Estávamos lendo há pouco uma entrevista com uma autoridade do GAECO, onde ele demonstra sua preocupação com o avanço do crime organizado no estado da Paraíba. O quadro é preocupante não apenas no interior do estado - onde se tornaram frequentes as abordagens da PF em prefeituras municipais, seja por desvios de conduta de autoridades locais, seja em razão do plantio de entorpecentes - mais na Grande João Pessoa e Região Metropolitana, envolvendo, notadamente, as cidades de Bayeux, Santa Rita, Cabedelo e Conde. São recorrentes as ocorrência de chacinas em Bayeux - como a ocorrida com os quatro jovens baianos recentemente - assim como todos tomaram conhecimento do que ocorreu em Cabedelo, onde um prefeito foi cassado e, logo em seguida, seu sucessor, eleito em eleição suplementar, teve o mesmo destino, em razão de suposto envolvimento com o desvio de recursos públicos em favorecimento de facções do crime organizado.
Uma das pessoas detidas na operação em Cabedelo forneceu informações sobre como a engrenagem criminosa moía na prefeitura municipal, num conluio entre agentes públicos e privados. Gente ligada à facção vencia licitações fraudadas e os "terceirizados" eram pessoas ligadas e contratadas pelas facções Quer dizer, em última análise, um munícipe poderia ser atendido num posto de saúde por um faccionado. Vejam em que estágio nós chegamos. Já desconfiávamos de eventuais procedimentos desta natureza, sobretudo no quesito de contratação de serviços de segurança privada. A fala da depoente apenas confirma esses conluios ou entranhas. Nas eleições de 2022 denúncias desta natureza atingiram até a administração municipal da capital João Pessoa.
Hoje, 17, no bairro de Colinas do Sul, uma família teve que deixar a sua residência às pressas, por determinação de um grupo faccionado. Quando a Polícia Militar teve acesso ao imóvel, ele já havia sido saqueado. A expulsão ilegal dos moradores de uma região é um dos índices mais seguro para se checar o avanço do crime organizado numa determinada área. Na Bahia e no Ceará isso já se tornou rotina, sendo esses estados fortes candidatos a um colapso em termos de segurança pública. O que ocorreu no bairro Colinas do Sul já foi verificado em zonas da Grande João Pessoa, indicando, de fato, que faz todo o sentido as preocupações da autoridade do GAECO.

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