Nas eleições presidenciais de 2022 o PT encontrou enormes dificuldades em relação a um nicho eleitoral específico: os evangélicos. Esse nicho cresce continuamente no Brasil e, acreditam os especialistas, pode determinar o rumo de uma eleição presidencial no país a partir de 2030. Quer dizer, vamos chegar a um momento em que, sem as bençãos dos irmãos, o cidadão não senta na cadeira do Palácio do Planalto. De lá para cá as coisas não mudaram significativamente nesta relação. Talvez tenham até se agravado, depois dos episódios da Marquês de Sapucaí. São questões que não se resolvem apenas no período eleitoral. O próprio Lula chegou a espantar-se com o fato de o PT ter perdido essa liga com os evangélicos, uma relação tão harmoniosamente construída em tempos idos. As explicações para este fenômeno daria uma tese de doutorado, algo não possível de ser tratada apenas num simples editorial.
As questões internas de uma pesquisa de intenção de voto, mais do que os números apresentados em si, podem ser ainda mais importantes numa campanha. Os escores podem mudar ao longo do processo, desde que o diagnóstico dos problemas sejam elencados e as providências adotadas. O cientista político Felipe Nunes, diretor do Instituto Quaest, concedeu uma entrevista ao Jornal da Globo, onde elenca, com base nas pesquisas realizadas pelo instituto, os nichos ou grupos de eleitores que não estão demonstrando grande simpatia por conceder um quarto mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre esses eleitores, os jovens, as mulheres e segmentos da classe média. Possivelmente apenas as pesquisas qualitativas, ouvindo os grupos de eleitores específicos, possa realizar um diagnóstico mais preciso acerca da razão desse hiato entre tais eleitores e o presidente Lula.
Algo sugere que a medida adotada no que concerne a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais não está produzindo os efeitos esperados. Mas uma pesquisa do Datafolha onde evidencia-se que 70% dos brasileiros estão endividados -afetando o bolso a parte mais sensível, portanto - pode ser um bom prenúncio para entenderemos esse mau humor do eleitorado com o presidente Lula neste momento. Fala-se num eventual controle inflacionário, mas o brasileiro médio sente que tem sido cada vez mais complicado manter a geladeira abastecida.

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