Os analistas políticos sugerem que o medo pode ser um dos grandes eleitores das próximas eleições no país. Aliás, não só no país, se considerarmos, por exemplo, o que ocorreu recentemente na Colômbia, onde o candidato ultra-direitista Aberlardo de la Espriella foi eleito com uma plataforma concentrado basicamente no enfrentamento radical ao crime organizado no país. Economia, saúde, educação continuam como bons eleitores, mas não restam dúvidas de que a questão da segurança pública passa a ser crucial neste momento, inclusive como tema primordial entre alguns postulantes ao Palácio do Planalto, a exemplo de Ronaldo Caiado, do PSD, e Renan Santos, do Novo.
Contingenciado pelas circunstâncias, o Planalto se movimenta neste sentido ao lançar um plano de combate ao crime organizado, mas o plano tem algumas deficiências inerentes; conta a má vontade de setores da Oposição - principalmente quando o tema se torna bandeira de campanha - e não há tempo suficiente para o Planalto colher os resultados até o dia 04 de outubro, quando teremos o primeiro turno das eleições. Segurança Pública não pode ser tratada do dia para a noite. Exige ações sistemáticas, de longo prazo, bem articuladas. Principalmente no estágio em que nos encontramos, onde 40% dos cidadãos e cidadãs já convivem com o crime organizado - seja através de facções ou milícias - com ações em seus bairros.
Trata-se de uma tarefa gigantesca, com alguns componentes delicadíssimo, como a "institucionalização" do crime organizado, ou seja, sua penetração crescente no aparelho de Estado, seja no âmbito municipal, estadual ou federal. Na semana passada tivemos um daqueles finais de semanas nebulosos no estado, marcado por aquele episódio da morte de uma adolescente e sua mãe, em Timbaúda, atentados com mortes no Curado, uma adolescente encontrada morta em Jaboatão e o episódio da morte de um jovem em plena Padre Lemos, em Casa Amarela, com características de uma execução muito bem planejada, homens encapuzados, usando roupas camufladas.
Isso talvez explique porque o candidato ao Governo do Estado nas eleições de outubro, o ex-prefeito do Recife, João Campos(PSD-PE), passou a bater na tecla da segurança pública no estado. Pernambuco sempre ostentou a condição de um dos estados mais violentos do país. O ex-governador Eduardo Campos elegeu-se governador do estado com o compromisso de baixar esses índices de violência, sintetizados pela morte de dezenas de pessoas em apenas um final de semana, narrados pelo voz do repórter policial Gino Cézar, com audiência estrondosa nos bairros da periferia da cidade. Alguém lembra disso? Num único final de semana eram registrados algo em torno de 3o mortes. O ex-governador Eduardo Campos cumpriu fielmente com a palavra empenhada durante a campanha.
Eduardo Campos participava integralmente das reuniões do Pacto pela Vida, premiava bons resultados, e cobrava, aos muros na mesa, as dificuldades no atingimento das metas estabelecidas. Um dos fatores para o êxito do programa foi exatamente esta integração efetiva do chefe do Executivo Estadual. O programa tornou-se referência internacional e criou escola como programa de segurança pública no país. Os governos socialistas que se seguiram ao do governador Eduardo Campos, convenhamos, não tiveram a mesma atenção ao programa, evidenciando aquilo que chamamos a atenção no início do texto, ou seja, em assuntos dessa natureza, a continuidade se impõe. Sobre como a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) está enfrentando essa questão e tema para um novo artigo.

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