| Crédito da foto: Jarbas Oliveira\Veja |
A entrevista da revista Veja desta semana é com o ex-Ministro da Integração e atual pré-candidato ao Governo do Estado do Ceará, Ciro Gomes(PSDB-CE). É lamentável que Ciro Gomes tenha tentado por quatro eleições ocupar a cadeira do Palácio do Planalto sem sucesso. Instado a habilitar-se a mais uma candidatura, o cearense declinou do convite por um motivo preocupante: o país caminha para um desastre, onde não se vislumbra uma solução no horizonte. Preocupante porque devemos pagar o ônus de sucessivas irresponsabilidades cometidas com as contas públicas, assim como sabermos que, de alguma forma, fomos também responsáveis por este desastre que poderia ter sido evitado. Não foi por falta de avisos.
Os avisos vieram de um cidadão íntegro, de conduta pública irrepreensível, dotado de espírito público e que sempre fez o dever de casa. De sua fala podemos concluir que ainda resta alguma esperança para o seu estado, o Ceará, que enfrenta sérios problemas de condução da máquina, assim como sofre o efeito do avanço do crime organizado, traduzido nos índices de violência, ocupação de territórios, chacinas, entre outras mazelas. Ali também existe a possibilidade de uma "institucionalização" do crime organizado, ou seja, a infiltração de organizações criminosas na máquina pública, algo que está se tornando até recorrente no país, tendo o Rio de Janeiro como o caso mais emblemático.
Dado o volume de recursos financeiros hoje movimentado, assim como a capilaridade assumida hoje pelo crime organizado, este enfrentamento torna-se sensivelmente complicado. Ciro, inclusive, aponta que um dos reflexos da resistência de setores do país à classificação de organizações criminosas como PCC e CV como organizações narcoterroristas é exatamente a eventual asfixia financeira imposta pelo Governo dos Estados Unidos. Neste sentido Ciro Gomes argumenta que poderá recorrer ao Estado de Israel, como já fez no passado, possivelmente em termos de apoio de inteligência. Como se isso já não fosse o bastante, o estado do Ceará também enfrenta problemas de infraestrutura, na saúde e na educação, elementos com o quais o cearense terá que lidar.
Embora tenha fechado uma aliança com o PL local - vale dizer os bolsonaristas locais, como André Fernandes e o Capitão Wagner - Ciro descarta completamente a possibilidade de montagem de um palanque de Flávio Bolsonaro no estado. Neste momento, Ciro menciona as dificuldades de constituição de palanques estaduais que traduzam, organicamente, as alianças celebradas no plano nacional. Para usarmos uma expressão muito popular na região, no entender do cearense, Flávio e Lula, do ponto de vista da condução da economia, são farinhas do mesmo saco.

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