Ano de eleições, muitos auxiliares do Governo Lula 3 devem deixar a Esplanada dos Ministérios. Como há dezenas de ministérios, algumas saídas não ultrapassam os limites das formalidades burocráticas, em razão das entregas limitadas das pastas dos seus titulares. Lula, no entanto, tem dois abacaxis complicados para descascar em 2026. Acomodar essas mudanças consoante às suas articulações políticas de olho no projeto de reeleição - o que significaria recompor as alianças com partidos de centro-direita - e resolver a indicação de nomes que possam substituir nomes estratégicos de sua gestão, a exemplo do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e da Defesa, José Múcio Monteiro. O tema da segurança pública será decisivo nas eleições presidenciais de 2026 e o Governo Lula 3 ainda não se ajustou neste quesito.
A indisposição com a Oposição é evidente e isso deve ser tema recorrente nos debates e nos discursos em praça pública. A Oposição, aliás, torce que o Governo Lula 3 "sangre" até outubro. Lewandowski tem dito a interlocutores que sairia por questões pessoais e que pretende descansar. Um bom e pertinente argumento. Nos bastidores, no entanto, o que se diz é que ele não concorda com a proposta do Planalto em desmembrar sua pasta, criando o Ministério da Segurança Pública. José Múcio, por sua vez, desde o ano passado insiste em deixar o Ministério da Defesa. Quer voltar para a sua terra, aproveitar os dias com a família. Em tese, já teria fechado algum acordo com Lula neste sentido. Agora Lula se vê diante da contingência de substitui-lo num momento crucial, de crescimento das tensões militares no continente. Em princípio, a decisão de Múcio ainda permanece.
As tensões militares no continente sul-americano só tendem a aumentar nos próximos dias. Generais ligados a Nicolás Maduro prometem resistência; os Estados Unidos sinalizam que as intervenções não cessaram com a captura de Maduro, o que pode significar ações em outros países, a exemplo do México e da Colômbia; tropas brasileiras estacionadas em Roraima estão de prontidão. O Governo Lula, que foi bastante contundente na condenação ao ataque Yankee à Venezuela, passou a adotar uma narrativa mais modulada ou branda. Sabe o que significa tensões diplomáticas, comerciais ou até mesmo militares com o Tio Sam.
