Este tema daria uma extensa discussão por aqui, a começar pelos abolicionistas Joaquim Nabuco e André Rebouças, que figuraram numa estirpe de abolicionistas que manifestaram uma preocupação sobre como inserir os ex-escravizados, na condição de homens livres, na sociedade brasileira. Esses ex-escravos precisavam de terra, teto, trabalho e, principalmente, de um projeto que os alfabetizassem. Este continua sendo o nó górdio das imensas desigualdades sociais no país. Ainda hoje mantemos no país as escolas para os bem-nascidos, os rebentos da Casa Grande, e a escola para a Senzala, que atende deficitariamente às demandas de uma camada social menos favorecida.
Assim, o país continua ostentando um dos maiores índices de desigualdades do mundo, concorrendo com os países mais fragilizados socialmente do continente africano. Uma imensa desigualdade social, se considerarmos o nosso PIB. Esta renitente desigualdade social é também algo que atropela a consolidação de uma democracia política entre nós. Um fato curioso que descobrimos até recentemente é que a questão do analfabetismo no país também carrega uma nódoa de gênero, ou seja, em sua maioria são mulheres, negras, envelhecidas, residindo majoritariamente em região como o Norte e Nordeste. Mesmo com o dado alvissareiro da PNAD, apontando uma queda de analfabetismo, esta característica permanece.
Recomendaríamos aos leitores um artigo escrito pelo professor e ex-Secretário de Educação do Estado de Pernambuco, Mozart Neves Ramos, publicado hoje, 29, na edição do Jornal do Commércio, onde ele praticamente "comemora" a queda dos índices de analfabetismo no país junto à população maior de 15 anos de idade. É um fato realmente a ser comemorado, principalmente por alguém que, como ele, dedica uma vida à educação. Segundo Mozart este fato é resultado dos bons frutos colhidos por políticas como "Todos pela Educação", como pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada(CNCA), que assume o compromisso de que toda criança deve ser alfabetizada antes dos 07 anos de idade. A queda é de 4, 9% pela primeira vez na História.

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