quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

DETRAN: o poder de mando das velhas oligarquias políticas do Estado.




Há um grande economista brasileiro, premiado pela ANPOCS, que surpreendeu o mundo acadêmico com a sua tese de doutoramento. A tese, muito questionada pela banca examinadora, estudava o drama das desigualdades e da pobreza no país a partir de um olhar não dos empobrecidos, mas sobre o imaginário dos ricos, ou seja, como eles se viam, como eles imaginavam porque chegaram lá, suas percepções sobre justiça social, etc. Um dos aspectos observados pelo autor é que os ricos possuem um grau de capilaridade social bem mais acentuado do que os empobrecidos, ou seja, conhecem pessoas influentes que facilitam sua entrada, por exemplo, no mercado de trabalho, geralmente em cargos de confiança, muito bem-remunerados. Quando não, assumem os negócios da família, mas sempre muito bem posicionados na pirâmide social. Com os filhos da pobreza, salvo raras exceções, ocorre um caminho tortuoso. Normalmente começam a vida com um estágio remunerado, depois seguem para um emprego de salário mínimo durante o dia e, normalmente, uma faculdade durante a noite, realizada com grande sacrifício pessoal. Para essa turma do andar de baixo atingir um salário acima de 10 mínimos por mês vai uma longa jornada. O que ocorreu recentemente no DETRAN-PE é um exemplo disso. Concretizada a aliança com os tucanos no Estado, coube àquele partido a gestão do órgão. Um grão-tucano local teria indicado várias pessoas para assumirem posições de chefia no órgão, inclusive uma jovem de apenas 21 anos, o que revoltou funcionários mais antigos, de carreira, concursados, muito mais experientes. O que espanta, no caso, não são apenas os critérios utilizados para a ocupação desses cargos numa sociedade como a brasileira, de raiz patrimonialista profunda. Surpreende, igualmente, o discurso oficial do Governo do Estado no sentido de adoção da meritocracia na gestão da máquina, da substituição do velho poder de mando das oligarquias políticas do Estado. Logo em seguida, vazou para a imprensa que os apadrinhados do Governo teriam acesso, com antecedência, a informações sobre as blitzes da Lei Seca realizadas pelo DETRAN, em conjunto com outros órgãos. Mais uma evidência de que pouco coisa mudou nos costumes políticos do Estado. Cabe a pergunta: O que há de novo nessa "Nova Política"? 

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