pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Crônicas do Cotidiano: A morte de Raimundo Carrero
Powered By Blogger

terça-feira, 16 de junho de 2026

Crônicas do Cotidiano: A morte de Raimundo Carrero



Assim como ocorre com outros escritores, tínhamos uma curiosidade enorme em conhecer as primeiras novelas escritas pelo pernambucano de Salgueiro, o escritor Raimundo Carrero, que faleceu na manhã de hoje, aos 78 anos de idade. Essa curiosidade é absolutamente natural, pois sempre aprendemos muito com os grandes mestres. O propósito em relação ao trabalho do escritor Raimundo Carreiro estava relacionado a conhecermos um pouco o seu estilo literário ainda jovem e o seu processo de aprimoramento ao longo do tempo. A nossa conclusão è época era que Raimundo sempre foi de boa lavra, sugerindo-se uma grande vocação para a literatura desde cedo. Entre seus grandes tutores literários, podemos citar os escritor Ariano Suassuna e o antropólogo Gilberto Freyre, de quem foi assessor de imprensa. O regionalismo de Gilberto é forte em sua produção literária. 

Além de escritor,  Carrero trabalhou no Diário de Pernambuco, onde atuava como jornalista, e na Fundação Joaquim Nabuco, onde exerceu o cargo de assessor de imprensa. Acreditamos que a sua cumplicidade com Ariano tenha sido maior, uma vez que, na década de 70, Raimundo integrou o Movimento Armorial e chegou a produzir um texto literário em conjunto - o que não é comum - com o autor do Auto da Compadecida. Tratamos Gilberto aqui como antropólogo, mas todos sabem que o que ele desejava mesmo era ser tratado como escritor. Maria Lúcia Pallares Burke, que escreveu a melhor biografia intelectual sobre o mestre de Apipucos descobriu essas pistas ao esmiuçar sua biblioteca, repleto de textos literários de grandes escritores da época. 

Conhecemos Raimundo Carrero em suas oficinas literárias na Fundação Joaquim Nabuco, sempre auxiliado por uma companheira de trabalho, que tinha por ele um carinho enorme. Sobre a análise da obra de Gilberto Freyre do ponto de vista ensaístico e literário daria um grande ensaio, mas não deixa de ser curiosa a sua ascendência sobre escritores como José Lins do Rego e Raimundo Carrero, de alguma forma, ter sido agraciado, mais de uma vez, com os melhores prêmios literários brasileiros e ter, ao mesmo tempo, sua obra não legitimada no campo literário. Os paraibanos não gostam muito dessa referência à ascendência literária de Gilberto sobre José Lins do Rego, mas foi o próprio escritor paraibano quem declarou que devia a Gilberto os seus romances. 

Há um relato do jovem Raimundo Carrero, contando a alegria de ter agendado um encontro com o antropólogo\escritor em sua residência de Apipucos, onde chegou com grandes expectativas acerca da avaliação que Gilberto havia feito em relação a um dos seus textos. Sugere-se que tal encontro tenha ocorrido quando Raimundo estava no início de sua carreira de escritor.  Quando foi acometido por um AVC, o escritor pernambucano, Raimundo Carrero revelou o que ele mais temeu naquele momento, como consequência da enfermidade: perder a capacidade de imaginar, condição fundamental para o exercício do seu oficio: escrever. 

Carrero continuou escrevendo e publicando livros, num dos casos, relatando sua experiência com a doença. Lembramos deste episódio ao ler, até recentemente, um texto da professora Eliana Robert Moraes, analisando o lugar da literatura na obra do filósofo francês, Michel Foucault. Como tudo que se refere a Foucault, trata-se de uma grande viagem, uma viagem para ser feita, preferencialmente de barco, o lugar da "heterotopia", ou seja, um espaço, que mesmo sendo localizável, se configura como um lugar à parte, constituindo uma espécie de contestação ao mesmo tempo mítica e real do espaço em que vivemos, consoante com Eliana Robert. A literatura de Carrero foi um pouco isso nos seus últimos anos no plano terrestre, ao se preocupar com a morte dos nossos meninos. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário