pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: O PT antissistema?
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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Editorial: O PT antissistema?



Quando o PT foi fundado, ali na década de 80, foi apresentado como a grande novidade da política brasileira. Era um partido com características singulares, absolutamente distintas no contexto do sistema partidário brasileiro. Muitas dissertações de mestrado e teses de doutorado foram produzidas, explorando essa condição do partido. Tudo era muito simbólico em relação ao PT, suscitando atenções da sociedade sobre todos os seus atos, inclusive sobre as primeiras experiências de gestão da legenda. Os militantes mais exaltados queriam a implantação de uma espécie de "socialismo municipal", algo impensável num contexto de uma economia capitalista. Isso ocorreu em Santa Quitéria, no Ceará, quando o partido conseguiu eleger seu primeiro prefeito no Brasil, ou mesmo quando Luísa Erundina foi eleita para governar a maior cidade da América Latina. 

Na realidade, alguns assinalam, equivocamente, que teria sido Diadema a primeira cidade a ser conquistada pela legenda. A luta pelo voto e o exercício do poder, aliada ao processo natural de "oligarquização - conforme assinala o sociólogo alemão Robert Michels - foram moldando uma nova personalidade a legenda ao longo do tempo, com enormes prejuízos pela sua luta de base, esteio primordial do partido. Hoje se fala, por exemplo, que o partido distanciou-se dos evangélicos, num momento crucial, quando se sabe que este nicho eleitoral está se tornando fundamental para a definição de uma eleição presidencial. Em épocas passadas, o partido manteve até núcleos evangélicos atuando nas instâncias partidárias. Depois de 20 anos de exercício do poder no plano nacional, o PT é, de fato, um outro partido, sobre o qual a narrativa de partido antissistema talvez não se aplique mais. 

Aqui vamos concordar com o editorialista do jornal O Estado de São Paulo, ao afirmar ser um equívoco a fala do presidente nacional de legenda, Edinho Silva, apontando partido como um partido antissistema. Não é mais. Em certa medida já foi. Costumo muito mencionar aqui pelo blog duas situações emblemáticas ocorridas aqui no estado, ali pela década de 80, quando partido foi fundado. Fundado numa reunião ocorrida no Colégio Sion, em São Paulo, em 10 de fevereiro de 1980, aqui no estado o partido só seria criado no mês de junho daquela mesmo ano. Por essa época, segundo o professor Paulo Rubem Santiago, o partido se reunia no  Sindicato das Empregadas Domésticas. Nada mais simbólico. Outro dato emblemático é a expulsão sumária, sob a acusação de abuso do poder econômico, de um candidato que havia presentado um cabo eleitoral com um jerico para fazer a sua campanha no interior do estado. Vão longe esses tempos, meu caro editorialista do Estadão.  

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