Deu o esperado, conforme já havíamos previsto por aqui. A Procuradoria-Geral da República rejeitou a nova proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Quem tem a última palavra sobre o assunto é o Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, mas a tendência natural é que ele acompanhe a posição da PF e da PGR. A PGR também rejeitou o pedido de prisão domiciliar encaminhado pelos advogados do ex-banqueiro, o que representa mais um grave problema para Vorcaro, uma vez que a PF já recomendou sua transferência da sala especial em Brasília, mas o STF não considera prudente encaminhá-lo para uma prisão comum. Por outro lado, a prerrogativa de cumprimento de pena na sede da Polícia Federal depende dos acertos na condução da proposta de delação premiada, que acaba de ser rejeitada pela segunda vez.
Parece enredo de novela mexicana, onde os capítulos vão se arrastando indefinidamente, quando o essencial já foi dito. Neste caso, talvez não tenha sido dito, gerando enormes especulações pela imprensa em torno do assunto. Alguém já sugeriu que o ex-banqueiro está jogando bem, ou seja, mantém a proposta em aberto - usufruindo dos seus benefícios antecipados - ao mesmo tempo em que preserva alguns bons amigos dos tempos áureos, das viagens de contos de fadas, das degustações de whiskies caríssimos. Tudo é possível. Vorcaro não suportou apenas alguns dias preso numa cela comum de penitenciária. Ele sabe muito bem o que significa isso.
Vamos aguardar os próximos capítulos ou o próximo escândalo que seja capaz de assumir protagonismo suficiente para ofuscar as manchetes em torno do escândalo do Master. Coisa de país como o nosso, que já aprendeu a "conviver" com essas maracutaias envolvendo entes públicos e privados. No Governo de Jair Bolsonaro ocorreram várias denúncias de eventuais irregularidades no uso dos cartões corporativos. Para fazer a coisa certa, o Governo Lula 3 jamais poderia permitir que o cidadão pagador de impostos ficasse privado do conhecimento sobre como tais recursos públicos estão sendo utilizados. Pois bem. Também decretou sigilo sobre o uso desses cartões.

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