A Polícia Federal prendeu recentemente, em flagrante, o filho do ex-prefeito de Choró, o senhor Bebeto Queiroz, que, politicamente, ficou conhecido como Bebeto do Choró. Estima-se que, com a prisão do filho, as investigações avancem no sentido de esclarecer um suposto esquema nebuloso de corrupção montando naquela prefeitura, envolvendo entes públicos e privados, altamente lesivos ao interesse público. A engenharia de corrupção, neste caso, é sensivelmente complexa, uma vez que, segundo apurações da Polícia Federal, envolveria fraudes em licitações, liberações de emendas irregulares, exploração de serviços na máquina municipal por facção do crime organizado e, também, financiamento de políticos "sensíveis" ao esquema montado por esses grupos faccionados dentro e fora da cidade. De quebra, ainda existe a questão da lavagem de dinheiro oriundo do crime organizado no esquema, sempre de acordo com as investigações da Polícia Federal, tornadas públicas.
O que espanta neste caso são as recorrentes ocorrências de fatos semelhantes ao que já ocorre em outras praças do país, onde facções do crime organizado já operam dentro de instituições públicas abertamente, onde o caso mais emblemático é o Rio de Janeiro. Conforme comentávamos no dia de ontem, 24, cinco vereadores de Morada Nova, cidade localizada no Vale do Jaguaribe, foram presos porque tiveram suas campanhas financiadas por facções do crime organizado. Inclusive o presidente da Câmara Municipal. Se considerarmos a possibilidade de eventos semelhantes em outras cidades do estado, o que não seria improvável, estamos aqui diante de uma engenharia de corrupção muito bem azeitada.
Há meses Bebeto do Choró está foragido, tornando-se um tema recorrente na pré-campanha para o Governo do Ceará. Este fato tem produzido um desgaste para a gestão do atual governador, Elmano de Freitas, naturalmente muito explorado pela oposição, hoje representada pelo ex-governador Ciro Gomes. Soubemos recentemente que Ciro Gomes foi vítima de um processo movido não sabemos se pelo PT, se pelo Governo do Estado ou se pelo próprio governador Elmano de Freitas. Supostamente, pode ter sido em razão de uma alegada ausência de empenho na captura do foragido.

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