pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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segunda-feira, 23 de março de 2015

Efeito coxinhas: Crescem as apostas sobre o nome de Gabriel Chalita para a educação. Kassab poderia ir para a articulação política.

Não se constitui novidade para ninguém os problemas enfrentados pelo Governo Dilma Rousseff na articulação política. O caso é tão grave que Dilma não consegue uma coordenação que envolva, tão somente, a fidelidade e o compromisso da sua base aliada. Em seu pronunciamento da na tumultuada sessão da Câmara Federal, o ex-ministro da Educação, Cid Gomes, chegou a lembrar uma máxima engraçada, sugerindo que os infiéis deixassem de achacar o Governo e largassem o osso. Oposição é oposição, situação e situação. A rigor, a articulação política da presidente Dilma Rousseff sempre foi muito ruim, com raríssimos lampejos de lucidez, que proporcionaram raros momentos de tranquilidade à presidente. Dilma não gosta do meio-de-campo da micropolítica e delegou essa tarefa a assessores que também não foram bem-sucedidos. O último a cair é o também ex-ministro da educação, Aloísio Mercadante. Mercadante anda arestado com muita gente do próprio PT, a começar pelo morubixaba Luiz Inácio Lula da Silva, que teria feito gestões junto a Dilma para substitui-lo. Prestigiado e com trânsito livre no Planalto, matreiramente, Aloísio Mercadante tomou algumas medidas maquiavélicas, apeando antigos auxiliares de Lula e tornando-se um dos poucos interlocutores com acesso direto à presidente Dilma. Muito bobinho o menino. Esse escudo estava afundando Dilma na articulação política. Desta vez o problema ainda era mais grave, se considerarmos as dificuldades inerentes em outras áreas, como a economia. Aloísio não perde o cargo, mas fica de fora do conselho político e, portanto, das articulações. Diante das circunstâncias políticas desfavoráveis, finalmente, Dilma parece ter resolvido ouvir Lula, que estava com o prestígio mais baixo de que poleiro de pato neste segundo mandato da presidente. Especula-se que o nome do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, poderia assumir o papel de articulador político do Planalto. Num outro lance curioso deste xadrez político, outra pedra a ser mexida pode ser a de Gabriel Chalita, que pode vir a ser indicado para a pasta da educação. Do ponto de vista das expectativas das forças progressistas, seria um desastre. Do ponto de vista da realpolitik, infelizmente, pode ser um nome com bom trânsito entre os tucanos e conta com o aval do vice-presidente, Michel Temer, que anda meio amuado com o Planalto. Seria uma forma de fazê-lo voltar a comandar a tropa de fisiologistas da legenda, ou, mais precisamente, satisfazer o apetite da legenda, o que poderia significar um momento de trégua.

domingo, 22 de março de 2015

Tijolinho Real: A fase Darcy Gonçalves de Marta Suplicy


Penso que a ex-ministra da Cultura do Governo Dilma Rousseff, Marta Suplicy, já entrou na fase Dercy Gonçalves, aquele momento em que se fala pelos cotovelos. Não seria surpresa, afinal, a cidadã já atingiu 70 anos de idade e, a rigor, sempre foi uma "desbocada" mesmo. Nunca teve papas na língua e, por vezes, comete algumas incontinências, como naquele momento em que comprou uma briga com a comunidade gay após fazer insinuações sobre a vida afetiva do então concorrente à prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab. Perdeu aquelas eleições e alguns pontos preciosos junto à comunidade LGBT. Quem não se lembra, também, do "relaxa e goza", expressão que ficou famosa em todo o país até os dias de hoje. Deixou o ministério da Cultura atirando e, quando foi anunciado o seu sucessor, o sociólogo Juca Ferreira, não economizou "elogios" ao novo titular da pasta. Durante os protestos contra o Governo Dilma, viu ali uma excelente oportunidade para atacar a presidente, o que levou o chargistaRenato Aroeira a retratá-la num "panelaço", numa inspiração, como sempre cheia de talento, do carioca. Dizem que ela anda flertando com os tucanos e estaria de malas prontas para uma possível migração partidária. A rigor, não há mais clima para a sua permanência no PT. Sua nova agremiação partidária deve ser mesmo o PSB. Ontem, durante a festa de seu aniversário de 70 anos, só compareceram os figurões do PSDB e do PSB. Ninguém do PT teria sido convidado, numa demonstração inequívoca dos arranjos políticos que estão em curso. Essa sua vinculação aos tucanos está sendo encarada como uma guinada inadmissível para uma pessoa que sempre militou nas hostes de esquerda. E o pior é que está se unindo a eles para, possivelmente, enfrentar antigos companheiros nas urnas, a exemplo do atual prefeito da cidade, Fernando Haddad, que pode ser candidato ao Governo do Estado. Sejamos francos, a despeito de discordar dessa sua guinada, na realidade, ela nunca perdoou o partido por tê-la apeado da disputa das eleições de 2010, que elegeu Haddad prefeito.

Tijolinho Real: Não é tarefa fácil controlar as ações do aparelho policial.


Não apenas o aparelho de Estado, mas a sociedade através dos canais competentes - precisa ter um controle rígido sobre as ações da polícia. Isso não e muito fácil de ser exercido, haja visto os abusos, a despeito da atuação do Ministério Público e das Corregedorias setoriais. Segurança Pública, como afirmamos em artigo, é um problema de toda a sociedade. Se um elo falha, os bons resultados almejados estarão irremediavelmentecomprometidos. Um bom exemplo são as UPPs instaladas no Rio de Janeiro, onde o Estado calculou - assim como numa guerra - que bastava ocupar militarmente as favelas antes dominadas pelos chefes do tráfico de drogas. Não foram realizados investimentos em obras e políticas públicas estruturadoras que, de fato, demarcassem a presença efetiva do Estado. O resultado e que essas favelas se tornaram um palco de guerra, com violações claras dos direitos humanos. Outro caso são as inexistentes políticas de "ressocialização" dos apenados, abandonados nos cárceres, entregues à própria sorte, sem qualquer assistência do Estado. Faço essas observações para retomar aqui uma discussão que está ocorrendo em São Paulo sobre a atuação da sua polícia de elite, a Rota ( Rondas Ostensivas Tobias Aguiar). A Rota é a polícia que mais mata no Estado. Está no DNA da Rota matar. Nos parece que, pela fala do atual secretário de segurança pública do Estado, haverá, a partir de agora, um acompanhamento mais rigoroso da atuação dessa tropa, numa tentativa de coibir possíveis excessos. O secretário terá um trabalho duro pela frente. Não é fácil realizar um monitoramento dessas ações. Para que se tenha uma ideia, até recentemente, um ex-secretário da pasta estava sendo grampeado pelos próprios companheiros, que desejavam seu afastamento da pasta. Aqui em Pernambuco, mesmo acompanhado por sua assessoria de imprensa, um ex-secretário, durante uma entrevista, esqueceu que era secretário de segurança e pronunciou-se como analista social. Caiu logo em seguida.
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sábado, 21 de março de 2015

Antonio David rebate o antipetismo de esquerda

publicado em 21 de março de 2015 às 09:23

Lula no abc
por Antônio David, especial para o Viomundo
Se as opiniões minha e de Henrique expressas em artigos têm pouco relevo na conjuntura nacional, que dirá de posts no facebook. De todo modo, tomei a liberdade de seguir adiante na polêmica com Henrique. Se o faço, é porque parto do pressuposto de que nossas posições, em si mesmas desimportantes e talvez pobres, expressam correntes de pensamento que, essas sim, têm importância na conjuntura política brasileira. Vista dessa ângulo, a polêmica talvez seja útil para que a esquerda consiga lidar com dilemas e impasses candentes.
Como em meu primeiro artigo, optei por dividir o raciocínio em tópicos, para facilitar a leitura – sob pena de ter repetido um mesmo assunto em vários tópicos. Em cada tópico, abro com os argumentos de Henrique para, em seguida, expor meu ponto de vista.
1) Alvo
Henrique: “O PT, penso, é o que existe de relevante na esquerda brasileira, por isso ele é, por excelência, o alvo prioritário de qualquer crítica”; “o PT não é apenas ‘uma parte’. Ele é, como já disse, o que há de relevante”; “O PSOL é ainda marginal no cenário político geral – apesar de ter algum destaque episódico no Congresso Nacional”.
Antes de comentar, deixo claro o pressuposto de que eu parto: penso que, se o PT tem sido capaz e apto a cumprir certas tarefas, que são da maior importância (ponto ignorado por Henrique), há outras tarefas que o PT tem sido incapaz de cumprir e que, na minha opinião só podem ser cumpridas por uma esquerda à esquerda do PT (dentro e/ou fora do PT), desde que não seja antipetista, ou seja, não encare o PT como inimigo nem como entrave. Portanto, parto do pressuposto de que é necessário existir uma esquerda forte, grande e influente à esquerda do PT - e, com isso, eu me afasto do fanatismo petista, para o qual o PT é suficiente.
Sendo assim, a questão central que na minha opinião deveríamos enfrentar é: por que não existe uma esquerda relevante à esquerda do PT? por que, afinal, a esquerda à esquerda do PT é tão fraca na sociedade brasileira?
Que o PT seja alvo da crítica, é desejável e necessário. Mas quando o PT se torna, nas palavras de Henrique, o “alvo prioritário” (na verdade, é nítido e notório que Henrique e a corrente de pensamento do qual ele faz parte tornaram o PT o alvo exclusivo), deixa-se de fazer a crítica da esquerda no seu conjunto, na sua totalidade (o que não equivale a uma soma de críticas particularizadas, ou a criticar PT + “oposição de esquerda” + movimentos sociais etc., mas a criticar o conjunto tomando-se os elementos em relação mútua).
Por exemplo: se, como diz Henrique, “o PSOL é ainda marginal”, deveríamos, mais do que constatar o fato, procurar entender as razões disso. Mas Henrique foge dessa questão. Ele se limita a constatar o fato – como se isso fosse suficiente -, matizado pela palavra “ainda”: “se o PSOL é ainda marginal /…/”. Ora, empregar a palavra “ainda” pode ser uma boa maneira de apaziguar a consciência, mas não contribui em nada para tocar na ferida que deve ser tocada. Ao contrário, só mascara aquele que é, insisto, o debate central que deve ser feito. Se a esquerda é marginal, não é porque ainda não teve tempo de tornar-se relevante. As verdadeiras razões devem ser investigadas. Henrique insiste em evitar esse debate.
A recusa de Henrique não surpreende. Ela segue o padrão na esquerda brasileira. Em meu artigo, escrevi:
De minha parte, eu faria as seguintes perguntas: Será que a política e a organização que o PT têm hoje não são exatamente fruto do esforço levado a cabo de fazer “política para os pobres”? Será que o PT poderia ter chegado onde chegou e ter feito o que fez sem exatamente a política e a organização que assumiu? Será que o PT poderia ter o “mérito” que Henrique parece reconhecer e, ao mesmo tempo, ter outros méritos, aqueles que Henrique reclama? Em suma, será que o PT poderia ser o PT da “política para os pobres” e, ao mesmo tempo, o PT tal como Henrique reivindica?
/…/
Se Henrique tivesse enfrentado o impasse que tais perguntas evocam, ele teria sido obrigado a fazer uma crítica totalizante da sociedade brasileira e da esquerda brasileira como um todo. Ele possivelmente seria obrigado a enfrentar questões como: Qual é a natureza e o real tamanho da pobreza no Brasil? Qual é o perfil e quais são as divisões no interior da classe trabalhadora no Brasil? Que tipo de política de massas a sociedade brasileira permite? Quais são as blindagens do Estado brasileiro? Teríamos de recorrer a toda uma tradição de pensamento crítico, infelizmente um tanto marginalizada, como Caio Prado Jr., Florestan Fernandes, Raymundo Faoro.
Essas são as questões de fundo que merecem ser discutidas. No “campo majoritário” do PT, na “esquerda” do PT, na “oposição de esquerda”, cada grupo responderá de uma maneira. (Sob o risco de desagradar gregos e troianos, penso pessoalmente que cada um terá alguma razão em sua resposta). O ponto a ser destacado, porém, é que essas respostas não são motivo de debate, nem entre os grupos, e desconfio que nem mesmo no interior de muitos grupos – nem as respostas, nem as perguntas. Não há reflexão em torno dessas questões. O que há é caricatura de debate, mera demarcação de espaço e reafirmação de posições com vistas a alimentar a coesão interna do grupo, sempre ameaçada pelo fantasma da reflexão.
2) Antipetismo
Henrique: “Quanto a desqualificações sobre um suposto antipetismo da minha parte, acho que Antônio escorrega dos bons argumentos em que vinha se focando para o lugar-comum do ‘nós contra eles’. Demonstra com isso que um certo espectro de seita continua a rondar o petismo, como um pesadelo sobre a cabeça dos vivos, como diria Marx”; “Antipetismo, como utilizado por ele, é apenas uma forma mais demagógica e ao mesmo tempo menos deselegante de associar alguém a posições extremistas, ou seja, ignorantes”.
Não ficou claro, lendo os comentários de Henrique, se ele nega a existência do antipetismo de esquerda (o qual, segundo entendi, não teria realidade, sendo apenas uma “forma demagógica”) ou se ele nega fazer parte dessa corrente de pensamento. Se ele nega a existência do antipetismo de esquerda, ele nega algo assumido pela própria “oposição de esquerda”. Em entrevista ao Roda Viva, Marcelo Freixo (que não é antipetista) declarou: “saí do PT, mas não sou antipetista”. Trata-se da exceção que confirma a regra: pois, que motivo teria Freixo de sentir-se obrigado a declarar não ser antipetista que não o fato de o antipetismo ser a regra na “oposição de esquerda”?
Se Henrique é ou não antipetista, isso tem pouca ou nenhuma importância, assim como tem pouca ou nenhuma importância o fato de eu me localizar no campo petista. O que tem importância é o lugar de onde Henrique fala. O ponto é que a negativa de Henrique em assumir que ele fala de um lugar onde o antipetismo é, no mínimo (e sendo generoso), um assunto mal resolvido, a ponto de o “alvo principal” (na verdade, o alvo exclusivo) da crítica ser o PT, é apenas um sintoma de sua dificuldade em fazer a autocrítica, que ele tanto reclamou em seu artigo.
3) Responsabilidade
Henrique: “Imputar responsabilidade pelo projeto em curso, em seus aspectos positivos e negativos, ao PSOL e outros grupos marginais na conjuntura, é apenas uma fixação de Antônio e uma maneira dele e de outros petistas de expiação de uma culpa cristã que não deveriam ter. Se tudo o que o PT fez foi correto, então não há do que se justificar”.
Na ânsia de buscar “a responsabilidade dos atores”, Henrique parece ter assumido um tipo de pensamento binário, do qual não conseguiu escapar ao responder meu artigo: pois, para ele, se eu não imputo a responsabilidade pelos impasses da atual conjuntura ao PT, logo eu a imputo ao PSOL. Mas Henrique leu apressadamente meu artigo e não entendeu o que eu escrevi. Na verdade, na exata contramão, o que eu disse é que, se há responsabilidade, ela é coletiva e histórica (ou seja, não faz sentido fulanizar a responsabilidade, como Henrique fez em seu artigo e, de maneira ainda mais profunda, na resposta ao meu artigo). Tal responsabilidade só pode ser encontrada olhando-se não para o PT isoladamente, nem para o PSOL isoladamente, nem para nenhum “ator” isoladamente, mas para o conjunto, caso contrário se produzirá não uma crítica, mas uma caricatura.
Para tanto, caso queira deixar de lado as caricaturas e exercer a crítica, Henrique terá de abrir mão da fixação de querer encontrar aqueles que, em sua opinião, devem “se justificar” – como se em processos históricos houvesse culpados. Aliás, não posso deixar de declarar meu estranhamento diante do fato de Henrique citar Marx, pois só quem raciocina à maneira dos teólogos (cristãos ou não) tem como centro de suas preocupações “a responsabilidade dos atores” ou aquilo do qual alguém deve “se justificar”.
4) Projeto petista
Henrique: “Antônio volta à pecha de antipetista várias vezes ao longo de seu texto. Com isso, ele faz exatamente aquilo que criticamos: culpa a ignorância alheia daqueles que ‘não entendem’ que o projeto petista de poder era necessário para, o que ele implicitamente aponta, a redução da pobreza”.
Depreende-se dessa frase que eu teria afirmado que o “projeto petista de poder” seria “necessário”. Eu não disse isso e não penso dessa maneira. Mas, se eu não disse isso e não penso dessa maneira, por que Henrique atribui essas ideias a mim? Aqui novamente, Henrique parece cair num pensamento binário: se você não sustenta que o “projeto petista” não era necessário, logo você sustenta que ele era necessário. Não há outra possibilidade. Não há espaço para reflexão. Ou era, ou não era. Ou é A, ou é B. Se você não está do lado A, então está do lado B.
Afinal, o “projeto petista” era necessário? O que eu disse e insisti em meu artigo (pois este é o ponto central para mim) é que isso é uma questão que deveria ser motivo de reflexão e debate. O que significa dizer que essa pergunta não pode ser respondida com um simples “sim” ou um simples “não”. Responder “sim” ou “não” é a morte do pensamento. Onde Henrique enxerga um “sim” implícito (“o que ele implicitamente aponta”) eu enxergo uma incapacidade de escapar de um esquema binário que reduz o pensamento a mero instrumento de narrativas maniqueistas.
Na contramão dessa atitude, eu penso que (e foi para defender essa tese que eu escrevi o artigo) a esquerda deveria refletir sobre essa questão, pois ela remete a impasses herdados de nosso passado colonial e que persistem no presente. Não são quaisquer impasses, mas impasses estruturais. No entanto, a reflexão em torno dessa questão é sistemática e deliberadamente evitada. Ao invés de debater, há na esquerda uma polarização entre duas respostas: “sim” (fanatismo petista) e “não” (fanatismo antipetista de esquerda).
O que significa “criticar”? Exercer a crítica, no assunto em questão, é exatamente ir buscar as condições nas quais esse “projeto” nasceu: se abordarmos essa questão de maneira crítica, ao invés de responder com um “sim” ou com um “não”, teremos obrigatoriamente de fazer a crítica da sociedade e da esquerda como um todo, o que é algo infinitamente mais complexo do que falar que Zé Dirceu e Genoíno sufocaram a democracia interna no PT (caricatura de crítica). Se eles fizeram o que fizeram (caracterizem como queiram), nada disso explica por que o “projeto petista” surgiu e se estabeleceu. Se explicações como “Zé Dirceu foi autoritário” fossem suficientes, poderíamos jogar o Caio Prado Jr. no lixo (aliás, a esquerda tem feito isso) e a palavra “crítica” não precisaria existir. Temos de buscar as respostas nos impasses históricos da sociedade brasileira. Henrique vai na contramão. Voltarei a isso no tópico seguinte.
Lamentável é que, enquanto eu escrevi um artigo para defender exatamente que devemos refletir sobre essa questão, Henrique atribui a mim uma resposta a essa questão (ou seja, o exato oposto do que eu disse!), e não qualquer resposta, mas um simples e medíocre “sim”, como se eu tivesse dito: “tudo o que o PT fez foi correto”. Mas há males que vêm para bem. Pois o fato de Henrique abordar meu artigo dessa maneira apenas reforça e atesta o que eu disse no próprio artigo: de que na esquerda as questões centrais são sistematicamente evitadas e de que, em seu lugar, há apenas demarcação de posição.
5) Indivíduo e história
Henrique: “Voltando ao tema do dirigismo: tanto Antônio quanto praticamente toda a militância do PT resolveu ‘esquecer’ como José Dirceu, José Genoíno, entre outros, tomaram as rédeas do partido ainda nos anos 90. Como então petista ‘de esquerda’, estava lá quando eles eram alvos privilegiados no debate interno – um dos argumentos é que eles teriam sufocado a democracia interna por um projeto de poder. Hoje, para todas as correntes internas, eles são ‘guerreiros do povo brasileiro’. Comigo não”.
Henrique tem razão: há quem diga que Zé Dirceu é um herói. Henrique parece se colocar entre aqueles que dizem o oposto: que Zé Dirceu é um vilão. (Não surpreende, afinal, Henrique está a procurar aqueles que devem “se justificar”). De minha parte, não penso de Zé Dirceu nem uma coisa, nem outra. Entre o fanatismo petista que atribui a Zé Dirceu a marca de herói, e o fanatismo antipetista que atribui a ele a pecha de vilão, eu prefiro perguntar pelas raízes sociais do PT, do chão histórico sobre o qual o PT nasceu e se tornou o que é.
Aqui talvez resida o núcleo da divergência entre mim e Henrique. Ao abordarmos processos históricos, em geral nós somos muito empiristas e imediatistas. Somos inclinados a explicar um fenômeno histórico da mesma maneira como explicamos um fenômeno prosaico do nosso cotidiano. Se eu jogar um copo no chão, o copo quebrará. Eu terei sido “o responsável”. Nesse caso, eu posso afirmar com certeza que, se eu não tivesse jogado o copo no chão, o copo não teria quebrado. A quem raciocine da mesma maneira diante de fenômenos históricos: se o PT é o que é, é culpa do Zé Dirceu. Ele optou. Ele quis. Ele fez. Se ele tivesse agido de outra maneira, teria sido diferente. Será que podemos raciocinar dessa maneira?
De minha parte, prefiro pensar que, se Zé Dirceu tem suas responsabilidades, elas não determinaram o rumo que o PT tomou – determinaram, sim, episódios, mas não o sentido geral; que o sentido geral é dado pelas condições histórico-estruturais nos quais o PT surgiu, e que os episódios (nos quais os homens têm responsabilidade) só podem ser compreendidos se enquadrados ou situados nos níveis conjuntural e estrutural; que o PT não é expressão da vontade (maldosa e vilã) dessa ou daquela pessoa, mas de uma parte da sociedade brasileira, que se expressaria de qualquer maneira com ou sem Zé Dirceu; de que se Zé Dirceu e seu grupo tornaram-se majoritários e hegemônicos, não foi porque “sufocaram a democracia interna”, mas porque havia base real na sociedade para tanto; que se o indivíduo Zé Dirceu não tivesse existido, outro teria cumprido o papel que ele cumpriu, porque o PT, tal como o conhecemos, é expressão de algo que existe na sociedade e tem força real na sociedade; que, enfim, se Ivan Valente, Luciana Genro e cia tivessem, por meios quaisquer, ganho a direção do PT, hoje o PT não seria o PT tal como o conhecemos, mas provavelmente algo muito próximo do PSOL, pois a política de ambos expressa algo que, na sociedade brasileira, corresponde ao que é o PSOL tal como o conhecemos.
Em suma, prefiro pensar que, a despeito de os homens (e mulheres) fazerem a história, eles e elas não fazem como querem, mas de acordo com as condições que lhe são dadas, e que, em se tratando da macro-história, da longa duração, as condições são tais que limitam o querer humano, de sorte que, enquanto o querer de alguns se realizaria mesmo se eles não tivessem existido (pois outros cumpririam o mesmo papel), o querer de outros não se realiza mesmo quando eles se engajam inteiramente no projeto que têm em vista.
6) Manifestações em curso (2015)
Henrique: “Fale-se sim em impeachment. Impeachment é a maneira como o brasileiro aprendeu a demonstrar insatisfação”; “Movimentação oposicionista sempre existiu”; “Tudo o que está aí sempre existiu”; “Há golpistas no Brasil? Sem dúvida. Desde quando? Desde sempre. Então, o que mudou?”.
“O brasileiro” é como “o cidadão”: uma pluralidade recortada e atravessada por conflitos, tensões e divisões. E não me consta que, no Brasil, haja passeatas pelo impeachment do presidente todos os meses. Nada mudou, exceto este pequeno ponto.
7) Fanatismo
Henrique: “A narrativa messiânica do petismo diz tudo o que precisamos saber, e há doze anos ela vai e volta com mais ou menos intensidade: a mídia, a burguesia, o capital internacional, manipulam a cabeça de nossos ignorantes compatriotas, que se deixam levar por campanhas sórdidas quando, na verdade, eles nada têm do que reclamar”.
É verdade. Concordo. E vou além: tenho dificuldade em saber o que é pior: se a narrativa messiânica do petismo, ou se a narrativa messiânica do antipetismo – que, assim como a primeira e assim como o ponto de vista de Henrique, também “diz tudo o que precisamos saber”. Duas formas de fanatismo que hegemonizam a esquerda brasileira. Ambas igualmente representam o asilo da ignorância.
8) Moral
Henrique: “A insatisfação se alastrou, fruto do agravamento das condições econômicas, de uma campanha eleitoral que mentiu para a população e do intoxicante ambiente político, que ‘a nossa moral e a deles’ não permite vislumbrar. Porque o governo Dilma cometeu erros de gestão, não cortou a corrupção da Petrobras na própria carne e teve que lidar com a gastança e com o ‘neodesenvolvimentismo’ do governo Lula com uma conjuntura muito mais desfavorável (nesse caso, ponto para ela)”.
Ótimo. Deveríamos então discutir: Por que não consegue cortar na carne? Por que o ambiente político é ‘intoxicante”? Por que não permite vislumbrar? É por causa da “moral”? O problema é de ordem “moral”?!
PS. O emprego do termo “gastança” mereceria resposta, mas me abstenho de fazê-la.
9) Autocrítica
“Antônio acredita que, para ter legitimidade, minha análise deveria eliminar qualquer suspeita sobre o passado. Não concordo, mas acho uma cobrança justa, desde que Antônio a aplicasse para todos os seus interlocutores e a si mesmo, e não apenas àqueles que discordam das suas posições. Antônio não apenas fez parte de uma corrente da esquerda do PT e depois do PSOL, como foi um dos seu principais dirigentes”.
Mas foi exatamente isso que eu fiz aberta e publicamente em meu artigo: uma autocrítica. O próprio Henrique reconhece: “estou de acordo com ele quando analisa a saída do PT dele, minha e do grupo ao qual fazíamos parte. Atabalhoada, voluntarista, resultando em um verdadeiro salto no escuro”. Qual é a dúvida? Aliás, me parece contraditório Henrique ter afirmado isso e, ao mesmo tempo, afirmar: “a minha autocrítica e a autocrítica do PSOL, no entanto, não são coisas que convergem”.
PS. Uma correção: nunca fui “um dos principais dirigentes” de corrente alguma.
(Publicado originalmente no site Viomundo)

Efeito coxinhas: Governo Dilma: Uma rara oportunidade na educação


Como se não fossem suficientes os problemas com a condução da política econômica e o travamento na arena política, o Governo Dilma está diante de mais um dilema: a escolha do novo ministro da Educação. Dilma cometeu alguns equívocos com relação a esta pasta e já esgotou sua cota de erros. Insistiu na nomeação de Cid Gomes - que não desejava o cargo - e depois tomou algumas medidas, como o corte de verbas do orçamento da pasta, o que começou a comprometer alguns programas, gerando grandes insatisfações entre a confraria de reitores das universidades públicas, até então, um núcleo de apoio ao Governo. Cid caiu depois dos entreveros com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Antes mesmo da tumultuada sessão no Plenário da Casa, ele já havia decidido a entregar o cargo. Não aceitou a determinação do Planalto no sentido de pedir desculpas aos parlamentares. 

Sua escolha foi determinada por um arranjo político complicado - e ineficiente - além de "queimar" Dilma Rousseff junto aos setores mas progressistas da sociedade, aqueles que, a rigor, estarão sempre com ela, uma vez que não são orientados pelo fisiologismo. Esta pasta sempre foi estratégica para o PT. Para alguns analistas, as últimas sinalizações e escolhas políticas indicavam que havia deixado de ser. Com a saída de Cid, Dilma pode retomar, de fato, a coerência do lema : "Brasil, Pátria Educadora" e nomear para a pasta alguém que permita da continuidade aos avanços que facultaram, por exemplo, um expressivo acesso de jovens do andar de baixo ao ensino superior. No outro extremo, pode continuar cedendo às chantagens dos seus achacadores e nomear algum "acochadinho" para a pasta, como já se especula por aí, ligado, imaginem, ao José Serra (PSDB). Espero que isso não passe de um pesadelo. Segundo comenta-se nas coxias, como as coisas não caminham bem, Lula teria recomendado que ela aproveitasse a oportunidade para uma reforma ministerial.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Michel Zaidan Filho: Procedimento investigatório à la carte


 
 
 
                                                  O  presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), foi à sessão da CPI da Petrobras para acusar a Procuradoria da República de que a investigação sobre os envolvidos pelo Propinoduto da estatal está sendo feita à la carte, ou seja, com nomes escolhidos a dedo pelo Procurador da República, Rodrigo Janot. Por isso os deputados da base aliado do governo não estariam sendo investigados. Em outras palavras, haveria uma clara partidarização do trabalho investigatório do Ministério Público Federal, tendo em vista criminalizar a oposição à Presidente Dilma. A acusação é tão grave que desmoraliza, inclusive, a própria CPI como instrumento isento de apuração das responsabilidades criminais. A partir de agora, as sessões serão dominadas pelo espírito de corpo daqueles que são contra o governo e dos que são favoráveis a ele. Mais séria, é contudo, a acusação de parcialidade na ação do Ministério Público Federal. Se a suspeita contaminar os órgãos judiciários e policiais da União, não será possível apurar mais nada contra ninguém, de uma forma totalmente insuspeita. Ao que se sabe, estuda-se uma possibilidade de ajuizar-se uma ação de injúria contra o deputado carioca, apesar de sua imunidade parlamentar. É aquela história: quem não deve, não teme. Não existe cidadão acima de qualquer suspeita. Todos são imputáveis, falíveis e apenáveis. Até o papa.
 
                                                   De toda maneira o título desse artigo tem a ver com o silêncio que vinha se mantendo sobre os parlamentares e  políticos de Pernambuco na lista de Rodrigo Janot. As pessoas se perguntavam quando ia aparecer o nome desses parlamentares e o pedido de investigação sobre eles. E aí apareceu. Além dos primeiros nomes constantes na primeira lista, finalmente veio à baila os nomes do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o ex-senador Sérgio Guerra e o atual senador Fernando Bezerra Coelho. Pelo menos a menção aos nomes foi ecumênica, atingindo o PSB, PT, PP e PSDB, para evitar que se acusasse de seletiva a escolha dos nomes.  Segundo os depoimentos colhidos pela polícia federal, o senador Sérgio Guerra (PSDB) teria recebido 10.000.000 para evitar a abertura de uma CPI sobre a PETROBRAS. Maior ainda foi a quantia entregue pelo seu Paulo Roberto Costa ao senador de Petrolina para que ele a repassasse ao ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com o objetivo de financiamento da campanha pela sua reeleição, em 2010. A quantia mencionado foi a bagatela de 20.000.000 de reais! Pelo que estaria sendo aberto um novo procedimento investigatório sobre as ações do senador petrolinense, quando estava a frente do Porto de Suape.
 
                                                    Segundo a jurisprudência criminal, a responsabilidade civil e penal de um determinado cidadão cessa, quando ele morre. É verdade. Mais a investigação sobre o ilícito e seus desdobramentos políticos, bem como os beneficiados - vivos e vivíssimos - podem e devem responder por ele. No caso de Pernambuco, é notório que esses recursos injetaram uma força inaudita no palanque político da situação. Recursos advindos do pagamento de propinas na contratação das obras da refinaria Abreu e Lima, que passou do preço de 2.500.000.000 para 18.000.000.000!. Dinheiro pago pelo senhor Paulo Roberto da Costa, através do senhor Fernando Bezerra Coelho, quando gestor do Porto de Suape, segundo o depoimento do delator, conforme inquérito realizado pela Polícia Federal. Ora, a ser verdade essa delação "premiada", temos de convir que a política de Pernambuco está envolta em brumas suspeitas de financiamento ilegal, desde 2010, pelo menos. Dificilmente, as eleições, as campanhas e os fatos políticos posteriores ficaram imunes ao contágio da contravenção  financeiro-eleitoral. 
 
                                                    Se não for para fazer uma investigação seletiva e partidária sobre o propinoduto da Petrobras, chegou a hora de passar a limpo essa história. Quem deve, que pague ou devolva o dinheiro desviado.0 que não é possível aceitar é a tese de que a morte redime os pecados dos políticos e os que foram beneficiados pelo esquema fiquem aí distribuindo cargos, pensões e prebendas aos familiares, parentes e apaniguados, fazendo pouco da justiça. Ou ainda pensando que o crime compensa para certas camadas sociais no Brasil.

Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador, cientista político, professor da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia - NEEPD-UFPE

Michel Zaidan Filho: Que país é esse? - ou o paradoxo chamado Brasil



                                                Passei esses últimos dois dias respondendo a perguntas (da imprensa) sobre as manifestações populares de domingo. Primeiro, o equívoco de compará-las  com as manifestações "fora-Collor", dos anos noventa, em que pela primeira vez se afastou legalmente um Presidente da República, por improbidade administrativa. Segundo, a desigual comparação entre a baixa popularidade da Presidente Dilma, nesse início de mandato, e a baixa popularidade de Collor, no fim do seu mandato. Terceiro, a magnitude do protesto que infirmaria a tese de que só a classe média e alta estariam contra a Presidenta. E finalmente, a ideia  do Impeachment e a volta da Ditadura Militar.
                                                0 nosso país é uma nação paradoxal. Se vivêssemos sob um regime ditatorial como seriam possíveis tais manifestações de rua, em todo o país, criticando o governo, pedindo seu afastamento e a quebra das instituições políticas vigentes? - Se há manifestações amplas, plurais, heterogêneas, que dizem com toda liberdade o que querem, certamente não estamos nem no Egito nem na Venezuela.  Estamos num país em que, malgrado todas as mazelas institucionais, as pessoas têm o direito de externar seus descontentamento e pedir em público o fim dessas liberdades. Outra coisa é saber a razão desses protestos. São eleitoreiros? golpistas? revanchistas ou inconformados com o resultado das eleições? - Ora, até a Presidente Dilma reconheceu erros na condução de sua política anticíclica e humildemente pediu um diálogo com a sociedade para encontrar saídas para a crise econômica e política que ora atravessamos no Brasil. 

Os protestos populares não são coisa da oposição ou de ressentidos. São alimentados por problemas reais que afetam a maioria do povo brasileiro, entre os quais a corrupção é apenas um deles. Basta ver os indicadores econômicos e seu impacto sobre o bolso dos trabalhadores, sem falar no custo do ajuste fiscal. Há motivos de sobra para o descontentamento popular, sobretudo quando se comparava a esta casta de privilegiados que compõe o Poder Judiciário e o Poder Legislativo. É natural que haja uma grande indignação popular com a irrelevância de um Parlamento caro e que legisla em causa própria. Fala-se em autonomia e liberdade para votar medidas e projetos de lei. Mas a verdade é o custo, o sobrepreço que esses parlamentares fixam para cumprir suas obrigações constitucionais: fazer as leis do país.
                                                 Como disse a Chefe do Poder Executivo a corrupção é "uma velha senhora". Não nasceu ontem e  nem vive exclusivamente entre nós. Como dizia a Hannah Arendt os parlamentos modernos tornaram-se mercados, onde se viabilizam interesses e objetivos que estão longe do republicanismo. E o principal modelo é a própria democracia norte-americana, apelidada por alguns de "oligarquia financeira". A diferença é que  nos outros países ela é combatida e punida exemplarmente. Entre nós parece que a tese de que o crime compensa, se o criminoso não for pego pela Justiça, é amplamente aceita. Sobretudo, os crimes de colarinho branco, praticados pela nossa elite política e econômica. É o caso de se prestar atenção na punição que receberão os que foram denunciados e sentenciados na operação Lava-Jato. Claro que o pacote anticorrupção vem em boa hora e a ideia de se promover uma ampla reforma política, também. Mas sem o nascimento de uma nova cultura política republicana e a punição exemplar dos criminosos de colarinho branco - seja santos ou pecadores - é muito difícil combater a corrupção em nosso país. Numa sociedade onde os jogos de azar, o enriquecimento fácil, a elisão fiscal, o contrabando, a lavagem de dinheiro parecem ser estimulados abertamente, não é razoável que o cidadão comum fique satisfeito em pagar - caro - um ajuste fiscal, que deve alimentar a especulação financeira. É uma revolta compreensível essa.
                                                   Outra coisa é ir à rua pedir um golpe de Estado ou o afastamento de uma Presidenta recém-eleita, sem base jurídica ou legal para isso. Aí trata-se de  um crime de lesa-democracia, liberticida, que deve ser combatido pelas instâncias legais e judiciárias. Fazer propaganda pública - em inglês - por uma intervenção militar no Brasil não é só uma irresponsabilidade grande é um crime contra as liberdades públicas em nosso país. Se as instituições judiciárias e policiais, bem como a imprensa - não estivessem fazendo o seu trabalho, sem interferência do governo ou de partidos, seriam o caso de denunciar junto a OEA, a ONU ou ao TPI, a falta de liberdade no Brasil. Mas não é o que está acontecendo. Toda essa manifestação de descontentamento tem sido alimentada pelas informações da Operação Lava-Jato  e da ampla cobertura dos meios de comunicação de massa. A democracia não é um torneio ou um campeonato de quem é contra ou a favor, é um regime de formação racional da opinião e vontade política da sociedade. E só se faz isso com o  mais amplo direito à informação.
                                                   Infelizmente, nem o Congresso nem o ambiente econômico têm ajudado nesse momento. E isso agrava a sensação de uma crise institucional no país. Diálogo, prudência e espírito público ajudariam muito a buscar saídas para essa crise. 

Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador, cientista político, professor da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia - NEEPD-UFPE.

Tijolaço: "Vovô Metralha" matava jovens a sangue-frio, sabiam, meninos revoltados?

19 de março de 2015 | 11:16 Autor: Fernando Brito
metralha
Meu bom companheiro Fernando Molica, colunista de O Dia, publicou ontem, em seu blog, um excelente artigo sobre o vídeo que havíamos mostrado aqui, feito pelos jornalistas da revista Trip na manifestação da Avenida Paulista de domingo.
Rerproduzo o artigo ao final, mas peço licença a Molica para trazer logo para o início a ficha do aparentemente inofensivo “Carlinhos Metralha” louvado pelos manifestante e digno até de uma esdrúxula continência por parte de um policial militar.
Carlos Alberto Augusto, vulgo ‘Carteira Preta’ e ‘Carlinhos Metralha’, o ex-delegado do Dops que discursou na manifestação, levou para a Avenida Paulista um cartaz em que dizia querer ser ouvido pela Comissão da Verdade. Pena que só diz isso agora, quando os trabalhos da comissão foram encerrados. O relatório diz que ele foi convocado a depor, mas não foi localizado. Na hora de prestar contas à história, ele tratou de não aparecer. Segue trecho do relatório sobre ele:
Carlos Alberto Augusto (1944-) Delegado de polícia. Serviu no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS/SP), sendo conhecido como “Carteira Preta” e “Carlinhos Metralha”. Integrou a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Teve participação em casos de detenção ilegal, tortura e execução. Convocado para prestar depoimento à CNV, não foi localizado. Vítimas relacionadas: Carlos Marighella (1969); Eduardo Collen Leite (1970); Antônio Pinheiro Salles e Devanir José de Carvalho (1971); Soledad Barrett Viedma, Pauline Reichstul, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Eudaldo Gomes, Evaldo Luiz Ferreira de Souza e Edgard de Aquino Duarte (1973).
A Pauline Reichstul, apontada no relatório como uma das vítimas do ‘Carlinhos Metralha’, era irmã de Henri Philippe Reichstul, presidente da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso.
Retomo: Carlinhos Metralha era um dos agentes do DOPS que “administrava” as delações do famigerado Cabo Anselmo. Pauline e outros cinco jovens foram executados não na “Paulista”, mas em Paulista, Pernambuco, no que ficou conhecido  como “A Chacina da Chácara São Bento”.
Pauline recebeu uma coronhada na cabeça. Os outros cinco, executados a tiros.
26 tiros, relata o jornalista pernambucano Luiz Felipe Campos, que escreveu um livro sobre o episódio: “14 na cabeça e muitos à queima-roupa. Ao cenário brutal, foram adicionadas armas ao redor dos corpos para sugerir um confronto entre guerrilheiros e militares que nunca houve. As fotos, difundindo a versão oficial de que um “congresso de terroristas” havia sido desbaratado, foi estampada nos jornais três dias depois”.
Já mortos, metralhados.
“Com muito prazer”, talvez, como disse no vídeo o “herói da Paulista”.

O ato, os golpistas e o torturador

Fernando Molica
O vídeo sobre a manifestação paulistana que foi preparado por equipe da revista ‘Trip’ é assustador demais. Não dá para achar razoável ou tolerável que organizadores de ato que diz defender a democracia aceitem a presença de entusiastas de um golpe militar e até liberem o microfone para um ex-torturador, o delegado aposentado Carlos Alberto Augusto. Admitir a participação desses sujeitos seria o mesmo que aceitar a presença de nazistas numa passeata contra a política externa de Israel. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
É razoável imaginar que organizadores da manifestação tomassem a iniciativa de expulsar do ato um grupo de petistas que fosse até lá para condenar a roubalheira na Petrobras e, ao mesmo tempo, defender Dilma Rousseff. Não seria absurdo que eles fossem convidados a se retirar de uma passeata que protesta contra o governo. A eventual presença deles poderia até ser vista como provocação.
O problema é que, pelo que vi e li sobre as manifestações de domingo, não houve qualquer tentativa de expulsão dos pregadores do golpe (o vídeo até mostra mulheres que se revoltaram com a histeria militarista, mas, pelo visto, não passou de um protesto isolado).
É simples, ato que inclui defensores da ditadura, torturadores (havia pelo menos um) e pessoas que não admitem a pluralidade (caso dos que revelam intolerância com comunistas e integrantes de outras correntes de esquerda) não pode ser chamado de democrático. Mais: quem defende a ditadura não tem o direito de dizer que é contra a corrupção. Afinal, na ditadura, casos de corrupção eram censurados ou não geravam qualquer consequência – como as mordomias no escalão federal reveladas pelo ‘Estadão’ e a negociata, publicada pela ‘Folha’, que envolveu o grupo Delfin e o Banco Nacional da Habitação (terrenos no valor de Cr$ 10 bilhões quitaram uma dívida de Cr$ 60 bi junto ao BNH). Quem defende a ditadura defende o direito de quem quer roubar sem ser punido.
Vale também ressaltar o absurdo que foi utilizar a belíssima ‘Canção do Expedicionário’ como trilha sonora da manifestação, isto representou uma ofensa aos pracinhas que foram combater ditaduras na Europa. Um combate que, aqui, acabou provocando a queda de um ditador. A ‘Canção’ (“Por mais terras que eu percorra/ Não permita Deus que eu morra/Sem que volte para lá”) é linda, deve ser o único canto de guerra que não fala em destruição, em morte, mas da vitória e da saudade da pátria amada:
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.
Por último, vale registrar: o Carlos Alberto Augusto, vulgo ‘Carteira Preta’ e ‘Carlinhos Metralha’, o ex-delegado do Dops que discursou na manifestação, levou para a Avenida Paulista um cartaz em que dizia querer ser ouvido pela Comissão da Verdade. Pena que só diz isso agora, quando os trabalhos da comissão foram encerrados. O relatório diz que ele foi convocado a depor, mas não foi localizado. Na hora de prestar contas à história, ele tratou de não aparecer. Segue trecho do relatório sobre ele:
Carlos Alberto Augusto (1944-) Delegado de polícia. Serviu no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS/SP), sendo conhecido como “Carteira Preta” e “Carlinhos Metralha”. Integrou a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Teve participação em casos de detenção ilegal, tortura e execução. Convocado para prestar depoimento à CNV, não foi localizado. Vítimas relacionadas: Carlos Marighella (1969); Eduardo Collen Leite (1970); Antônio Pinheiro Salles e Devanir José de Carvalho (1971); Soledad Barrett Viedma, Pauline Reichstul, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Eudaldo Gomes, Evaldo Luiz Ferreira de Souza e Edgard de Aquino Duarte (1973).
A Pauline Reichstul, apontada no relatório como uma das vítimas do ‘Carlinhos Metralha’, era irmã de Henri Philippe Reichstul, presidente da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso.

Tijolinho Real: Antonio Campos pode ser candidato à Prefeitura da Cidade de Olinda.

 


Hoje fomos surpreendidos com alguns outdoors afixados nas proximidades da cidade, onde o advogado e escritor Antônio Campos, irmão do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, saúda os olindenses pelo aniversário de 480 anos da Marim dos Caetés, completados recentemente. Não faz muito tempo, nas coxias, ouvi rumores de que ele poderia se candidatar à prefeitura daquela cidade. Nega, como seria óbvio, mas não descarta a missão de liderar um processo de captação de recursos para cidade, que enfrentasse os problemas de sua periferia, segundo ele, abandonada. Com este ato, se confirmado, estaria em jogo a continuidade do projeto político da família Campos. Olinda é um reduto eleitoral muito cobiçado por partidos e políticos. Lembro que, antes da reeleição de Renildo Calheiros​, o PCdoB, num encontro nacional, colocou a cidade como a prioridade das prioridades. Observa-se aqui, muito provavelmente, nessas movimentações, talvez uma articulação envolvendo PCdoB/PSB, algo que não seria improvável, dada as boas relações mantidas pelas duas legendas, tanto no Recife quanto em Olinda. Não há muita coisa a comentar, exceto, o desgaste evidente da atual gestão do prefeito Renildo Calheiro, o que ocorre em função, sobretudo, das demandas da população que não foram atendidas no curso desses 12 anos de gestão comunista da cidade.

Efeito Coxinhas: Ricardo Coutinho critica "ressaca eleitoral".


 
 

Quando éramos mais ativos no microblog Twitter, trocávamos muitas impressões sobre o cenário político com o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho. O "Mago", como é conhecido, nunca fugiu às discussões. Nessas últimas eleições, num debate com o senador Cássio Cunha Lima(PSDB) - candidato da oposição - com muita calma, listou para ele as obras do seus três anos de governo e pediu, depois de um longo suspiro, que Cássio fizesse o mesmo. Ele teria todo tempo do mundo. Não precisava apressar-se. Cássio, mas sobretudo a população do Estado, se deram conta de que não havia obras a serem listadas. O que se viu, em seguida, foi uma peça de pura retórica de embromação, um discurso que não convencia nem o seu autor. Há quem advogue - inclusive eu - que aquele debate foi decisivo nas eleições paraibanas do ano de 2014.Publicamos um longo artigo num jornal local tratando do assunto. Cássio perdeu as eleições ali. Nos últimos dias, em meio ao pandemônio em que se transformou a capital federal, o governador Ricardo Coutinho(PSB) fez um pronunciamento corajoso em defesa da presidente Dilma Rousseff. Através de sua página, informou que já era hora da oposição curar-se dessa "ressaca eleitoral" que parece não ter fim. A ressaca, aqui, pode ser traduzida como uma não aceitação às regras do jogo democrático. Dilma foi eleita pela vontade das urnas, não recaem sobre ela qualquer responsabilidade em relação às irregularidades com verbas públicas realizadas na estatal Petrobras. Trata-se de uma gestora de mãos limpas. Constitui-se um ato de insanidade um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Essa é a razão pela qual Teori sequer leu as bobagens protocoladas pelo PPS, no sentido de que ela fosse investigada. O momento agora, segundo Ricardo, é o de utilizar os expedientes já previstos no Estado Democrático de Direito para punir os infratores consoantes seus mal-feitos e deixar a presidente trabalhar. Esse slogan já foi utilizado pelo "Mago", penso que quando governou a cidade de João Pessoa. Apesar de ser uma manifestação organizada pelos seus opositores, o Planalto não pode ignorar o recado das ruas. Talvez precisássemos construir aqui uma espécie de pacto de governança, se houvessem lideranças políticas capazes de articulá-lo. Um novo pacote anticorrupção não vai resolver nada. O problema real não é este. 

O PT deveria ser mais Cid Gomes

Diante dos achacadores, é hora de o partido repensar seu papel na sociedade
por Mauricio Moraes publicado 19/03/2015 11:34, última modificação 19/03/2015 13:20
Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
Cid Gomes e Eduardo Cunha
Cid Gomes e Eduardo Cunha: o embate terminou em vitória do presidente da Câmara
 
Eis que Cid Gomes, nosso agora ex-ministro da Educação, está aí para provar que a política no Brasil pode até matar de raiva, nunca de tédio. Reafirmando a tradição língua-solta familiar, Cid disse e redisse mera verdade: há de 300 a 400 achacadores no Congresso. E eles são rápidos. Minutos após a declaração bombástica, Cid teve a cabeça pedida pelo PMDB. E caiu. Desta vez, os achacadores venceram.
O fato de a demissão de Cid ter sido anunciada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), achacador-mór do País, é reveladora do atual estado de coisas. De repente, a grande política cedeu o protagonismo aos coadjuvantes.
PT e PSDB, que conduziram o debate político nas últimas décadas, vivem hoje na retaguarda do PMDB. O governo Dilma Rousseff se tornou refém da tropa de Eduardo Cunha. Já os tucanos perderam o juízo ao embarcar na onda golpista capitaneada pelo baixo clero. É a vez dos achacadores (que estão espalhados por toda a base, PP, PR e PQualquerCoisaQueCaibaNaCoalizão).
Eles sempre existiram. Mas desde a redemocratização parecem ter encontrado um clube perfeito que responde pelo nome de Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Claro que há gente boa no PMDB (raríssimos, como Pedro Simon), mas a agremiação ilustra como o sistema político brasileiro é disfuncional e esquizofrênico (e como, mais que nunca, precisamos de uma reforma política abrangente, com financiamento público e menos achaques).
Não sei se alguém se viu na tarefa de explicar a um estrangeiro como um partido supostamente aliado, como o PMDB, se tornou um dos maiores entraves ao governo no Congresso. Difícil de entender esse tal presidencialismo de coalizão, agora em piripaque. A atual crise, no entanto, longe de apenas espalhar confusão, traz certa luz à política brasileira, mostrando quem é quem nessa história.
Cid cometeu sincericídio (e há quem diga que ele tivesse suas razões particulares para falar o que falou). Não era de se esperar que Dilma o segurasse. Dirigindo-se aos “oportunistas” que integram a base mas só fazem atravancar a administração, foi sincero e direto: “Larguem o osso ou saiam do governo”.
Mas eles não largarão o osso tão cedo. Ou alguém acha que Cunha e cia iriam jogar a toalha justamente quando é mais fácil (e lucrativo) achacar o governo – ou seja, em momento de crise?
Por isso não acho que a tese do impeachment prospere do jeito que se propagandeia. Primeiro porque o grande capital (por mais que odeie Dilma) não irá jogar o Brasil no buraco negro da instabilidade econômica, correndo o risco de ver o risco-país disparar e a economia se esfarelar em ritmo supreendente. Segundo, é muito mais lucrativo achacar o governo de plantão do que liderar a administração e ficar sob os holofotes. Por que será que o PMDB nunca tem candidato próprio?
Como já disse o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (que a seu favor só tem o fato de ser opositor assumido), a questão não é tirar Dilma do Planalto – o objetivo é sangrar o governo e o PT (deixando o caminho mais fácil para os achacadores).
Na narrativa hegemônica, oposição e inconformados estão contra a corrupção na Petrobras e no resto do País. Gente como Agripino Maia (DEM), que desfilou sorridente no 15 de março pedindo lisura nas contas públicas quando ele mesmo é acusado de cobrar mais de 1 milhão de reais em propinas no Rio Grande do Norte. Ou como o primo de Beto Richa (PSDB), preso acusado de fraudar licitações dois dias depois de berrar Fora Dilma. (É claro que a manifestação foi legítima, mas não apontar suas flagrantes contradições é pedir demais).
É inegável que a corrupção está nas mais diversas esferas, inclusive no meu Partido dos Trabalhadores. Falta honestidade e decência à grande mídia, mas achar que escândalos como o atual são apenas produto de conspirações da imprensa tem em si um pouco de inocência.
O PT precisa seriamente se repensar como partido e no que pode oferecer à sociedade em termos programáticos (porque é ainda o mais bem sucedido experimento democrático deste país). Talvez o PT e Dilma tenham de ser mais Cid Gomes – cobrar lealdade dos aliados e retomar a pauta política. No decorrer dos últimos 13 anos cedemos à tal governabilidade e demos as mãos a alguns achacadores (Cândido Vaccarezza e sua reforma política vendida que o digam).
Longe de sentir qualquer palpitação no peito, confesso que tive certo entusiasmo (sonhático e inconsequente, admito) com a bravata do PMDB de que deixaria o governo se o ministro da Educação não caísse. Por um momento pensei em como Dilma seria mais feliz não tendo de aturar Eduardo Cunha como suposto aliado. E como o País seria tão melhor não tivesse tantos achacadores na coalizão de governo.
Foi um devaneio, eu sei. A vida em Brasília é dura e não se governa sem maioria (leia-se, não se governa sem o PMDB). O episódio kamikase de Cid Gomes, no entanto, é uma oportunidade para se mexer nas peças do governo e para reafirmar a necessidade da reforma política. De resto, é dedo cruzado, jogo articulado e resistência. E boa sorte em 2015.

(Publicado originalmente no site da Revista Carta Capital)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Efeito coxinhas: A queda para o alto de Cid Gomes, ex-ministro da Educação.




Ainda repercute, em todo o Brasil, a fala do hoje ex-ministro da Educação do Governo Dilma Rousseff, o cearense Cid Gomes, no dia de ontem, no plenário da Câmara dos Deputados. O Planalto ainda tentou evitar sua fala, mas o presidente da Casa, Eduardo Cunha, insistiu. Parecia desejar que ele se retratasse diante dos seus comandados. Seria uma forma de humilhá-lo. Cid não baixou a crista, foi altivo e disse um monte de verdades, antes de ter o microfone cortado. Cid sai maior do que entrou no Governo. Na realidade, em razão de não admitir retratar-se, ele chegou ao plenário já na condição de ex-ministro da Educação. Volto a insistir, não havia uma grande expectativa em torno de sua gestão naquele ministério, embora, em, resposta ao repórter Fernando Castilho, do JC, um comentarista tenha elencado alguns fatos curiosos - e bem-sucedidos - de "cases" de educação em Sobral, reduto político da família Ferreira Gomes. Sua indicação foi resultado de alguns arranjos políticos contingenciados pelas dificuldades de Dilma neste início de mandato. Comenta-se pelas coxias que Cid até teria recusado o cargo, mas Dilma insistiu. Ouso até inferir que, neste contexto, o PT já não observava a área de educação como estratégica, haja visto os problemas que se avolumavam naquela pasta. Aliás, não apenas naquela pasta.  

Eita início de Governo complicado: Economia moribunda; travamento político; um escândalo de proporções gigantescas - onde já começam a surgir os indícios de generalização para outras empresas estatais; uma oposição que não consegue curar-se da "ressaca eleitoral" - ainda não aceitaram os resultados das eleições; os coxinhas nas ruas;uma presidente fragilizada, refém de seus achacadores. Não nutro grandes simpatias pelos Ferreira Gomes, mas, neste caso, não há como deixar de reconhecer os méritos de Cid. A princípio, pode-se pensar que ele cometeu uma espécie de sincericídio. Mas não é verdade. Seu propósito, na realidade, foi atingido. A estratégia em jogo é a de uma projeção política, quem sabe, até mesmo no plano nacional, depois de passar pela Prefeitura de Fortaleza. A presidente e o PT devem muito aos Ferreira Gomes. Os arranjos políticos celebrados pelo PT naquela arena política foram importantes para a vitória de Dilma Rousseff nas últimas eleições, além de viabilizar a eleição de um governador do partido, Camilo Santana, ex-secretário de de Governo de Cid. Durante todo o tempo em que esteve no plenário, Cid mantinha sob seus cuidados, uma pasta com uma indicação do nome de Eduardo Cunha. O que teria aquela pasta? Um dossiê sobre os envolvimentos do deputado em possíveis casos de corrupção? Há quem informe que Mercadante deve assumir o cargo. Ele é ex-ministro da pasta e hoje atua na Casa Civil. Apesar do prestígio ainda alto no Planalto, se Dilma finalmente resolver ouvir Lula, ele volta para a Av. Paulista para complicar ainda mais a vida de Marta Suplicy.