aos agentes do FBI. 

Donald Trump orgulha-se de ter acompanhado todo o desenrolar da operação liderada pela equipe de forças especiais do Exército Norte-Americano, a Força Delta. Era como quem assiste a um filme, segundo ele. Sua assessoria militar informou que apenas um país teria as condições de realizar uma operação tão complexa como aquela. Há um equívoco aqui. As forças especiais de Israel, com o suporte do MOSSAD, já demonstraram que são capazes de realizá-las, como ocorreu em Entebbe, Uganda, quando vários tripulantes israelenses sequestrados em um avião foram resgatados. Encrenca pesada para o continente. Salvo melhor juízo, numa dessas declarações, o presidente Donald Trump teria sugerido que o episódio é um recado para quem questiona a hegemonia norte-americana no continente. 

sábado, 3 de janeiro de 2026

Editorial: Estados Unidos atacam a Venezuela e capturam Maduro.



Mais um exemplo emblemático daquele ano que não terminou, segundo a matéria da revista Veja, que comentamos por aqui. Há algum tempo os Estados Unidos realizam manobras militares no Mar do Caribe, concentrando ali um grande contingente militar. Perdoem-nos pelo trocadilho, mas tudo estava "maduro", perfeitamente dentro das possibilidades. Nos últimos dias ocorreram dois ataques dos Estados Unidos em solo da Venezuela, um deles sob a coordenação da CIA, supostamente em local de refino ou processamento de drogas. Estava evidente que logo viria um ataque em proporções maiores, como o realizado nesta madrugada, que culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Em vão a estratégia adotada pelo serviço de inteligência daquele país latino-americano, com o objetivo de proteger o presidente Nicolás Maduro. 

Dizem que ele nunca dormia mais de uma noite num único local. Isso seria o de menos. As manobras e  tessituras utilizadas pelos serviços de inteligência são escabrosas. Num dos momentos em que a CIA tentou matar Fidel Castro, articularam com uma amante do comandante o seu envenenamento. Fidel gostava de uma determinada bebida - salvo melhor juízo, uma vez que tentaram matar Fidel mais de 360 vezes - e a amante tinha a missão de colocar o veneno neste drink. Na última hora ela desistiu do intento. O arsenal dessas  é gigantesco. O que não faltam são traidores dispostos a receberam milhões de dólares para entregar a cabeça dos seus chefes. O presidente Lula reagiu, como prevíamos no dia de ontem, 02, veementemente à agressão dos Estados Unidos ao país vizinho. Vamos aguardar os desdobramentos do episódio no campo diplomático. 

Os informes de autoridades norte-americanas sinalizam que o presidente Nicolás Maduro - que não é tratado pelos Estados Unidos como presidente de um país - já se encontra em solo americano aguardando julgamento. Na realidade, o Governo Norte-Americano já tem um veredicto sobre Nicolás Maduro. Há muito tempo ele é acusado de estar mancomunado com os traficantes que operam na região. A ação do Governo Americano, coincidentemente, ocorre num momento em que Donald Trump já advertiu o Governo do Irã que não iria tolerar as agressões aos manifestantes que se mobilizam nas ruas da capital, em protestos contra a situação econômica e política do país. A foto acima foi divulgada recentemente, mas carece ainda de confirmação. Há quem esteja dizendo que Madura teria sido morto na operação. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Editorial: A posição do Brasil sobre a ingerência dos Estados Unidos na Venezuela.



Por dois momentos já foram anunciadas intervenções militares dos Estados Unidos no espaço territorial da Venezuela. Uma delas perpetrada pela CIA, produzindo estragos consideráveis num alvo que, a princípio, seria um local de produção ou refino de drogas. Quando os Estados Unidos e o Brasil sentaram à mesa de negociações, este foi um dos temas mais especulados. Os Estados Unidos teriam fechado algum acordo com o Brasil no tocante as eventuais intervenções militares no país vizinho? Nunca vamos saber exatamente o que foi negociado, mas sugere-se que os Estados Unidos irão cumprir à risca seus objetivos em relação ao continente latino-americano, especialmente na Venezuela. Hoje o site Metrópoles traz uma matéria acerca das possíveis recomendações de Lula aos seus assessores em relação ao assunto: repelir ou condenar as eventuais agressões. 

Tudo dentro da linha do que defende o seu assessor direto para assuntos internacionais, Celso Amorim. Não há como esta situação terminar bem. No caso da guerra entre a Ucrânia e a Rússia, o que se sabe é que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, teria fechado um acordo nada interessante, apenas para evitar maiores problemas. Num primeiro encontro na Casa Branca ele se mostrou bastante contrariado com a proposta. Desta última vez ele se mostrou mais conformado ou resiliente. Segundo alguns observadores, os planos de Donaldo Trump para o continente são gigantescos. Há suspeitas, inclusive, de operação de grupos terroristas financiados pelo Irã operando na região. São informações da unidade de inteligência dos americanos. Algo que não pode ser descartado. 

Trata-se de uma luta contra o terrorismo, uma vez que os traficantes também estão sendo enquadrados neste perfil. O Governo dos Estados Unidos até sugeriram que o Brasil enquadrasse as facções do crime organizado neste escopo, mas não houve um consenso em torno do assunto. Apenas para fecharmos o editorial, acabamos de saber que centenas de presos soltos na saidinha de Natal não se apresentaram às suas unidades prisionais de origem, reforçando as teses da Oposição e ampliando o hiato desta com o Governo Lula 3.