Mesmo diante da repercussão negativa da nona fase da Operação Compliance Zero, realizada no dia de ontem, 18, que realizou buscas e apreensões em endereços do senador Jaques Wagner e pessoas ligadas a ele, a informação é que ele deverá mesmo permanecer no cargo de líder do Governo Lula no Senado Federal. O senador teria mantido um diálogo amistoso com o morubixaba petista, onde a hipótese de deixar o cargo foi descartada. Ontem passamos o dia acompanhando a repercussão dos desdobramento desta nova fase da Operação Compliance pelas redes sociais. A relação duvidosa entre entes públicos e privados envolve, inicialmente, a negociação da compra, realizada por um operador do Banco Master, de uma rede de supermercados estatal pertencente ao Governo da Bahia, o Cesta do Povo, que vendia produtos subsidiados aos servidores públicos do estado. A rede pertencia à Empresa Baiana de Abastecimento(EBAL).
Com a aquisição da rede de supermercados estatais, o senhor Augusto Lima, segundo apurou a Polícia Federal, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, recebeu o sinal verde para a criação de um cartão de crédito denominado Credcesta, que operava com empréstimos consignados e créditos com descontos em folha dos servidores. É aqui que começam os problemas para os cidadãos e cidadãs comuns, simples servidores públicos do estado, em atividade e ou aposentados, e, acreditam os investigadores, os "subsídios" indevidos às autoridades públicas que estiveram diretamente relacionadas à facilitação dessas transações, arrolados aqui uma kitnet avaliada em 2,5 milhões num dos bairros mais caros de Salvador, o Horto Florestal.
Mexer com este jogo espúrio de interesses é a pior atividade existente. Isso vale para uma simples milícia que opera numa favela e obriga os comerciante locais a adquirem a farinha de trigo de péssima qualidade comercializada por eles, até às decisões que são tomadas por membros da mais alta corte de justiça do país, o Supremo Tribunal Federal. Recentemente um comerciante foi morto por se recusar a adquirir o produto oferecido pela milícia local, no Rio de Janeiro. Os milicianos resolveram diversificar os seus negócios e hoje investem até no pãozinho francês. Nem ele escapa desta sanha. O ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master, numa sessão recente do STF, fez revelações preocupantes, como uma proposta de delação seletiva encaminhada por um dos escritórios de advocacia do banqueiro Daniel Vorcaro, assim como sugere possíveis ameaças veladas já recebidas.

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