Os arranjos políticos regionais quase sempre não traduzem os grandes acordos celebrados nacionalmente. Recentemente, Aécio Neves, deputado federal tucano que deverá tentar a reeleição nas Alterosas, manteve um encontro privado com Ciro Gomes e o senador Tasso Jereissati, no Ceará, onde, especulou-se que ele teria cogitado de lançar o nome de Ciro para uma disputa presidencial. O objetivo seria "vingar-se" do PT. O mineiro, pelo andar da carruagem política, ainda tem mágoas dos petistas. Curiosamente, seu nome tem sido lembrado pelos mineiros para o Senado Federal, onde aparece bem nas pesquisas de intenção de voto. Seria uma loucura se Ciro Gomes embarcasse nesta canoa, quando se sabe que ele mesmo tentou, em vão, romper a bolha da polarização da política nacional todas as vezes em que disputou a Presidência da República.
Um outro exemplo é que, para aplacar os ânimos da recém-criada federação União Progressista, o senador Ciro Nogueira deve assumir o controle da federação em São Paulo, configurando-se uma situação de uma "intervenção" branca. Isso talvez possa se reproduzir por todo o país, quando se sabe, por exemplo, que os problemas são inerentes em praticamente todos os estados da federação. Aqui mesmo em Pernambuco, o União Brasil está dentro da aliança com a governadora Raquel Lyra, enquanto o PP esboça uma rebeldia. Pois bem. Satisfeitos com os primeiros resultados das pesquisas de intenção de voto, que o mostra Fernando Haddad competitivo para a disputa do Palácio dos Bandeirantes - escores que não eram previstos nem pelo mais otimista dos petistas - Sugere-se que Fernando Haddad tentaria uma aliança regional com os tucanos, com o propósito de fortalecer-se na disputa.
Programaticamente, eles não são tão distantes assim. O que os separa mesmo é a luta pelo poder. No caso específico de São Paulo, talvez nem isso. Os tucanos ficaram muito fragilizados em seu ninho mais emplumado no passado. Curiosamente, eles tentam soerguer-se pelo Nordeste brasileiro. Estão bem articulados principalmente no Ceará e em Alagoas, onde possuem nomes competitivos ao governo.

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