Em política, posicionamento é algo importante e igualmente arriscado. Aqui se aplica a máxima do grande Ulisses Guimarães, que afirmava que o político não poderia se aproximar demais ao ponto de não poder afastar-se, assim como distanciar-se demasiadamente, o que tornaria improvável uma reaproximação. Quando foi pré-candidato ao Planalto, um projeto que o animava desde os tempos de universitário, o ex-governador Eduardo Campos adotou uma posição marcadamente antipetista, se aproximando de grupos políticos de centro e centro-direita. Naquele momento, tal posicionamento poderia ser lido como de ingratidão, uma vez que o Governo Federal, através de programas federais como o PAC, destinava vultosas obras no estado. Pernambuco chegou a abocanhar 25% de todos os recursos do PAC à época, salvo melhor juízo. Se estivermos errados, já antecipamos nossas desculpas por aqui.
Mais do que isso. Havia uma relação histórica, política e afetiva entre o presidente Lula e o seu avô, Dr. Miguel Arraes. Quando todos abandonaram Lula como um cão sarnento durante o escândalo do Mensalão, Dr. Arraes deixou o Palácio do Campo das Princesas e foi solidarizar-se com o amigo. Em sua primeira candidatura à Prefeitura do Recife, João Campos considerou que, naquele momento, era importante manter uma distância regulamentar do PT. Regulamentar aqui é um eufemismo para evitar os melindres, nesses tempos de nervos aflorados. Na realidade, naquele momento, possivelmente aconselhado por seus assessores de comunicação, João considerou que afastar-se do PT poderia representar uma chance efetiva de vitória nas eleições. E foi assim mesmo. João tornou-se prefeito do Recife, antecipando que não admitiria petistas em sua gestão.
Não há dúvida que, com tal narrativa, naquele momento, o prefeito tenha recebido apoios de eleitores vinculados ao centro e à direita do espectro político, o que hoje se complica um pouco em relação ao seu realinhamento ao petista. Possivelmente grupos políticos simpáticos à candidatura da governadora Raquel Lyra estão explorando esses dois momentos do João. É preciso considerar essa contradição seria suficiente para produzir danos consideráveis à sua candidatura. Na outra margem do Capibaribe, na Praça do Campo das Princesas, depois do vídeo gravado por Lula em apoio ao nome de João Campos, a governadora Raquel Lyra pode apostar tudo numa estratégia marcadamente conservadora, sem o menor flerte com os petistas.
Hoje, 19, já começou a se especular sobre a sorte de Túlio Gadelha em sua chapa para o Senado Federal, assim como Miguel Coelho, que, supostamente, não contaria com o aval da federação União Progressista chancelando sua candidatura. Por outro lado, já ouvimos fontes afirmando que, durante o São João dos Coelho, em Petrolina, seu nome pode ser confirmado. Aumentam as apostas em torno de nomes como Eduardo da Fonte, do PP, assim como em relação ao nome de Mendonça Filho(PL-PE), que, embora não tenha anunciado sua pré-candidatura, passou a pontuar bem nas pesquisas de intenção de voto para a Casa Alta.

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