Já antecipamos que não somos nenhum especialista em comunicação política. O pouco que sabemos sobre o assunto são ensinamentos observados no cotidiano ou através dos grandes mestres neste campo do conhecimento. Embora, como advoga a oposição, haja uma destinação substantiva para investimentos em comunicação institucional, não procede a informação de que a Prefeitura da Cidade do Recife, durante a gestão de João Campos, investiu mais em comunicação do que em obras na cidade. Ficar de olho na aplicação dos impostos recolhidos pelo ente público é obrigação de qualquer munícipe. A informação poderia ter sido obra de um equívoco cometido por parlamentares que elegeram a fiscalização da gestão municipal como plataforma dos seus mandatos, o que seria bastante natural. É esta a função ou atribuição principal do Legislativo Municipal. O "natural" aqui se refere à fiscalização e não à desinformação.
O cidadão comum dificilmente reservaria algumas horas do seu dia para acompanhar os "balanços" de prestação de conta do município. Por que, então, João Campos é apresentado como aquele que faz, aquele que realiza, aquele que entrega, levando-o a assumir, durante meses, a liderança nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado? Esta pergunta foi respondida pelos estrategistas de comunicação da governadora Raquel Lyra, que acaba de, não apenas virar o jogo, mais abrir uma diferença razoável na disputa pela reeleição ao Governo de Pernambuco. Conforme enfatizamos durante essas nossas discussões acerca da disputa política no estado, não há um único fator que, isoladamente, explique essa virada, mas múltiplos fatores que, agregados e agindo em sintonia, são os responsáveis por tal mudança de cenário na disputa.
Há pouco dias reportamos por aqui a presença da governadora Raquel Lyra anunciando, em suas redes sociais, as obras do Arco Metropolitano, que se estendiam pela madrugada adentro. Ela não apenas anuncia a obra, mas põe a mão na massa, conversa com os operários e, principalmente, se envolve diretamente com os beneficiários desses empreendimentos, mostrando o que pode mudar na vida dessas pessoas. Se é uma creche, ela aparece abraçando as crianças; se é uma obra para as mulheres, ela faz uma live com as companheiras; se é para alunos da rede pública, ela aparece em sala de aulas abraçando os alunos, se é uma obra com os peladeiros de várzea, ela ensaia alguns toques na bola. Por sinal, a governadora está até em boa forma. Pena que não encontramos nenhuma foto específica, porque os vídeos curtos são os preferidos de sua equipe.
Isso fica mais registrado na mente dos eleitores. É muito mais do que simplesmente anunciar uma obra. É o emocional que está sendo trabalhado, o que tem um peso muito maior na hora de definição do voto. Sua equipe de comunicação institucional está no caminho certo. João, apesar de jovem e bem-avaliado como prefeito do Recife, carrega o ônus pesado dos 16 anos em que o seu partido, o PSB, manteve-se à frente do Palácio do Campo das Princesas, um inquilinato que os eleitores pernambucanos já haviam emitido uma ordem de despejo ao eleger Raquel Lyra pela primeira vez. Havia uma inevitável "fadiga de material" socialista. Será que ele terá as "credenciais" necessárias para comunicar os eleitores que faria diferente?
Este texto foi produzido por ocasião da publicação da pesquisa do Instituto Datafolha, aquela que apontava a virada de mesa da governadora. Logo em seguida, vieram outras pesquisas apontando um reequilíbrio na disputa entre João Campos(PSB-PE) e a governadora Raquel Lyra(PSD). Difícil dizer "o que" e "se houve" essa mudança tão significativa desde a divulgação da pesquisa do Datafolha. A verdade é que Raquel ter superado João de forma tão significativa é o grande "divisor de águas" na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.

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