pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: Os rolos da República do Acarajé
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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Editorial: Os rolos da República do Acarajé

Crédito da foto: PT da Bahia


Nas eleições de 2022 os baianos deram 72% dos votos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula obteve uma votação expressiva no 4º maior colégio eleitoral do país, graças ao apoio efetivo de nomes como os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, que também conseguiram eleger Jerônimo Rodrigues governador, a despeito das dificuldades iniciais. Os baianos chegaram a capital federal com o prestígio nas alturas, dispostos a ocuparem os espaços de poder convergentes com os votos transferidos ao presidente. Rui Costa foi indicado para o estratégico Ministério da Casa Civil, assim como Jaques Wagner assumiu a liderança do Governo Lula no Senado Federal. Ao longo do tempo, jornalistas que cobrem  os bastidores da capital federal concluíram que ambos se tornaram interlocutores privilegiados junto ao presidente Lula. 

Com o seu nome envolvido em supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master, conforme investigações da Polícia Federal tornadas públicas, Jaques Wagner deve deixar a liderança do Governo no Senado nos próximos dias, consoante o que se especula. Ele, pessoalmente, talvez não desejasse, mas pessoas ligadas ao presidente afirmam que isso seria fundamental para livrar o Governo de uma encrenca maior há cem dias das eleições de outubro. O pior ainda não é isso. Segundo também se especula, outro amigo da República do Acarajé pode ser arrolado nas mesmas investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

O curioso neste enredo é que um dos principais interlocutores junto ao presidente Lula sobre a tese de se manter o máximo possível distante dos rolos da República do Acarajé também é baiano e os leitores já podem imaginar de quem estamos falando. Lula enfrenta um momento de menos alvoroço em relação às pesquisas de intenção de voto, justamente quando se presume que os eleitores mais independentes possam ter abandonado o barco do candidato Flávio Bolsonaro, depois do "Dark Horse". O que Lula menos desejaria neste momento é um escândalo sendo jogado no colo do Palácio do Planalto.  

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