pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
Powered By Blogger

quinta-feira, 3 de março de 2011

Charge!

Série de Grandes Entrevistas: Leonel Brizola

Documento Especial: O Pau de Santo Antonio II

Erundina e Chalita fora do PSB?

O deputado Gabriel Chalita e a deputada Luiz Erundina não concordam com a entrada de Gilberto Kassab no PSB. Preciso analisar se as posições de Erundica guardam algum sotaque da sua militância petista ou se há outras razões que a motivam. Possivelmente não há nada de ideológica nesta posição, posto que a ilustre deputada pretende migar, imaginem, para o PMDB. Quanto à Gabriel Chalita, o Blog já antecipou que ele objetiva candidatar-se à Prefeito de São Paulo, projeto que teria alguns dificultadores com o ingresso de Kassab na legenda.

Crise no PDT. Carlos Lupi pode cair.

O clima azedou de vez na relação entre o PDT e a Presidenta Dilma Rousseff. Os problemas começaram com a rebeldia de alguns parlamentares em votarem num salário mínimo superior ao estabelecido pelo Planalto. Antevendo essa possibilidade, Dilma Rousseff fez gestões junto ao Ministro Carlos Lupi para que ele armonizasse a orquestra, o que não ocorreu. Por ocasião da convocação da bese aliada, ontem, Dilma não convidou o PDT. Colocando ainda mais lenha na fogueira, Paulinho da Força Sindical tratou muito mal o PT, chegando mesmo a ser deselegante, utilizando-se de termos chulos, impublicáveis. Política é a arte do possível, o que sugere que o incêndio pode ser debelado, mas a relação entre o PDT e Dilma Rousseff já foi chamuscada.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Milton Coelho falou como presidente do PSB?

Em tom incisivo, o Presidente Estadual do PSB, Milton Coelho, respondeu ao colunista da Folha de Pernambuco, Inaldo Sampaio, sobre suas observações à fala da vereadora, Marília Arraes, sugerindo a possibilidade de o PSB lançar candidato próprio para as próximas eleições municipais do Recife. Afirmou que não precisava de interlecutores e que falava na condição de presidente do partido. No mesmo Jornal, na coluna de Magno Martins, o prefeito Ettore Labanca também se pronunciou sobre o assunto chegando, inclusive, a sugerir nomes da legenda habilitado para gerir o destino da capital. Há alguns sintomas preocupantes neste episódio, como a longa entrevista concedida pelo deputado federal Sílvio Costa ao mesmo jornal - tecendo duras críticas à gestão de João da Costa - e no final, convidando João Paulo a deixar o PT. Detalhe: dias antes, o Senador Armando Monteiro(PTB) havia almoçado com João Paulo e Roberto Magalhães.

Cortes no orçamento atingem o Nordeste

Apesar das negativas da Presidenta Dilma Rousseff no último encontro dos governadores da região, ocorrido em Sergipe, os cortes no orçamento da União também atingirão o Nordeste. Somente o Ministério da Integração Nacional, presidido pelo pernambucano Fernando Bezerra Coelho(PSB) - prestigiadíssimo junto a Dilma Rousseff - terá uma perda de 02 bilhões. 

Emir Sader Não será nomeado para a Casa de Rui Barbosa.

Depois da polêmica gerada por uma série de declarações infelizes, tratando a Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, de autista e o ex-Ministro da mesma pasta no Governo Lula, Gilberto Gil, de negão. O sociólogo Emir Sader, nome bastante cotado para assumir a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa, teve sua nomeação revogada. Muito ligado ao Partido dos Trabalhadores e próximo de gente influente no Planalto, como Marco Aurélio Garcia e Gilberto Carvalho, a nomeação apenas não se confirmou em função do clima gerado por tais declarações, tornando impossível um convívio harmonioso entre ambos a partir de então.

Aconteceu: Carlos Prestes não ria.

Na introdução de um de seus livros sobre o Partido Comunista Brasileiro, tema ao qual dedicou o seu doutoramento, o professor da UFPE, Michel Zaidan Filho, relata um fato curioso, ocorrido quando da visita do poeta comunista chileno, Pablo Neruda, ao então Secretário-Geral do PCB, Luiz Carlos Prestes. Ao dialogar com o líder comunista brasileiro durante horas, um homem pelo qual o poeta chileno tinha uma grande admiração, um fato o chamou atenção na personalidade de Luiz Carlos Prestes: ele nunca ria. Quando realizei o mestrado, precisei ouvir muitas lideranças políticas e acadêmicas do Estado. Uma dessas lideranças foi o hoje deputado estadual do PCdoB, Luciano Siqueira. Extremamente atencioso e bom de trato, o comunista depois de atender nossos telefonemas, informou que, lamentavelmente, Janeiro talvez não fosse um mês adequado para nos conceder a entrevista, uma vez que estava de férias. Logo em seguida, faria uma correção: comunista não tira férias. E a entrevista foi realizada sem atropelos, sempre enfatizando que Miguel Arraes, apesar de cindir redutos conservadores - aliando-se a setores das oligarquias locais - jamais abandonou os comunistas.

terça-feira, 1 de março de 2011

O BLOG DO JOLUGUE AGRADECE

                                   Com pouco mais de uma semana de existência, o Blog do Jolugue já contabiliza mais de 1500 acessos, o que desmonstra o interesse dos internautas em seus posts e artigos. Como fica evidenciado na abertura, o objetivo do Blog é abordar com a mais absoluta transparência e independência possível, os grandes temas nacionais, com ênfase maior sobre questões políticas. Como o próprio Blog permite uma estatítica dos acessos, sua procedência, os temas chamados, podemos afirmar que uma das secção de maior sucesso é o Aconteceu, concebida para tratar de temas históricos importantes. O Aconteceu já abordou a fundação do PT em Pernambuco, os grandes debates presidenciais, a candidatura ao Governo do Estado, em 1982, pelo PT, do líder camponês Manuel da Conceição; uma possível nomeação do sociólgo Josué de Castro para ocupar um Ministério de Jango, que não chegou a se concretizar; Santa Quitéria, no Ceará, que foi a primeira cidade administrada pelo Partido dos trabalhadores - corrigindo uma injustiça histórica - que aponta Diadema como tendo sido a primeira. Outra secção permanente será dedicada aos nossos artigos e análises de conjuntura política, que estreiou com um artigo sobre o reide dos pescadores cearenses ao Rio de janeiro, para falar com Getúilio, em pleno Estado Novo, transformada depois nuam película do cineasta Orson Welles. O Blog de Olho, como o próprio nome sugere, ficará de olho na administração pública, cobrando das autoridades e fazendo as denúncias cabíveis em defesa da rés pública; A série capítulos históricos – que também deverá ser permanante – deverá abordar, com mais profundidade, do que o Aconteceu, grandes temas históricos. O capítulo de estréia, dividido em partes, abordará a campanha fracassado de "Che"Guevara na Bolívia,com pretenções de transformar-se numa revolução continental, culminando com sua morte. No mais, apesar de ser um Blog eminentemente de política, temas envolvendo o meio ambiente, a cultura, a educação sempre estarão presentes e o Blog aceita suas sugestões para melhorarmos. Estabeleçam um vínculo mais efetivo com o Blog, deixando seus comentários, seguindo-nos, recomendando-nos, acompanhando-nos também no Twitter, participando das enquetes. Abraços do Jolugue e da criançada.

Reforma Política: O que esperar?

Num país como o nosso, onde as instituições ainda não estão consolidadas e os costumes políticos eivados de vícios danosos à República, torna-se muito complicado a implementação de uma Reforma Política que se constitua num mecanismo de engenharia instittucional perene, que independa dos poderosos de plantão, dos interesses de fulanos ou de ciclanos, ou que se preste a atender conveniências imediatistas. O presidente do Senado, José Sarney - beneficiário das fragilidades desse sistema - já declarou seu pessimismo em relação à Reforma Política, sobretudo pela ausência de consensos. FHC e Lula também desistiram da empreitada. É impressionante como a maioria dos parlamentares envolvidos estão raciocinando eminentemente em relação ao próximo pleito que, como o Blog afirmou, trata-se de um equívoco. Dilma Rousseff precisa aproveitar esse bom momento e tocá-la. Quando chegar o desgaste, morre com ele, mais uma vez, a Reforma Política.

Daniel Coelho e Oscar Barreto.

Hoje travou-se na ALEPE um grande debate entre os jovens deputados Daniel Coelho e Oscar Barreto. Embora bastante inserido nos movimentos sociais - o que lhes proporcionou uma votação acima de 47 mil votos - o deputado Daniel Coelho continua demonstrando bastante inexperiência. Chega à tribuna sem dados concretos, generaliza as críticas e responde com evasivas, com um discurso "arrumado" para sair-se de situações embaraçosas. Essa demasiada concentração em assuntos do Recife, comenta-se, tem tudo a ver com um projeto alimentado por ele de tornar-se prefeito da cidade, objetivo já tentado pelo pai no passado. Militante político desde os 16 anos, tendo passado por sindicatos, movimentos estudantis e de sem-terras, ainda pouco familiarizado com a tribuna, Oscar Barreto até fornece combustível para reforçar os argumentos do adversário, que se não fosse inexperiente, poderia massacrá-lo. Dizer que educação é uma questão de Estado é uma tautologia.

Saudades de Josué de Castro.

João da Costa Vaiado no Municipal.

O estranhamento do PTB com a gestão municipal é um fato que vem se agravando, preocupando alguns setores da Frente Popular. As atitudes de João da Costa em relação ao partido - como o fato de sequer ter observado que os vereadores da agremiação estavam ausentes na cerimônia da Câmara de Vereadores, o que consolidou o rompimento - de uma certa forma, repercutiram na entrevista que o deputado Sílvio Costa concedeu à Folha de Pernambuco. Na entrevista, o deputado fez severas críticas ao comportarmaneto do Partido dos Trabalhadores - observando sobretudo a situação de Jaboatão dos Guararapes, onde o PT passou a integrar a gestão de Elias Gomes - e à gestão do prefeito do Recife. O presidente do PTB reuniu-se recentemente com o ex-prefeito João Paulo, reforçando a idéia de que tem planos para que ele ingresse na agremiação. Depois das vaias da prévia do municipal, as declarações da vereadora Marília Arraes - acompanhados de um "pito" sem graça de Milton Coelho -, só quem salva João da Costa é a oposição, que percebe nele o nome ideal para ser batido nas urnas nas eleições de 2012.  

Dilma: Responsabilidade do cargo é como escalar Everest

 

A presidente Dilma Rousseff afirmou que a responsabilidade do cargo para o qual foi eleita em 2010 é como uma escalada diária do Monte Everest. Dilma inaugurou hoje uma fase mais popular do mandato, em entrevista ao programa "Mais Você", da Rede Globo de Televisão. "É como se todos os dias eu tivesse que escalar um Monte Everest", disse à apresentadora Ana Maria Braga. Para Dilma, a Presidência da República "é um desafio que nunca acaba", mas "um desafio é o que pode mudar o Brasil".
PUBLICIDADE
Em clima descontraído, a presidente conversou também sobre a emoção que sentiu durante a posse, no dia 1º de janeiro. Classificou como "turbulenta" a sensação que teve ao receber a faixa presidencial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "É um momento muito especial. Por baixo daquela faixa tão levinha existe todo o peso e a responsabilidade de um país."
Dilma contou ainda sobre a trajetória de sua candidatura desde quando era ministra-chefe da Casa Civil no governo Lula. Disse que no início "não dava muita importância" quando Lula a apresentava como sua candidata, mas que depois seu nome foi evoluindo "naturalmente" como concorrente ao pleito. "As coisas fluíram naturalmente." Sobre seu padrinho político, Dilma afirmou que Lula é uma pessoa muito doce e com senso de humor, mas também "muito exigente como todo presidente deve ser".
Ela falou ainda sobre sua família. Disse que o pai foi uma das grandes inspirações para sua carreira e militância política. "Um coisa que meu pai sempre valorizou foi o esforço", afirmou, ao contar sobre o estímulo que Pedro Rousseff dava a ela para os estudos. Dessa influência, contou Dilma, nasceu sua paixão por livros. Sobre sua mãe, Dilma se referiu a ela como uma pessoa "sempre solidária" aos problemas que enfrentou, como por exemplo o período que passou na prisão durante a ditadura militar.
Dilma e Ana Maria Braga conversaram ainda sobre o câncer - ambas se trataram da doença -, defendeu o uso do termo "presidenta", "para enfatizar que a agora existe uma mulher no mais alto cargo do País", e tentou amenizar sua imagem de "durona": "É interessante como esperam de nós, mulheres, uma certa fragilidade. Isso decorre do fato de que a mulher, quando assume um alto cargo, é vista fora do seu papel. Acho que, a partir de agora, isso vai começar a ser encarado como uma coisa normal e natural", disse.

Matéria enviada pelo companaheiro Alexandre Evangelista. O Blog agradece.

Homenagem do Blog a Patativa do Assaré.

Repercute Entrevista de Sílvio Costa

Entrevista concedida pelo deputado federal Sílvio Costa ao Jornal Folha de Pernambuco, repercutiu bastante nos meios políticos locais. Sílvio Costa enfatiza que o contexto político da região metropolitana não pode ser desprezada pelos estrategistas políticos da situação. Neste contexto, admite que o PT está batendo cabeça em Jaboatão dos Guararapes, após aceitar o convite para integrar o Governo de Elias Gomes. Outro problema diz respeito ao tratamento do Partido ao deputado federal João Paulo, um quadro importante do Partido e de densidade eleitoral comprovada. Em diversos artigos escritos pelo autor do Blog, também lamentamos que as disputas internas do PT estejam praticamente expulsando João Paulo. Acredita, lembrando alguns pleitos anteriores, que a melhor estratégia da situação é lançar mais de uma candidatura e que o quadro desfavorável da adminsitração de João da Costa não será revertido. Quanto à administração de João da Costa, tambérm concordamos com o deputado. Apesar da afinação de orquestra tentada por Eduardo Campos com a administração municipal, todos os dias são "plantadas" notas sobre uma possível candidatura do PSB. Por outro lado, Paulo Rubem(PDT) insinua que o partido, pretende lançar candidato à Prefeitura da Cidade do Recife. Em tempo: saindo do PT, o caminho mais próximo de João Paulo é o PDT.

Dilma Rousseff enquadra Orlando Silva.

Antônio Palocci, com sua habilidade política conhecida, até que tentou, pedindo a Orlando Silva que não criasse problemas para Henrique Meirelles em função de sua nomeção como Autoridade Pública Olímpica. Numa manobra para esvaziar sua autoridade, Sérgio Cabral e Eduardo Paes propuseram um uma espécie de Conselho. Percebendo a manobra, Dilma Rousseff também o indicou para o tal Conselho. Com uma situação muito complicada no Governo, mantido apenas em função dos grandes acordos com o PCdoB, Orlando Silva resolveu ceder. Antes os anéis do que os dedos.

DEM: Operação Segura Kassab

Os caciques do DEM empreendem os últimos esforços para segurar o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na agremiação. Depois dos afagos - com a oferta de mundos e fundos - Jorge Bornhausen apresentou algumas questões práticas, como o número de assinaturas exigidas para a formação do novo partido, e uma questão de natureza ideológica, como as dificuldades que os eleitores teriam de compreender essa conversão tão radical dos DEM(os) em socialistas. No domingo, repercutiu bastante no microblog Twitter o fato de o PSB, em nomes dos projetos nacionais de Eduardo Campos, assimilar em suas fileiras políticos de perfil tão conservador. Eduardo Campos, definitivamente, está transformando o PSB num partido catch all . Seu avô, Miguel Arraes, apesar de adotar nos embates estaduais que disputou a estratégia de cindir os redutos conservadores, dificilmente queria conversa com o alemão.

Aconteceu: Manuel Correia de Andrade no Governo Arraes.

Em entrevistas concedidas ao autor deste Blog, ainda quando dirigia o CEHIBRA/FUNDAJ, o geógrafo Manuel Correia de Andrade, após discorrer sobre o cenário político da década de 80 em Pernambuco, entre uma conversa e outra, falou-nos sobre a sua experiência no Governo Arraes. Autor de uma grande produção acadêmica sobre os problemas fundiários da região Nordeste - alguns desses trabalhos, como A Terra e o Homem no Nordeste, escrito a pedido de Caio Prado Júnior, tornaram-se clássicos - suas reflexões fizeram Miguel Arraes convidá-lo ao Palácio para colaborar com o seu Governo. Politicamente, sempre fora ligado ao MDB, o que não deixa de ser um dado importante. Manuel Correia de Andrade, sempre foi um homem muito conciliador, de diálogo fácil. Essa capacidade de diálogo permitiu que o professor Michel Zaidan voltasse a falar nos microfones da Fundação Joaquim Nabuco, depois de ter sido proibido em função das críticas dirigidas ao seu fundador, o sociólogo Gilberto Freyre. No diálogo com Arraes, Manuel Correia alegou que não tinha experiência administrativa e não gostava da idéia de negociações com os políticos.Velha raposa, Arraes o convenceu, dizendo apenas o seguinte: Quando os políticos se dirigirem à sua sala e você precisar negar algum pleito, negue, mas ofereça um cafezinho.  

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Artigo: "OS MELHORES DIAS DA VIDA DE ORSON WELLES"

OS MELHORES DIAS DA VIDA DE ORSON WELLES

                            Era o ano de 1941. Em pleno Estado-Novo, quatro jangadeiros cearenses realizaram um reide do Ceará ao Rio de Janeiro a bordo da jangada São Pedro, assim batizada em homenagem ao padroeiro dos pescadores. Guiados pela determinação, a esperança e as estrelas, sem bússola ou carta náutica, Raimundo Correia Lima(Tatá),Manuel Pereira da Silva(Mané Preto), Jerônimo André de Souza(Mestre Jerônimo) e Manuel Olímpio Meira(Jacaré), o líder do grupo, realizaram um feito que entrou para a história da navegação, para a história da luta dos trabalhadores do mar e para a história do cinema, tornando-se uma película do cineasta americano, Orson Welles, somente finalizada oito anos após sua morte.
                                   Integrantes da Colônia Z-1, da praia do Peixe, hoje Iracema,  os jangadeiros desejavam denunciar para o país e para o Estado-Novo, corporificado na figura do ditador Getúlio Vargas, a situação de abandono em que viviam aproximadamente 35 mil pescadores do Ceará. O objetivo do reide era, portanto, indubitavelmente, político. O processo crescente de precarização da condição de vida dos trabalhadores do mar precisava ser exposto de alguma forma, e o reide cumpriria esse papel.
                                   Os jangadeiros se indignavam, sobretudo, com a injusta apropriação indevida do resultado do seu trabalho. Os donos das jangadas ficavam com a metade do que eles pescavam. Moravam em toscas palhoças e não eram alcançados pelo instituto da previdência social. Os  benefícios sociais, então obtidos pelos trabalhadores no Governo de Getúlio Vargas, não chegavam à classe de pescadores. No entendimento dos jangadeiros, o presidente da República, precisava tomar conhecimento desta situação. A qualquer custo.
                                   Num “bom nordeste” de uma manhã de 14 de setembro de 1941, os jangadeiros partiram da antiga praia do Peixe, chegando ao Rio de Janeiro dois meses depois. Foram muito bem acolhidos pela população carioca, num reconhecimento explícito pela bravura da odisséia, e, em 16 de novembro, foram recebidos no Palácio do Catete por Getúlio Vargas. Comenta-se que Getúlio teria dito para Jacaré, o líder do grupo, “Conte tudo. Não esconda nada”. Depois de ouvir as reinvidicações dos pescadores, Vargas, bem ao estilo populista, teria concluído: “Voltem tranqüilos. O Governo saberá ampará-los e dar-lhes justiça.”
                                   Embora Vargas tenha cumprido as promessas formais assumidas – estendendo os direitos trabalhistas à classe de pescadores - Desde então, a situação dos trabalhadores do mar, que se dedicam à pesca artesanal no país, por inúmeros fatores, permanece enfrentado uma série de problemas, como a concorrência desleal com a pesca industrial, agravados pela escassez do pescado, como resultado da destruição dos manguezais, da pesca predatória, da não observância aos períodos de defeso das espécies etc.
                                   O caso das “meninas marisqueiras” nos oferece uma situação emblemática, identificadora de que o “estado de abandono”, criticados pelos pescadores à época, ainda não foi superado. Em todas as regiões do país, mas, sobretudo, no litoral nordestino, essas meninas enfrentam um grande dilema: precisam optar entre freqüentar uma escola com regularidade ou ir à pesca do crustáceo, fundamental para a sua sobrevivência. Não é preciso ser nenhum especialista em educação para concluir que, nessas circunstâncias, é grande o índice de abandono das salas de aula nas regiões litorâneas, onde esse crustáceo ajuda a movimentar a economia local.
                                   Na mesma década do reide dos pescadores cearenses, o sociólogo pernambucano Josué de Castro, através dos seus livros, denunciava as precárias condições de vida dos moradores dos mangues do Recife, imprimindo à questão da fome um status político, fruto das engrenagens sociais perversas. Segundo Josué, esses moradores viviam como caranguejos, atolados na lama, numa verdadeira cumplicidade com o mangue. “Ali tudo é, foi ou será caranguejo”.
                                   Há alguns outros fatores históricos que relacionam, de uma maneira mais orgânica, o Estado do Ceará às jangadas. Além do reide de Jacaré e seus companheiros, os romances de José de Alencar e um fato emblemático relacionado à libertação dos escravos. Antecipando-se à assinatura da Lei Áurea, o Ceará torna-se a primeira província brasileira a abolir a escravidão. Também possui seus heróis e um desses heróis era um líder jangadeiro, Francisco José do Nascimento, conhecido como Chico da Matilde, um pardo e humilde trabalhador do mar, que se recusou a embarcar, através de sua jangada, escravos para navios negreiros que estavam ancorados no Ceará e tinha como destino o Rio de Janeiro.
                                   Levado para a Corte, Chico da Matilde, foi ovacionado pelo povo e rebatizado de Dragão do Mar. Hoje, no Ceará, o Centro  Dragão do Mar de Arte e Cultura é uma homenagem a este jangadeiro que, numa atitude de muita dignidade, contribuiu para, formalmente, agilizar o processo de libertação dos escravos.
                       As jangadas são embarcações de madeira flutuante, utilizadas por pescadores artesanais para a pesca em alto mar, sobretudo na costa litorânea do Nordeste brasileiro. Trata-se de um barco movido à vela, que incorpora uma série de experiências no campo da navegação, exigindo de seu comandante, destreza, habilidade, perícia e sensibilidade para acompanhar o movimento dos ventos, tábua de marés etc.
                                   As jangadas tradicionais são construídas sem o emprego de metais, ou seja, toda a sua estrutura é montada através de encaixes e amarradas com cordas de fibras selvagens, neste aspecto,  incorporando a experiência indígena. Segundo o folclorista potiguar Luiz da Câmara Cascudo, em trabalho encomendado pela propaganda getulista, denominado Jangadeiros, a tradição de fazer jangadas com essas características vem se perdendo ao longo dos anos. Poucas colônias de pescadores da região ainda preservam tal tradição.
                                   O reide do jangadeiro Jacaré e de seus companheiros obteve repercussão internacional. O cineasta Orson Welles tomou conhecimento da proeza através de uma edição da revista Time, que chegou em suas mãos quando ele estava a trabalho, no México. Ao ler a matéria, Orson não teve nenhuma dúvida: estava ali o segundo episódio brasileiro de um trabalho, que estava realizando para o Studio RKO, que integrava as políticas diplomáticas de boa vizinhança do presidente Roosevelt para o continente latino-americano.
                                   A presença de Orson Welles no Brasil, e em particular no Ceará, as filmagens de It’s All True – título do filme que incorporava a saga dos pescadores cearenses e o carnaval carioca – a exploração política do episódio pelo do Estado Novo e a morte trágica de Jacaré durante as filmagens – num acidente sob suspeição -, culminando com a interrupção dos trabalhos, o que levou Orson Welles de volta ao Ceará, sem nenhum recurso, para retomar as filmagens, são situações que até hoje geram muitas especulações e algum folclore.
                                   Determinado a concluir as filmagens sobre a saga dos jangadeiros, Orson Welles, como já afirmamos, voltou ao Ceará com a idéia na cabeça e uma câmara que sequer permitia a gravação de áudio. Convivendo diretamente com os jangadeiros cearenses, Welles, arriscamos a dizer, viveu os melhores dias de sua vida: Filmava mesmo nessas condições adversas; saia para pescar com os pescadores cearenses;  comeu muito peixe fresco com cerveja; contemplava o pôr-do-sol no alto das dunas; dormia em rede; estirado na esteira de vime, como diria o poeta, bebia água de coco ao cair da tarde. Certamente namorava e ainda ouvia as conversas de pescadores.
                                   Aqui, no litoral nordestino, um verdadeiro paraíso tropical, Welles teve a oportunidade de livrar-se do tedioso modo de vida americano, a exemplo do escritor Ernest Hemingway, que passou um período de sua vida em Cuba, pescando, escrevendo e observando o cotidiano dos trabalhadores do mar, o que resultaria no romance O Velho e o Mar
                                   Há quem afirme, por exemplo, que neste período, Orson teria aproveitado o momento para realizar uma viagem ao Recife. Orson, todos sabem, tinha fama de mulherengo e fanfarrão. Hospedou-se no Grande Hotel e, numa noite de farra, teria tomado um porre “daqueles” perdido o equilíbrio e caído no Rio Capibaribe. It’s All True!
                                   Há, também, uma teoria conspiratória sobre o acidente com a lancha que vitimou Jacaré, na enseada de Ipanema. Há quem assegure que o Estado Novo, que havia determinado ao DOPS que seguisse os passos dos pescadores para não permitir sua aproximação com a esquerda, poderia ter tramado a morte dos jangadeiros. Apenas Jacaré faleceu no acidente. Seu corpo nunca foi encontrado.
                                   O Estado Novo também estaria incomodado com tantos pobres, negros e favelas nas tomadas de Orson Welles no Rio de Janeiro e teria feito gestões junto ao Governo Americano no sentido de interromper as filmagens. Especulação ou verdade, o fato é que o Studio RKO, logo em seguida, deixou Orson à míngua. Antes do reide, os jangadeiros cearenses, por sua vez,  esperaram por muito tempo, um sinal verde da Marinha Mercante liberando-os para a viagem. Incomodado com o fato, o jornalista Austregésilo de Atayde escreveu um artigo apaixonado intitulado: “Deixem vir os Jangadeiros”.                   
                                    Por ocasião do encontro com Getúlio Vargas, um dos seus assessores queria saber quem havia escrito o diário de bordo, relatando toda a odisséia. Ao que Jacaré teria respondido: eu mesmo escrevi o diário. Espantado, o assessor teria dito: É um novo Pero Vaz de Caminha!  Jacaré, então, retrucou: Este não veio!
                                   Embora Orson Welles seja um pouco fantasioso ao apresentar os pescadores como sujeitos praticamente vivendo longe da civilização – conforme afirma Beatriz Abreu, que escreveu uma tese de doutorado sobre o reide dos jangadeiros cearenses e sua “apropriação” política pelo Estado Novo, como peça de propaganda – o fato é que, já naquela época, a especulação imobiliária naquela área estaria empurrando os pescadores morro à cima. Beatriz Abreu enfatiza, sobretudo, os “ganhos simbólicos” do trabalhismo de Getúlio com o episódio, numa análise que merece ser lida, porque, apesar das críticas, reconhece a dignidade da ação dos jangadeiros.           
                                   O cinema nacional dedicaria outros trabalhos envolvendo a temática dos jangadeiros. Em 1926, no Recife, num movimento que ficou conhecido como “Ciclo do Recife”, marco da cinematografia brasileira, com roteiro de Luís Maranhão, Tito Severo e Jota Soares e direção de Gentil Roiz e Ary Severo foi realizado o filme mudo “Aitaré da Praia”, que conta a história de Aitaré, jangadeiro que namorava Cora e se envolve numa série de problemas depois de salvar o rico coronel Felipe e sua filha.
                                   Sobre a presença de Orson Welles no Ceará, Firmino Holanda realizou um excelente documentário. It’s All True seria retomado mais tarde, com o filho de Jacaré, assumindo o papel principal. Depois desse episódio, outros reides foram realizados, embora sem o mesmo glamour e repercussão do reide realizado em 1941, pelos jangadeiros cearenses. Em 1974, quatro outros jangadeiros empreenderam a mesma travessia, quase sempre focadas na exposição das condições sociais dos pescadores. Em plena ditadura militar, no seu período mais crítico, a repercussão dessa segunda viagem foi bastante suprimida. A jangada dessa travessia de 1974, no entanto, que pertenceu ao jangadeiro José de Lima Verde, e esteve sob os cuidados do Museu Histórico Nacional, tornou-se acervo permanente do Museu do Homem do Nordeste, da Fundação Joaquim Nabuco, exposta para visitação pública no seu pátio externo.
                                    

José Luiz Gomes da Silva

                                  
                                     

Geografia da Violência

Pernambuco comemora os bons resultados alcançados no combate à violência através do programa Pacto pela Vida, cujas diretrizes foram recentemente conhecidas pelo Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que elogiou o programa durante um encontro em Brasília.Outra autoridade pública que ficou encantada com os resultados do programa foi o governador de Sergipe, Marcelo Déda, que veio até o Recife conversar com assessores de Eduardo Campos. No entanto, isso não traduz a situação de violência na Região, que vem aumentando sintomaticamente no s últimos anos. Enquanto Rio e São Paulo, ao longo dos anos, adotaram medidas - como as bonificações ao policiais e as UPPs - que contribuiram para minimizar o quadro nesses Estados, no Nordeste alguns fatores estão contribuindo par ao aumento da violência, como o notável crescimento econômico - fundamental para o tráfico de drogas e outros crimes - e a possibilidade aberta com o enfrentamento do problema em outras regiões.  

Gabriel Chalita no PMDB?


O deputado Gabriel Chalita, do PSB paulista, tem projeto de candidatar-se a prefeito de São Paulo. Como a saída de Gilberto Kassab do DEM para fundar o PDB tem como estratégia o mesmo objetivo, agora com o apoio do PSB de Eduardo Campos, Chalita ficaria sem legenda para ancorar o seu projeto. Neste senido, ele estaria de malas prontas para deixar o PSB e migrar para o PMDB, cuja ficha será abonada pelo vice-presidente, Michel Temer. 

Cabra Marcado Para Morrer! Eduardo Coutinho.

OVNI em São Paulo?

João da Costa no Municipal

Ontem, no Baile do Municioal, João da Costa, prefeito do Recife, concedeu entrevista ao repórte Chico José, da Rede Globo. Politicamente, tentou apresentar-se como um grande folião, mas não convenceu. Ao lado da primeira-dama, falou do sucesso do Baile, cujos ingressos foram comercializados em 48 horas, da distribuição dos recursos com entidades que atendem pessoas carentes. O prefeito concentrou-se na organização do evento, fazendo um breve relato da organização da festa, cada vez mais descentralizada. Por alguma razão, percebi que João da Costa não estava bem a vontade. E olha que o outro João nem estava por perto.

Alckmin: Dilma é preparada.

Os obras de infraestrutura para a Copa de 2014 não estão andando como deveriam. Talvez a única exceção seja Porto Alegre, onde o cronograma das obras seguem um ritmo bom. Nas demais cidades, o sinal amarelo já foi acionado, inclusive Recife. Orlando Silva, Ministro dos Esportes, pretende apresentar para Dilma Rousseff um relatório com essas informações. É bem possível que ele já saia da sala demitido. Por outro lado, num encontro recente, também para tratar dos preparativos para os grandes eventos previstos, o Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, teceu rasgados elogios à Presidente Dilma Rousseff, tratando-a como uma pessoa bastante preparada. Não era bem isso que eles diziam durante a campanha.

E Lula com isso?

Há poucos dias, publiquei um artigo onde discuto o rearanjo do sistema partidário brasileiro em função das manobras recentes de Gilberto Kassab e Eduardo Campos para a formação de um novo partido, com o sinal verde do Planalto. Discuto, em vários cenários, as consequências imediatas e futuras dessa movimentação, que viabiliza projetos de lideranças ainda jovens da cena política brasileira. Todos sabem que está por trás disso uma grande estratégia de engenharia política que enfraquece a oposição (DEM), não engorda os aliados complicados(PMDB). Como não se trata de um jogo de soma zero, até José Serra, muito fragilizado no PSDB, ganha com a movimentação do pupilo. Fiz muitos comentários, mas esqueci de lembrar alguém que deve estar dando saltinhos de alegrias com o esfacelamento do DEM: Luiz Inácio Lula da Silva.

Ninguém repreendeu Marília.

Até o momento, a vereadora Marília Arraes não foi repreendida em função das declarações sobre a sucessão de 2012 no Recife, onde chegou a declarar que talvez fosse o momento do PSB entrar no jogo, apresentando um candidato próprio. Hoje, o Diário de Pernambuco trás uma longa matéria sobre o que estaria envolvido nesta afinação de orquestra entre o Governo do Estado e a Prefeitura do Recife. As declarações de Marília vieram logo em seguida. Coincidência? Outro dia o senador Humberto Costa insinuou que poderíamos ter surpresas em 2012. João da Costa continua com as barbas de molho.

Aconteceu: Josué de Castro Ministro

Temporariamente superada a crise institucional que se instalou no país com a renuúncia de Jânio Quadros, permitindo que seu vice, João Goulart assumisse a Presidência, o antropólogo Darcy Ribeiro o procurou para falar do pernambucano Josué de Castro, um cientista respeitado no mumdo todo pelos seus trabalhos sobre a questão da fome, posta por ele num status político, fruto das engrenagens sociais perversas.Depois dos argumentos, Jango ficou convencido da importância de ter Josué de Castro no seu Governo e prometeu a que ele ocuparia um Ministério. Darcy, então, conversou com Josué, por quem tinha uma grande admiração, e pediu que ele guardasse silêncio sobre o assunto. Josué, vaidoso, comentou com correligionários sobre a sua possível indicação para um Ministério. Isso causou muito desconforto entre proeminentes políticos da província, movidos pelo sentimento da inveja, que alegavam que Josué só vivia no exterior, além de outras bobagens. O fato é que, lamentavelmente, Josué de Castro não foi nomeado Ministro de Jango. Sempre que nos dirigimos com nossos alunos à comunidade remanescente de quilombos, localizada no distrito de São Lourenço, Goiana - Mata Norte do Estado - Josué de Castro é homenageado através de José do Nascimento, o jipe, um típico homem-caranguejo dos nossos dias.