Alguns movimentos da política pernambucana suscitam algo que instiga uma discussão mais efetiva. Sempre questionávamos por aqui as razões pelas quais os bolsonaristas não lançaram ainda uma candidatura ao Governo do Estado de Pernambuco. Há espaço, há eleitores, há alternativas. Principalmente quando consideramos que eles hoje estão sob o guarda-chuva do Palácio do Campo das Princesas, onde, a rigor, não há espaço suficiente para as suas aspirações. Numa entrevista recente a revista Veja desta semana, a governadora Raquel Lyra não se comprometeu com nenhum candidato presidencial. Nem com Lula, nem com Caiado, que é do seu partido, muito menos com Flávio Bolsonaro. Com Lula, segue o efetivo diálogo institucional em nome do interesse público - como não poderia deixar de ser - assim como suas cordiais relações com o Planalto. Se não estivermos juntos, também não vamos estar separados.
Chegamos a pensar que os bolsonaristas poderiam compor com o Novo, mas o partido resolveu indicar outro rumo ao vereador Eduardo Moura, que deverá disputar uma vaga de deputado federal pela legenda. O principal dirigente do PL no estado, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, já antecipou que estaria abdicando da disputa ao Senado Federal. Também optou por disputar uma vaga de deputado federal. Na próxima semana os bolsonaristas locais se reúnem para definir o rumo que tomarão nas próximas eleições no estado. Pernambuco tem uma robusta representação bolsonarista, integrada por militares, religiosos e empresários. É forte o peso político dos bolsonaristas no estado, a despeito da hegemonia lulista indicada pelas pesquisas de intenção de voto.
A ausência de uma definição mais precisa dos bolsonaristas, levou o Palácio do Campo das Princesas a penetrar sensivelmente neste reduto. A esta altura do campeonato político, talvez eles optem por não lançar uma candidatura ao Governo do Estado, embora deva estar havendo cobranças efetivas da direção nacional do PL neste sentido, quando se sabe da necessidade de montagem de um palanque para Flávio Bolsonaro no estado. Um dado curioso observado na última pesquisa do Datafolha é a performance do deputado federal Mendonça Filho, que aparece muito bem na disputa ao Senado Federal quando sequer é candidato. Mendonça é hoje um nome alinhadíssimo ao Campo das Princesas e, possivelmente, não encampará o projeto de uma candidatura própria.

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