pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: O fim da escala 6X1
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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Editorial: O fim da escala 6X1



Comissão da Câmara dos Deputados aprovou o fim da escala 6X1, algo que vem repercutindo bastante no noticiário político no dia de hoje, 28. Nesta queda de braço entre capital e trabalho, assim como entre Governo e Oposição, as opiniões se dividem. O Governo Lula 3 está festejando bastante a medida, uma vez que ela ocorre num momento importante, há alguns meses da eleição, onde Lula disputa um quarto mandato. Os meios de comunicação estão inundados com propaganda institucional do Governo defendendo o fim dessa escala 6X1. Por sinal, são campanhas institucionais muito bem elaboradas, creditando ao Governo a defesa dos trabalhadores e apelando para o emocional. Não vamos aqui entrar nessa bola dividida, mas vamos relatar para vocês um pouco dessa queda de braço entre capital e trabalho ao longo do tempo, tomando como referência alguns episódios dessas árduas conquistas históricas e como elas foram tratadas ao longo da História. 

São episódios pontuais, mas dão a dimensão de como os trabalhadores foram ultrajados pelo interesse do capital ao longo do tempo, inclusive no país e, em particular, tomando como parâmetro o caso que vamos relatar: Em 1900 um oligarca sueco comprou glebas de terra na região metropolitana do Recife, assim como uma antiga fábrica de sacarias para armazenagem de açúcar, em processo falimentar. Começaram explorando alguns negócios, a exemplo de uma usina de açúcar, mas resolveram se concentrar na indústria têxtil, transformando aquela fábrica falida num colosso parque têxtil, que chegou a ser o maior da América Latina.  Ao longo do tempo, além de expandirem a produção com a abertura de duas novas indústrias, expandiram os negócios para o varejo de tecidos. 

O grupo mantinha uma relação complicada com os operários e operárias, a ponto de, em determinado momento, foram tratados pelo oligarca, em seu diário, como unidades produtivas. Algumas décadas depois foram iniciados os primeiros conflitos entre capital e trabalho. Havia jornadas de 12 horas de trabalho, com o emprego de mão-de-obra feminina. As mulheres, aliás, enfrentariam os primeiros conflitos de posicionamento contra tal exploração. Foram elas, igualmente, - por alguma razão não bem aprofundada até hoje - que estiveram sempre na liderança desses movimentos de enfrentamento contra aquelas condições de trabalho. Mas, vamos por parte. O primeiro desse movimento ocorreu em razão de um pleito dessas mulheres por uma hora semanal para realizarem suas feiras, também organizado pelos donos da companhia de tecidos, que mantinham roçados produtivos naquela cidade-fábrica. 

A concessão do descanso semanal remunerado provocou um grande alvoroço na indústria, que não desejava permitir esse direito aos operários e operários. Se submeteram à legislação que entrava em vigor, mas passaram a adotar uma contrapartida rigorosa, como a não concessão do direito a quem se atrasasse, por menor que fosse este atraso, assim como reduziu o tempo de banho dos caldeireiros de 15 para 1o minutos, sob os olhos atentos de sua milícia, que também atuava no interior das fabricas. Os caldeireiros precisavam desse tempo para um banho, uma vez que trabalhavam sob altas temperaturas. O tempo era concedido entre os turnos de trabalho. Ocorreram vários relatos de apontamentos equivocados em relação às horas trabalhadas, através de um mecanismo contábil dúbio, que poderiam ter prejudicado os operários e operárias. 

Quando, a partir do Governo de Getúlio Vargas, começaram o surgimentos dos primeiros sindicados pelo país, com incentivo do aparelho de Estado, comenta-se que um dos herdeiros do grupo convidou os operários e operárias para uma reunião onde teria afirmado que os que fossem a favor ficassem de um lado e os que fossem contra ficassem do outro. Quem ficou a favor da criação do sindicato foi sumariamente demitidos. Ele afirmava que o sindicato era ele mesmo. Quando o salário mínimo foi regulamentado, tivemos episódios dantescos, semelhantes aos aqui relatados, mas deixemos essa discussão para um outro momento para não nos alongarmos demais. Na foto acima, Friedrich Engels, responsável pela conversão de Marx ao comunismo, ao relatar para o amigo as agruras que passavam os trabalhadores e trabalhadoras ingleses, numa indústria têxtil, durante a Revolução Industrial. 

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