Na política, por vezes, falas de atores que chegam ao domínio público - antes dos cortes ou das censuras, é bem verdade - são mais importantes para procedermos as análises de algumas situações do que mesmo os acordos fechados publicamente entre lideranças políticas. De público, por exemplo, se sabe que Cid Gomes(PDT-CE) manifestou alguma preocupação sobre os rumos da economia do país, assim como em relação aos arranjos do grupo que ele apoia no Ceará. Ontem comentamos sobre a possibilidade de uma reaproximação entre ele e o irmão, Ciro Gomes(PSDB-CE), algo impensável até bem pouco tempo. Um vídeo que assistimos hoje, onde um vereador do PDT - partido de Cid - confessa que votará em Ciro Gomes nas próximas eleições estaduais, abre um outro franco de análise da situação: eventuais debandadas da base de apoio do PDT que se vincula ao projeto do PT no estado.
Ou seja, além dos ruídos, Cid Gomes pode está enfrentando uma situação inusitada. Não existe uma posição ainda definitiva, mas possivelmente Ciro Gomes será candidato ao Palácio da Abolição, em 2026. Embora há quem diga que os tucanos estão tentando uma última cartada no sentido de convencê-lo a disputar o Palácio do Planalto. Estão conversando com o presidente emérito da legenda, Tasso Jereissati, que possui grande ascendência sobre Ciro. E, por falar em Tasso Jereissati, está se desenhando uma aliança entre o PSD e o PSDB. Recentemente, um colaborador ilustre do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Roberto Brant, está elaborando o programa do pré-candidato Ronaldo Caiado à Presidência da República. Cogita-se, igualmente, a indicação do nome de Tasso para ocupar a vaga de vice na chapa do goiano.
Não muito distante, quando perguntado sobre o que ele pensava sobre Ronaldo Caiado, Ciro teria sido até simpático em sua fala. Em política acontece essas coisas. Até bem pouco tempo, ninguém imaginaria que os tucanos começassem alçar voos novamente exatamente no Nordeste, um reduto tradicional petista. Pois é exatamente isso o que está ocorrendo, sobretudo em estados como o Ceará e em Alagoas, com JHC(João Henrique Caldas). No Ceará, ainda dentro da janela partidária, com o apoio decisivo de Ciro Gomes, os tucanos conseguiram se igualar ao número de representantes do PT na Assembleia Legislativa do Estado. O deputado federal Aécio Neves, que hoje dirigir a legenda tucana, faz algumas previsões otimistas acerca do crescimento do partido a partir das próximas eleições.

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