Ninguém mais afinado com a linha editorial da Revista Oeste do que o jornalista Sílvio Navarro. A sua saída da equipe, sobretudo em razão dessa identidade, causou muita surpresa não apenas em amplos setores da mídia nacional, mas, sobretudo, em relação aos assinantes e apoiadores daquele órgão, declaradamente identificado com o pensamento conservador. A surpresa é tanta que até o time de comentaristas da revista tiveram dificuldades em externar uma explicação convincente ao público, sempre se escudando naqueles clichês conhecidos. Especulou-se até mesmo que a revista poderia estar mudando sua linha editorial, uma vez que Sílvio Navarro foi comunicado do seu afastamento logo após um comentário de apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Há um rosário de equívocos aqui, uma vez que o jornalista foi comunicado sobre o seu afastamento através de um nota de ZAP. Esta falta de tato nos fez lembrar de uma instituição onde chegamos a ministrar algumas aulas, que escolhia os piores momentos para a comunicação do afastamento de um professor ou coordenador de curso. Às vésperas de ano novo, quando o cidadão já estava preparando o pernil com a esposa e os filhos, e durante os almoços de confraternização. Uma vez insistiram bastante para que uma professora comparecesse a um desses eventos e ela achou que estava "prestigiada". Foi comunicada sobre o afastamento da instituição durante o encontro.
Impensável raciocinarmos em termos de mudança de linha editorial da revista. Não sabemos de onde se tirou esta ideia. Em princípio, também não se pode afirmar, categoricamente, que a motivação teria sido os comentários favoráveis do jornalista ao nome de Flávio Bolsonaro. Quantas vezes o pai, Jair Bolsonaro, proporcionou picos de audiência ao programa diário da revista? Realmente é um mistério, conforme o assunto vem sendo tratado pela imprensa. Descartadas algumas hipóteses, fica realmente difícil entender o que houve.

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