Tivemos algumas experiências interessantes na Bahia, seja quanto viajamos a trabalho ou mesmo a passeio com a família. Uma das mais significativas e gratificantes foi o deslocamento de Salvador à cidade de Cachoeira, na região do Recôncavo Baiano. Ainda guardamos no paladar os sabores da culinária local, apreciadas aos finais de tarde, sob o por do sol, às margens do Rio Paraguaçu. Esta cidade está cercada por um conjunto de emblemas históricos e arquitetônicos do estado, alguns dos quais já tratados por aqui em momentos anteriores. Nossa passagem por ali foi retratada numa novela concluída recentemente, onde nos reportamos aos diálogos com o pessoal da Irmandade da Boa Morte e ao Coco de Roda de Dona Dalva, doutora Honoris Causa pela Universidade do Recôncavo Baiano. Dona Dalva também integra a Irmandade da Boa Morte.
No afã de remontar toda a origem da Irmandade da Boa Morte, O texto ficou demasiadamente ensaístico, o que nos contingenciou aos reparos necessários. Ao romancear alguns fatos históricos, não raro nos empolgamos com as remissões históricas, sociológicas e antropológicas e isso pode comprometer os aspectos determinantes de um romance ou de uma novela. Romance é preciso ter ritmo, cadência. Caso contrário, podemos perder os leitores e leitoras. Ele pode simplesmente não se interessar em conhecer a História da Irmandade da Boa Morte e abandonar o texto. Trata-se de uma armadilha da qual raramente conseguimos escapar. Ainda em Salvador, conhecemos o CEAO ( Centro de Estudos Afro-Orientais), tudo dentro de nossa perspectiva de pesquisa, onde mantivemos alguns contatos com pesquisadores do centro.
Um deles usou a expressão "chega nego" muito comum no estado, utilizada em diversos ambientes sociais da capital baiana, seja um bar, um ponte de encontro, uma praia, um sítio histórico. Mas, neste caso, o pesquisador a utilizou como um eventual ponto de desembarque de negros escravizados que chegavam à capital, possivelmente na cidade baixa, próximo onde hoje fica o Mercado Central. A cidade de Salvador sofreu várias intervenções urbanística ao longo dos anos não sendo possível precisar se, de fato ali, funcionava o local de desembarque de negros trazidos do continente africano. Um local conhecido como Porto da Misericórdia é mais utilizado pelos pesquisadores como ponto de referência neste sentido. O "Chega Nego" oficial.
Ainda por exigências impostas pela pesquisa, tivemos que subir ao ponto mais alto e luxuoso da cidade, o chamado Corredor da Vitória, onde reside a nata da burguesia baiana. Nosso objetivo era conhecer uma instituição museológica local, detentora de um acervo importante para o nosso trabalho. Hoje, 19, uma referência na coluna Diário do Poder nos remeteu a tais lembranças. Segundo a coluna, para alguém que se espantou com a kitnet de milhões, é ali que reside o tal senador encrencado, num belo apartamento avaliado em 200 milhões, com píer e acesso de teleférico à Baía de Todos-os- Santos e, parafraseando um poema de Gilberto Freyre, de quase todos os pecados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário