Há pouco comentávamos sobre a possibilidade de montagem de um palanque bolsonarista genuíno aqui no estado. Como se sabe, Pernambuco tem uma boa representação ou base bolsonarista, hoje abrigada com dificuldade no Palácio do Campo das Princesas. Sugere-se que poderia haver alguma pressão do PL nacional em relação ao assunto. Afinal, o candidato Flávio Bolsonaro escolheu justamente o Nordeste, tradicional reduto petista, para intensificar a sua campanha. Há, inclusive, uma visita já programada para Pernambuco, agendada pelo deputado federal Mendonça Filho, recentemente filiado ao PL. Há muito tempo batemos na tecla por aqui que o PT precisa refazer os seus cálculos eleitorais em relação ao Nordeste, onde já não desfruta do apoio de antes, quando as eleições passadas.
É suficiente para isso observarmos a situação de estados como o Ceará, a Bahia, o Maranhão e, também Pernambuco, berço político de Luiz Inácio Lula da Silva, onde o Datafolha estima que o presidente possa ter perdido 10% dos seus eleitores. Tentar equilibrar as forças no chamado Triângulo das Bermudas - aqueles estados da região Sudeste do país, a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro e São Paulo - sem manter os mesmos escores de eleições anteriores aqui no Nordeste é uma aposta arriscada. Em São Paulo, por exemplo, ocorre um lance curioso. Fernando Haddad vai relativamente bem na disputa - até surpreendendo - mas os jornais hoje estampam a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Na Bahia, até bem pouco tempo, considerávamos que Jerônimo Rodrigues, que concorre à reeleição, estava equilibrando o jogo na disputa com ACM Neto. As últimas pesquisas dizem que não. A diferença entre ambos ainda é significativa. No caso da Bahia, duas situações precisam ser consideradas. ACM Neto ainda não declarou apoio a nenhum candidato à Presidência da República. Estima-se que possa apoiar, inclusive, Ronaldo Caiado. Por outro lado, o PT acredita que, quando Jaques Wagner e Rui Costa entrarem em campo, o cenário tende a mudar completamente. O resumo da ópera é que os cálculos do PT sobre o seu desempenho eleitoral no Nordeste precisam ser refeitos. Pode evitar algumas surpresas desagradáveis.

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